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Página 71 de 95

Boaventura repudia ataque à UFMG

O diretor do Centro de Estudos da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos, se soma às dezenas de protestos e repúdios à "despropositada e ilegal condução coercitiva de que foi vítima o reitor e a equipe da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)".

A professora da USP Lilia Schwarcz considerou a ação da Polícia Federal "um ato de lesa cidadania".

A mesma situação constrangedora levou ao suicídio o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancelier. Essa lembrança reforça todas as suspeitas de que há uma ação orquestrada para desmontar as universidades públicas brasileiras e entregar o ensino superior às empresas privadas.

"Quero ao mesmo tempo testemunhar a mais veemente solidariedade a estes acadêmicos íntegros e quero pedir-lhes, em nome da comunidade acadêmica internacional, que não se deixem intimidar por estes atos de arbítrio por parte das forças anti-democráticas que tomaram conta do poder no Brasil", disse Boaventura em nota distribuída nas redes sociais.

Além de afirmar que não há nenhuma razão jurídica que justifique as ações policiais, Boaventura diz que "os atos de que são vítima [o reitor e seus auxiliares] visam, isso sim, desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização".

Na nota, o intelectual português afirma: "Estamos certos que estes desígnios [privatistas] não se cumprirão, pois a resistência da comunidade acadêmica e do conjunto da cidadania democrática brasileira a tal obstarão. O Reitor da UFMG e a sua equipe estão agora na linha da frente dessa resistência e merecem por isso não apenas a nossa solidariedade, mas também todo o nosso respeito".

Brasil - A comunidade acadêmica brasileira também já se manifestou contra o arbítrio contra a UFMG. Lilia Schwarcz, professora da USP e co-autora de um livro com Heloisa Starling, uma das professoras conduzidas coercitivamente, criticou a ação da Polícia Federal: "Levar coercitivamente uma pessoa que nunca se recusa ou se recusou a ajudar e colaborar é um atentado aos nossos direitos civis".
 
"Expor a processos de humilhação e criar um circo policial sem que se tenham provas circunstanciadas, é um atentado à nossa democracia. Fazer do suspeito um culpado pressuposto é um ato de lesa cidadania", firma Lilia.

Criado em 2017-12-07 16:25:43

Reflexões sobre a obra de Thomas More

Inês Ulhôa -

"Utopia" é “aquele livro que uma nação ou grupo de nações ou o longo do tempo decidiram ler como se em suas páginas tudo fosse deliberado, fatal, profundo como o cosmos e capaz de interpretações sem fim… é um livro que as gerações humanas, premidas por razões diversas, leem com prévio fervor e misteriosa lealdade” (Jorge Luis Borges). É com essa epígrafe que João Almino começa o seu primeiro ensaio..

Ao justificar sua reflexão sobre a obra de Thomas More (1408-1535), João Almino diz que não há dúvida de que essa obra pode ser considerada um clássico. Passados mais de 500 anos de sua publicação, "Utopia" continua nos interessando e gerando novas interpretações.

No primeiro ensaio de sua obra, Almino traça um resumo do clássico de More, demarcando o lugar legítimo de sua especificidade sem deixar escapar a possibilidade de se identificar nesse clássico “traços que poderiam ser atribuídos ao realismo político, a ideologias que surgiram mais tarde, como o liberalismo e o socialismo, bem como a germes de despotismo”. Para tanto, Almino convida o leitor a examinar com atenção a descrição que More faz dos costumes, das leis e instituições.

Segundo ele, por meio da dialética dos diálogos e do confronto entre os personagens é possível descortinar a reflexão que o livro "Utopia" provoca – deixa espaço para o dissenso, as opiniões contrárias, as lacunas e esquecimentos, portanto, “não deve ser lido como um tratado prescritivo ou normativo e não é um ideário”.

Essas questões perpassam os argumentos de Almino, nos quais inviabiliza simplificações sobre a obra de Thomas More. Para ele, Utopia não sugere receitas prontas para serem aplicadas. Pelo contrário, de acordo com Almino, o que o grande pensador humanista Thomas More e seus personagens nos dizem é nos interrogar, nos fazer pensar e nos lançar desafios.

Decifrações de Utopia

Em seu segundo ensaio, Almino reafirma que há muito em Utopia a ser refletido sobre as relações externas da ilha imaginária da Utopia, termo que, em grego, significa “não há tal lugar”. Para Almino, vale a pena fazer uma leitura sistemática sobre os temas da paz e da guerra, das finanças e do comércio entre os povos, da colonização e da imigração em Utopia, “para dele extrair conclusões sobre seu sentido político e filosófico no campo das relações internacionais”.

Ao rastrear esses elementos, Almino narra que More usou sua própria observação de uma negociação diplomática ao ser enviado por Henrique VIII como embaixador a Flandres, na defesa dos interesses dos mercadores de Londres, e depois em Antuérpia. Utopia pode, então, ser interpretado “sobretudo como uma crítica à Inglaterra das primeiras décadas do século XV […], também a outros Estados europeus, como a França, explicitamente citada”.

Segundo Almino, Thomas More pensou a utopia no contexto internacional bem antes de Rousseau ou Kant, “porém, num sentido diverso do ideal da unidade política europeia do primeiro ou da constituição cosmopolita do segundo, em que se respeita a soberania e autodeterminação dos povos”.

Neste estudo criterioso da obra clássica de Thomas More, João Almino desvela como, no plano das relações internacionais, Utopia reflete principalmente sobre a política de intervenção, bem como sobre as táticas e estratégias de guerra.

Esses dois ensaios de João Almino provoca inquietação ao pensamento ao propor a leitura de Utopia em suas variantes, principalmente em relação ao fato de que More talvez não tivesse ideia de que, ao fazer ressalvas às instituições da ilha Utopia, “estava também criando uma distopia, uma utopia negativa, ao imaginar aquela ilha”. Segundo ele, “o inferno, como a Utopia, está cheio de boas intenções. Muito já se comentou sobre a organização totalitária de uma sociedade que se quer transparente para si mesma e onde não há divisão entre o público e o privado. Mas distopia existe também nesta ordem internacional, unilateral, em que as regras são impostas por um só ordenador do mundo, autossuficiente e todo poderoso intérprete do bem, que se crê detentor dos valores da civilização”.

Por essas, razões, o livro de João Almino é indispensável para se entender a obra de Thomas More, bem como a tarefa de entender o mundo atual. É como disse o escritor Alberto Manguel: “Somos o que lemos, mas somos igualmente o que não lemos”.

Criado em 2018-01-10 17:01:46

Artista censurado vai depor em delegacia

O artista plástico Órion Lalli, que foi censurado na exposição que estava aberta ao público no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no centro do Rio de Janeiro, foi convocado para depor nesta terça-feira (3/3) na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

A convocação foi feita após o deputado estadual Márcio Gualberto e a deputada federal Chris Tonietto, ambos do PSL do Rio, terem apresentado uma notícia-crime denunciando a exposição "Todxs xs santxs - renomeado - #eunãosoudespesa". O estado é laico, mas alguns parlamentares agem como se estivessem em plena inquisição medieval.

A exposição foi suspensa pela A Secretaria Municipal de Cultura (SMC) do Rio sob a alegação de que a obra de Órion Lalli “representa vilipêndio ao sentimento religioso, crime expresso no artigo 208 do Código Penal”. O oratório de Órion mostra uma imagem feminina com seios e um pênis.

Órion Lalli disse à imprensa que sua obra não é a representação de uma santa religiosa cristã: “É um recorte de imagem, não é uma peça religiosa. A partir do momento que fiz isso, é a minha imagem. Estão dizendo que é a imagem de uma santa cristã, mas não é. É a minha santa. É o meu oratório. É o meu corpo HIV+ sendo ofertado para essa minha imagem. Preciso falar sobre meu corpo que vive com HIV. Querem me acusar de um crime que não cometi. Essa censura indica que temos muito caminho pela frente e que o meu trabalho, assim como o de outros artistas, tocam numa ferida social, e é isso que tentamos trazer numa obra de arte. Nesse momento em que um trabalho como esse é censurado, a discussão está muito longe de ser razoável”.

A exposição era composta por obras de 30 artistas do Coletivo Lavra, mas só o oratório de Órion foi censurado porque além da imagem tinha a inscrição: “Deus acima de tudo, gozando acima de todos".

No último domingo, o secretário municipal de Cultura do Rio, Adolpho Konder, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando não "admitir nada que promova intolerância e ofensa ao sentimento religioso de qualquer credo".

Por nota, a SMC afirma que manterá a suspensão enquanto a queixa estiver em tramitação e respeitará o processo legal, aguardando a decisão judicial. Diz ainda que "reafirma seu compromisso com o respeito constitucional à liberdade religiosa e a todas as crenças" e que "nossos equipamentos abrigam manifestações culturais de todas as linguagens e estilos, sendo um dos nossos pilares o respeito à liberdade artística".

