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Celso Amorim (*) -
Foi com enorme honra que recebi, em dezembro de 2002, o convite do Presidente Lula para ser seu Ministro das Relações Exteriores. Diplomata de carreira, eu fora chanceler de Itamar Franco e havia representado o Brasil, em diversos governos, perante as Nações Unidas, em Nova Iorque, à Organização Mundial do Comércio e outras organizações internacionais em Genebra. Quando recebi o convite, era embaixador do Brasil junto ao governo britânico.
A opção do presidente recém-eleito por um funcionário de carreira já denotava sua visão sobre como deveria ser conduzida a política externa em seu governo, já que não faltavam, nos próprios quadros do Partido dos Trabalhadores, pessoas com qualificações e com amplo conhecimento e experiência na realidade internacional.
Mais do que qualquer outra coisa – uma vez que jamais tivéramos contato direto –, o Presidente Lula quis significar, com essa opção, que a política externa do Brasil, sem deixar de ser sensível aos anseios populares que o levaram ao poder, seria, sobretudo, uma política de Estado.
Desde logo, percebi que havia grande sintonia em nossas visões. Ao falar à imprensa no momento em que minha indicação foi anunciada, limitei-me praticamente a dizer que a política externa seria levada adiante de forma “ativa e altiva”.
Foi esse sentimento, de profundo respeito pela dignidade do país, ao lado da crença na capacidade do povo brasileiro de enfrentar desafios, que norteou nossas posições e iniciativas no cenário internacional. A autoestima substituiu o inexplicável complexo de inferioridade, que, afora alguns momentos excepcionais, costumava marcar a nossa atuação diplomática.
Durante o governo Lula, o Brasil rejeitou acordos comerciais desvantajosos que se nos queriam impor; trabalhou intensamente pela integração sul-americana; fortaleceu as relações com os demais países da América Latina e Caribe; intensificou laços de amizade com a África e os países árabes e rompeu novos horizontes na formação de fóruns e blocos com as grandes nações emergentes.
Sem hostilizar nossos parceiros do mundo desenvolvido (ao contrário, criamos uma “parceria estratégica” com a União Europeia e um “diálogo global” com os Estados Unidos), trabalhamos em favor de um mundo mais multipolar, no qual os interesses do Brasil e dos países em desenvolvimento como um todo pudessem ser afirmados e respeitados.
Durante as duas gestões do presidente Lula, o Brasil liderou a criação de uma organização política sul-americana (a Unasul) e esteve à frente da iniciativa da CELAC – Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos.
Pela primeira vez em duzentos anos de vida independente foi possível criar órgãos que representassem o conjunto da América do Sul, e da América Latina e Caribe, sem qualquer tipo de tutela externa.
O fórum IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) não somente abriu novos caminhos para a cooperação sul-sul como esteve na raiz da criação do BRICS, que se constituiu em importante fator de equilíbrio na ordem econômica internacional, até então dominada pelo G7 (grupo de economias mais ricas).
O Presidente Lula esteve à frente, também, de importantes lutas para erradicar a fome e a pobreza no mundo e para facilitar o acesso de populações pobres a tratamentos de saúde.
Sua liderança na reforma das regras do comércio e das finanças internacionais foi amplamente reconhecida, o que se espelhou, sobretudo no G20, o grupo das maiores economias, que, para efeitos práticos, substituiu o G7 como principal foro internacional em temas econômico-financeiros.
No plano da paz e da segurança, o Brasil foi chamado a participar de esforços em prol de uma solução pacífica no Oriente Médio, como ocorreu no caso da Conferência de Annapolis, em relação ao conflito Israel-Palestina (o Brasil foi um dos três únicos países em desenvolvimento não-predominantemente islâmicos a participar do encontro).
Juntamente com a Turquia, estivemos, em 2010, no centro de uma importante iniciativa para solucionar o problema em torno do programa nuclear iraniano, que viria servir de inspiração ao acordo estabelecido entre as grandes potências e Teerã, em 2015.
Durante os oito anos em que servi diretamente sob as ordens do presidente Lula, pude testemunhar a admiração que ele inspirava nos estadistas das mais variadas partes do mundo.
Não seria exagero dizer que, durante esses anos, o Brasil era um “farol” que apontava o caminho do desenvolvimento em direção a uma sociedade mais justa e democrática em um mundo política e economicamente mais equilibrado.
Nesses anos, o respeito pelo Brasil atingiu níveis nunca antes alcançados e a figura do nosso presidente era reverenciada por todos, ricos ou pobres, poderosos ou fracos.
Em vários momentos, principalmente nas longas viagens ao redor do mundo, participei de conversas reservadas, em que temas de política internacional se misturavam com os da situação interna no nosso país.
Durante todos esses momentos, jamais presenciei, da parte do presidente Lula, gesto ou palavra que não fosse indicativa de sua absoluta integridade moral e dedicação aos objetivos maiores do povo brasileiro.
Recordo-me de uma primeira viagem pelo interior do Nordeste, em que Lula fez questão de mostrar aos seus ministros (a maioria dos quais oriundos de partes mais bem aquinhoadas do país) a verdadeira realidade brasileira.
Constatei, com misto de surpresa e espanto, não só a afeição mas também a confiança que o povo pobre do Brasil depositava no líder que acabara de assumir.
Há poucas semanas, acompanhei novamente Lula em um trecho de sua “caravana” àquela região e pude constatar que a mesma relação de confiança se preservou.
Melhor: foi reforçada pelos avanços sociais que seu governo trouxe. É, pois, com grande tristeza, que vejo as tentativas daqueles que sempre defenderam privilégios de classe e atitudes de dependência em relação a potências estrangeiras de desconstruir a imagem e a obra daquele que foi, sem dúvida, o maior líder popular que o Brasil já teve.
Como tantos brasileiros, confio que a justiça, afinal, prevalecerá e que Lula poderá seguir conduzindo o Brasil no rumo de uma sociedade menos desigual e de uma posição de respeito, independência e dignidade no plano internacional.
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(*) Celso Amorim é diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula.
Artigo publicado no site www.tijolaco.com.br
Criado em 2017-09-10 17:44:52
A Cia. Nós no Bambu promove dia 1º de fevereiro vivência que reúne práticas de autocuidado corporal, meditação, dinâmicas de jogo, dança, improviso e repertório de movimentos. Tudo isso em um ambiente de natureza e com banho de cachoeira ao final da programação.
A Vivência Nós No Bambu é um momento de compartilhamento da pesquisa desenvolvida há 16 anos pela companhia. “Sua poética inovadora é resultado de duas linhas de pesquisa continuada: material - o bambu e suas características, a investigação de soluções construtivas e a criação de instrumentos artesanais de bambu; e imaterial - formas de interação cênica com estes instrumentos, com foco em dança e acrobacia. A consistência e qualidade de seu trabalho pioneiro já foi reconhecido pelos principais programas de patrocínio do país e é uma referência mundial em Arte Corpo Bambu”, dizem os diretores da Cia.
Quem conduz a Vivência Nós No Bambu é Poema Mühlenberg, bailarina acrobata, cofundadora e diretora da Cia. Nós No Bambu. Seus estudos corporais incluem dança contemporânea, ginástica artística, capoeira, pilates, yoga, balé, dança de salão, danças populares e cultura do movimento.
Serviço:
Vivência Nós No Bambu
Quando: 1º de fevereiro, sábado, das 9h às 13h.
Onde: Galpão Bambu - espaço de criação, Núcleo Rural Córrego do Urubu, Lago Norte, Brasília - DF. Localizador: bit.ly/gbambu
Público: adultos, sem pré-requisitos
Valor: R$ 143.
Ingresso amigo: R$ 99 para amigos que se inscreverem em dupla.
Inscrições: bit.ly/vivencia1220
Links:
www.nosnobambu.com.br
www.facebook.com/nosnobambu
www.instagram.com/nosnobambu
www.youtube.com/cianosnobambu
Criado em 2020-01-29 02:50:01
Mais de trezentos jesuítas, reunidos na II Assembleia da Província do Brasil, de 25 a 27 de julho, lançaram manifesto demonstrando sua indignação “diante da maneira como as classes dominantes conduzem as crises econômica, social e política que assolam o país e afetam a população brasileira, sobretudo os mais empobrecidos”.
O documento dos jesuítas cita o Papa Francisco ao afirmar que “não é justo submeter o Estado ao mercado, em nome da retomada do desenvolvimento. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica do capital financeiro”.
A advertência do Papa é taxativa: “O dinheiro é para servir e não para governar”.
Os religiosos escreveram a nota em Itaici, Indaiatuba, interior de São Paulo.
Eis a íntegra do documento dos jesuítas:
“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24).
Nós, mais de trezentos jesuítas do Brasil, reunidos em Assembleia Nacional de 25 a 27 de julho de 2017, para celebrar os três anos de caminhada da nova Província do Brasil, não podemos deixar de manifestar nossa preocupação e até nossa indignação diante da maneira como as classes dominantes conduzem as crises econômica, social e política que assolam o país e afetam a população brasileira, sobretudo os mais empobrecidos.
A corrupção e a promiscuidade entre interesses públicos e privados nas
esferas dos poderes instituídos escandalizam a maioria do povo brasileiro e tiram legitimidade aos poderes executivo e legislativo. Nem sempre o judiciário escapa de parcialidade.
A desigualdade socioeconômica, nestes últimos anos, agravou-se significativamente. Além dos 14 milhões de desempregados, pelo menos 10 milhões de trabalhadores ficam subempregados ou desistem de procurar trabalho.
Muita gente, que tinha saído da miséria e da pobreza, está voltando à assistência social. O recrudescimento da desigualdade produz mais violência de todos os tipos na sociedade, contra a pessoa e a vida, contra as famílias, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder manipulador dos meios de comunicação social e crimes ambientais.
A idolatria do dinheiro, de acordo com o Papa Francisco, dá primazia ao mercado, tanto em detrimento da pessoa humana como em detrimento do trabalho (cf. Evangelii Gaudium, 53-57).
Não é justo submeter o Estado ao mercado, em nome da retomada do desenvolvimento. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica do capital financeiro. Como nos adverte o Papa Francisco, “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).
No esforço de superação do grave momento atual são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, tendo em vista o bem comum.
Por essa razão, as reformas Trabalhista e da Previdência, como foram encaminhadas ao Congresso, carecem de legitimidade.
Outras propostas em tramitação no Congresso, não poucas vezes por medidas provisórias, como a “liberação” do desmatamento, a “legalização” da grilagem de terras urbanas e rurais, a mercantilização de terras para corporações estrangeiras e a “outorga” das terras indígenas e quilombolas
ao agronegócio, são afrontas à Constituição Federal que garante direitos e cidadania para todos.
Os ajustes desse (des)governo para atender ao mercado, assim como o domínio do agronegócio, explicitado na CPI da Funai e do Incra, abrem espaço para mais violência e mortes no campo e nas cidades, como noticiado nestes últimos tempos.
Os movimentos sociais e populares, como também instituições que lutam em prol das populações excluídas, estão sendo criminalizados e falsamente denunciados. Essa situação interpela hoje a missão dos jesuítas no Brasil.
Comprometemo-nos a manter nossa presença junto aos mais empobrecidos e excluídos, como também, pela análise das causas da persistente situação de desigualdade e de exploração desordenada da natureza, contribuir para a superação do abismo da desigualdade socioambiental, em solidariedade à esperança do povo.
