Bonus pages

  • Como Apoiar
  • Contato

Main Menu

  • Capa
  • Artigos
  • Política
  • Cultura
  • Cidades
  • Entrevistas
  • Colunas
  • Crônicas & Agudas
  • Vídeos
  • Como Apoiar
BRASILIÁRIOS.COM BRASILIÁRIOS.COM BRASILIÁRIOS.COM
  • Capa
  • Artigos
  • Política
  • Cultura
  • Cidades
  • Entrevistas
  • Colunas
  • Crônicas & Agudas
  • Vídeos
  • Como Apoiar
Pesquisar por:
Pesquisar somente:

Total: 1890 results found.

Página 77 de 95

Racionamento de água no DF é branco, elitista e classista

Marcelo Pires Mendonça (*) -

No ano de 2000 a guerra da água em Cochabamba, terceira maior cidade boliviana, nos deixou uma importante lição: somente o povo organizado nas ruas pode barrar medidas governamentais que contrariam os interesses e causam prejuízos à sociedade.

Num feito inédito, a população do campo e da cidade unidas conseguiram a revogação da lei que privatizava a água em seu país, contrariando a recomendação do Banco Mundial. Estava posto ali o caráter estratégico dos recursos naturais, em especial a água, para a América Latina e para o mundo, sob a égide do capitalismo privatista.

Em 2014 testemunhamos a crise hídrica de São Paulo, negada pela cúpula do governo estadual (com a conivência da mídia hegemônica, omissa em divulgar os fatos) até atingir níveis insustentáveis.

Tal episódio suscitou duas questões: a  gestão desastrosa dos recursos hídricos pelo governo local à frente de uma das maiores economias do país e o caráter de classe do racionamento de água, que afetou desigualmente os moradores de periferias e dos bairros “nobres” da capital.

Além da opção por um modelo de política pública sem investimentos em infraestrutura e sem planejamento estratégico, saltaram aos olhos do país o arquétipo de “gestão da crise” adotado: a Sabesp realizou uma operação secreta de redução da pressão da água, com a justificativa de diminuir as perdas com vazamentos.

Na prática o resultado foi que milhares de pessoas passavam dias, até semanas sem água, principalmente os bairros altos das periferias e as localidades distantes dos reservatórios. Após meses negando a crise e diante das reclamações da população que sofria com os efeitos da medida arbitrária, a empresa admitiu a prática. A falta de transparência, a ausência de controle social e a gestão equivocada acenderam o alerta para todo o país.

Em Brasília, o ano de 2017 começa com o anúncio extemporâneo do GDF de um cronograma de racionamento de água.

Aqui, como em São Paulo há três anos, as mesmas duas questões se sobressaem: a gestão calamitosa dos recursos hídricos pelo governo local em plena capital do país e o caráter de classe do racionamento de água, cujo corte no fornecimento ocorrerá por rodízio e afetará precipuamente as regiões administrativas de menor poder aquisitivo do Distrito Federal.

Sob a justificativa de que apenas as regiões abastecidas pela bacia do Descoberto (que abrange 60% da população do DF) demandam esta medida, coincidentemente as regiões nobres de Brasília, abastecidas pelo reservatório de Santa Maria e outros córregos, serão poupadas deste incômodo.

Assim, Asas Sul e Norte, Lagos Sul e Norte, enfim, todas as regiões que englobam os setores de mansões e grandes condomínios (e que consomem, em média, o dobro de água do restante da população do DF) serão afetadas apenas pela redução da pressão da água, mas terão garantidos pelo GDF direitos fundamentais, como o de encher suas piscinas, regar suas gramas e lavar seus carros.
 
A atual crise hídrica nos coloca o desafio de refletir questões como educação e gestão ambiental, sustentabilidade e o uso adequado de recursos naturais do ponto de vista de classe.

O que não é debatido pela mídia com relação ao problema da sustentabilidade ambiental é o fato de que 82% da nossa água é consumida pela agricultura em processos de irrigação, 10% é destinada à indústria e somente 8% de toda água é consumida pelas famílias, segundo dados da OMS.

No fim das contas, quem menos consome e paga as maiores tarifas de água é quem sofre as consequências de uma sociedade que não discute a questão ambiental na perspectiva de classe e sim na perspectiva individualista do capitalismo tão propalada pelos meios de comunicação: os maiores poluidores ambientais no mundo são as indústrias petroquímicas e de plástico, que jogam no meio ambiente toneladas de metais pesados, efluentes industriais e poluentes orgânicos persistentes (POP), a queima de combustíveis fosseis e as usinas termoelétricas, sendo responsáveis por 91% da poluição ambiental no mundo e por 86% do lixo do planeta.
 
Entretanto, a mídia hegemônica difunde o discurso da consciência ambiental individual, superdimensiona a coleta seletiva de lixo residencial, o banho cronometrado, a economia de água doméstica, o racionamento que afeta somente às famílias, quando na realidade as famílias produzem 7,5% do lixo no Brasil e a coleta seletiva residencial, por exemplo, tem um impacto praticamente zero na preservação do meio ambiente, considerando que 3% (de 7,5% que é produzido) do lixo doméstico é reciclado....

E enquanto a sociedade está distraída separando o lixo da sua casa não tem ninguém pressionando empresas e governos por práticas industriais mais sustentáveis e eficazes ou por uma legislação e uma fiscalização mais rígidas que garantam de forma efetiva a preservação ambiental.
 