Os artistas plásticos envolvidos na exposição preparam a defesa da liberdade de expressão em ato público no dia 7/3 (sábado), às 15h, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Centro Rio. Também vão buscar apoio jurídico para defender seus direitos e da cidadania, que está sendo privada de ter acesso à produção cultural.

Criado em 2020-03-03 03:02:13

Susep: Servidores entregam cargos de confiança e exigem respeito

O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Susep (SindSusep) divulga nota explicativa sobre a entrega dos cargos de confiança dos servidores de carreira.

Essa reação coletiva se deve à nomeação de Ícaro Demarchi Araújo Leite, vinculado a partidos políticos, para o cargo de Diretor de Solvência da Susep, no lugar de Cassio Cabral Kelly, que é funcionário de carreira do órgão. Há quinze anos essa diretoria vinha sendo ocupada por servidor concursado.

“São mais de 200 funcionários indignados com mais uma mudança repentina de rumo da autarquia que, há quase uma década, não possui um direcionamento claro e consistente, alvejada por trocas sucessivas de seus comandantes”, diz a nota.

Eis a íntegra da nota:

 “No dia 1° de dezembro os Servidores de carreira da Susep (autarquia federal, vinculada ao Ministério da Fazenda, que fiscaliza reservas de cerca de R$ 1 trilhão dos mercados de seguros, capitalização e previdência - PGBL e VGBL) colocaram seus cargos à disposição, lastreados pelo compromisso dos demais servidores em não assumi-los. Abriram mão de gratificações, projetos e carreira, porque desejam um país melhor.

São mais de 200 servidores indignados com mais uma mudança repentina de rumo da autarquia que, há quase uma década, não possui um direcionamento claro e consistente, alvejada por trocas sucessivas de seus comandantes.

Repentinamente e sem ouvir os apelos do corpo técnico da autarquia, o governo decidiu exonerar o único servidor de carreira de sua Diretoria, embora em seus quadros haja, inclusive, inúmeros PhDs, Mestres ou pós-graduados.

Após a contínua permanência, por mais de 15 anos, de pelo menos um diretor de carreira no Conselho Diretor, inaugura-se um vácuo de representação da casa, o que agrava o receio de que a autarquia se torne mais um entre os tantos órgãos que não cumprem seu papel no Estado. Um órgão em que o interesse público não prevaleça. Sem a presença de um Diretor dos quadros da Casa, a Alta Administração da SUSEP perde seu compromisso com o longo prazo.

Há um profundo sentimento de desrespeito que já não cabe dentro de cada Servidor, análogo ao processo de expulsão, expurgo de quem foi punido por apenas-e-tão-somente fazer a coisa certa. Não se trata de motim, de revolta ou de insurreição.

Trata-se da autoestima, do respeito a si e à instituição e, fundamentalmente, da submissão aos conceitos mais nobres da função pública: servir ao povo."

Criado em 2017-12-06 12:24:51

"Por uma frente ampla em favor da democracia e de Lula"

Na medida em que se aproxima o dia 24 de janeiro, as atenções estão voltadas para o julgamento do ano no Tribunal Regional Federal (TRF 4), de Porto Alegre. Cresce o apoio ao ex-presidente Lula.

A entrevista do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) à Folha de S. Paulo, lançando dúvidas sobre a necessidade de união em torno da defesa de Lula, agitou as esquerdas e acabou por estimular a luta por eleições livres, democráticas e com Lula na disputa. Freixo ainda deve aos seus eleitores explicação sobre a sua entrevista.

A possibilidade da condenação de Lula no TRF 4 é quase certa, mas ainda há espaço para mudança. Para isso, centenas de autoridades, militantes dos movimentos sociais, partidos políticos, estão se dirigindo para Porto Alegre no dia do julgamento. O prefeito Nelson Marchezan Júnior, ligado ao MBL, tenta impedir as manifestações e chegou a pedir a presença da Força Nacional. O ministério da Defesa negou o pedido por acha-lo absolutamente desnecessário.

Lula quer ser ouvido no Tribunal e confirmou presença na cidade. O resultado desse julgamento pode mudar os rumos do processo eleitoral de 2018. Mais de cem mil assinaturas afirmam em documento que “eleição sem Lula é fraude”.

Para reforçar a tese de que é preciso defender a democracia, o militante do PSol, Gilberto Maringoni, escreveu um contundente artigo defendendo uma “frente [ampla] dos que gostam e dos que não gostam de Lula!”

Eis a íntegra do texto de Maringoni que circula nas redes sociais:

“Esqueça os R$ 51 milhões nas malas de Geddel.

Esqueça a outra mala, nas mãos de Rocha Loures.

Faça vistas grossas aos R$ 38 bilhões a serem torrados na compra de votos para a Previdência.

Deixe de lado a aprovação do PL que suspende o pagamento de R$ 1 trilhão das petroleiras internacionais em tributos.

Não se preocupe com o escândalo JBS, com a suspensão da multa de R$ 25 bilhões do Itaú, com a venda da Eletrobrás, com a reforma trabalhista, com o congelamento de gastos, com o desemprego de dois dígitos, com nossa tragédia social.

Nada disso importa.

O que importa agora é que vão pegar o acusado de ter ocultado um triplex no Guarujá. Ele apresentou provas contrárias, mas contra cabeça de juiz não há evidências. Vão pegar e alardeiam que com isso a moralidade pátria estará salva.

O TRF-4, de Porto Alegre, marcou o julgamento do acusado, líder isolado nas intenções de voto, para o dia 24 de janeiro. A base legal - ironia das ironias - é a Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio acusado há sete anos.

Marcaram num tempo sonolento, entre o ano-novo e o carnaval. Os estudantes estarão de férias.

Encurtaram prazos, passaram por cima da ordem habitual dos processos e - tudo indica - vão condenar o homem, que ficará inelegível.

Logo este homem.

Logo Lula, que sempre buscou dar segurança aos mercados. Logo Lula, que não tocou nos interesses dos donos do dinheiro.

Nem isso a turma da casa grande aceita. Não aceita por saber que Lula tem algo que eles não têm: uma formidável base popular que, em determinadas situações, pode se tornar incontrolável. Isso, apesar de todo esforço de Lula em evitar o confronto.

Lula confiou nos de cima, achou que eram amigos e eles vêm a mostrar que em luta de classes não tem conversa. Não deram o golpe à toa. Não deram o golpe para fazer marola.

Admiro a figura histórica de Lula e a marca profunda que há quarenta anos imprime na vida nacional. Ele não é meu ídolo, mas não há liderança popular capaz de a ele se ombrear no Brasil.

Condenar Lula significa transformar o país numa esbórnia.

Num escracho.

Numa mazorca.

Num lupanar cívico.

Condenar Lula significa fraudar as eleições de 2018.
Condenar Lula significa dar o golpe dentro do golpe.

Por isso, agora é hora da frente dos que gostam e dos que não gostam de Lula - mas que estão com a democracia - contra algo que atinge a quase todos.

É hora da frente ampla contra a segunda fase do golpe!”

Chefe de Gabinete do presidente do TRF 4 abre campanha contra Lula nas redes sociais

A chefe de gabinete do desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, presidente do TRF 4, que deveria primar pela imparcialidade, abriu campanha nas redes sociais contra Lula pedindo sua prisão.

A justiça brasileira definha nas mãos de juízes e servidores que não escondem sua parcialidade. O presidente do Tribunal, mesmo sem ter lido a peça condenatória, já disse publicamente que a sentença de Sérgio Moro contra Lula é “irretocável”.

Com um chefe desse o que esperar da funcionária subordinada? Daniela Tagliari Kreling Lau postou em sua página no Facebook petição pedindo que as pessoas assinassem pedindo a prisão de Lula.

A ditadura da toga que se instala no Brasil quer fazer do dia 24 de janeiro, dia do julgamento de Lula no TRF 4, um marco para dizer que as leis não importam, mas sim a opinião, a “convicção”, do juiz.

O presidente do PT/RS Pepe Vargas informa que depois da denúncia contra Daniela, que tomou conta das redes sociais, a serviçal do presidente do TRF 4 eliminou postagens e comentários políticos do Facebook.



Temer propõe PEC para não ser processado

Enquanto a campanha eleitoral se agita no país, o presidente Michel Temer reuniu-se com os ministros Henrique Meirelles (Ministro da Economia – PSD), Rodrigo Maia (Presidente da Câmara – DEM/RJ), Dyogo Oliveira (Planejamento) e Alexandre Baldy (Cidades), para definir a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as regras para custeio de pessoal dos governos em todas as esferas do estado.

Temer continua gastando recursos públicos para ganhar votos no Congresso Nacional para aprovar a Reforma da Previdência, comprometendo o equilíbrio fiscal que tanto "defende" o ministro da Fazenda.