Sentimo-nos chamados a manter-nos fieis ao Evangelho, que nos impulsiona a reconhecer e a denunciar as injustiças estruturais e históricas, sobretudo a grande dívida social em relação aos mais fracos e vulneráveis.
Na esperança teimosa em dias melhores queremos colaborar na construção de um Brasil justo”.
Itaici, Indaiatuba/SP, 27 de julho de 2017.
Criado em 2017-07-29 02:26:16
José Carlos Peliano(*) -
O golpe parlamentar, jurídico e midiático na claudicante democracia brasileira abriu feridas purgantes entre os coxinhas de um lado e os mortadelas de outro.
Os paneleiros de verde-amarelo de um lado e os esquerdas de vermelho de outro. Esperar dos dois grupos uma reconciliação é provável que somente na outra encarnação, se houver, ou daqui muitos e muitos invernos desde outra visão de mundo, será?
Existe ainda um terceiro grupo de gente que se põe numa posição de não estar contra nem a favor, muito antes pelo contrário. Pois sim. Acaba que não decidem claramente o que querem, atiram farpas para todos os lados e convulsionam mais ainda a situação, seja engordando o grupo dos coxinhas, seja perturbando os de vermelho.
Ao fim e ao cabo, só não batem panela. Mas reclamam e atrapalham muito. Enquanto isso o país afunda.
Já se disse em outras oportunidades, textos, depoimentos e discursos que o castelo de areia da democracia brasileira caiu já fazia tempo, mas que ninguém dava a devida atenção ou tomou qualquer providência. O oba-oba tradicional, tipo “isso não é nada” ou “vamos deixar como está para ver como é que fica”, veio tapando nossos olhos com a peneira desde a chegada oficial dos colonizadores de nosso território.
Prefeitos, governadores e presidentes formaram fila e seguiram a mesma linha de reação e raciocínio, se é que usavam mesmo a massa cinzenta na administração pública.
Obras por fazer, inacabadas ou intermináveis, melhoria do atendimento médico, construção de escolas, instalação de saneamento, bons salários para professores, reajustes reais do salário mínimo, entre outras coisas, deixaram a desejar ao longo da nossa história republicana.
Sobrou-nos um misto de resignação, descrença e humor negro, às vezes impertinência e arrogância, temperados todos por impaciência e raiva contida.
Essas características não dão conta de todo o coquetel de onde bebe o brasileiro, a cada dia, mas certamente ajudam a entender esse estado de coisas desvairado que vivemos hoje.
A simplificação contribui para captar a mensagem de uma vez de um jeito objetivo e direto, embora possa deixar de fora outros aspectos importantes.
Além do fato de que cada um de nós pela experiência própria ter uma visão muitas vezes diferenciada.
A expressão “casa de Mãe Joana” cabe bem. Em nosso país a impressão que se tem é que tudo pode vir a ser possível desde que as autoridades de plantão façam vista grossa para os problemas municipais, regionais e nacionais ou se dediquem a resolver suas próprias questões ou de seus grupos de amigos.
Segue daí que se avolumam as carências sociais em muitos municípios e capitais, do campo à cidade, a saúde do povo fica debilitada, a educação sem cobertura espacial e qualidade, redes de luz, água e esgoto deficientes e falta de moradia para muita gente.
É claro que chacoalhando tudo isso, sobram sempre os mais pobres, mais necessitados, os últimos a serem observados pelos gabinetes oficiais e a eles dirigidas algumas ações pontuais ou paliativas.
Foi somente nos três últimos governos das esquerdas, os vermelhos, que a situação mudou. Os mais pobres conseguiram chegar à mesa para comerem melhor, pois que recebiam melhor, tanto pelo valor recuperado do salário mínimo, quanto pela relativa facilidade de encontrarem emprego e trabalho. De fato, foi o período no qual o país registrou a maior queda na desigualdade de rendas entre todos aqueles que estavam no mercado de trabalho.
Nunca houve um sucesso como esse na história documentada do mundo ocidental. Cerca de 35 milhões de pessoas saíram da pobreza. Este o espinho na garganta das elites, as que dormiam em berço esplêndido e as que as imitavam sem os respectivos berços.
Era muita gente que passou a disputar espaço com elas nos aeroportos, nos supermercados, nas lojas, nos shoppings, nas ruas com ou sem seus carros, nos shows, nas roupas, enfim na vida normal e quotidiana dos brasileiros.
O incômodo das elites tomou conta dos noticiários tendenciosos, dos comentários dos locutores nas rádios, das manchetes e entrelinhas da grande mídia escrita. Era “gente desqualificada” por todos os lados no meio das elites.
Do jeito que a coisa ia não seria possível voltar atrás. A maioria voltaria a eleger gente do mesmo partido por muito tempo à frente. O que significaria continuar a política de redistribuição de rendas, reduzindo os benefícios dos ricos e melhorando a qualidade de vida dos pobres.
Recursos orçamentários teriam de continuar a ser disputados entre equipamentos urbanos sofisticados e escolas de primeiro ou segundo graus, por exemplo.
Quais prioridades?
As elites se juntaram para arranjar motivos para complicar o governo eleito. Resultado? Vieram de mensalão desacreditar o governo, defenestrar seus líderes e mostrar à população com a ajuda da mídia que o tal governo do povo era, de fato, de corruptos.
Tiveram sucesso parcial porque, quatro anos após o conturbado final político do segundo governo Lula, a primeira presidenta ainda conseguiu ser eleita e reeleita por pequena margem. Mas ficou difícil governar uma vez que a maioria dos congressistas dificultou o trâmite das propostas enviadas pelo governo. Hora de aproveitar, então, o imbróglio político e dar um jeito de provocar a saída da eleita.
Impeachment nela. Oposição das instâncias do Congresso, Judiciário e do Governo mais os paneleiros. Conseguiram retirar a eleita por razões inexistentes, hoje reconhecidas fabricadas e falsas.
Aí vem a letargia das esquerdas, ou cansaço, ou desesperança, juntamente com a apatia conveniente da direita que não mais bate panela, mas bate cabeça pela crise instalada.
Um governo ilegítimo e desonesto vende o país todo, ameaçando até mesmo a entrega da Amazônia para exploração mineral.
E aí alguns membros da direita, envergonhados ou dissimulados, conseguem reclamar do absurdo de entrega da Amazônia à exploração indiscriminada, inclusive estrangeira.
Eu, claro que concordo, mas adiciono, absurdo maior é entregarem o país. A resposta? “Salvemos pelo menos a Amazônia”. Fecha o pano.
O que esperar dessa direita conservadora, retrógrada, reacionária e burra? Nosso país precisa mesmo de educação, mas especialmente educação das elites. E vergonha na cara!!!
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(*) José Carlos Peliano é economista, poeta e escritor.
Criado em 2017-09-10 17:17:00
Chega às livrarias, na primeira quinzena de fevereiro, o primeiro livro da coleção Marx-Engels de 2020. A Editora Boitempo selecionou dois textos da fase madura de Karl Marx em novas traduções para o português.
A editora vai publicar todas as obras de Karl Marx. Neste volume, “Últimos escritos econômicos de Karl Marx” estão dois textos. O primeiro, Glosas marginais ao “Tratado de economia política” de Adolph Wagner, faz parte das anotações ao livro de Adolph Wagner intitulado Doutrina geral ou teórica de economia nacional – Primeira parte: Fundamento. Nesse artigo, Marx critica a deturpação, por Wagner, da teoria do valor desenvolvida em O Capital e ilumina diretamente polêmicas e questões ainda em disputa nas diversas interpretações e leituras feitas por autores até os dias de hoje. Marx assenta mais uma vez as teses fundamentais da sua doutrina econômica, dissertando sobre a diferença entre sua teoria e a de David Ricardo e sobre seu modo específico de exposição das formas, conceitos e categorias da crítica à economia política.
O segundo texto, é um manuscrito sobre a Rússia escrito entre 1881 e 1882 (Notas sobre a reforma de 1861 e o que daí se desdobrou na Rússia), que mostra o filósofo alemão “em ação”, pesquisando uma questão que o interessava à época e que exigiu reelaborações de argumentos de O Capital.
Segundo a editora, Últimos escritos econômicos fornece uma contextualização histórica e teórica que permite leitura crítica da teoria econômica marxiana. “Ao longo da obra, notas de rodapé recuperam tanto as notas das duas edições alemãs utilizadas na tradução como as da edição inglesa e trazem informações importantes a respeito das nuances presentes na escrita. O livro conta com um glossário comentado e uma apresentação que localiza o texto de Marx no seu próprio espaço histórico e teórico, nos debates marxistas acerca da teoria do valor que se desenvolveram ao longo do século XX e nos embates atuais que põem em questão a atualidade dessa teoria”, dizem os responsáveis pela edição.
Sobre o autor
Filósofo alemão, Karl Marx (1818-1883) é pai do socialismo científico, também conhecido como marxismo. Seus trabalhos influenciaram diversas áreas do saber humano, como a sociologia, a economia, a filosofia, a história, a crítica literária, o urbanismo e a psicologia. A Editora Boitempo tem publicado suas obras, individuais e em parceria com Friedrich Engels, a partir de novas traduções feitas diretamente dos originais em alemão. Os livros da coleção Marx-Engels têm se tornado referência obrigatória para os interessados em seu legado.
Marx foi também um jornalista e revolucionário socialista. Nascido na Prússia, mais tarde se tornou apátrida, passou grande parte de sua vida na Inglaterra. Nasceu no dia 5 de maio de 1818, em Tréveris, atual Alemanha, e morreu no dia 14 de março de 1883, em Londres.
Sobre a Boitempo
A Boitempo foi fundada em 1995, por Ivana Jinkings. Com 24 anos de existência, consolidou-se produzindo livros de qualidade, com opções editoriais claras. Obras de alguns dos mais influentes pensadores nacionais e internacionais compõem um catálogo que conta com nomes como Karl Marx, Friedrich Engels, David Harvey, Angela Davis, Maria Rita Kehl, Ricardo Antunes, Leonardo Padura, György Lukács, Antonio Gramsci, Slavoj Žižek, entre muitos outros. O nome da editora – inspirado em um poema de Carlos Drummond de Andrade – é uma homenagem ao maior poeta brasileiro e também ao criador da primeira Boitempo, o dirigente comunista Raimundo Jinkings, pai de Ivana.
Ficha técnica:
Título: Últimos escritos econômicos
Título original: Randglossen zu Adolph Wagners "Lehrbuch der politischen Ökonomie" e Notizen zur Reform von 1861 und der damit verbundenen Entwicklung in Rußland,
Autor: Karl Marx
Organizadores: Sávio Cavalcante e Hyury Pinheiro
Tradução: Hyury Pinheiro
Apresentação: Sávio Cavalcante
Páginas: 152
Preço: R$ 43,00
Capa: Heleni Andrade (sobre ilustração de Cassio Loredano)
Coleção: Marx-Engels
Editora: Boitempo
Disponível a partir de 4 de fevereiro.
Criado em 2020-01-24 18:47:41
Lançamento no dia 3 de agosto, quarta-feira, no restaurante Carpe Diem (104 Sul), 19h. O jornalista Eumano Silva conta a história da morte do diplomata Paulo Dionísio de Vasconcelos, na Holanda, em 1970, auge da repressão militar no Brasil sob o comando do general Garrastazu Médici.