Pari Passu, aqui no Distrito Federal, a população das regiões administrativas com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), a exemplo de Santa Maria, Ceilândia e Samambaia terão, oficialmente, um dia de racionamento com dois dias de religamento e três de abastecimento normal.

Na prática observamos inúmeras denúncias de casos de falta de fornecimento nestas localidades uma semana antes do racionamento oficial, reclamações acerca de relógios de medição que registraram cobrança no período do corte e de localidades nas quais, passado o período previsto para reabastecimento, a população seguia sem acesso à água.

Há também, no DF, os casos de restrição estrutural de acesso à água em regiões administrativas como a Fercal, que apresenta um dos maiores contingentes populacional de negros e um dos menores índices de renda, na qual parte da população sequer integra a rede oficial de abastecimento e recebe água de poços artesianos, cuja qualidade é considerada salobra.

Mais uma vez, as variáveis de raça e classe se imiscuem para aprofundar as desigualdades estruturais da sociedade.

Enquanto isso, as quatro regiões administrativas com maior IDH e menores contingentes populacionais de negros - Lago Norte, Sudoeste/Octogonal, Lago Sul e Plano Piloto – seguem imunes ao racionamento.

O banho de piscina está garantido nos setores de mansões, mas as regiões mais populosas e mais carentes nem direito ao banho têm.

Infelizmente, acompanhando o racionamento, persevera o discurso atomista e liberal do capitalismo de que "precisamos fazer a nossa parte".

Mas na realidade, se a nossa parte não compensa o dano industrial proporcionalmente muito maior do que podemos reparar, então na verdade a "nossa parte" favorece muito mais à nossa consciência, à manutenção do status quo e das políticas públicas erráticas do que ao meio ambiente.

Por isso a sociedade precisa assumir o compromisso histórico de construir a luta pela sustentabilidade ambiental e em defesa dos recursos naturais com consciência de classe e controle social, problematizando os reflexos da desigualdade social, de raça e de classe no acesso a bens e recursos essenciais.

O racionamento deve ser proporcional ao consumo e não inversamente proporcional ao nível de renda.
__________________
(*) Marcelo Pires Mendonça é formado em História e Geografia, professor da Rede Pública do Distrito Federal.

Criado em 2017-01-19 16:04:43

Frente pela Cultura defende investimento para o setor e artistas abraçam o MAR

Representantes de museus, reunidos na casa de Fabio Szwarcwald, exonerado da direção da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, criaram a Frente pela Cultura para defender o setor e atrair investimentos.

Ao mesmo tempo, um grupo de artistas, curadores, escritores, pensadores, pesquisadores está convocando para a próxima terça-feira, 26/11, às 15h, ato público em frente ao Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), na Praça Mauá, Rio de Janeiro.

Estavam presentes na reunião que criou a Frente pela Cultura representantes do Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Moderna (MAM), Museu Casa do Pontal, Museu do Amanhã, entre outras instituições.

Segundo matéria do jornal O Globo, assinada pelo jornalista Nelson Gobbi, um conselho composto, além de Szwarcwald, por nomes como Evandro Salles, ex-diretor cultural do MAR, vai estabelecer diretrizes para a frente, que serão levadas ao poder público. A intenção do grupo é ampliar a articulação política, tanto com as autoridades quanto com membros do Poder Legislativo, além de reforçar junto à população o valor da cultura e dos equipamentos.

“A proposta é definir estratégias para garantir o funcionamento destas instituições, desde buscar parcerias com a iniciativa privada até mostrar para a sociedade o quanto valem os museus e as coleções, quantos empregos geram e que retorno dão”, diz Szwarcwald.

“Além de sensibilizar os gestores públicos, queremos o apoio de vereadores, deputados, senadores. Vamos começar pelo Rio, que vem sofrendo com equipamentos fechados ou em risco de fechar, além da falta de investimentos em todos os níveis. Mas a ideia é criar um movimento nacional”, completa Szwarcwald.

Para Evandro Salles, é fundamental unir diferentes pontos de vista em defesa da cultura, de artistas a empresários, passando por educadores e pensadores: “É importante pensar a cultura e a arte como um projeto de muitas vozes, e não de uma instituição ou de um governo específico. E defender a cultura do Rio é defender a de todo o Brasil. Sem abraçar o setor não conseguiremos evoluir em nenhuma área, nem socialmente, nem na educação ou na economia”.

Ainda para Szwarcwald, é fundamental criar um clima de confiança nas gestões profissionais para atrair investimentos privados: “A crise do setor não tem a ver com a qualidade do trabalho, muito pelo contrário. O MAR, a Casa do Pontal, a EAV, entre tantos outros, têm programas de excelência. Falta ao Estado reconhecer que a cultura é uma área prioritária, em que valha a pena investir — comenta. — Os recursos privados só virão se as empresas tiverem confiança no trabalho e na sua continuidade. E se estes espaços puderem cumprir livremente seu compromisso com o conhecimento e a diversidade”.

Artistas organizam ato de resistência pelo MAR

Um grupo de artistas, curadores, escritores, pensadores, pesquisadores, que já conseguiu mais de 30 mil assinaturas pela internet, está convocando para a próxima terça-feira, 26/11, às 15h, ato público em frente ao Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), na Praça Mauá, Rio de Janeiro.

A ideia é chamar a atenção das autoridades para o fato de que o museu passa por uma grave crise financeira e indefinições sobre seu futuro.

No dia 19/11, o grupo enviou uma carta ao Secretário de Cultura do Rio de Janeiro, Adolfo Konder, solicitando que ele agendasse um encontro com representantes do movimento de apoio ao MAR com o prefeito Marcelo Crivella.