Isso significa dar um golpe na Lei de Responsabilidade Fiscal e fugir de eventuais processos. A proposta é indecente e terá grande dificuldade de ser aprovada. Mas, como o golpe continua em curso, nada é impossível neste governo.

A rigidez da LRF foi utilizada apenas para destituir a presidenta Dilma Rousseff por um crime que sequer existiu.

Criado em 2018-01-06 22:34:14

Artistas vão ocupar a Casa da Cultura da América Latina

O que acontece quando quinze artistas e um coletivo de arte se unem para apresentar suas criações em um projeto? MUDA é o nome da ocupação coletiva das galerias da Casa da Cultura da América Latina (CAL - UnB) com trabalhos de Ananda Giuliani, César Becker, Forças Amadas da Arte (Cleber Cardoso, Gisel Azevedo, Hilan Bensusan, Mateus Lucena, Raisa Curty e Suyan de Mattos), Gisel Azevedo, Isadora Dalle, Lara Ovídio, Luciana Ferreira, Luciana Paiva, Ludmilla Alves, Maria Eugênia Matricardi e Rut Solar.

O projeto, selecionado pelo edital Convocatória para exposições da CAL ainda em 2017, “surgiu do interesse por uma reunião de pontos de vista sugeridos, provocados, interrogados, inventados pelos trabalhos. A ocupação torna-se ocasião para o encontro - aberto - de propostas diversas”, diz Ludmilla Alves, uma das curadoras do evento.

Juntas, essas e esses artistas, “tecem uma rede de conexões no espaço expositivo: espécie de constelação. Conjunto ou reunião não-homogênea de pontos de vista. Invenção, inversão, intervenção, reenquadramento, lapso, giro, terra, água, planta, linguagem, leitura, corpo, escavação, desmanche, domínio, mudança, posição, espaço, comum - quantas palavras ou gestos cabem no desejo e no movimento de revirar a história? Quando é que o mundo não estava acabando? Alguma coisa acontece e afia a distância entre emudecer ou mudar” diz o material de divulgação da exposição, que estará aberta ao público a partir de 11 de março até primeiro de maio de 2020. Agende.

Serviço:
MUDA – Ocupação Coletiva nas Galerias da Casa da Cultura da América Latina (CAL)
Local: CAL - SCS Quadra 4 - Sala 103 - Asa Sul, Brasília – DF.
Curadoria e projeto: Ananda Giuliani, Isadora Dalle e Ludmilla Alves.
Abertura: 10 de março, às 19h.
Visitação: de 11/3 a 1/5 – de segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábado (por agendamento) de 8h às 18h.

Criado em 2020-02-26 22:49:43

Sociedade cobra transparência do GDF na divulgação da LOA 2018

Diante da falta de transparência na divulgação integral da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2018, entidades da sociedade civil enviaram carta aberta ao governo de Brasília exigindo o cumprimento da legislação a esse respeito.

O movimento social explica que a Secretaria de Planejamento do DF (Seplag) não disponibilizou em seu site o Anexo XX - Demonstrativo das metas físicas por programa, evidenciando a ação e a unidade orçamentária, "que é justamente o que especifica quanto cada uma das ações orçamentárias poderá utilizar em 2018". Esse documento não está disponível para download.

Eis a íntegra da carta assinada por várias entidades:

"É obrigação do poder Executivo, todos os anos, elaborar e enviar ao Legislativo pelo menos duas leis que objetivam guiar o uso dos recursos públicos no ano seguinte: a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), a qual deve ser enviada até o dia 15 de setembro, devendo ser aprovada na casa até o fim do ano legislativo.

Apesar do discurso de transparência e participação social repetido intensamente pelo atual governador durante sua campanha, a participação social neste processo se deu apenas com uma audiência pública que tinha por objetivo coletar sugestões da sociedade sobre o PLOA, porém não houve nenhum processo de diálogo, debate ou devolutiva por parte do executivo sobre as propostas apresentadas.

Ao enviar o projeto para a Câmara Legislativa do DF, é de praxe que o documento fosse divulgado pelo Executivo, como o fazem diversas prefeituras e governos em todo o país, contemplando os princípios de transparência ativa que fazem parte da legislação brasileira e os princípios de boas práticas políticas que deveriam ser parte de todos os gestores públicos.

O que foi divulgado no portal da Secretaria de Planejamento do DF (Seplag) foram apenas alguns documentos que compõem o imenso texto da PLOA, porém, o arquivo mais importante, o Anexo XX - Demonstrativo das metas físicas por programa, evidenciando a ação e a unidade orçamentária, que é justamente o que especifica quanto cada uma das ações orçamentárias poderá utilizar em 2018, não consta nos documentos disponíveis para download.

No dia 5 de outubro, entramos em contato por telefone com a Seplag informando a ausência do documento e solicitando a sua disponibilização. Fomos informados que no mesmo dia o arquivo seria disponibilizado no site, o que não aconteceu. No dia 6 de outubro, a Coordenadora de Transparência da Subcontroladoria de Transparência e Controle Social do DF também foi informada. Na última semana, no dia 16 de novembro, um novo contato telefônico foi realizado com a Seplag, porém, até a data de hoje o documento não foi disponibilizado.

Aproveitamos o momento para reforçar a necessidade de que estes arquivos, em sua maioria tabelas, sejam disponibilizados em formatos abertos e não proprietários, como a Lei de Acesso à Informação determina. Atualmente, o Governo de Brasília só os disponibiliza em formato PDF, o que impossibilita uma análise criteriosa das informações.

Assim, denunciando a falta de transparência do Governo de Brasília, solicitamos que os princípios da transparência ativa sejam adotados pelo GDF e que os arquivos do Projeto de Lei Orçamentária de 2018 sejam completamente disponibilizados no site, em especial o Anexo XX, em formato aberto e não proprietário".

Assinam esta carta:

Movimento Nossa Brasília
Inesc - Instituto de Estudos Socioeconômicos
Associação Andar a pé
Bike Anjo DF
Bicicentro Comunitário Mercado Sul Vive
RUAS
Brigadas Populares do DF
Valores
Bicicleta Livre
Rodas da Paz

Criado em 2017-11-23 14:17:40

Um Feliz Ano Novo para todos e todas

Romário Schettino -

Que 2018 seja melhor para todos nós, que o mundo seja mais acolhedor e menos violento, tenso.

Que o Brasil recupere o caminho da soberania e do desenvolvimento sem os solavancos que agitaram 2017 e continuam nos atormentando. Que em 2018 tenhamos eleições livres e democráticas, sem jutiças seletivas.

Que continuemos juntos no site www.brasiliarios.com e solidários como sempre.

Criado em 2017-12-31 23:37:12

Filmaê – inscrição de filmes produzidos com celular chega a 1.100

Os 117 finalistas da 2ª edição do Festival de Cinema Filmaê estão disponíveis no site do evento www.filmae.com.br onde, a partir do próximo dia 27/2, terá início a votação popular.

As inscrições do Brasil e do exterior ultrapassaram 1.100 filmes. Realizadores de 24 estados brasileiros e do Distrito Federal inscreveram 330 filmes e os títulos internacionais são 805, representando 91 países dos cinco continentes.

A cerimônia de premiação está programada para o Espaço Cultural Renato Russo, 508 Sul, em Brasília, de 13 a 15 de março.

Único com essa proposta na América Latina, o Festival de Cinema Filmaê se consolida como espaço democrático e se soma a outras iniciativas com o mesmo perfil espalhadas pelo mundo, como Suíça, Portugal, Espanha, França, Austrália e Estados Unidos.

Curadoria – Dentre os 330 filmes brasileiros inscritos para o festival, o estado com maior número de inscrições foi São Paulo (com 112 filmes), seguido pelo Distrito Federal (47), Rio de Janeiro (26) e Paraná (16). Os filmes abordam temas como Amazônia, a questão indígena, mudança climática, preconceito, autismo, modelo repressor de educação, suicídio, abandono de idosos e muito mais, com uma grande variedade de gêneros, que vai da ficção ao experimental. Os curadores foram Fernando Campos, Guilherme Pastana e Guilherme Carvalho.

Ao contrário dos demais festivais, os espectadores podem votar em categorias técnicas e escolher a Melhor Direção, Melhor Interpretação, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Filme Escolha Popular.

Caberá ao Júri Oficial apontar os melhores filmes em cinco gêneros: Melhor Filme de Ficção, Melhor Filme Documentário, Melhor Videoclipe, Melhor Reportagem Mojo (Jornalismo Móvel) e Melhor Filme Experimental. O Júri Oficial ainda elegerá o Melhor Filme Infantojuvenil (de 8 a 12 anos) e Melhor Filme Juvenil (13 a 17 anos) e melhor filme do Festival.