“A morte do diplomata: um mistério arquivado pela ditadura”, da Tema Editorial, detalha também, além da morte até hoje não totalmente explicada do funcionário do Itamaraty, a maneira como os militares, junto com os servidores do Ministério das Relações Exteriores monitoravam brasileiros no exterior, especialmente os exilados. Eumano diz que "o livro mostra como a ditadura fez propaganda enganosa sobre o que se passava no Brasil naquela época".
O trabalho de Eumano é minucioso, jornalístico, mas escrito no estilo romance policial. É um verdadeiro "thriller". Mas, como ele mesmo diz, tudo baseado em documentos colhidos no Itamaraty, nas embaixadas na Holanda e em Londres, em depoimentos da família do diplomata morto e em um diário de Paulo Dionísio.
Vale a pena conferir. Agende!

Criado em 2017-07-27 21:51:01
Benny Schvasberg e Claudio Silva(*) -
Um safári nos remete à aventura de exploração de territórios em geral selvagens, cheios de surpresas e perigos. Com esta inspiração aventureira e exploratória o Safári Urbano é a tradução e adaptação de um método desenvolvido na prefeitura de Nova York (EUA) com o objetivo de avaliar o ambiente urbano a partir da experiência do pedestre.
Condições e percepções de segurança, acessibilidade, conectividade e conforto ambiental, dentre outras, são analisadas e comparadas a partir da vivência, observação e registros proporcionados pela caminhada nas calçadas e passeios da cidade.
No início deste ano um grupo de pessoas formado majoritariamente por professores e estudantes universitários, profissionais do poder público e ativistas da mobilidade urbana saiu num Safári experimentando e avaliando os caminhos de pedestres em Brasília.
A coordenação do evento foi da recém-criada organização social de valorização do pedestre, a Associação Andar a Pé – O Movimento da Gente, com apoio do Brasília para as Pessoas, PESUrbanos, UnB e UniCEUB.
A dinâmica de experimentação foi precedida de momentos de preparação em ambiente de auditório e foi organizada em grupos que percorreram cerca de 10km de caminhos, inclusive com simulação em cadeira de rodas, em roteiros da Rodoviária do Plano Piloto à Esplanada dos Ministérios; do Brasília Shopping na W3 Norte, passando pelo Setor Comercial Norte, até a Rodoviária do Plano Piloto.
Depois, equipes saíram do Shopping Pátio Brasil na W3 Sul, passaram pelo Setor Comercial Sul, e foram até a Rodoviária do Plano Piloto; da SQS 202 circularam da passagem subterrânea até a W3 Sul e da W3 Sul até a 702 Sul.
Alguns dos principais resultados da análise nos percursos observados merecem ser destacados, pois são uma amostra dos inúmeros problemas do cotidiano da vida do pedestre na cidade.
Em geral, foram identificados falta de calçadas, pavimentação inexistente ou mal conservada, ocupação de espaço da calçada por carros, expansão do comércios em direção à calçada, ausência de meio-fio rebaixado, falta de largura mínima suficiente, falta de sinalização podotátil, falta de mobiliário e paisagismo, sem manutenção quando existentes, depósito de lixo nas calçadas, dentre outros graves defeitos que levam ao desconforto.
A avaliação, limitada a alguns trechos da cidade, não esgota o elenco de problemas vividos cotidianamente pelo pedestre em Brasília nem nas outras cidades do Distrito Federal.
Se na área central, que é capital nacional, coração de uma das maiores áreas metropolitanas brasileiras e cidade tombada como patrimônio cultural da humanidade, há baixa atratividade das calçadas, o que se pode esperar dessa qualidade nas outras cidades que em geral não recebem os mesmos investimentos e cuidados por parte do poder público?
Dessa experiência ficam alguns alertas para governantes atuais e futuros e, principalmente, para os cidadãos e cidadãs que tem o privilégio - a dor e a alegria como diria Caetano Veloso - de viver nesta cidade.
O primeiro alerta é no sentido de que a qualidade do espaço público depende da qualidade dos espaços de circulação do pedestre e que essa é tão ou mais importante quanto a dos espaços privados e equipamentos de uso coletivo.
O segundo alerta é quanto à necessidade de se levar em conta o ambiente urbano como um todo, considerando o processo de individualização, esvaziamento e fuga em direção aos lugares fechados como shoppings centers e condomínios.
Nesses espaços a mobilidade urbana está centrada no uso dos carros e travada nos engarrafamentos. Assim, o sedentarismo e a obesidade atingem adultos e crianças e as ruas e calçadas de qualidade são essenciais para mudar os comportamentos e é vital para recuperarmos a saúde, a segurança, o espírito republicano e democrático da cidade humanizada.
A experiência nacional e internacional indica que boas calçadas - significa dizer, no mínimo, bem pavimentadas, iluminadas, seguras, largas, contínuas, confortáveis, agradáveis e conectadas aos edifícios - estimulam o saudável hábito da caminhada, convidam o cidadão a ser pedestre e a desfrutar da vida nos espaços abertos.
Não faltam parâmetros e padrões técnicos que servem de referência para a ação pública e privada na promoção dessa melhoria tão básica quanto urgente para nossas cidades.
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(*) Benny Schvasberg e Claudio Silva, membros da Diretoria da Associação Andar a Pé – O Movimento da Gente.
Artigo publicado originalmente no Correio Braziliense de 15/7/2017.
Criado em 2017-07-15 14:46:02
Entre os dias 28 de janeiro e 1º de fevereiro, os visitantes do Museu de Arte do Rio (MAR) poderão participar da programação gratuita Corpo Nós. As oficinas, rodas de conversa, entrevistas e performances serão comandadas por 15 jovens das Zonas Norte e Oeste e da Baixada Fluminense.
Todos os encontros serão realizados nos espaços do museu e em praças da região portuária, com vagas preenchidas por ordem de chegada e sujeitas à lotação indicada. A programação completa está disponível no site www.museudeartedorio.org.br
O projeto é resultado do curso “Percursos Formativos”, que contou com apoio financeiro do BNDES e ofereceu aos alunos bolsa de estudos durante os cinco meses de aulas e oficinas – com objetivo de atrair artistas e jovens que normalmente não são representados nas instituições culturais.
“Os alunos puderam experimentar e vivenciar as diferentes áreas que o espaço museal contempla, por meio de aulas com equipes de vários setores do MAR. Esse projeto-piloto promoveu formação profissional, cultural e artística introdutórias para os interessados em ingressar na cadeia produtiva dos museus ou atuar de forma geral nos campos da arte e da cultura”, explica Izabela Pucu, coordenadora de educação do museu.
As ações dialogam com duas exposições em cartaz no MAR atualmente, Rua! e UóHol, e têm como elemento central um dispositivo móvel de mediação chamado Espaço Concha. Desenvolvido especialmente para o projeto pelos arquitetos do Estúdio Chão, o objeto articulado consiste em pequenos vagões presos a um triciclo que, uma vez estacionado e aberto, serve de apoio para a realização das atividades. A ideia é criar experiências em que o público participe ativamente, com foco em manifestações como a cultura da pipa, do rap e do funk, as artes gráficas urbanas, entre outras.
As atividades propostas pelo projeto colocam em debate também questões fundamentais para o desenvolvimento dos museus na atualidade, tais como representatividade dos corpos negros e periféricos e performatividade de gênero, entre outras, a partir da investigação de novas epistemologias e pedagogias, tendo a arte como instrumento de descolonização de saberes, práticas e olhares.
Serviço:
Atividades gratuitas: CORPO_NÓS
Data: de 28 de janeiro a 1º de fevereiro
Horário: a partir das 10h
Programação no site www.museudeartedorio.org.br
Criado em 2020-01-24 18:35:27
O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) manifestam-se contra a sentença de Moro condenando Lula. O professor da UnB, Luis Felipe Miguel, comenta a decisão, divulgada no dia seguinte à destruição dos direitos dos trabalhadores pelo Senado. E após a devolução do mandato do senador Aécio Neves pelo STF.
Embora esperado por muitos, não era admitido por ninguém que isso pudesse acontecer. Desde que foram iniciadas as denúncias contra o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, suspeitava-se de que elas eram a senha para que o juiz Sérgio Moro pudesse condenar Lula, mesmo sem provas. Isso para "mostrar que a Justiça é isenta".
Foi exatamente isso o que aconteceu hoje: Uma sentença que condena Lula a nove anos e seis meses de prisão por causa do triplex do Guarujá. Por ser decisão de primeira instância, cabe recurso.
O réu Lula pode recorrer em liberdade. O Tribunal Regional Federal, a instância seguinte, confirmar a sentença de Moro, Lula torna-se inelegível. Mas essa decisão pode levar meses, ou até anos. O tiro de Moro pode sair pela culatra. É o que veremos.
O PT e PCdoB emitiram notas oficiais criticando a decisão do juiz Moro.
Eis a íntegra da nota do PT:
"Condenação de Lula representa ataque à democracia
A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um ataque à democracia e à Constituição Federal.
Embora seja uma decisão de primeira instância, trata-se de medida equivocada, arbitrária e absolutamente ilegal, conduzida por um juiz parcial, que presta contas aos meios de comunicação e a opinião pública que criou contra o ex-presidente Lula.
A sentença está baseada exclusivamente em delações premiadas negociadas ao longo de meses com criminosos confessos, e simplesmente validam as convicções contidas na acusação de procuradores do Ministério Público Federal, sem que houvesse a apresentação de provas que justifiquem a condenação nos termos expressos pelas leis brasileiras.
Lula não está acima da lei, tampouco abaixo dela. O que ocorre é um processo de perseguição que se constitui em uma aberração constitucional; um caso típico de lawfare, em que se utilizam recursos jurídicos indevidos como fim de perseguição política.
Em seu caso, busca-se imputar-lhe crimes com base em teorias respaldadas apenas pela palavra de condenados, incapazes de comprovar suas afirmações por meio de documentos ou de transferências bancárias.
A condenação de Lula é mais um capítulo da farsa capitaneada pelo consórcio golpista que assumiu o país para suprimir direitos sociais e trabalhistas, ampliar o tempo para as pessoas se aposentarem, cortar gastos essenciais em Saúde e Educação e, principalmente, vender empresas estatais importantes como a Petrobras, a Infraero, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil.
Curiosamente, a sentença saiu um dia depois da votação de medidas que retiraram direitos dos trabalhadores, e agora serão esquecidas.
O PT vai manter sua defesa intransigente a Lula, por acreditar em sua absoluta inocência.
Lula é uma liderança reconhecida no mundo pelos avanços promovidos à frente da Presidência.
Hoje, mais do que nunca, nos solidarizamos com Lula, e com seus filhos e netos.
Além disso, reforçamos nosso pesar pela morte de sua mulher Marisa Letícia Lula da Silva.
Sabemos que haverá Justiça nas outras instâncias do julgamento e que toda a verdade virá à tona. A história será a principal testemunha de sua absolvição e de sua grandeza.
Viva Lula!".
Nota oficial do PCdoB:
" Apesar da completa ausência de provas ou mesmo de um conjunto de evidências minimamente consistentes, o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão.