A comissão de representantes do movimento de apoio ao MAR que irá se reunir com o prefeito, assim que o encontro for agendado, é formada por: Clarissa Diniz, Eliana Sousa Silva, Ernesto Neto, Heloísa Buarque de Hollanda, Mauricio Dias, Milton Guran, Paula Trope e Rosana Palazyan.

Segundo os organizadores do ato público, desde sua inauguração há seis anos, o MAR vem se tornando um dos museus mais visitados do país – tendo recebido mais de três milhões de visitantes. Além disso, o museu já organizou mais de 60 mostras, possui um setor educativo vivo e vibrante, além de oferecer regularmente cursos de formação para professores dos ensinos fundamental e médio.

O MAR construiu um acervo formidável, que consiste em mais de nove mil obras, com nomes emblemáticos da arte brasileira e estrangeira, estimado em R$ 150 milhões. Esta potente coleção, uma das mais importantes do país, foi construída em grande parte por doações realizadas por artistas, galeristas e colecionadores, que o fizeram pela confiança nas diretrizes da instituição.

Para assinar a petição clique aqui

Criado em 2019-11-22 23:50:55

Juízes trabalhistas repudiam declarações de Rodrigo Maia

Em nota pública, entidades de juízes, presidentes e corregedores de tribunais regionais do trabalho repudiaram a afirmação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segundo a qual a Justiça do Trabalho "não deveria existir" e que os juízes do Trabalho são "irresponsáveis".

O Colégio de Presidentes e Corregedores de Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) também protestaram contra a declaração do deputado de que a reforma trabalhista encaminhada pelo Governo Federal seria “tímida” e que a reforma da Previdência não possuiria pontos polêmicos.

As entidades afirmam em sua nota que tais declarações revelam “profundo desconhecimento dos princípios constitucionais que regem os direitos trabalhistas e sociais, além dos verdadeiros reflexos das propostas para o país”.

Eis a íntegra da nota de repulsa às declarações do presidente da Câmara:

“O Colégio de Presidentes e Corregedores de Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor) e A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), entidade que representa mais de 4.000 juízes do Trabalho em todo o Brasil, e repudiam as declarações do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou, em entrevista nesta quarta-feira (8/3), que a Justiça do Trabalho não deveria existir e que os juízes do Trabalho eram irresponsáveis, o que fazem nos seguintes termos:

1 - As afirmações do presidente ofendem os juízes do Trabalho que atuam em todo o Brasil e que, ao contrário do que afirma o parlamentar, têm a importante missão de equilibrar as relações entre o capital e o trabalho, fomentando a segurança jurídica ao garantir a correta aplicação do Direito, de forma digna e decente. Há mais de 70 anos, a história da Justiça do Trabalho está ligada ao fortalecimento da sociedade brasileira, através da consolidação da democracia, da solidariedade e da valorização do trabalho, missão essa que tem exercido de forma célere, transparente e segura, fazendo cumprir as leis e a Constituição Federal.

2 - Críticas sobre o aprimoramento de todas as instituições republicanas são aceitáveis, mas não aquelas - aí sim irresponsáveis - com o único objetivo de denegrir um segmento específico do Poder Judiciário que, especialmente neste momento de crise, tem prestado relevantes serviços ao país e aos que dela mais necessitam.

Somente em 2015, 11,75% (4.980.359 processos) do total de novos processos ingressados no Poder Judiciário representaram as ações relativas ao pagamento de verbas rescisórias, dado que revela o quanto a Justiça do Trabalho é imprescindível em um país desigual e injusto.

3 – Também causa repulsa à Anamatra, ao Coleprecor e aos seus representados as afirmações do deputado de que a reforma trabalhista encaminhada pelo Governo Federal ao Parlamento seria “tímida” e que a reforma da Previdência não possuiria pontos polêmicos, declarações essas que revelam um profundo desconhecimento dos princípios constitucionais que regem os direitos trabalhistas e sociais, além dos verdadeiros reflexos das propostas para o país.

4 - A Anamatra e o Coleprecor defendem a importância do respeito e equilíbrio entre os Poderes, devendo sempre prevalecer os mais altos interesses da Nação e da ordem democrática e tomarão as medidas jurídicas cabíveis e necessárias para impedir toda e qualquer ruptura da ordem legal e constitucional. Sem um Judiciário altivo e independente, não há democracia.

Germano Silveira de Siqueira - Presidente da Anamatra
James Magno Araújo - Presidente do Coleprecor”.

Criado em 2017-03-15 02:00:08

Estados Unidos: o efeito bumerangue

Geniberto Paiva Campos -

Ao final da II Guerra Mundial, em 1945, quando emergiu como potência atômica, os norte-americanos resolveram usar seu poderio incontrastável do pós-guerra para intervir, direta ou indiretamente, nos países sob a sua presumida esfera de influência.

Sempre na preservação dos interesses econômicos e geopolíticos da oligarquia financeira que comanda o país. Usando como pretexto a “defesa e expansão da democracia”. Assumindo o papel de “gendarme do mundo”. O qual foi consolidado e expandido nas últimas décadas.

É bastante provável que tenham usado neste processo expansionista o mesmo critério aplicado na sua marcha interna em direção ao Oeste do seu território, subjugando ou eliminando nações indígenas nativas. E quando se apropriaram, em definitivo, de valiosas terras do vizinho México, incorporando-as de forma abusiva, ao seu território.

A esse tipo de intervenção denominam “Destino Manifesto”. O que esse estranho conceito possa significar.

Os embates da Guerra Fria somente fizeram agravar a fúria intervencionista americana. 