Dentre os países que participam de mostra não-competitiva, o que inscreveu o maior número de filmes foi a Índia (102 filmes). Em segundo lugar, os Estados Unidos (89), seguido pelo Irã (com 66 filmes) e Itália (52). Os curadores Joaquim Lima e Lupe Leal selecionaram os títulos que comporão as duas programações especiais a serem exibidas durante o 2º Filmaê.

Ficha técnica:
Evento: 2º Filmaê
Coordenação geral: Fernando Campos
Produção artística: Guilherme Carvalho
Coordenação de marketing: Guilherme Pastana
Direção executiva: Thay Limeira
Patrocínio: Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC)

Serviço:
Data: 13 a 15 de março
Local: Espaço Cultural Renato Russo
Mais informações: www.filmae.com.br

Criado em 2020-02-20 04:10:15

Contra nomeação política na Susep, servidores entregam DAS

Cerca de 90% dos comissionados (DAS) da Superintendência de Seguros Privados – Susep, com sede no Rio de Janeiro, entregaram hoje seus cargos em protesto contra a nomeação política em uma de suas mais importantes diretorias, a de fiscalização.

Essa reação coletiva se deve à nomeação de Ícaro Demarchi Araújo Leite, vinculado ao PTB e ao Solidariedade, para o cargo de Diretor de Solvência da Susep, no lugar de Cassio Cabral Kelly, que é funcionário de carreira do órgão. Há quinze anos essa diretoria vinha sendo ocupada por servidor concursado.

O ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, operador da reforma ministerial do governo Michel Temer, é apontado como o responsável por essa reviravolta funcional na Susep, colocando em risco o trabalho que vinha sendo feito pela diretoria na apuração de irregularidades no Seguro DPVAT, dentre outras ações.  

Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Susep (SindSupsep), Osiane Nascimento Arieira, essa nomeação política coincide com o ano eleitoral e é uma prova de que “as forças políticas acabam de completar o aparelhamento da Susep com a substituição do último diretor que era servidor de carreira. Agora a alta administração da Susep está totalmente capturada por agentes políticos, cujas agendas, historicamente, não se alinham aos interesses da sociedade e do país”.

A Susep é a Autarquia Federal, vinculada ao Ministério da Fazenda, que fiscaliza os mercados de Seguros Privados no Brasil, como o seguro automóvel, a Previdência Complementar (VGBL e PGBL), as empresas de capitalização, os corretores de seguro, entre outros. Setores que administram recursos da ordem de R$ 1 trilhão.

“É contra os efeitos danosos e irreversíveis desta nomeação que os servidores de carreira que ocupam cargos de chefia e seus substitutos entregaram seus pedidos de demissão em caráter irrevogável”, disse Osiane.  
 
Os servidores alertam para o risco do mau uso dos recursos do DPVAT, que arrecada R$ 5 bilhões ao ano, e o enfraquecimento da fiscalização, que pode prejudicar os consumidores de seguros, previdência e capitalização.

O SindSusep afirma ainda que “como servidores de Estado temos o dever de proteger o interesse da sociedade em geral e o direito dos segurados”.
 
O sindicato enviou carta ao Superintendente Joaquim Mendanha e ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, manifestando contrariedade com o aparelhamento político da Susep, mas ainda não recebeu nenhuma resposta. Mendanha disse apenas que esse assunto diz respeito ao Ministério da Fazenda.

Criado em 2017-11-23 02:24:45

Isso não se faz, Michel - uma crítica moral ao presidente

Geniberto Paiva Campos (*) -

Sem qualquer anúncio prévio. Sem nenhum aviso. Nem de última hora. Nenhum debate ou a mínima discussão. Assim, o presidente em exercício Michel Temer e seus parceiros jogaram o Brasil num abismo sem fim ao assumir, ingenuamente, a teoria neoliberal, “ideologia disfarçada de ciência econômica”. (1)

Uma mentira. Uma fraude insustentável, exceto para uma classe média cooptada e convertida por uma mídia farsante e sem escrúpulos, que a transformou em crédulos militantes de uma causa sem futuro: o neoliberalismo.

O novo governo cumpre fielmente as ordens dos seus patrões, os locais e os distantes, representantes do mais retrógrado e inviável sistema econômico, o qual somente sobrevive nas mentes ultrapassadas da militância neoliberal.
Parecendo uma revanche histórica.

Não satisfeitos com o desmanche do socialismo e da extinção da União Soviética, os ideólogos do capitalismo rentista assumiram uma espécie de vingança: destruir o estado de bem-estar social; apagar qualquer resquício de “socialismo”, e de cambulhada, extinguir direitos trabalhistas e desmontar a previdência social. E fazer a pronta entrega da soberania nacional.

Michel Temer e o seu grupo adotaram automaticamente essa estranha pauta, talvez sem avaliar suas consequências, quando aplicaram o (suave) Golpe de Estado de 2016.Longamente urdido. Tramado e executado com o apoio de forças externas.

O qual incluiu até a “compra” de resultados de jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Aquele estranho, inesquecível Alemanha 7 x 1 Brasil.

A seleção brasileira estava impedida de ganhar um novo título mundial de futebol. Para não interferir na eleição presidencial. Não funcionou eleitoralmente. Mas ficou a imensa vergonha para os que amam o futebol.

Ao que parece, os novos governantes estão convenientemente esquecidos de que nos últimos tempos, entre os povos de todos os quadrantes do Mundo surgiu “uma crescente insistência de que o império da lei – ou pelo menos padrões mínimos de decência humana – venha a governar os atos dos Estados, assim como o de seus cidadãos.” (2)

Imaginando estar acima do julgamento político – imediato e impiedoso - o qual já se faz perceptível, bastando conferir as últimas pesquisas de opinião. Aliás, alguns partidos apoiadores do golpe estão, na prática, politicamente extintos.

Contando, ainda, com a “memória curta” dos brasileiros para escapar do também impiedoso julgamento da História.

Estaria, então, decretada a completa “anestesia moral” no jogo político. Um vale-tudo que vai nos conduzindo celeremente para desfechos imprevisíveis. Com a política dominada por atores desqualificados. Movidos tão somente por interesses subalternos.

Pior: arrastando o país para o abismo sem fim da desigualdade e da injustiça. Destruindo valores fundamentais da convivência humana. Criando um novo país de espertos e amorais.

Impondo, na prática a máxima malufista da política, onde “feio é perder”. Assumindo, claramente, a política como a “arte da esperteza”.

Após quatro derrotas seguidas nas eleições presidenciais, estava aberto um novo período, o vale tudo para a reconquista do poder. Incluindo a compra de consciências (e do voto), para naturalizar e legitimar a corrupção, o crime e as manobras ilegais, desde que trouxessem os conservadores neoliberais de volta ao comando do país.

Utilizando cinicamente a fraude e a mentira, com a certeza da impunidade, retomaram o poder. Sem a necessidade de consulta aos eleitores. E, imediatamente, teve início a rapinagem apressada e cínica, “roubando o futuro e a esperança dos brasileiros’. (3)

Preparando o país para o desfrute dos 3% mais ricos. Tornando-os mais ricos e arrogantes. Como se empurrassem o país para um túnel escuro. Facilitando o assalto.

Michel Temer, na qualidade de vice da presidente afastada, participou ativamente da conspiração. E com pressa de assaltantes, o seu grupo de comparsas, sem o menor pudor, deu início ao desmonte do país.

Embora pareça um pouco precoce, algumas lições (morais e políticas) podem ser assimiladas deste espantoso episódio.

Como um professor de direito constitucional alia-se a um esquema golpista de tal natureza? Eis uma pergunta de difícil resposta.

Como o vice Michel Temer foi tão facilmente cooptado pelos agentes neoliberais, tornando-se um reles traidor dos seus princípios e da sua Pátria?

Nessa perspectiva, vale lembrar a saga de alguns vice-presidentes da história recente do país, que vieram a assumir a presidência. O mais próximo do Temer seria Café Filho, o qual sumiu na poeira do tempo, consumada a traição ao presidente Vargas.

Entretanto, o melhor exemplo de comparação de figuras conhecidas da política brasileira com o presidente seria o ex-governador carioca Carlos Lacerda.

Lacerda foi uma das figuras públicas mais inteligentes do país. Administrador capaz.  Jornalista e orador brilhante, com grande capacidade de convencimento. Pelos seus dotes inegáveis, esse quadro partidário tipicamente udenista, exerceu forte influência na vida política do país, a partir de década de 1950.

Teve intensa participação no desfecho da crise que levou Getúlio Vargas ao suicídio, em 1954. Sua atuação foi, também, decisiva na derrubada de João Goulart em 1964, com a instalação, por mais de duas décadas do regime militar.

A partir desse ponto, Carlos Lacerda entrou no seu labirinto pessoal. Talvez pela ausência de uma visão estratégica coerente, cometeu pequenos e grandes equívocos políticos. Imperdoáveis na vida pública.