De nada adiantou o trabalho da defesa do ex-presidente, que invertendo o que pede o processo penal, produziu ela mesma provas da inocência de Lula; nem mesmo todas as declarações de inúmeros jurisconsultos afirmando que, com a completa ausência de provas, a condenação seria absurda.
O PCdoB manifesta a sua firme indignação com a decisão proferida pelo juiz Sérgio Moro, solidariza-se com Lula, sua família e seu partido, e conclama todos os democratas, independente de suas posições políticas ou ideológicas, a se mobilizarem para que o Estado democrático de direito seja garantido e o presidente seja inocentado nas próximas instâncias recursais.
Lula é um patrimônio do povo brasileiro, um ícone de nossa história nacional e será defendido com garra e decisão por todos os que sonham com um Brasil justo para todos e todas".
OPINIÃO:
O professor de Ciência Política da UnB, Luis Felipe Miguel, também comenta, em seu blog, a sentença do juiz Moro:
"Sergio Moro cumpriu o script. Um dos espetáculos jurídicos mais grotescos da história, tão aberrante que só encontra equivalentes nas piores ditaduras, avança no rumo esperado.
O protagonista desta história é um retrato quase perfeito do triste Brasil de hoje.
É um pigmeu moral que detém um poder que está em completo desacordo com sua capacidade de exercê-lo.
Covarde, afina diante de suas vítimas; mas, por escrito, sentindo-se garantido por seus protetores, fala grosso.
Subserviente diante da elite à qual fantasia pertencer, é truculento com aqueles que julga que são seus inferiores sociais.
Sobra-lhe em prepotência o que lhe falta em caráter e também em inteligência e competência profissional.
Que a nossa classe média tenha escolhido este sujeito como seu messias é uma demonstração de quão vivo permanecem seus traços distintivos, que sempre foram uma força negativa na história do Brasil: o ódio aos pobres, o medo de uma ascensão social, por pequena que seja, que reduza a distância que a separa deles, o apego feroz aos próprios privilégios, mesmo que à custa de negar direitos aos outros.
Há muito a criticar em Lula e no lulismo. Mas não há dúvida de que, quaisquer que sejam seus erros, ele está sendo perseguido por seus acertos.
O juiz Moro não tem mais do que um triplex e um pedalinho para indicar nos autos.
Mas o que ele está condenando é o compromisso com a erradicação da miséria e o exemplo de que um proletário pode governar."
Criado em 2017-07-12 20:12:26
Geniberto Paiva Campos -
A transição pacífica do regime autoritário (1964/1985) para a democracia foi uma competente obra de engenharia política do povo brasileiro.
Um raro momento em que os dirigentes políticos, de todas as tendências, perceberam que o retorno à democracia plena era o maior desafio à sua inteligência e capacidade de negociação.
Dois nomes, que a seu modo fizeram oposição ao regime autoritário, se destacam de forma consensual, naquela difícil circunstância: Tancredo Neves e Ulisses Guimarães. Artífices emblemáticos da transição democrática.
Valendo lembrar ainda, pela coragem cívica e capacidade de articulação, Teotônio Vilella e Fernando Lyra.
No entanto, segmentos políticos e militares que apoiaram as duas décadas de governos autoritários tiveram, inegavelmente, papel relevante na construção da “Nova República”.
Naturalmente, afloram à nossa memória e reconhecimento histórico os nomes de Aureliano Chaves (o então vice do presidente de João Figueiredo); José Sarney (presidente do PDS, partido de sustentação do regime militar) e Antonio Carlos Magalhães (então governador da Bahia).
Outros nomes podem ser lembrados por apostarem na democracia, correndo riscos inevitáveis por suas posições políticas anteriores: Marco Maciel e Jorge Bornhausen, por exemplo.
A articulação e o desenvolvimento desse complexo Pacto Político, propiciou ao Brasil a vivência de um período no qual o país retomou, de forma natural e pacífica, a democracia plena (1985/2016).
Talvez a mais longa etapa democrática – 31 anos – da nossa história republicana.
Na avaliação do sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos, “as intervenções atrabiliárias na vida política contemporânea são erupções imanentes à fase propriamente democrática das histórias nacionais e exprimem um desarranjo dessas histórias”.
Para o sociólogo, as intervenções golpistas não se originam num universo paralelo à democracia.
Tais rupturas se localizam num “continuum” de complexidade crescente, quando ultrapassam os limites de assimilação das instituições. Criando-se, então, um poder arbitrário, alheio ao voto popular.
Daí, que o retorno à democracia, quando obtido por consenso, poderá ampliar o espaço democrático, atenuando as cicatrizes decorrentes do golpe.
Decorrido menos de um ano de vigência do governo Michel Temer, mero aprendiz do jogo político, que assumiu o poder através de meios ilícitos, e tenta nos impor uma pauta inviável, o país mergulhou no caos. Econômico, político, institucional. Com o desemprego em níveis alarmantes. E o espectro da miséria e da fome já visíveis no horizonte.
Conduzido por um governo de legitimidade questionável. Desprovido de votos e de apoio da população aos seus projetos insustentáveis. O qual, ingenuamente, acredita ter no Congresso Nacional a sua base de sustentação política. Suficiente para dispensar o apoio popular.
A saída, mais uma vez, aponta para a urgente necessidade de construção de uma nova pactuação política. Necessária para a retomada do desenvolvimento, da soberania, do Estado Democrático e da garantia dos direitos dos trabalhadores.
Condições seriamente ameaçadas pela teoria neoliberal. Uma maluquice que pretende fazer o país retornar ao século XIX. Um retrocesso impossível, em qualquer circunstância histórica.
Insistindo em recriar a condição inaceitável de uma nação sem identidade cultural. Com uma economia dependente. Com o seu parque industrial semidestruído. Educação, ciência & tecnologia com seu futuro ameaçado.
Ausência de programas sociais. Cada vez mais distante da igualdade e da inclusão da população marginalizada. Extinção gradual do Estado de Direito. Projeto absolutamente irreal. Ditado pelo Consenso de Washington.
Um país restrito aos ricos e muitos ricos. Onde os carentes e excluídos não têm vez.
Alienando, de forma alegre e irresponsável aos grupos estrangeiros interesses estratégicos do Brasil e a própria soberania nacional. Tornando-o um país dependente. Muito longe do sonho de se transformar numa grande potência.
Foram cometidos vários erros políticos. Feitas avaliações equivocadas da situação política, econômica e institucional do país. Culminando na interrupção, de fato, do processo democrático.
Urge, neste momento, a dura, difícil construção de um novo pacto político.
Sem a necessidade de apresentação de folha corrida ou atestado de bons antecedentes dos seus integrantes.
Como falou Tancredo Neves em 1984, na fase decisiva da transição para a democracia: “Importa olhar para o futuro. O julgamento dos eventos passados ficará para a História” .
A gravidade situação chegou a tal ponto que obriga a todos a compreensão exata dos acontecimentos.
E saibam para onde apontam os projetos atuais do governo Temer. Se para um futuro de desenvolvimento e progresso, ou para um inexorável retrocesso que nos conduzirá, fatalmente, aos piores momentos da história dos povos e nações submetidos ao totalitarismo.
E à estupidez.
Com a palavra, os dirigentes políticos e as lideranças responsáveis do país.
PS: Apenas um lembrete: Para sair do atoleiro no qual o país se encontra é necessária a construção de um Novo Pacto entre todos os brasileiros. O primeiro passo.
E a revisão crítica do Regime Presidencialista, indutor e facilitador de crises institucionais permanentes. O passo subsequente.
Países onde se adota o Parlamentarismo, gozam, geralmente, de estabilidade política e institucional. Que facilitam o desenvolvimento e o progresso, frutos da harmonia social e política.
Curiosamente, não há nenhum país da América Latina que adota o Parlamentarismo.
Criado em 2017-07-12 20:05:04
Antônio Carlos Queiroz (*) –
Por acaso eu já contei para vocês que uma vez cheguei perto do Fellini? Não contei? Conto agora!
Eu me chamo Antônio Carlos, sou jornalista, mas quem quiser pode me chamar de Orlando. O nome da minha cidade natal, Anápolis, é quase o mesmo da capital do Estado de Maryland, uma importante base naval nos Estados Unidos. Talvez essas coincidências possam dar um molho à história mais adiante.
Estávamos em 1974, eu tinha 17 anos e trabalhava no Museu Histórico de Anápolis, que ajudara a organizar havia dois anos integrando a equipe do professor Jan Magalinski. Havia chegado na cidade um casal de italianos, hóspedes do Hotel Itamaraty. Ele era engenheiro hidráulico e fora contratado para perfurar o poço artesiano da futura fábrica de cerveja, a Cebrasa, hoje importante unidade da Ambev. Ela era casalinga, do lar. Como não tinha muito o que fazer, a não ser bater perna pelo centro, ou ir pro cinema, a mulher sempre aparecia no Museu, geralmente à tarde, para passar o tempo. Eu entendia alguma coisa de italiano, de tanto ter lido o Topolino, a versão italiana do Mickey e, por isso, era comigo mesmo que ela conversava. Não me lembro exatamente sobre o quê, além das maravilhas da Manchester goiana, nas o fato é que essas conversas se repetiam. Eu ficava ansioso para a próxima. Por que razão?
A dona italiana era enorme! Muito branca, perfumadíssima, sempre trajando vestidos floridos claros. Quando ela chegava, o Museu era inundado por seu perfume. A gente se sentia num campo de alfazemas, juro! Arrebentando o decote, meu Deus, due montagne contrapostte, um desfiladeiro onde eu me imaginava afogando. Mas só imaginava, um pirralho com pensamentos de alfazema!
Hollywood - Anápolis tinha na época quatro grandes salas de cinema e sempre que possível eu corria para uma delas. Mesmo chegando atrasado, entrava, esperando a sessão seguinte para completar a montagem do filme. Anos antes eu havia conhecido pessoalmente a atriz texana da Broadway, Mary Martin, que morava na cidade e tinha uma butique de roupas no beco do Samdu, perto do Cine Imperial, pelo qual eu sempre passava depois do colégio. O filho de Martin, o ator Larry Hagman (Jeannie é um Gênio, Dallas), sempre a visitava nas férias. Dizem que ela hospedou também o Tony Curtis, o Ronald Reagan e outros bambambans de Hollywood. Tudo isso está contado no filme Hollywood no Cerrado, de Tânia Montoro. Para não esticar demais a conversa, digo que naquela época eu já era um cinéfilo.
Mas, Antônio Carlos, por que você escreveu esse último parágrafo? Respondo: porque um dos meus papos com a dona italiana foi sobre cinema e sobre o Fellini. E daí ela me contou que o seu filho eletricista trabalhava com o Fellini na Cinecittà! Putz! Aquela informação me deixou radiante e me fez sentir importante. Imagine, eu era amigo da mãe de um cara que trabalhava com o monstro de Rimini, o Federico, o Fefê!