Sempre com o pretexto de exportar a sua “democracia” para todo o mundo. Submetendo governos e nações aos seus interesses. Ditaduras cruéis foram apoiadas pela Pax Americana, desde que fossem convenientes aos seus interesses econômicos e geopolíticos. Claro, sempre em defesa da “democracia”.

Desde a segunda metade do século XX as intervenções na política interna de povos e nações, em todos os quadrantes do mundo, ocorreram num crescendo incontrolável. Tornando-se algo previsível e natural. Até o tempo presente.

Irã, Coréia, Guatemala, Paraguai, Cuba, Vietnam, Chile, Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai. Até a queda do “Muro de Berlim”, seguida do esfacelamento da União Soviética em 1989, foram estes, entre outros, os países vítimas da “expansão democrática” dos americanos.

PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO - O século XXI trouxe a diversificação do método intervencionista e a ampliação do leque de “inimigos” a serem neutralizados/eliminados.

O atentado às “Torres Gêmeas”, de 11 de setembro de 2001, introduziu um componente inesperado na aparentemente tranquila democracia interna americana.

E mostrou a vulnerabilidade do outrora inexpugnável território dos Estados Unidos em períodos de guerra ou a ataques de grupos “terroristas”.

O “11 de setembro” deu início, portanto, a uma nova era na política externa americana. E a conveniente inclusão dos novos inimigos da democracia em sua lista: o Estado Islâmico, ou o “Eixo do Mal”, como o ex-presidente Bush Júnior o batizou.

Como se os Estados Unidos tivessem assimilado todos os equívocos que disseminou pelo mundo, a outrora admirada democracia americana vem sendo gradativamente solapada por intervenções autoritárias, originadas dos poderes constitucionais.

(Vale lembrar por sua importância histórica, o “Comitê de Atividades Antiamericanas”, originário do Congresso Americano, iniciativa do senador Joseph McCarthy, na década de 1950. Talvez um dos subprodutos mais significativos da Guerra Fria. Esta fase da vida política iria ficar conhecida como Macartismo. Um dos períodos mais estranhos e obscuros da política interna dos Estados Unidos. Um sinal do que estava para acontecer em tempos futuros).

Para os observadores atentos, o declínio mais acentuado da democracia americana tem início na década de 1980 com a eleição, de certa forma inesperada, de Ronald Reagan.

A qual marcaria a hegemonia do neoliberalismo como doutrina adotada internamente, e que passaria a ser exportada pelos americanos: estado mínimo e lucros sem limites para o capital especulativo.

A eleição de Reagan, antigo astro de Hollywood, causou espanto e preocupação em muitos setores, principalmente entre os estrategistas e intelectuais americanos.

O que levou o escritor Gore Vidal a dizer, numa famosa entrevista, que- Reagan não seria eleito.  – “Por que? ” perguntam os jornalistas. – “Porque aqui não é o Paraguai”, explicou Vidal.

Eleito Reagan, os jornalistas voltaram a procurar Gore Vidal: - “Qual a sua explicação para a vitória do Reagan?” - Benvindos à Assunção...” respondeu o escritor. Com indisfarçado preconceito, pesada ironia, mas como se pode perceber, em tom profético.

É provável que a partir daí a política doméstica norte-americana tenha começado de uma forma mais evidente a sofrer influências de sua errática política externa. No seu dia-a-dia e no processo político eleitoral mais amplo. Por exemplo, na importante escolha dos seus presidentes.

Reagan, Bush Júnior, e agora Donald Trump seriam os mais prováveis e significativos modelos presidenciais de países “subdesenvolvidos” no governo norte americano.

Pela estranheza das suas figuras de governantes e até pelos métodos utilizados para ganhar eleições.

Os chineses costumam chamar essa inversão de papéis, aquela situação na qual “as moscas capturam o papel mata-moscas...”

Para combater o extremista “Estado Islâmico” seriam necessárias medidas extremas, mesmo tangenciando o mais truculento e primitivo totalitarismo. E o mais grave, praticando atos terroristas em diversos países, a pretexto de “combater o terrorismo”. E trazendo de volta ao século XXI os campos de concentração nazistas. Com novos inquilinos.

Daí a grotesca ideia de Guantânamo, base americana localizada em território cubano. Nesta “unidade especial” seriam permitidas sevícias e torturas contra os “inimigos islâmicos”.

E os direitos humanos poderiam ser convenientemente abstraídos pelos americanos. Afinal, estava sendo travada uma guerra santa contra o eixo do mal. Assim determinava a doutrina do presidente Bush Júnior.

Guantânamo, curiosamente, não ganhou nenhuma denominação midiática de marqueteiros políticos. Como ocorreu à época de Guerra Fria: “muro da vergonha”; “cortina de ferro”; “mundo livre”; a “ameaça vermelha”.

Guantânamo continuou Guantânamo e ponto final. Ninguém ousou apelidar a base norte americana de “Nova Auschwitz”, por exemplo. Havia o silêncio cúmplice da mídia americana e dos países simpatizantes...

Internamente, a democracia americana passou a sofrer sérios declínios, com restrições severas aos direitos individuais.

Dessa vez, por iniciativa do Executivo. E o apoio do Congresso. O então presidente republicano Bush Júnior, como se fosse um tradicional caudilho latino americano, passou a decretar “atos institucionais”, facilmente aprovados pelo Congresso, restringindo outros direitos, em nome da “Segurança Nacional”. Criando, na prática, um estado autoritário, apenas com aparência de democracia. Com a justificativa – talvez mero pretexto – de combater o “Islamismo”, e outros inimigos.