Mudou de lado com frequência inusitada: foi comunista na juventude; conservador e neofascista na vida adulta; tentou voltar ao campo progressista logo nos primórdios do regime militar, com a criação da natimorta “Frente Ampla”. Ações pessoais sinuosas que resultaram na criação de uma imagem polêmica. Com perda da confiança de todos os campos políticos por onde transitou.

Carlos Lacerda morreu aos 63 anos, de causas cardiovasculares. Segundo alguns testemunhos, deprimido a alcoólatra. Jamais conseguindo realizar o sonho de se tornar presidente do Brasil.

Um dos maiores políticos brasileiros do século passado teve, portanto, uma trajetória polêmica e conturbada. Traduzida numa conduta política ousada e sinuosa. Com escolhas erradas, em horas incertas.

Seu exemplo deveria nortear aqueles que seguem na vida política sem uma visão clara de objetivos e dos meios disponíveis para alcançá-los. E dos limites morais permitidos, claramente delineados na consciência de cada um.

Isso não se faz, Michel! Os fins não justificam os meios.

A História não perdoa a traição... E cobre de vergonha e opróbio os traidores.
_________________________
(*) Geniberto Paiva Campos, do Coletivo Lampião


(1) Dani Rodrik in “Salvando a Economia do Neoliberalismo” – 2017, citado por Carta Capital, nº 980/ novembro 2017

(2) Gaddis, J.L in “História da Guerra Fria” – Ed. Nova Fronteira, RJ, 2010

(3) Saul Leblon in Carta Maior – novembro, 2017

Criado em 2017-12-02 21:27:03

Teatro: “3 Mulheres Baixas” volta no mês da mulher

A peça 3 Mulheres Baixas é uma aventura pessoal e coletiva. O texto teve redação final do diretor e dramaturgo Alexandre Ribondi a partir de conversas e risadas com as atrizes Luísa de Marillac, Helen Cris e Monique Alvarenga - são elas que entram em cena para expor essa alma feminina que não quer mais ser bem comportada e discreta.

Com tom de comédia, o espetáculo pode ser também tenso e dramático.  O título da peça vem de uma brincadeira com uma outra peça, do dramaturgo norte-americano Edward Albee, que se chama Três Mulheres Altas. Nela, três mulheres discutem suas vidas e seus pontos de vista, numa obra que é considerada perversamente engraçada e é isso que se procura neste espetáculo: rir do perigo de querer ser diferente, do risco de pretender mudar a ordem natural das coisas.

Essa é a terceira temporada da peça, que já esteve em cartaz na Casa dos Quatro e no Espaço Cultural Renato Russo. Desta vez, a data foi escolhida a dedo para coincidir com o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

Serviço:
Peça
: 3 Mulheres Baixas
Data: 6, 7 e 8 de março
Hora: 20h
Local: Casa dos Quatro – 708 Norte Bloco F Lj 42 (Rua das Oficinas)
Ingressos: R$ 40 a inteira
Classificação etária: 16 anos

Ficha Técnica:
Elenco: Helen Cris, Luísa de Marillac e Monique Alvarenga
Direção e texto final: Alexandre Ribondi
Assistente de direção: Josias Silva
Maquiagem (criação): Rubens Fontes
Coreografia: Thais Kuri
Figurino: Luciana Glapas
Concepção de luz: Ana Quintas
Operação de som e luz: Josias Silva
Produção: Casa dos Quatro
Informações-Produção: (61) 32632167 / (61) 982150302 / (61) 982173658 (Rui Miranda)

Criado em 2020-02-19 01:54:31

Movimento Negro repudia declarações da ministra

As polêmicas declarações da ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, defendendo a acumulação de seu salário de ministra com o de desembargadora aposentada na Bahia, no total de R$ 61,4 mil, provocaram reações de várias entidades do movimento negro brasileiro.

A ministra, em 207 páginas, reclama que, por causa do teto constitucional, só pode ficar com R$ 33,7 mil do total das rendas. A ministra diz que essa situação, “sem sombra de dúvidas, se assemelha ao trabalho escravo, o que também é rejeitado, peremptoriamente, pela legislação brasileira desde os idos de 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura”.

Luislinda justifica no documento apresentado ao governo Temer, que por causa da regra do teto, pela qual nenhum servidor ganha mais do que um ministro do Supremo, seu salário de ministra cai para R$ 3.292 brutos. O de desembargadora, de R$ 30.471,10, é preservado.

Como a ministra virou motivo de piada em todo o território nacional e nas redes sociais. Ela retirou o pedido de acumulação de salários, mas o estrago à sua imagem e à do governo Michel Temer, é irreversível.

Eis a íntegra da nota:

“As entidades do movimento negro brasileiro repudiam as declarações da ministra Luislinda Valois, que assim como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, ao fazer referência à tragédia da escravidão que submeteu milhares de negros a uma condição perversa e desumana – um crime contra a humanidade, declarado pela ONU – apropriou-se de forma oportuna desse fato histórico trágico para obter benefícios próprios relativos ao seu salário.

Não obstante não nos furtamos em observar que esse ano o Juiz Sérgio Moro percebeu o salário superior ao teto constitucional durante vários meses e a justificativa para tal descalabro são as generosas cestas de auxílios e adicionais eventuais comumente utilizados no expediente do sistema de justiça para burlar o teto constitucional e assim beneficiar milhares de juízes Brasil afora. O que também representa uma violência para a sociedade brasileira como um todo.

Voltando a Ministra Luislinda, entendemos que reivindicar privilégios e participar de um governo que quer acabar com os direitos trabalhistas, com o combate ao trabalho escravo e as políticas de inclusão racial, além de silenciar frente ao racismo religioso e as demais violências sofridas pelos povos de terreiros e comunidades quilombolas em todo o país é um contrassenso.

A ministra é voz de um governo de privilégios e privilegiados que quer acabar com os direitos trabalhistas, com o combate ao trabalho escravo e as políticas de inclusão racial. Além de silenciar-se frente ao racismo religioso e às violências sofridas pelos povos de terreiros e comunidades quilombolas em todo o país.

Além de afrontar a dignidade da população negra, a posição da ministra é um atestado cabal da falta de compromisso com o combate ao racismo e com verdadeira cidadania de negros e negras.

 Não resta dúvida que estamos vivendo um momento em que a violência contra as mulheres, negros, grupos LGBT, quilombolas e índios está se naturalizando e a posição equivocada da ministra é um retrato desses ataques.

A nomeação dessa senhora é reveladora do desapreço que o governo Temer tem pela comunidade negra e o gravíssimo problema do racismo no Brasil.

Também é sintomático o fato de o Presidente Temer olhar para o Brasil e não conseguir enxergar os milhares de homens e mulheres negras com altíssimo nível de comprometimento político com os anseios e demandas da população negra para ocupar qualquer cargo na Esplanada dos Ministérios, ou estaria ele ciente de que a maioria de nós jamais compactuaria com um governo ilegítimo que se instituiu através de opressões, desmandos e violências?

A ministra não representa o povo negro, não representa as mulheres negras e nem aqueles que lutam pelo fim do racismo.
Estamos por nossa própria conta! O povo negro não vai se calar frente ao racismo!  #ForaTemer”.

Assina a nota:

Convergência Negra - Articulação Nacional do Movimento Negro Brasileiro.

Subscrevem:
Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN
Agentes de Pastoral Negros - APNs
Círculo Palmarino
Coletivo de Entidades Negras - CEN
Coordenação Nacional de Entidades Negras - CONEN
Quilombação
Rádio Exu - Comunicação Comunitária de Matriz Africana
Movimento Negro Unificado - MNU
Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana - REATA
UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade
Enegrecer - Coletivo Nacional de Juventude Negra
Movimento Consciência Negra de Butia - RS
Secretaria de Combate ao Racismo da CUT
Soweto
Grupo de União e Consciência Negra - GRUCON

Criado em 2017-11-04 18:28:41

“Começa o governo Temer”

Geniberto Paiva Campos (*) -

Agora é para valer. Após avanços e recuos, começa finalmente o governo Michel Temer. Entronizado pela soberana decisão da Câmara dos Deputados. Para a qual foi eleita em 2014 uma sólida maioria, com a elevada missão de substituir a decisão popular pelos desígnios soberanos da ideologia neoliberal.

Alterando de maneira completa, talvez definitiva, o perfil social e econômico da nação brasileira.

A outrora poderosa Rede Globo não conseguiu afastar o presidente Temer da sua sagrada missão: conduzir o país para o século 19. Bem que tentou. Mas foi inútil.

Concluída a tarefa de manter o vice eleito como substituto definitivo da ex- presidente, teve sequência, com a pressa possível, a votação das Leis Promotoras do Retrocesso (LPR).