Esse sentimento cabotino cresceria naquele mesmo ano (ou será que foi no ano seguinte, 1975?), quando vi o Amarcord. Durante anos, na memória ou nos sonhos, eu confundi a figura da mulher dos vestidos floridos no Museu com a moça da tabacaria (Maria Antonietta Belluzi), mas misturada com a Gradisca (Magali Noël), com a Saraghina (Eddra Gale), a Carla (Sandra Milo) e a Claudia (Claudia Cardinale) do Oito e Meio, e ainda com a Sylvia (Anita Ekberg) de La Dolce Vita. Óbvio, eu era o Titta (Bruno Zanin), o Guido moleque (Marco Gemini), o Guido quarentão e o Marcello (Marcello Mastroianni). Algum tempo depois, já em Brasília, eu me identifiquei, por corporativismo, é claro, com o Orlando jornalista de E la nave va.
Centenário - Hoje, 20 de janeiro, quando comemoramos o centenário de Fellini, faço um balanço de sua relevância para a minha modesta concepção de arte e também da vida. Por que será que Fellini continua me tocando mais do que o Vittorio De Sica, o Ingmar Bergman, o Kurosawa? Acho que é porque ele contou histórias muito parecidas com as que eu mesmo vivi.
As suas lembranças (junto com o nojo) da época do fascismo são semelhantes às que tenho da ditadura militar: as paradas do Sete de Setembro, as peças Eu te amo, meu Brasil de Dom & Ravel e Pra Frente Brasil dos Incríveis, as bobagens das lições de Moral e Cívica, os jingles da Copa do Mundo, as notícias da Secom da presidência da República no Canal 100… Tudo isso me dava gastura, afinal amenizada pelas sátiras fellinianas aos asseclas do Mussolini e seus rituais.
Por outro lado, as gozações contra a Igreja Católica sempre me divertiram, embora, diferentemente de Fellini, eu não tenha sofrido nem de longe a repressão religiosa que ele parece ter experimentado (a julgar por seu deboche anticlerical), até porque me afastei da Igreja cedo, quando tinha uns 14 anos, por causa de uma briga pessoal com Javé e não com os seus embaixadores no Colégio São Francisco, excelentes professores.
A segunda volta de Jesus Cristo de helicóptero nos céus de Roma em La Dolce Vita ainda me faz rir, assim como o desfile de alta costura para os cardeais em Roma de Fellini. Aquelas abas dos chapéus das freiras, imitando as asas do Espírito Santo, os dois padres púrpuros de patinetes, quem não se comove? E o batismo de Marcello pela Sylvia na Fontana de Trevi? Só não acha sublime quem não tem coração!
Os sonhos - Os teóricos gastaram rios de tinta e pixels para definir Fellini como o “documentarista do sonho”, na concisa e feliz expressão do Gláuber Rocha. Com a ajuda do próprio Fellini, diga-se, esses teóricos jogaram essa definição na conta de sua filiação à psicanálise junguiana. Durante anos, Fellini acordava de manhã e anotava os sonhos, desenhando-os.
Ao jornalista Gideon Bachmann, disse que “nada é mais honesto do que um sonho”. Mas a frase veio depois da observação de que “afinal, é o sonhador quem faz o sonho”, o que podia significar que ele tinha algum controle sobre a sonhação. Pouco antes havia dito que as suas histórias “nascem em mim, nas minhas memórias, nos meus sonhos, na minha imaginação”.
Ettore Scola, amigo e discípulo, contou no filme Que Estranho Chamar-se Federico que uma das fontes de “inspiração” de Fellini eram as intermináveis conversas que ele mantinha com todo tipo de gente do povo, às vezes dando carona para putas, pintores e vagabundos que encontrava nas ruas noite afora.
Tendo sido um dos roteiristas de Roma Cidade Aberta e Paisà de Roberto Rosselini, e um dos precursores e depois realizadores do neorrealismo italiano, teria Fellini, depois de La Strada e Noites de Cabíria, deixado de lado o compromisso de retratar a realidade social, econômica e política, com a luta de classes e tudo, para se perder em sonhos, alguns grotescos, como acusam alguns de seus críticos?
“O mais político” - Euclides Santos Mendes, doutor em Multimeios pela Universidade de Campinas, defendeu em sua tese de 2013 que o contrário é que é verdadeiro: Fellini teria reinventado o neorrealismo, com novos olhos, novas cores. “Ao furar o bloqueio culturalista italiano, Fellini alcançou a outra margem do tempo, em que a realidade, o espetáculo e o sonho se fundem numa catarse narcisista, pois são objetos da formação de um indivíduo, um Wilhelm Meister italiano, cuja missão cinematográfica o conduziu aos anos de aprendizado – período de enfrentamento de ambiguidades e, por isso, processo de contínuas transformações – e aos de experiência – que se revelam como tempo de peregrinação à aurática matriz neorrealista. O neorrealismo foi um fenômeno que influenciou a formação de Fellini e do cinema moderno italiano, dando-lhe a feição fenomenológica de um espelho fragmentado da realidade”, escreveu Mendes. A seguir Mendes acrescenta a observação de Gláuber Rocha, segundo a qual Rosselini “documenta as ruínas” enquanto Fellini, “documentarista do sonho”, “o recria magicamente através de cenografias e atores; o sonho é a projeção de sua Câmera Olho”.
Nessa toada, eu cogito, a fantasia do transatlântico Rex, orgulho máximo da pátria e do regime, construído de papelão no Teatro 5 da Cinecittà, e o mar composto de lonas pretas de plástico, não seriam afinal um jeito de denunciar da maneira muito prática e realista – mas com o efeito de distanciamento brechtiano – a farsa que foi o regime fascista?
A cineasta Lina Wertmüller, feminista, comprometida com um programa de esquerda, disse de Fellini em “L’avventurosa storia el cinema italiano raccontata dai suoi protagonisti – 1960-1969” de Franca Faldini e Goffredo Fofi (1981) o seguinte: “Federico deu-nos os mais significativos traços e graffiti da nossa história nos últimos 20 anos. Ele diz que não está preocupado com a política e que não está interessado em temas fixos ou projetos ideológicos, mas ele é, no final de contas, o mais político e sociológico, eu acredito, de nossos autores”.
Se Wertmüller está correta, significa que Federico Fellini retratou a realidade de maneira fiel, embora com lentes próprias, algumas delas herdadas, outras polidas ao longo do tempo por ele mesmo. São lentes óbvias: as experiências do menino reprimido pela Igreja em Rimini, sua cidade natal, os espetáculos da commedia dell’arte no picadeiro do circo, a ironia que brotou do confronto com a Igreja e com o fascismo, os anos de aprendizado como cartunista e contador de histórias em quadrinhos, os anos de roteirista do novo cinema italiano, o talento para gerenciar uma equipe de trabalhadores como se fosse uma espécie de Michelangelo e, muito relevante, a sua vocação poética.
Na entrevista que deu à revista Rolling Stone, em 1984, Fellini disse que a acusação de que ele teria trocado o neorrealismo pelo artifício era uma bobagem. “É que nem você acusar alguém de passar dos 20 para os 40 anos. Esse é um caminho que você tem de seguir. O que o pessoal chama de artifício é o único meio de que disponho para expressar a minha realidade interior. É que nem você acusar quem faz a pintura de um campo de usar tintas em vez de capim verdadeiro”.
Já em 1986, na entrevista a Bert Cardullo, Fellini negou ter uma queda pelo “grotesco” e o “exagerado”. Disse que até poderia ser exagerado, mas não de maneira intencional. “Eu fico encantado quando cruzo com um rosto expressivo, embora bizarro. Afinal, eu sou um caricaturista, e tenho de aceitar a limitação que isso me impõe”.
Fellini, “mentiroso de nascença”, captou o real de maneira fiel, com todas as suas belezas e feiúras. E com os seus absurdos inerentes, absurdos porque inexplicáveis, como o comentário de Orlando sobre as excelentes propriedades do leite das rinocerontas no final de E la nave va! Fellini fez o cinema que só os poetas são capazes de rodar.
Federico Fellini continua marcante até hoje porque carregou nas tintas, sem receio, mesmo deixando cenas envoltas em neblina, para que os olhos do espectador encontrem uma solução. Em 1993, depois de receber o Oscar pelo conjunto da obra, um jornalista perguntou que sensação ele tinha por vir a ser recordado pela palavra “felliniano”. “Sempre sonhei em virar um adjetivo quando crescesse. Estou lisonjeado. O que os americanos pretendem dizer com ‘felliniano’ eu posso imaginar: opulento, extravagante, onírico, bizarro, neurótico, contador de lorotas. Bem, contador de lorotas é uma expressão justa”.
Nino Rota - Ah, antes de terminar! Fellini dizia não gostar de música, por considerá-la a mais completa das artes, sem margem para a ação dos ouvintes, que o deixava paralisado. A confissão pode ser mais uma de suas cascatas, mas isso nunca constituiu um problema. Ele simplesmente terceirizou a música para o grande compositor Nino Rota, cujas composições, diz a crítica (simpática), sempre entrou em seus principais filmes na condição de uma atriz especial. É impossível falar de Fellini sem falar de Nino Rota, eles são unha e carne. Ensaio de Orquestra, de dezembro de 1978, um dos filmes mais explicitamente políticos de Fellini, foi a última parceria dos dois, antes da morte de Rota, três meses após o seu lançamento.
Pessoal, eu acabei não encontrando nenhum mote para enfiar nesses meus comentários uma história envolvendo a capital de Maryland, Annapolis. Fica para a próxima vez.
____________
(*) Antônio Carlos Queiroz, jornalista.
Criado em 2020-01-21 04:20:40
Romário Schettino -
Nesta coluna de hoje, além da homofobia de alguns distritais evangélicos, as eleições em Brasília, o deputado que não respeita o povo e outros denunciados. Campanha em apoio ao Teatro Casa dos Quatro e muito mais.
Distritais homofóbicos
Alguns deputados evangélicos articularam, e conseguiram, derrubar a regulamentação da lei anti-homofobia assinada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Rodrigo Delmasso, do Podemos, que era líder do governo, trabalhou para detonar o decreto. Rollemberg ficou irritado e colocou em seu lugar Agaciel Maia (PR). Além disso, o GDF entrou na Justiça para derrubar o decreto legislativo aprovado na surdina. O movimento LGBTTI foi à Câmara Legislativa e protestou. Além disso, também vai à Justiça para anular o decreto. Toda essa movimentação dos evangélicos faz parte de uma trama que pretende ir mais longe, querem aprovar a Lei da Escola Sem Partido, outra aberração legislativa e ideológica de extrema direita. Arre égua!
Eleições em Brasília
Quem pensa que falta muito para a montagem de chapas que concorrerão às eleições em 2018 está enganado. As conversas correm soltas. O senador Cristovam Buarque (PPS), já pensando na reeleição, busca apoio no PDT e no PV e tenta convencer Joe Vale a sair como governador, ou vice de Rollemberg, se a aliança com o PSB for restabelecida. Atualmente a relação entre eles está estremecida.
Fraga, respeite o povo!
O deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), que vinha se gabando de defensor dos pobres e oprimidos, foi pego em gravações pra lá de suspeitas. A tramoia envolve cooperativas de transporte quando ele era secretario no governo Arruda. Essa “descoberta” põe por terra sua pretensão de ser candidato a cargo majoritário em 2018.
Distritais denunciados
Por falar em denunciados, o Ministério Público entrou com ação contra cinco distritais: Bispo Renato Andrade (PR), Celina Leão (PPS), Cristiano Araújo (PR), Júlio Cesar (PRB) e Raimundo Ribeiro (PPS). Se condenados, poderão perder os direitos políticos por oito anos, pagar multa de R$ 6 milhões e ressarcir R$ 3 milhões aos cofres públicos. São esses os nossos representantes na Câmara Legislativa, mais conhecida como a casa do espanto.