Pela ordem, foram editados no governo Bush, na primeira década do século XXI, as seguintes medidas ou “atos institucionais” (Moniz Bandeira -1):
1.    Suspensão do direito de habeas corpus para “combatentes inimigos fora-da-lei” e para aqueles que os ajudaram;
2.    Os combatentes fora-da-lei aprisionados no Afeganistão e levados para Guantânamo estavam impedidos de recorrer, com base na Convenção de Genebra, às cortes americanas;
3.    Deu ao presidente o direito de deter, indefinidamente, qualquer cidadão – americano ou estrangeiro – de posse de material de apoio a hostilidades antiamericanas e de autorizar o emprego de tortura em prisões militares secretas;
4.    Bloqueio de qualquer ação legal que prisioneiros, detidos como “combatente inimigo “ empreendessem, em virtude de danos e abusos sofridos durante a detenção;
5.    Permissão aos militares americanos e agentes da CIA o engajamento em práticas de torturas. E autorização para o uso de depoimentos obtidos através de coerção;
6.    Concedeu aos militares americanos e agentes da CIA imunidade contra processos por torturarem detidos capturados durante o ano de 2005.

Qualquer semelhança com caudilhos latino-americanos terá sido mera coincidência.

A ELEIÇÃO DE DONALD TRUMP E O FUTURO DA DEMOCRACIA AMERICANA

A eleição recente de Donald Trump, para muitos inesperada, tornou mais evidente e mostrou ao Mundo a complicada situação interna da política americana. A qual vem causando grande perplexidade em todos os quadrantes do planeta.

É bastante provável que os eleitores americanos tenham se cansado de tantas intervenções pelo mundo. E resolvido mudar o padrão.

É incrível o retrocesso da Democracia e dos padrões civilizatórios na vida americana. Uma sociedade outrora admirada em todo o mundo desenvolvido. Exemplo e modelo de convívio civilizado.

A Política nem sempre acompanha as conquistas econômicas, científicas e tecnológicas dos povos e nações. É provável que a longa duração do regime escravocrata nos EUA tenha influenciado os seus futuros dirigentes.

Mesmo analistas mais atilados, no caso americano, têm dificuldade em entender e interpretar para seus seguidores o que é e para onde caminha a política externa americana.

Seus inúmeros equívocos e repetidas lambanças, nas quais os estrategistas de Washington são mestres insuperáveis. Absolutamente incapazes de aprender as lições da História.

Desnecessário,  talvez,  listar em detalhes, os inúmeros locais onde os americanos se envolveram em “guerras” e intervenções nas últimas décadas.

Onde conseguiram provar insuperável capacidade destrutiva. Com mínimos êxitos estratégicos: Iraque, Líbia, Afeganistão, Somália, Iêmen, Síria, no futuro, podem ser “apenas fotografias na parede” do Pentágono.

Mas quantas vidas inocentes ceifadas. Quantas nações destruídas. Inutilmente.

Quem sabe, apenas para atender os interesses do “complexo industrial-militar”. Longe, muito longe, das prioridades estratégicas e geopolíticas americanas.

Espera-se que alguns ensinamentos possam ter sido assimilados.

Aguardemos. Mesmo com mínimas esperanças em Donald Trump. Que não é, exatamente, um estadista. Mas, poderá surpreender.

Criado em 2017-01-14 04:04:39

“Contando Ninguém Acredita”, a comédia

Os atores Jovane Nunes e Victor Leal, da Cia. de Comédia “Os Melhores do Mundo”, entram em cena para apresentar o espetáculo Contando Ninguém Acredita em que contam os dissabores e sabores do caminho que o grupo percorreu nestes 25 anos de carreira.

A peça fica em cartaz de 26 de novembro até 23 de dezembro, sempre às segundas-feiras, às 20h, no Teatro do Brasília Shopping (SCN Quadra 05 – W3 Norte). Ingressos: R$ 30 (meia). Para quem levar 1 Kg de alimento, a entrada sai por R$ 40. Não recomendado para menores de 14 anos.

Jovane e Victor são redatores, atores, comediantes e também fundadores da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo, o mais atuante grupo de teatro do Brasil originário da capital federal. Entre diálogos divertidos e solos, os artistas falam das dificuldades e das alegrias de se viver do humor.

A dupla é também autora de personagens clássicos como Joseph Klimber, Sargento Deny e Hermanoteu. Victor e Jovane foram ainda por muito tempo redatores do núcleo de humor da Rede Globo, onde escreveram programas como Sai de Baixo, Fantástico e Chapa Quente. Victor Leal também escreve e atua no canal Porta dos Fundos.

“Os 25 anos de carreira dos Melhores do Mundo renderam muitas histórias. Histórias que, literalmente, Contando Ninguém Acredita. De uma maneira leve e divertida, usando o formato de stand-up comedy, vamos fazer a plateia morrer de rir”, destacam os atores.

“Mas, claro, vamos trazer alguns dos quadros mais conhecidos do repertório dos Melhores do Mundo, como o Sargento Deny (do espetáculo Noticias Populares) em uma nova aventura e Tio Olegário (do espetáculo Misticismo)”, adianta Victor.

Criado em 2019-11-22 01:19:10

Greve Geral: Ato Unificado no Dia Internacional da Mulher

Nesta quarta-feira, 8/3, concentração às 14h, em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios. De lá, trabalhadoras de várias categorias, estudantes e ativistas do movimento farão uma marcha em direção à Praça dos 3 Poderes.