Criando, portanto, o “Estado Pós-Democrático”, com o qual o Povo brasileiro passa a conviver. Tomando conhecimento “da dor e da delícia” da ditadura suave. Ou “Ditabranda” como queria aquele jornal paulista.

Como dizia o Conselheiro Acácio “o problema das consequências é que só vêm depois...”

No dia 11/11/2017, entrou em vigor a Nova Lei Trabalhista, recém aprovada pelo Congresso. Cujos efeitos deletérios logo serão percebidos. Com a destruição dos direitos trabalhistas duramente conquistados pelos operários brasileiros ao longo de décadas de lutas.

Talvez a doce – e tardia – vingança do capitalismo rentista contra Getúlio Vargas, João Goulart e Luis Inácio Lula da Silva. E, claro, contra o Papa Leão XIII e a sua profética encíclica “Rerum Novarum”, de 1891.

O Brasil inicia assim a sua “via crucis”, adentrando o tenebroso caminho das trevas. Redundante e difícil. No qual todos os brasileiros, com a justa exceção da conhecida minoria da meia dúzia de hiper milionários tupiniquins, irão provar do pão que o diabo amassou.

Bastando tomar conhecimento (jamais pela mídia neoliberal) do que está acontecendo na Espanha, após a implementação das novas regras do trabalho.

Continuamos aguardando a extinção do Estado de Bem-Estar Social, vigente em alguns países desde o período imediatamente após 2ª Guerra Mundial.

A quem os brasileiros devem a extinção da democracia, dos direitos sociais, do Estado de Direito, da busca da igualdade, da inclusão sócioeconômica e da impossibilidade de sermos, enfim, uma sociedade civilizada?

Com toda justiça e reconhecimento a um Congresso Nacional, especialmente eleito para implantar os Dez princípios da concentração de riqueza e poder (“O Fim do Sonho Americano” - filme documentário baseado em entrevistas de Noam Chomsky, disponível no Youtube):

1.     REDUZIR A DEMOCRACIA
2.     MOLDAR A IDEOLOGIA
3.     REDESENHAR A ECONOMIA
4.     DESLOCAR O FARDO DE SUSTENTAR A SOCIEDADE PARA  OS POBRES E CLASSE MÉDIA
5.     ATACAR A SOLIDARIEDADE
6.     CONTROLAR OS REGULADORES
7.     CONTROLAR AS ELEIÇÕES
8.     MANTER A RALÉ NA LINHA
9.     FABRICAR CONSENSOS E CRIAR CONSUMIDORES
10.     MARGINALIZAR A POPULAÇÃO

A todos os congressistas que com o seu voto pró impeachment, em 2016, colocaram o Poder Executivo nas mãos de um grupo de homens comprometidos com o atraso e a desigualdade. Movidos pelos piores interesses. Absolutamente distantes de princípios e valores como humanismo, solidariedade, compaixão, ética, respeito à natureza, espiritualidade (Ulisses Riedel, in “Ecologia Espiritual / Genealogia da Alma” – Ed. União Planetária – Brasília, DF, 2017).

Valores que, aqui listados com boa fé, iriam provocar nessas pessoas indisfarçados risos de escárnio e desdém, pela incontida ingenuidade dos que ainda se mantêm ligados e ainda guardam tais princípios.

A todos esses, que em época não tão distante seriam com inteira justiça, rotulados de traidores da pátria, o alerta dos verdadeiros patriotas;

- “A teoria neoliberal não logrou êxito em nenhum lugar do mundo. Há de chegar o momento no qual, os que agora assaltam o Poder, deverão prestar contas das suas ações nefastas. E aqueles que com o seu voto, propiciaram tamanho retrocesso, poderão corrigir tais equívocos, agindo pela recuperação da democracia e dos direitos fundamentais da sociedade brasileira, através de medidas revogatórias e outras cabíveis, para devolver aos brasileiros a Justiça, a democracia e o retorno possível à civilização”.

Finalmente, a Esperança.
____________________
(*) Geniberto Paiva Campos, do Coletivo Lampião.
     Médico e membro da Comissão de Justiça e Paz da CNBB

Criado em 2017-11-13 01:24:59

Bloco Gregos&Goianos estreia no carnaval de Brasília

Em sua primeira edição, o bloco Gregos&Goianos chega com as cores do arco-íris e com a proposta de abrir alas para o público LGBTQI+. Diverso no seu repertório musical, o setlist vai da mitologia grega ao modão, do funk ao brega, da música latina ao pop das divas. 

Organizado pela drag queen Larissa Hollywood, o Gregos&Goianos sairá dia 22/2, sábado, às 15h, no Setor Carnavalesco Sul (SCS - Quadra 5 - Praça Central). Entrada gratuita e livre para todos os públicos.

E já que é para clamar pela diversidade, o artista brasiliense Piettro terá participação especial no bloco. Afinal, Piettro ousa nas pistas de dança e na moda.

Piettro mescla pop e funk e coloca todo mundo para descer até o chão com suas composições. Após lançar a canção Treme Treme e De Graça e ser sucesso na internet e em shows pela capital federal, o compositor, ator, cantor e dançarino abriu o ano de 2020 com o lançamento do videoclipe Maravilhosa. A produção foi gravada com a drag e artista brasiliense Pikineia. Todas estas músicas podem ser curtidas no bloco. Além, claro, do que o artista prepara para trazer de surpresa. “Vai ter funk, pop, amor, alegria e toda a energia e respeito que nós merecemos”, diz ele, animado por sair pela primeira vez em um bloco de carnaval.

Sobre o Bloco Gregos&Goianos

O Bloco Gregos&Goianos abre o sábado de carnaval com músicas variadas que prometem fazer todo mundo dançar. Afinal, segundo os organizadores:  “Todos os sons são bem-vindos e a única premissa é não ficar parado. Joga a purpurina dourada, capricha nos adereços que a Grécia chegou a Brasília para ficar!”, declara a equipe coordenada por Larissa Hollywood.

Sobre Piettro

Piettro é um artista dedicado à música, às artes cênicas e à dança. Lançou, em 2018, o álbum Colorir Você. Em 2019, assumiu seu lado mais pop e funk e lançou videoclipes como Treme Treme, De Graça

No Instagram de modas Use Piettro (@use_piettro). Já em 2020, chega com Maravilhosa, que pode ser conferido aqui

Confira o canal do artista no Youtube

Serviço:
Gregos&Goianos, com Piettro e convidados
Data: 22 de fevereiro
Horário: 15h
Local: Setor Carnavalesco Sul
Entrada gratuita - Livre para todos os públicos.

Criado em 2020-02-19 01:38:05

PT pode apoiar outro partido na disputa pelo GDF

Romário Schettino -

A decisão do PDT de desembarcar da aliança que mantinha com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) escancarou a corrida pela sucessão ao governo do Distrito Federal. O presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), está trabalhando abertamente pela sua candidatura ao poder Executivo.

Rollemberg denunciou o “oportunismo eleitoreiro” do PDT, como se o PSB não tivesse feito o mesmo no governo Agnelo Queiroz, do qual foi aliado e de cuja aliança se beneficiou para se eleger ao Senado, e de onde saiu para o Palácio Buriti criticando duramente a gestão do PT.

O Partido dos Trabalhadores está na disputa e se prepara para construir o seu projeto de governo. Na próxima segunda-feira, às 19h, no Teatro dos Bancários, o partido dará início ao projeto “O DF e o Brasil que o povo quer” por meio de uma plataforma digital que permitirá que qualquer pessoa possa interagir e dar sua contribuição.

A ex-governadora e ex-deputada distrital Arlete Sampaio (PT) comentou a situação da política atual no DF em entrevista ao jornal Correio Braziliense na edição de hoje, 11/10.

Para ela, não está descartada a possibilidade de lançamento de candidatura própria. “Tem meu nome colocado, assim como os de Erika Kokay, Wasny de Roure e Geraldo Magela”. Mas neste momento, Arlete diz que a “prioridade é a construção do projeto para o DF com a participação da população”.

Arlete lembra também que é possível construir alianças com os partidos que estiveram contra o impeachment, como o PDT, PCdoB e PSol. Ao defender a ideia de coligação no campo progressista, a dirigente petista admite, inclusive, apoiar uma candidatura fora do PT, como o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle.

Sobre o desempenho do governo Agnelo Queiroz, Arlete disse ao Correio que o governador petista “não tratou o PT como o PT merece ser tratado e, ao final, com todos os desacertos na questão financeira, prejudicou a imagem do PT, principalmente aliado a toda a campanha anti-PT que se faz no Brasil”.

“Li outro dia que o PT estaria fraco, fragilizado. Vamos mostrar que não é assim. O partido filiou 18 mil novos militantes nos últimos três anos. Temos base política e social. Vamos defender os servidores e, sobretudo, a qualidade da prestação dos serviços públicos”, finaliza Arlete, disposta a participar da disputa política no DF em qualquer posição, seja como candidata, seja como articuladora.