Casa dos Quatro
Quatro amigos se associaram para criar um teatro em Brasília. E criaram a Casados Quatro. Para viabilizar o empreendimento cultural, abriram uma conta no sistema crowdfunding para arrecadar R$ 61 mil. A campanha está no ar e vem recebendo adesões importantes, mas ainda falta muito para abrir as portas do simpático ambiente teatral, que fica na Asa Norte. Como diz Alexandre Ribondi, um dos sócios, “de grão em grão, a galinha enche o papo”. Por isso, na economia colaborativa qualquer valor doado, mesmo R$ 10, já é maravilhoso. Vamos ajudar!
Esse é o endereço na internet para quem quiser fazer o seu depósito solidário:
https://www.catarse.me/pt/a_casa_e_sua_6929?ref=ctrse_explore_pgsearch

Greve e STF
Os movimentos sindical e social enfrentam as reformas do governo Michel Temer com greves. Já fizeram duas. A segunda ocorreu dia 30 de junho. Mas apesar do esforço dos que querem o “Fora, Temer” e eleições diretas, o Supremo Tribunal Federal (STF) ajuda o presidente ao devolver o mandato ao senador Aécio Neves (PSDB), flagrado acertando propinas com o dono Friboi, ao conceder liberdade para Rodrigo Rocha Loures, amigo dileto de Temer e filmado carregando uma mala com R$ 500 mil.
Mistério na imprensa
Sete coisas sumiram do noticiário misteriosamente: 1) os dólares de Cunha na Suíça; 2) as agências de classificação de risco; 3) o mensalão do PSDB; 4) a merenda escolar de São Paulo; 5) os batedores de panela; 6) o pato da Fiesp e 7) o helicóptero da coca. Por que será? Os golpistas, e seus aliados na mídia, já consideram tudo resolvido?
Venezuela resiste
A pressão norte-americana está transformando a Venezuela num caldeirão prestes a se transformar numa guerra civil. A Constituinte convocada por Nicolau Maduro está sofrendo todo tipo de boicote.
A primeira general boliviana (com foto)
Quando recebeu o bastão de mando das mãos do presidente Evo Morales, no dia 9 de março passado, Gina Reque Terán entrou para a história. Acabava de se tornar a primeira mulher a alcançar o posto de general do Exército da Bolívia. Gina tem sobrenome famoso e polêmico, seu pai e seu avô também foram oficiais e participaram juntos de um dos capítulos mais importantes da história da América Latina. Os Reque Terán foram os responsáveis pela captura e assassinato do médico e guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Che Guevara.

Criado em 2017-07-02 19:22:55
Geniberto Paiva Campos -
“A atual política brasileira, marcada por uma polaridade radical, por intransigência inédita e por uma intolerância completa, é absolutamente cordial, no sentido próprio do termo, ou seja, é uma política que se faz com afetos, com o estômago e não com a cabeça” (João Cezar de Castro Rocha).
Os estrategistas, internos e externos, decidiram: está na hora da direita brasileira assumir a sua estranha Ideologia.
E se posicionar claramente em defesa dos seus ideais. Pouco importa se umbilicalmente ligados ao neoliberalismo. Uma ideologia condenada ao fracasso em todos os quadrantes do planeta.
Finalmente, a direita se vê obrigada a assumir e mostrar publicamente a sua verdadeira face. Despida do eterno pretexto moral que sempre usou no jogo político: o combate à corrupção.
Mas o novo discurso da direita neoliberal, de tão ultrapassado e assustador, não lhe permite ganhar espaço político eleitoral.
Em eleições diretas e majoritárias, representaria um suicídio completo. Pois se trata de um projeto indefensável.
Caso submetido ao voto popular, tenderia a ganhar o voto da elite e dos seus fiéis e minoritários seguidores: um rebanho obediente e desinformado, que pensa com o afeto e o estômago.
E se acostumaram a usar os parcos neurônios da mídia para orientar suas decisões no campo político ideológico. Mídia que lhe incute o medo, o ódio e a violência.
Foi essa direita, ortodoxa, estúpida e intolerante, que tomou o poder em 2016.
Dilma Rousseff foi afastada da presidência através de métodos escusos. No mínimo, discutíveis.
E quem ocupou o seu lugar? Michel Temer, seu vice. Parceiro da coalizão, liderada pelo PT, que governava o Brasil desde 2003.
Temer formou um governo fraco. Composto por políticos incompetentes e medíocres. Movidos pelo imediatismo. Sem a mínima preocupação com valores transcendentes, orientados pelo patriotismo, igualdade, direitos trabalhistas ou inclusão social.
Diametralmente oposto ao que defendia o governo do qual foi integrante por treze anos, os seis últimos como vice-presidente.
Essa defecção teve como objetivo principal cumprir uma agenda retrógrada, com indisfarçada ironia apelidada de “Ponte para o Futuro”.
Um projeto jamais submetido ao escrutínio popular. O qual permaneceu oculto do conhecimento dos brasileiros. Pois precisava ser escamoteado.
Uma espécie de camuflagem política. Mas na realidade, com suas lideranças assumindo, sem qualquer pudor, o comportamento de assaltantes e estelionatários políticos.
Sem exagero, pode-se afirmar que, na verdade, o Brasil foi sequestrado. Do ponto de vista político, econômico, cultural.
Sequestraram a soberania do país, para transformá-lo numa republiqueta latino americana. Colônia produtora de matérias primas. E sem nenhum futuro.
Com a cumplicidade e apoio mal disfarçado de outros poderes da República. Que se imaginam os “salvadores da pátria”.
E com o silêncio cúmplice da mídia. Há décadas oferecendo seu decisivo suporte a ditaduras assumidas e regimes autoritários, ditos “suaves”.
Como era de se esperar, a popularidade do novo governo evaporou-se, e tende para zero, não resistindo ao desgaste de uma agenda fraudulenta e retrógrada.
O povo, principalmente os segmentos mais esclarecidos, tendo consciência do sequestro e da grave situação na qual o país foi colocado, se organiza para resistir à barbárie.
Nas ruas, nas universidades, no Congresso Nacional, nas escolas, entidades de classe, instituições religiosas, nas fábricas e nos sindicatos.
As organizações populares, lutando em defesa da democracia e da liberdade, pelos seus direitos de cidadania, da retomada da ordem jurídica, tentam conter os sequestradores, em seus explícitos propósitos: destruir o Brasil como nação, para entregá-lo aos interesses externos. Na contramão da história.
Talvez seja esta a ameaça mais grave enfrentada pelo país em sua trajetória republicana.
E o povo, enfim, percebeu que “eles só são grandes porque estamos de joelhos”. (Etienne de La Boétie – in Discurso da Servidão Voluntária – Ed Marin Claret – SP/ 20152).
Recentemente, a Rede Globo, provocou uma grande turbulência na implantação da agenda neoliberal, ao “demitir”, de forma sumária e inesperada, o sr. Michel Temer das suas funções presidenciais.
E este, para surpresa de muitos, resolveu resistir no cargo.
Difícil saber com exatidão as causas dessa atitude do Sistema Globo. Este, talvez, tenha assumido, inconscientemente, a tese do acadêmico e linguista norte americano, Noam Chomsky, que defende o conceito de que ”não é o Governo que manda na Mídia; é a Mídia que manda no governo”.
Até agora não podemos prever qual o desfecho desse imbróglio político-institucional.
Cabe, portanto, ao povo brasileiro criar mecanismos de resistência pacífica a mais uma tentativa da elite de construir, de maneira tosca e irresponsável, uma democracia sem povo e sem o voto direto dos eleitores.
Democracia apropriada pelo capitalismo financeiro. Mesmo que para garantir o seu intento seja necessário destruir o Brasil como nação livre e soberana.
Os cidadãos brasileiros saberão, no devido tempo, encontrar os caminhos de retorno à democracia e ao Estado de Direito.
Criado em 2017-06-18 12:11:20
Alunos da Fundação Casa de Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, lançaram uma carta aberta contra os abusos administrativos do governo Jair Bolsonaro, que pretende destruir o Centro de Pesquisa e o Centro de Memória e Informação da instituição com demissões de seus dirigentes.
O documento, que já recebeu mais de 34 mil assinaturas, exige respostas urgentes de Leticia Dornelles, atual presidente da CRB, que fica na Rua São Clemente, Botafogo, Rio de Janeiro.
A seguir, a íntegra da Carta aberta em defesa da Fundação Casa de Rui Barbosa:
“Nós, alunos e ex-alunos do mestrado da Fundação Casa de Rui Barbosa, colaboradores, frequentadores e amigos da instituição, repudiamos veementemente qualquer tentativa de desmonte do Centro de Pesquisas e do Centro de Memória e Informação através da destituição de seus chefes de setores, que são hoje, além de dedicados pesquisadores, profissionais de referência em suas áreas.
As pesquisas realizadas na Casa de Rui Barbosa, que reverberam em diversos cursos, seminários, artigos, livros, ações ligadas ao museu e ao arquivo, na biblioteca, no próprio mestrado e em inúmeras atividades oferecidas gratuitamente à população, concretizam-se graças ao trabalho sério realizado pelos pesquisadores dessa instituição e, essencialmente, pelos chefes de pesquisas que foram arbitrariamente destituídos.
A exoneração desse corpo de profissionais demonstra que a atual presidente não está preocupada com a continuidade do trabalho sério voltado à população, deixando claro seu despreparo para assumir tal cargo de altíssima importância. Além disso, revela seu desprezo pela pesquisa científica e pela preservação e organização de documentos históricos. Esse posicionamento ameaça a integridade, a estabilidade e o desenvolvimento das atividades da Casa de Rui Barbosa e o seu acervo de conhecimentos construído ao longo de décadas.
O que estamos presenciando constitui ato grave de desrespeito à história da Casa de Rui Barbosa, assim como enfraquecimento significante no campo da cultura e da educação no Brasil. Não vamos nos calar nem permitir que destruam um patrimônio cultural como a Fundação Casa de Rui Barbosa.
Nós, como cidadãos, beneficiários e amigos da Casa de Rui Barbosa, exigimos o retorno imediato de Antônio Herculano Lopes ao cargo de diretor do Centro de Pesquisa e a recondução de Flora Sussekind, Charles Gomes, Joelle Rouchou e José Almino de Alencar às chefias dos seus respectivos setores para o desenvolvimento de suas atividades”.
Assine aqui o abaixo-assinado.
Criado em 2020-01-18 17:11:52
Amanhã, segunda-feira, 3/7, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, bl. B, entrada 46-sobreloja C, Ed. Bernardo Monteverde II, Brasília DF, será realizada a assembleia de fundação da Associação Nacional de Defesa e Amparo as Vítimas de Abuso de Poder. Compareça!
São três os objetivos principais:
1. Proteger a Cidadania e o Estado de Direito.
2.Amparar ou proteger as pessoas comuns dos agentes do Estado que – imbuídos da autoridade legal – não resistem à tentação de abusar de suas prerrogativas para humilhar, menosprezar, censurar, limitar, cercear, extorquir, prevaricar, chantagear e destruir por meio da deturpação das leis ou de suas obrigações funcionais em benefício de seus interesses, ideologia ou caprichos pessoais.