Com a proposta de "greve geral", as mulheres do Distrito Federal e Entorno vão protestar contra o governo de Michel Temer, contra o racismo, contra o feminicídio, contra a reforma da Previdência, e também pelo direito de abortos legais e seguros.

“Num contexto agravado pelo golpe parlamentar, jurídico e midiático, a união das mulheres se mostra ainda mais urgente. Em vez de ser solução para a crise econômica, o ajuste fiscal proposto pelo governo aprofunda a concentração de renda, aumenta a desigualdade e promove o desemprego. O governo golpista também avança nas privatizações, corta investimento nas políticas sociais e retira direitos, atingindo diretamente nossas vidas”, ressalta a carta convocatória assinada pelas mulheres brasilienses.

Veja os principais pontos de luta:

Por que paramos?

* Basta de feminicídio: o Brasil está entre os cinco países com maior índice de homicídios de mulheres, segundo o Mapa da Violência 2015. No DF, a taxa desse crime cresceu 41,1% entre 2006 e 2013.

Seis cidades do Entorno estão entre as cem onde mais se matam mulheres no País. As vítimas preferenciais são as negras, jovens e com baixa escolaridade.

* Contra a cultura do estupro: no Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. No DF, 60% dos estupros em 2016 vitimaram jovens com menos de 14 anos de idade.

É comum culpar a vítima pela violência sofrida e tratar a agressão dos homens como algo normal. Cantadas de rua, piadas sexistas, ameaças, assédio moral e sexual dão formato à cultura do estupro, cuja violência tem consequências seríssimas para nossas vidas.

* Pela legalização do aborto: o aborto está entre as principais causas de morte de mulheres no Brasil.

A cada dois dias, uma mulher morre em decorrência de aborto clandestino. Esse grave problema de saúde pública mata sobretudo as mulheres em situação de vulnerabilidade: por não ter como pagar, mulheres pobres, negras e com menos escolaridade recorremos a métodos que ameaçam nossas vidas.

* Pelo fim do racismo cotidiano contra as mulheres negras: nosso passado escravocrata e ausência de políticas, ao longo dos séculos, voltadas às mulheres negras nos colocam em posição subalterna, como objetos sexuais, tirando-nos o acesso a direitos fundamentais e reforçando desigualdades baseadas em gênero e raça/cor.

Mulheres e meninas negras enfrentamos desproporcionalmente a combinação de múltiplas formas de discriminação e somos a maioria das vítimas em diversos indicadores de violações de direitos, inclusive nos feminicídios, forma mais grave de violência contra as mulheres.

* Pelo fim da lesbofobia e em defesa da vida das mulheres trans: o Brasil é onde mais se matam LGBTs. A sobreposição de preconceitos aumenta o risco e faz com que a violência dentro e fora de casa seja real para lésbicas, mulheres bissexuais, trans e travestis.

O preconceito e o machismo institucionais (em escolas, serviços de atendimento de saúde, segurança e justiça) negam-nos o acesso ao mercado de trabalho e o direito à nossa identidade.

* Pelos direitos das mulheres com deficiência: aproximadamente 40% das mulheres com deficiência no mundo já sofreram violência doméstica. No Brasil, somos mais de 25 milhões de mulheres com deficiência, a maioria negras.

Pelo isolamento social e pelo silêncio que circunda nossos corpos e nossas vidas, ficamos ainda mais expostas a todo tipo de violência e de abuso.

* Pela vida das mulheres em privação de liberdade: o sistema carcerário reproduz as desigualdades de gênero, restringindo as oportunidades de estudo e de trabalho para as mulheres.

* Pelo fim da violência contra indígenas, quilombolas e mulheres do campo: principais responsáveis pela agricultura familiar e pela pecuária, somos as que mais sofremos com a atuação de grandes empresas em nossos territórios e as desigualdades trazidas por esse modelo de crescimento econômico.

A luta a que as mulheres se propõem é por outra sociedade, mais justa e solidária, que saiba valorizar todos os conhecimentos, em especial os ancestrais e tradicionais.

Criado em 2017-03-07 21:56:32

Good lock ou good luck moçada!

José Carlos Peliano (*) -

Nos idos dos anos noventa na enxurrada das águas de libertação da ditadura que tomou conta dos brasileiros, os caminhos iam e vinham país adentro e afora. Muitos de nós fomos respirar ares novos na velha Europa de onde vieram a maioria de nossos ancestrais.

Vinhos nacionais ainda permanecem navegando em nossas veias vindos de Portugal, França. Espanha e Itália. Os olhos guardam imagens inabaladas de recantos de Londres, Berlim, Amsterdam e cidadezinhas do interior do continente. Até mesmo não sai da memória as estações de trens de onde entram e saem saudades bem aventuradas.

O deslumbramento de pisar pela primeira ou pela enésima vez no solo europeu sempre vinha e vem conosco toda vez que saíamos e saímos ainda hoje de nosso país. Ainda mais agora quando ele está sendo despedaçado política, econômica, social e moralmente por esse governo ilegítimo, breve e corrupto.

Bate no peito a vontade de ir embora de vez desse caos institucional, de um futuro embaçado por dúvidas, aborrecimentos e perdas, mas ressoa também no coração o desejo de ficar para combater os desvarios fascistas e torcer pela volta da democracia sã, honesta, franca, geral e indiferenciada.

Mesmo estando a Europa igualmente em longo período de estagnação e arrasto econômico, desequilíbrios políticos e sociais. Segura-a a tradição de uma cultura forte, ainda amalgamada em valores universais de fraternidade, civilidade, cidadania e liberdade, apesar de sinais de retrocesso.