Outras forças políticas trabalham nomes como Jofran Frejat (PR), Alberto Fraga (DEM), Izalci Lucas (PSDB), Rogério Rosso (PSD), Tadeu Filipelli (PMDB), pelo menos. Mas muita água ainda vai correr sob todas essas pontes em construção até a definição dos nomes que concorrerão em 2018.

Criado em 2017-10-12 01:56:42

Por que é injusto multar pedestres e ciclistas?

Romário Schettino -

A infeliz e inoportuna Resolução 706/2017, do Conselho Nacional do Trânsito (Contran), vem causando indignação. Para os ativistas da paz no trânsito, essa medida estimulará ainda mais o ódio dos motorizados contra os pedestres e ciclistas, a parte mais frágil na insana luta pela sobrevivência urbana.

Uma nota pública, assinada por dezenas de entidades defensoras dos pedestres e ciclistas em todo o Brasil, declara a insatisfação do movimento com a Resolução, que pretende ser implementada em abril de 2018.

“As multas de trânsito, previstas na legislação brasileira, são ferramentas importantes para promover o respeito à sinalização e à regulamentação de trânsito”, diz a nota, “mas para tanto, é essencial que a sinalização esteja adequada às necessidades mínimas do trânsito de pessoas e veículos, e suficientemente clara para a correta interpretação dos cidadãos e cidadãs, tanto condutores como aqueles que utilizam os modos ativos de deslocamento – também conhecidos como não-motorizados”.

Não há como penalizar pedestres e ciclistas sem uma mudança radical na cultura da velocidade, do desrespeito aos cidadãos não-motorizados e sem as condições mínimas de mobilidade urbana, com calçadas decentes, ciclovias adequadas, faixas de pedestre bem sinalizadas e outras medidas.

Os ativistas da mobilidade cidadã afirmam na nota oficial que a “largura das ruas, a configuração dos cruzamentos e até os tempos dos semáforos foram planejados a partir da lógica dos veículos motorizados”. (foto de Uirá Lourenço)

Em Brasília, segundo a Associação Andar a Pé, o trânsito dos carros é estimulado pelo desenho da cidade, que estabeleceu vias de trânsito de grande velocidade no centro urbano.

Como exigir que o pedestre se utilize de passagens subterrâneas em Brasília, conforme prevê o artigo 254 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), se o poder público não oferece condições mínimas. As faixas de pedestre, que são o orgulho do Distrito Federal, não são respeitadas e muitas delas não têm sequer pintura, além de estarem excessivamente distantes uma da outra.

Com o aumento dos atropelamentos com morte de ciclistas e pedestres, está de volta a campanha pela redução da velocidade no Eixão para 60km e 50km nos Eixinhos, com semáforos e faixas de pedestre. A mesma necessidade é vista como fundamental em todas as cidades do DF. (Foto de Uirá Lourenço).

“A aplicação de multas a pedestres e ciclistas não se apresenta como uma solução efetiva para resolver os problemas da mobilidade urbana e da convivência nas ruas”, dizem os ativistas.

A invés de multas, por que o governo não pensa em campanhas educativas? O que dá a entender é que o Contran prefere estabelecer a indústria da punição, indo na contramão da paz no trânsito desejada por todos os defensores da cidadania plena.

Uma maneira de barrar essa absurda Resolução é articular a aprovação de um Decreto Legislativo no Congresso Nacional. Ou, se não der certo, partir para a desobediência civil e provar que a Resolução, além de injusta, inoportuna, inadequada, é inóqua.

Criado em 2017-11-10 18:15:12

Projeto educacional premiado completa 20 anos no DF

O Projeto Re(vi)vendo Êxodos, desenvolvido na rede pública de ensino do Distrito Federal completa 20 anos de realizações. Experiência educacional única que já recebeu vários prêmios ao longo de sua história. Nascido em 2001, por iniciativa da equipe de professores da área de Ciências Humanas do Centro de Ensino Médio Setor Leste, de Brasília, o trabalho ganhou asas a partir de uma visita à exposição Êxodos, do prestigiado fotógrafo Sebastião Salgado.

Segundo Luís Guilherme, coordenador geral do projeto, “a sensibilidade [de Sebastião Salgado] para retratar a dor e o [seu] convite à reflexão nos motivou a estimular nossos alunos a buscar dentro do Distrito Federal as mesmas situações registradas por ele em suas viagens pelo mundo, como: migração clandestina, refugiados políticos, luta pela terra, trabalho infantil, guerras civis, catástrofes ecológicas, invasões, cidadãos sem teto e sem-terra, fome, solidão, violência etc”.

É por isso que Re(vi)vendo Êxodos possui o objetivo de levar aos participantes e, em especial, aos alunos da rede pública, conhecimento intelectual e emocional que seja capaz de gerar cidadãos críticos e provocar processos reflexivos a partir do exercício intelectual e físico da criatividade. “Tem também a função de despertar senso de cidadania e identidade, entendimento de patrimônio e meio ambiente através de experiências reais que os tornam seres humanos mais participativos, responsáveis, sensíveis e amorosos”, conclui Luís Guilherme.

A primeira exposição fotográfica foi promovida em agosto de 2001 no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, em Brasília. E a primeira Caminhada foi realizada em 2004. “Uma experiência emocional intelectual e física que extrapola os paradigmas em educação a que estamos acostumados. A primeira Caminhada foi realizada entre Brazlândia e Planaltina, cidades existentes antes mesmo da criação do Distrito Federal, e teve duração de sete dias com atividades pedagógicas, culturais e ações de cidadania”, diz o relatório do Projeto.

As Pesquisas de Campo foram iniciadas em 2005, em Pirenópolis. Dezenas de alunos foram levados para conhecer outras cidades e realidades distintas, culturais, patrimoniais e identitárias.

Em 2008, por ocasião do Centenário de Guimarães Rosa, o Projeto passou a estabelecer relação umbilical com a literatura brasileira. A partir daí, todos os anos foram estudadas as figuras mais importantes da construção do imaginário nacional. Essas pesquisas se estenderam às outras artes e áreas do conhecimento. Valorizando a produção cultural criada pelo povo brasileiro que ajuda a entender nossas complexas relações sociais e enorme diversidade identitária.

Dessa forma, a partir de 2009, ficou estabelecido que o Projeto seria sustentado no tripé: Identidade, Patrimônio e Meio Ambiente.

Em 2012, o Projeto foi vencedor do Prêmio José Aparecido de Oliveira, oferecido pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal para projetos que estimulem reflexões e ações de defesa do patrimônio histórico de Brasília.

Em 2015, outro prêmio para o Projeto: Prêmio Rodrigo de Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 2017 foi lançada a primeira edição da revista Caminhos – o Melhor do Brasil. E em 2018, foram dados os primeiros passos para um programa de rádio.

Todo ano, desde 2001, uma exposição fotográfica é realizada como resultado do trabalho realizado. Suyan de Mattos, que atua na cooperação artística do projeto, disse que “de uma produção entre 600 a 800 fotos em cada ano letivo, escolhemos uma quantidade significativa para expor representando a produção dos alunos e participantes. Além do Espaço Cultural Renato Russo da 508 Sul, já montamos exposições na Biblioteca Nacional de Brasília, Shopping Conjunto Nacional, Espaço Cena, Galeria do Templo da Legião da Boa Vontade, assim como nas cidades visitadas pelo Projeto. Inauguramos o ano de 2020 com a exposição do projeto Re(vi)vendo Êxodos no Museu do Divino, em Pirenópolis/GO.”

As exposições sempre contaram com o apoio e a curadoria da fotógrafa Mila Petrillo. Nos últimos anos a curadora de artes visuais Marília Panitz tem contribuído com as montagens. Vídeos, textos e outras manifestações criadas pelos participantes também são expostos.

Agenda 2020:
Museu do Divino, Pirenópolis/GO – aberta até o dia 29/2.
Museu das Bandeiras, Cidade de Goiás/GO - abertura 4/08 às 16h - até 30/4.
NACO/Núcleo de Arte do Centro-Oeste, Olhos d’Água/GO - abertura 5/6, às 16h – até 30/6.
Museu de Arte Moderna, Resende/RJ - abertura 8/8 às 16h - até 30/8.
Centro Cultural Brasil-México, Cidade do México – 2º semestre de 2021.
(As datas estão sujeitas a mudanças por questões pertinentes às instituições envolvidas).

Equipe:
Coordenador geral: Luís Guilherme Moreira Baptista
Consultora de curadoria: Marília Panitz
Consultora de curadoria fotográfica: Mila Petrillo
Cooperação artística: Suyan de Mattos
Escolas de Brasília envolvidas: Centro de Ensino Médio Setor Leste, Centro Educacional do Lago Sul e Centro de Ensino Médio Paulo Freire.