3.Oferecer uma alternativa de última instância para aqueles que não tem mais esperança no judiciário em razão da omissão desse ou de conluio entre os membros deste poder com membros de outros poderes ou imprensa para garantir que o abuso seja perpetuado ou que o abusador seja
protegido.
Justificativa
É cada vez mais frequente os casos de abuso de autoridade. Em quase
todos esses casos, o abusado não consegue restabelecer seu direito em razão da omissão dos órgãos responsáveis e também de legislação adequada que proteja verdadeiramente a cidadania.
Esses fatos nos motivaram a organizar uma saída para que o país não seja apenas um país que só funcione para os ricos e amigos do poder. Sonhamos com o dia em que a velha máxima seja apenas uma referência histórica de um período passado e que não seja mais uma boa descrição de nosso sistema normativo: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”.
Principais Bandeiras
1) Aprovação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei de Abuso de Autoridade
2) Aprovação no Congresso do Projeto de Lei de Anistia às vítimas da omissão, abuso ou perseguição pelo Estado
3) Aprovação do Projeto de Lei de Descriminalização do “Desacato à Autoridade”.
4) Aprovação do Projeto de Lei de Regulamentação da “Prisão Preventiva”
5) Iniciar imediatamente campanhas para que busquem corrigir erros e abusos do Estado em casos específicos que possam ser considerados paradigmáticos com o objetivo didático de levar as pessoas a entender a importância de termos maior cuidado em proteger a cidadania, os direitos
civis e a presunção de inocência
Apoio às vítimas
A Associação terá uma equipe de advogados e voluntários associados que prestará assistência jurídica, social e política às vítimas de abuso, omissão, perseguição e marginalização promovido por parte de agentes de
agentes do estado.
Criado em 2017-07-02 18:58:45
Geniberto Paiva Campo -
Nada mais previsível do que o comportamento político das forças conservadoras brasileiras.
Quase um século de História e tudo continua igual ao que era antes.
São os mesmos personagens. A mídia no papel principal. Mudam apenas os nomes e o contexto sócio cultural e econômico do Brasil. E, claro, o cenário internacional.
Mas a base ideológica que orienta a prática política conservadora é sempre igual, desde as primeiras décadas do século XX.
Trata-se de um grupo político que não aceita e não permite mudanças.
Entranhada nas camadas mais profundas da mente dos brasileiros de todos os segmentos sociais, o apoio ao conservadorismo é automático.
Algo que está explícito no lema positivista da nossa bandeira: Ordem e Progresso.
Admite-se o progresso, vá lá, mas sempre dentro da ordem. Um valor imutável. A ser definido, sempre, pela elite dominante.
Quando faltam argumentos contrários às mudanças, invoca-se a ordem.
E vale qualquer coisa para a manutenção dessa ordem.
À época do Tenentismo (movimento da década de 1920 que merece estudos acadêmicos ainda mais intensos), lutava-se para a derrubada dos “carcomidos”.
Representados pelo que era então avaliado como o que havia de mais incompetente e desonesto na vida pública brasileira.
O 2º governo Getúlio Vargas (1951/54), eleito democraticamente pelos brasileiros, foi caracterizado por profundas mudanças estruturais.
As quais, como esperado, provocaram intensas e disfarçadas reações de intolerância da Elite conservadora.
Mas poucos se colocavam abertamente contra a Petrobrás, a Eletrobrás, a Companhia Siderúrgica Nacional, ao processo de industrialização, ou contra as políticas salariais e direitos trabalhistas. Agenda desenvolvida pelo governo Vargas.
A imprensa da época insistia na divulgação da existência de um suposto “Mar de Lama do Catete”. Onde a “corrupção” corria solta.
Estava descoberta a fórmula, pretexto infalível, para se afastar presidentes da sofrida e instável República brasileira: a luta contra a corrupção. Flagelo que, segundo a crença, estaria corroendo as entranhas do país.
Getúlio Vargas preferiu o suicídio à renúncia humilhante que lhe foi imposta.
Não se cogitava do desgaste intenso provocado pela instabilidade política e institucional, consequência da derrubada de presidentes em exercício. Com pretextos e inverdades. O importante seria impedir a continuidade das mudanças em curso.
E este seria o padrão imutável dos Golpes de Estado na política brasileira. Ponto final.
Mas os terríveis efeitos colaterais da “luta contra a corrupção” cobram o seu preço ao país.
Retirar a abominável corrupção do seu locus natural: as delegacias de polícia e os tribunais de justiça, e entronizá-la na política, resulta em efeitos deletérios que repercutem no dia-a-dia dos brasileiros.
Os quais passam a acreditar que vivem num país sem jeito, sem solução. Onde os políticos são todos desonestos. Movidos apenas por interesses pessoais escusos.
Se a tudo isso, for acrescentada a “partidarização” dos corruptos, completa-se a divisão maniqueísta da política entre os “nossos corruptos” e os do outro lado.
Mais de 60 anos após o nunca provado “mar de lama do Catete”, em função do uso abusivo e politicamente ingênuo desse método, todo o país vai se transformando num imenso, inexorável, “mar de lama”. Sem rumo. E sem futuro.
E nada pior do que essa perda de confiança nos destinos do seu país, por parte de uma sociedade manipulada politicamente. Onde falsos valores morais são insidiosamente introduzidos. E passam a ter vigência como valores absolutos.
A sociedade, como um todo, deixa de lado o debate sobre projetos e valores essenciais. E discute e valoriza temas retrógrados e ultrapassados, que somente interessam ao jogo de dominação da Elite.
Nos quatro períodos de governo do Partido dos Trabalhadores (2003/2015) foi aplicado o mesmo remédio utilizado anteriormente para afastar governos progressistas.
Novamente, poucos se colocaram, de forma explícita, contra os projetos modernizantes em desenvolvimento: inclusão social; salários dignos; juros baixos; política externa altiva e ativa; acesso ao ensino técnico e superior; políticas de distribuição de renda; protagonismo do Brasil no cenário mundial.
Falava-se, e repercutia na Mídia, em “mensalão”; “domínio do fato”; condenava-se crimes sem vestígios de provas, “porque a literatura permite”; foi reinventada a “delação premiada”, originária da Rússia stalinista.
O impeachment da presidente Dilma teve como causa declarada as “pedaladas fiscais”. Mero pretexto.
O motivo real: como sempre, as políticas desenvolvimentistas em curso, inaceitáveis para a Elite.
E causou espanto a pauta de retrocesso, imposta aos brasileiros, por um governo ilegítimo, após o afastamento da presidente Dilma. A prova dos nove do Golpe.
Aceita e aprovada por tranquila margem de votos no Congresso Nacional. A qual leva o Brasil de volta ao século XIX.
Tudo isso, fruto de uma manipulação política grosseira, primária.
E pior: que joga o Brasil do século XXI nas trevas do mais abjeto e indisfarçado Totalitarismo, vigente no século passado na Europa. Passivamente aceito por parte da sociedade brasileira como algo natural e inevitável. Por fazer parte da “luta contra a corrupção”.
É preciso dar um basta urgente nessa perigosa e fraudulenta tolice.
E convocar o Povo para decidir, pelo voto, o seu futuro. Voltar aos tempos da democracia.
E recuperar a serena confiança no merecido destino do Brasil, grande potência.
Criado em 2017-06-15 12:09:51
O secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Bartolomeu Rodrigues, anunciou hoje (15/1), em coletiva de imprensa, o descancelamento do edital do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) de 2018. Essa decisão injetará R$ 25 milhões em 269 projetos culturais aprovados, mas que tiveram o pagamento suspenso pelo secretário anterior Adão Cândido.
A secretaria da época alegava que os recursos dos editais seriam usados para a reforma do Teatro Nacional, mas o Tribunal de Contas do DF (TCDF) entendeu que o dinheiro não poderia ser utilizado em reformas, mas sim em projetos culturais conforme prevê a legislação que regulamenta o FAC.
De acordo com Bartolomeu, o FAC Áreas Culturais 2018 será executado. A publicação deverá sair amanhã (16/1) no Diário Oficial. “Estou simplesmente cumprindo a minha obrigação”, afirmou o secretário.
Além disso, Bartolomeu afirmou que o orçamento do FAC 2020 não está comprometido. A pasta tem até abril para divulgar os editais do primeiro bloco. "Mas, não vamos esperar. Vamos fazer até o fim de fevereiro, justamente para que a gente possa executar ainda este ano", acrescentou o secretário.
Participaram da coletiva de imprensa integrantes da Frente Unificada da Cultura do DF, com quem a secretaria abriu diálogo na semana passada. O FAC 2018 foi um dos temas das conversas do secretário com o movimento.
Os recursos do FAC são fundamentais para movimentar a cadeia produtiva cultural da cidade, gerando emprego, renda e espetáculos em todas as áreas artísticas.
Criado em 2020-01-15 20:29:25
Helena Iono -
Buenos Aires - Terça-feira, 20 de junho, Dia da Bandeira na Argentina, no estádio Arsenal de Sarandí, no município industrial de Avellaneda, repleto com multidões vindas dos vários rincões da Província de Buenos Aires.
Foi nesse ambiente que a ex-presidenta Cristina Kirchner lançou a nova frente chamada “Unidade Cidadã”.
O ato ensejou a cobertura ao vivo não só do canal popular C5N, mas de outros três canais de TV, incluindo o TN, do jornal Clarín, tal é a preocupação pela crescente liderança política e social de Cristina, não obstante a desvairada perseguição do poder judicial-midiático.
Enquanto o presidente neoliberal Maurício Macri realizava um ato lúgubre na cidade de Rosário, em frente ao monumento à bandeira, evocando Belgrano, herói da independência, rodeado por apenas 600 pessoas (funcionários do governo) e protegido por forte aparato policial, centenas de milhares de trabalhadores, aposentados, jovens, desempregados, famílias inteiras foram acolher e ouvir Cristina que, junto com Néstor Kirchner, emplacou seu projeto de inclusão social durante mais de doze anos.
Suspense – A expectativa popular por este reencontro foi enorme, seja pelo massacre econômico como pela depressão social que desabou sobre o povo argentino nesta era macrista. Seja também pela história e esperança depositada em Cristina Kirchner e, sobretudo, pela novidade política que traz a formação da “Unidade Cidadã”.
Essa unidade, impulsionada pela decisão de cerca de 50 prefeitos peronistas e kirchneristas de romper com o aparato carreirista do peronismo conservador de direita do Partido Justicialista (PJ), vem sendo apoiada por correntes político-partidárias como La Câmpora, o Nuevo Encuentro, sindicalistas da CTA (de Yasky) e da ATE (estatais) e cidadãos independentes, dirigentes peronistas da Província de Buenos Aires, e alguns governadores alfonsinistas e socialistas.
Ao discursar, Cristina deu a linha de urgência e retratou uma nova concepção para nortear a Unidade Cidadã.
Esteve no ato como cidadã comum, de calça comprida, sapato baixo e pulôver, num palco mergulhado no centro de uma maré de populares e militantes, sem cartazes nem bandeiras partidárias como de costume (somente bandeiras argentinas).
Lá estava uma Cristina interagindo com os manifestantes, com muita emoção e determinação, sem citar nenhum partido político, mas destacando a necessidade do protagonismo do povo.