Tradição que falta ao nosso país aculturado por vários povos invasores que nos colonizaram e usurparam de nossas riquezas em inúmeros períodos. E ainda estão hoje à espreita.

E foi nesse embalo paradisíaco de chegar ao continente europeu e usufruir em alguns dias de férias de sua hospitalidade e diversidade que um casal amigo, Márcia e Sandro, no começo dos anos noventa, chegou por lá de mochilas e dinheiro contado. Contado e bem contado, mas descontado do câmbio nosso desvalorizado de cada dia.

Consta que, ao chegar em Amsterdam, foi o casal procurar por uma pousada onde passar os dias. Da estação de trem partiu para o endereço anotado em noite repleta de holandeses e europeus pelas ruas, infiltradas de brasileiros também. Chegaram Márcia e Sandro, se instalaram, reconheceram o terreno e saíram para comer alguma coisa.

A recepcionista da pousada indicou-lhes um bar por perto, bem frequentado, com variedades de opções, local sempre por ela indicado.

Foi então o casal ao bar duas ruas à frente. Noite limpa, estrelada, lua meio vazia, meio cheia, estômagos vazios, fome cheia.

Copos meio vazios, meio cheios, tristezas vazias, alegrias cheias, sentaram-se e pediram um bolinhos com boa aparência e substância, pois preparados com cannabis.

Dois cigarrinhos bem enrolados da mesma substância chegaram ao casal como cortesia aos estrangeiros, brasileiros, ofertados pela simpática servente do bar.

Bolinho para cá, bolinho para lá, goles de cerveja para cá, goles para lá, o casal se divertia em meio aos demais frequentadores do bar ao som de músicas movimentadas da época.

Brindavam-se mutuamente. Muita fumaça de cigarro rodopiava pelo ar e piava em rodo pelos risos e vozes indo e vindo pelo ambiente. Mais um brinde, saúde, proost!

Lá pelas tantas, após tantos bolinhos, fumaças, sons, beijinhos, brindes e tragadas, sorrisos, idas e vindas ao banheiro, o casal resolve retornar à pousada.

Já passava do início da madrugada e chegava ao fim à noitada. Márcia e Sandro, alegres, e bote alegria nisso, felizes, enevoados em cores de imagens e pensamentos, levantam-se e as pessoas sentadas ao redor os saúdam de vez, despedem e os felicitam.

Sandro não se contém e retribui às saudações: Good lock, moçada! Todos os que os saudaram caíram em gargalhadas. Márcia lembra a Sandro que não era lock, mas sim luck.

Uma simples questão de abertura labial e posicionamento da boca para que o som saísse como convinha. Sandro cai então em gargalhada e retribui às demais que pipocaram pelo ambiente.

Pronunciou certo por fim. Good luck moçada! Mas luck muita, muita! Luck para everybody! Aí todos levantaram suas enormes tulipas e brindaram ao casal brasileiro que fecha (lock) sua noite desejando sorte (luck) à moçada holandesa.

Saíram festejados, às risadas, alguns tulipeiros foram até à porta e continuaram às saudações. Caminharam até à pousada protegidos pelos braços e abraços coloridos e modorrentos da cannabis.

Como diriam nossos antepassados, não se faz tulipeiros nem conterrâneos, nem confraternização espontânea e genuína como antigamente.

O tempo dá voltas e, às vezes, essas voltas se revoltam com ideias, soluções e comportamentos revoltantes. Como o espírito preconceituoso xenófobo e a postura fascista. Xenofobia lá e fascismo aqui.

A entropia piora com Trump gerando a “entrumpia”, que somada à xenofobia sem bandeiras da Europa diminui a energia saudável do mundo, ameaça sonhos de integração, reduz a esperança, diminui a força de reação, trazendo a inércia.

Essa inércia descabida que toma conta do país nas mãos de um governo indevido, ilegítimo, incapaz, infrutífero. Deixa a fera solta dos radicais imbecis, oportunistas, sem direção definida, apopléticos.

Mais arruaceiros que manifestantes, bradando coisa nenhuma, coisa com coisa, mas perturbando a ordem democrática, infestando de ira sem limites o tecido humano, social e político brasileiro.

Uma salva de palmas para Márcia, Sandro e os tulipeiros de feliz memória, que seu exemplo, como de tantos outros semelhantes, pipoque país afora e reconforte desejos de mudanças desse estado apático e derrubado de coisas no país.

Proost casal! Proost tulipeiros! Abaixo os golpistas daqui e os xenófobos de lá! Que o sonho não morra!
____________________
(*) José Carlos Peliano é colaborador do site www.brasiliarios.com

Criado em 2016-12-04 18:19:14

MAR recebe “Pardo é Papel”, exposição de Maxwell Alexandre

O Museu de Arte do Rio recebe, na próxima terça-feira (26/11), às 10h, a exposição Pardo é Papel, individual do artista Maxwell Alexandre. Na abertura, haverá performance dos rappers BK’ e Baco Exu do Blues. A entrada é gratuita e a classificação é livre

Aos 29 anos, Maxwell Alexandre retrata em sua obra uma poética urbana que passa pela construção de narrativas e cenas estruturadas a partir de sua vivência cotidiana pela cidade e na Rocinha, onde nasceu, trabalha e reside.