Criado em 2020-02-16 00:16:32

Ganhadores do Premio Nobel alertam: corte na Ciência e Tecnologia compromete futuro do Brasil

Com Agência Câmara(*) -

Em audiência pública, realizada hoje (10/10), na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), lembrou que 23 ganhadores do prêmio Nobel enviaram uma carta ao presidente Michel Temer, em setembro deste ano, alertando que os cortes podem comprometer o futuro do Brasil.

O presidente da SBPC afirmou que "cientistas desse alto quilate", ao se dirigirem ao Presidente da República em defesa da ciência brasileira, "nos envergonha, pois eles reconhecem a nossa importância, são mais sensíveis que nossos governantes".

Os investimentos no setor caíram de R$ 8,4 bilhões em 2014 para R$ 3,2 bilhões este ano. Para 2018, o programado é ainda menor, de R$ 2,7 bilhões.

A queda no orçamento público para Ciência e Tecnologia neste ano e no próximo pode inviabilizar pesquisas em andamento no país. Este é o diagnóstico dos pesquisadores brasileiros que estiveram na Câmara dos Deputados para entregar um abaixo-assinado ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, contra os cortes. O documento da campanha “Conhecimento sem Cortes” reuniu mais de 80 mil assinaturas.

A comunidade científica afirma que o orçamento de investimentos do setor passou de R$ 8,4 bilhões em 2014 para R$ 3,2 bilhões este ano. Para 2018, o programado é ainda menor, de R$ 2,7 bilhões.

Ministério

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou, por meio de nota, que está trabalhando para elevar os recursos deste ano e que os valores de 2018 ainda não estão fechados.

Helena Nader, da Academia Brasileira de Ciências, disse que o trabalho dos pesquisadores está presente na alta produtividade agrícola do país e na exploração de petróleo em águas profundas. Ela disse que países como a Coreia do Sul gastam mais de 4% do Produto Interno Bruto em Ciência e Tecnologia; enquanto o Brasil investe cerca de 1%.

Fernando Peregrino, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica, disse que o problema também é de gerenciamento de recursos. Segundo ele, o sistema de Justiça brasileiro gasta quase 2% do PIB, o dobro do que tem o setor de Ciência e Tecnologia. Nos Estados Unidos, segundo ele, os gastos com C&T representam 2,4% do PIB enquanto o sistema de justiça tem 0,2%.

A deputada Luiza Erundina (Psol-SP) pediu aos colegas que atuem para reverter os cortes. “Como é que se quer disputar a hegemonia no mundo - e isso não se fará sem ciência, sem tecnologia, sem inovação - se vai se andando pra trás na destinação de recursos públicos para essas áreas? É algo incompreensível, é algo burro, me desculpe a força da expressão”, disse a parlamentar.

Teto de gastos

Outros deputados e convidados afirmaram que os cortes decorrem da emenda constitucional que fixou um teto de gastos para o país pelos próximos 20 anos, enquanto o pagamento da dívida pública não sofre interrupções. Eles também defenderam a manutenção do ensino superior público.
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Com Will Shutter/Câmara dos Deputados. Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra/Câmara dos Deputados.

Criado em 2017-10-10 22:39:29

1917, outubro – nada será como antes

João Lanari Bo -

Fazer a cronologia dos eventos históricos significativos é uma tarefa que pode ser burocrática, repetitiva – o tempo todo nos deparamos, na imprensa e na TV, com algum gráfico, com alguma contagem de tempo que busca elucidar tendências, explicar variações ou simplesmente confirmar suspeitas.

A História – com H maiúsculo – parece organizar-se em um fluxo diacrônico, linear, pontuada por inflexões aqui e ali, que sugerem um percurso lógico e compreensível.

Em alguns momentos, entretanto, a coisa definitivamente não funciona. A inversão brusca das condições desmonta os sujeitos da história: 1789 em Paris foi um deles, a Bastilha caiu e com ela a ordem divina e aristocrática que definia a França (e a Europa); 1917, em São Petersburgo, foi outro, mais radical ainda, demolidor do poder autocrático e absoluto do maior império do planeta, a Rússia.

Para celebrar o centenário dessa vertigem histórica comunista, o escritor inglês, China Miéville, foi fundo: coligiu um incrível repertório de depoimentos e informações, deglutiu tudo e escreveu “Outubro”, lançado mês passado pela Boitempo Editorial. O resultado é uma narrativa, de tirar o fôlego, dessa fenda histórica que foram os meses de fevereiro a outubro de 1917 na (alucinada) cena russo-soviética. Sincero, porém radical.

Miéville, que se autodenomina um autor “new weird”, escreve também ficção científica e história em quadrinhos, sempre nesse clima “estranho”.

Nas horas vagas completou doutorado em filosofia do direito internacional na London School of Economics. Com um background desses, não surpreende que tenha transitado com desenvoltura no espaço teatral de alta voltagem que foi a revolução bolchevique.

Primeiramente, montou a história com uma hábil mescla de incontáveis dados objetivos – reuniões e conferências, além de manifestações de rua e pancadaria, mortos e feridos.

Desde o século 19 a Rússia vinha experimentando forte expansão urbano-industrial, a despeito da permanência do imenso contingente rural, jogando uma pressão violenta sobre o anacrônico sistema político vigente, onde se destacava a insuperável estupidez do Czar Nicolau II. O regime petrificado na estatutária monumentalista imperial desmoronava a olhos vistos.

Em seguida, peneirou essa miríade de eventos e situações com uma sofisticada base de interpretação histórica, arrolando aí os grandes autores, de diferentes matizes ideológicos, que se debruçaram sobre o tema. Essa camada resta praticamente invisível no texto, mas fica perceptível sua importância na lista das obras e artigos apresentada ao final do volume, para deleite posterior do leitor. Erudição ao alcance de todos.

Finalmente, Miéville cruzou esse manancial com os indispensáveis e saborosos testemunhos oculares da história, seja das grandes estrelas, seja dos fascinantes coadjuvantes, à esquerda e à direita.

Aqui, o perfil de escritor “weird” valeu: é inegável seu talento em alternar famosas declarações públicas, pronunciadas em acalorados debates e que definiram os rumos da história, com comentários e momentos privados, reveladores do substrato psicológico dos personagens e interações.

O objetivo é claro: tornar a leitura atraente e empolgante, e evitar a enfadonha repetição de palavras de ordem.

O principal protagonista dessa epopeia arrasadora é sem dúvida Wladimir Ilych, Lênin para as massas, o extraordinário estrategista cuja determinação e foco obsessivo foram essenciais para a virada de 1917.

A despeito da incontornável simpatia exibida por Miéville, sua descrição dos fatos é tão minuciosa que as (poucas) vaciladas do estressado líder aparecem indisfarçáveis. Prevalece sua notável capacidade de prever e antecipar movimentos políticos, na maioria das vezes no sentido de acelerar a tomada do poder e ignorar esdrúxulas composições parlamentares – mas que também podiam ser gestos inexplicavelmente cautelosos, atrasando a marcha dos acontecimentos. Não é à toa que era um exímio jogador de xadrez.

Seu contraponto dramático é o histriônico Kerensky, o malfadado político de “centro” que foi Primeiro-Ministro entre julho e outubro de 1917, enfiou os pés pelas mãos e ganhou visibilidade global através do filme de Sergei Eisenstein (também nomeado como “Outubro”, feito em 1927). A princípio político esperto e bom orador, terminou tentando se equilibrar entre o insustentável e o inefável, sendo inapelavelmente tragado pela vertigem dos acontecimentos.  Deixou um rastro cômico-trágico de tonalidade shakespeariana pelo papel que desempenhou, e acabou fugindo da Rússia vestido de marinheiro.

Mas o melhor é mesmo a galeria dos personagens secundários, todos eles protagonistas em seus instantes iluminados, graças à sagacidade da construção narrativa. Os matizes são estupendos: dos velhacos contumazes aos oportunistas de plantão, dos destemidos suicidas aos medrosos irreparáveis, todos eles comparecem e iluminam, ainda que em pequenos fragmentos, o tornado histórico que foi a revolução soviética.

Claro, alguns dos secundários incluem-se entre as mentes mais brilhantes da época, como Leon Trotsky, definido por Miéville na seguinte frase: “é difícil amar Trotsky, mas é impossível não admirá-lo”.

Um dos méritos de “Outubro” é evitar ao máximo a discussão sobre os desdobramentos de 1917, obviamente polêmicos e complexos. Não interessa ao autor a polarização ideológica que se alastrou, sobretudo até a queda do muro em Berlim e o fim do comunismo como ditadura do proletariado.

O que interessa é muito mais expor para as novas gerações a virulenta negatividade daquele momento histórico, a torção que inverteu da noite para o dia uma ordem social patética e obsoleta, por mais inacreditável que possa parecer.

Um momento “weird” e estranho, sem dúvida.    

Criado em 2017-11-06 20:15:48

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