No discurso de Cristina, em primeiro plano, o arrocho econômico, a agressão neoliberal, a volta do desemprego, a flexibilização do trabalho, as tarifas de energia impagáveis, o fechamento das fábricas, do pequeno comércio e, agora, o endividamento do país a ser pago em 100 anos (pelos netos, bisnetos e tataranetos).
Cristina apelou para a importância de organizar todas as energias do povo como forma de "deter esse estado de loucura, desencadeado a partir de dezembro de 2015 com o novo governo [Macri]".
“Esta tristeza na sociedade, me comove também. As pessoas tinham a vida organizada, podiam planificar no fim de mês. Romperam. Desorganizaram a vida. As pessoas tinham projetos”, disse Cristina.
“Eles querem nos dar uma dívida por cem anos”, disse ela. “Isso sim, será hipotecar o futuro. Isso sim será uma pesada herança. Vejamos o que são os empréstimos assinados recentemente pelo governo Macri”, concluiu a ex-presidenta.
Criado em 2017-06-22 16:36:44
José Carlos Peliano -
Um grito, dois gritos, muitos gritos, milhões de gritos de cólera. De todos nós brasileiros que sofremos os golpes seguidos impetrados pela turba travestida de políticos, monitorados de perto por uma justiça cega, partidarizada, que de uma forma e outra escureceu o horizonte da nação.
Pelo menos desde a destituição fraudulenta e bandida de nossa primeira mulher presidente, eleita democraticamente.
Não basta ter diploma de alguma coisa, experiência de trabalho qualquer que seja, poses de vestal, majestade ou personalidade, ainda que forjadas, se a figura em questão não tiver a mínima questão de moral, ética e bons costumes desenvolvida, sequer alguma vez pensada ou elaborada, em sua mente vazia de algum legítimo conteúdo social e humanitário.
Um grito de cólera sim, lá do fundo da indignação fervente dentro cada um pela usurpação do direito constitucional de todos e não somente de um bando desvairado de corruptos, vendidos e comprados por qualquer dinheiro.
Pai, afasta de mim esse cálice! Salve Chico Buarque, símbolo da mais pura dignidade política, ofendida por analfabeto político abestalhado, desculpem a redundância, ao defender seu direito e dever de pugnar pela democracia.
Ao sustentar seu depoimento em defesa da presidente, bombardeada por um impedimento comprado a benesses, vantagens e poder podre pela comunidade de corruptos e picaretas de toda ordem instalada no Congresso Nacional. Perdoem-me os poucos que honram nosso voto.
A mixórdia está solta no ar. Um Congresso em frangalhos, uma presidência ilegítima, um Supremo de férias e uma turma de procuradores batendo cabeça.
A maioria de todos eles partidarizada, brandindo bandeiras padronizadas sem a cor vermelha. Ameaçados agora de perderam o bonde e a esperança de se manterem tentando iludir o povo brasileiro.
Ajudados os poderes constituídos nessa ilusão, vista de um olho só, de manhã, tarde e noite, pela mídia impressa dos jornalões e revistas alucinadas e pela rede Globo, a boca do lobo.
Seus apaniguados repórteres e âncoras televisivos com caras de paspalho e de quarta-feira de cinzas, tem agora que noticiar a contragosto a corrupção por eles mesmos escondida há muito tempo de Temer e Aécio, entre tantos outros da turma.
Se, por um lado, caiu a máscara da Globo em segurar a impostura do golpe político que colocou Temer como plantonista, por outro continuou sendo a preferida no vazamento de informações. Foi-lhe mais uma vez dos corredores da justiça entregue a primazia de defenestrar Temer e Aécio, dois presidentes, o primeiro sem voto, o segundo derrotado, sem mandato, que apoiou o golpe desde o começo.
Tentou a emissora purgar seus pecados, embora sua alma já tenha sido condenada há muito pela perda contínua de audiência.
O grito de cólera começa a tomar som timidamente também na boca de cada analfabeto político vestido de verde e amarelo.
O discurso agora é que todo político é corrupto mesmo, um misto de vergonha, arrependimento e razão. Razão?
Sim, eles se postam ainda como legítimos representantes do combate à corrupção, antes com a cara do PT, agora sem documento.
Esse movimento oportunista de engodo, mentira e desinformação para a opinião pública encorpou-se politicamente para acabar com o PT e seu maior representante, Lula.
O apoio direto da justiça e da procuradoria geral ajudou a descorar o vermelho. As pauladas contínuas no ex-presidente chegam às raias da perseguição sem tréguas, beirando o ridículo.
Por conta do fantasma de um triplex sem dono combateram-no diuturnamente enquanto Aécio já carregava nas costas e nas prateleiras da justiça e da PGR malas e malas de denúncias e provas.
A farsa perdeu os pés também por aí.
A mixórdia política agora caído o pano das faces escondidas já era conhecida há muito pela mídia internacional. Jornais como o El Pais, The Guardian, Le Monde e The New York Times, entre outros, veicularam meses e meses informações sobre a caótica situação política, social e econômica brasileira.
O mundo sabia melhor o que acontecia aqui do que os golpeados brasileiros.
Os golpistas afundaram a economia, tentaram desarticular as conquistas sociais e enlamearam o cenário político. Uma performance inigualável para um plantonista mordomo de filme de terror, segundo o finado Antônio Carlos Magalhães.
O que resta agora, daqui para a frente, tem duas pistas: uma o afundamento total da República, a outra a tentativa de sua refundação com o apoio massivo popular.
Sob a guarda da fé inquebrantável na democracia. Aí, os analfabetos políticos terão que aprender mesmo que a toque de caixa.
Institucionalmente falando, três possibilidades. Uma, a renúncia de Temer e a eleição indireta de mais um presidente plantonista pelo Congresso.
O horror nesse caso é Gilmar Mendes correr por fora. Outra, a abertura de um processo de impedimento pela Câmara dos Deputados.
Por fim, eleições diretas aprovadas pelo Congresso. Nessa última possibilidade, já existe uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do deputado Miro Teixeira estabelecendo-as simultaneamente para Presidência, Câmara e Senado.
Desafortunadamente, a solução mais rápida e prática, sem o peso de mais desgastes institucionais, é a primeira, a eleição indireta.
Para isso, é necessário que Temer renuncie, o que não é fácil porque, em assim fazendo, ele fica sem garantias constitucionais e pode ser preso de imediato.
Mas acordos sujos por debaixo de panos sujos ainda são possíveis. Pode ocorrer, porém, outro golpe dentro do golpe, quando indicação de nome tramada externamente ao Congresso venha ocorrer.
O problema, nesse caso, é que qualquer solução tenderá a levar à frente o trator neoliberal, tentando acabar com as conquistas sociais e econômicas obtidas ao longo dos governos petistas.
A melhor solução para o golpeado povo brasileiro é a terceira, tal qual o verso da canção “foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não se instalou feito um posseiro dentro de meu coração”.
Para tanto, temos que ir sorrateiramente minando os canais institucionais com nossa postura, pleito, coragem e força sugerindo, defendendo e lutando por eleições diretas já.
O Congresso Nacional tem poderes regimentais para tornar o rito de aprovação de qualquer PEC com procedimentos e períodos mais curtos e rápidos. Todos à rua com a bandeira de eleições diretas já!
Somente uma solução política eficaz e imediata pode voltar a restabelecer a esperança ao povo brasileiro.
Esperança de quê? De retorno à democracia, ao enterro de golpes políticos, à limpeza e reforma das regras de conduta da radiodifusão, à construção coletiva de uma nova relação entre a vida política e o financiamento de campanhas partidárias, à votação aberta das proposições nas casas do Congresso, a manutenção e melhoria dos direitos sociais e previdenciários.
À defesa da nação brasileira!!!
Criado em 2017-06-14 17:02:44
Dia 16 de janeiro, nesta quinta-feira, a partir das 18h, lançamento do livro Heptacular – o Ano Mágico Rubro-Negro, de Arthur Muhlenberg, no Beira Cultural (109 Sul – Brasília).
O livro conta em detalhes todo o percurso do Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2019 em que conquistou o ansiado heptacampeonato. “O torcedor ou boleiro poderá relembrar a trajetória do Mais Querido, desde o primeiro jogo até levantar a taça, vai se sentir dentro do estádio e se emocionar de novo”, diz o texto de divulgação do evento.
O livro Libertador – A Reconquista Rubro-Negra da América, ficou durante cinco semanas nas listas de mais vendidos da Amazon. Arthur Muhlenberg explica o motivo desse novo lançamento na Capital Federal: “Brasília é uma cidade muito pé-quente pra tudo que se relaciona ao Mengão. O sucesso que o Libertador está fazendo em todo o Brasil me convenceu que eu deveria manter a fórmula e lançar o Heptacular aqui também. O rubro-negro brasiliense não é de ficar no cheirinho, ele chega junto mesmo.”
Nas 168 páginas de Heptacular, com capa de Mário Alberto, o cronista Arthur Muhlenberg narra jogo a jogo, toda a trajetória da equipe sob a ótica apaixonada do torcedor. Os textos, feitos no calor dos acontecimentos, são um registro fiel da montanha russa de emoções pela qual passou o torcedor do Flamengo durante a campanha memorável do time.
O escritor Sérgio Rodrigues, autor de O drible, fala sobre o livro de Muhlenberg “Escrever sobre futebol é difícil e fica ainda mais difícil quando as palavras têm que dar conta de fatos tão grandiosos quanto os que o Flamengo viveu em 2019. Nessa hora o escriba se vê diante de forças realmente cósmicas, energias conjuradas em estádios imantados por cânticos aos quais se atam, numa malha de fios invisíveis, onze entidades em campo. Como pôr em palavras o que acontece quando um elenco de jogadores dessa qualidade cruza com um treinador dessa têmpera e tudo isso se passa sob a bandeira que tem as cores mais flamejantes e domina as mais vastas amplitudes do universo conhecido? [...] é só ler este livro e se deixar levar pelo cronista rubro-negro numa viagem cronológica, poética, épica, mítica [...], jogo a jogo, pelo heptacampeonato do ano mais luminoso da reluzente história do maior clube de futebol do mundo.”

O Autor
Arthur Muhlenberg é rubro-negro, carioca e publicitário. Foi diretor de Comunicação do Flamengo (2015-2016) e durante oito anos editou o Blog do Torcedor do Flamengo no globoesporte.com vencedor do Prêmio Ibest – Melhor Blog Esportivo 2008 e entre 2009 e 20124 recebeu 4 prêmios Consecutivos de Melhor Blog Esportivo do Prêmio Top Blog.
É autor de Manual do Rubro-Negrismo Racional, Hexagerado (ambos publicados pela 7Letras em 2009) e Da Lama ao Tri: a virada que levou o Flamengo ao título da Copa do Brasil 2013 (Editora Maquinária), e também coautor, junto com Lucas Dantas, de 1981 – O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, de Mauricio Neves de Jesus (Editora Livros de Futebol, 2011)
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Serviço:
Lançamento do livro: Heptacular – o Ano Mágico Rubro-Negro
Autor: Arthur Muhlenberg
Dia 16 de janeiro, às 18h.
Local: Beira Cultural - Beirute Sul (CLS 109 Sul - Bloco A - Asa Sul, Brasília – DF).
Criado em 2020-01-14 12:21:29