Com obras no acervo do MAR, Pinacoteca de São Paulo, MASP, MAM-RJ e Perez Museu, Maxwell apresenta “Pardo é Papel” no Brasil após levar sua primeira exposição individual ao Museu de Arte Contemporânea de Lyon, na França. Resultado de uma residência do artista na Delfina Foundation, em Londres, a mostra é promovida pelo Instituto Inclusartiz, de Frances Reynolds, e tem patrocínio da PetraGold. 

O início de Pardo é Papel remete a maio de 2017, quando o artista pintou alguns autorretratos em folhas de papel pardo perdidas no ateliê. Nesse processo, além da sedução estética potente, ele percebeu o ato político e conceitual que está articulando ao pintar corpos negros sobre papel pardo, uma vez que a “cor” parda foi usada durante muito tempo para velar a negritude.

“O desígnio pardo encontrado nas certidões de nascimento, em currículos e carteiras de identidades de negros do passado, foi necessário para o processo de redenção, em outras palavras, de clareamento da nossa raça. Porém, nos dias de hoje, com a internet, os debates e tomada de consciência e reivindicações das minorias, os negros passaram a exercer sua voz, a se entender e se orgulhar como negro, assumindo seu nariz, seu cabelo, e construindo sua autoestima por enaltecimento do que é, de si mesmo. Este fenômeno é tão forte e relevante, que o conceito de pardo hoje ganhou uma sonoridade pejorativa dentro dos coletivos negros. Dizer a um negro que ele é moreno ou pardo pode ser um grande problema, afinal, Pardo é Papel”, ressalta Maxwell.

“Tenho o enorme prazer e orgulho de apresentar este jovem talento. Maxwell é um líder natural, tem grande capacidade de atrair jovens de outras linguagens, conseguindo aglutinar as forças e todas as novas experiências dos jovens que são o futuro do Brasil. A belíssima obra de Maxwell marca uma sensibilidade da realidade social do Rio de Janeiro”, analisa Frances Reynolds, presidente e fundadora do Instituto Inclusartiz, que busca trazer um diálogo entre todos os segmentos da sociedade e os artistas, especialmente os jovens, fomentando a sua carreira e os apoiando estrategicamente no âmbito internacional.

Para Marcelo Campos, curador associado do MAR, o museu, ao trazer essa itinerância, ratifica os modos, sensações e lugares com os quais interessa dialogar: a escola, a diversão, o museu, a laje, a sala familiar, a rua, a igreja. “Tudo isso se apresenta nas pinturas do artista. O museu, então, se repensa como signo de distinção, e nele a inclusão passa a ser meta. Lugar historicamente de ostentação de bens, o museu que nos interessa continuar deve reverter a periferização, transformando-a em autoestima”, afirma Marcelo.

____________________

Serviço:

Exposição: Pardo é papel

Artista plástico: Maxwell Alexandre

De: 26 de novembro de 2019 a março de 2020.

Visitação de terça a domingo, de 10h às 18h (entrada até 17h).

Ingressos: R$ 20 (inteira e ingresso família aos domingos) e R$ 10 (meia entrada).

Entrada gratuita às terças-feiras.

As pulseiras que darão acesso às performances de BK’ e Baco Exu do Blues deverão ser retiradas com antecedência na bilheteria do museu, neste fim de semana (dias 22, 23 e 24 de novembro), entre 9h30 e 17h.

Criado em 2019-11-22 01:28:25

Aumento de cargos de confiança para deputados "é ilegal e imoral"

A campanhas eleitorais de 2018 recebem, neste instante, um estímulo extra da Câmara dos Deputados. A pedido do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), diretores da Casa trabalharam em ritmo acelerado neste fim de semana para concluir proposta que ampliará número de vagas a serem preenchidas por funcionários escolhidos por parlamentares e partidos.

Um grupo de servidores efetivos questiona a legalidade e a moralidade da manobra. O objetivo, segundo os servidores, a proposta da Mesa Diretora é aumentar o “cabide de empregos” na Câmara e “desmontar” a estrutura administrativa, reduzir o peso dos concursados e ampliar o dos assessores indicados politicamente, que atuam como cabos eleitorais.

É a farra dos cargos de "assessores" pagos com dinheiro público para engordar os comitês eleitorais. Essa mudança foi costurada na campanha da nova Mesa Diretora e só aguardava o Carnaval passar para entrar em vigor.

O site Congresso em Foco, em matéria assinada por Edson Sardinha, e com a colaboração de Patrícia Cagni, publicada no domingo 5/3), informa que sem alarde, o novo comando da Câmara prepara, a toque de caixa, mudanças na estrutura administrativa da Casa para garantir aos deputados o direito de contratar mais funcionários de sua confiança e ampliar as vagas destinadas às lideranças partidárias.

Eis a íntegra da matéria publicada pelo Congresso em Foco:

A manobra, que deve inicialmente criar de 200 a 300 novos cargos de livre nomeação, faz parte das promessas de campanha da chapa vencedora, do atual presidente, Rodrigo Maia.

Os parlamentares têm pressa em aprovar as modificações, que também estão atreladas à distribuição das comissões, a serem instaladas nos próximos dias.

A pedido de Maia, diretores das áreas de Recursos Humanos e Pessoal da Câmara se reuniram, neste sábado (4/3), para discutir uma proposta a ser apresentada à Mesa Diretora na próxima semana. Caberá a esse órgão, e não ao plenário, decidir sobre o assunto. A estratégia se baseia na combinação de duas modificações.

A ideia é transformar cerca de 100 funções comissionadas (FCs), privativas de servidores efetivos da Casa – concursados e os funcionários que entraram na casa antes da exigência de concurso público – em cargos de natureza especial (CNEs), para funcionários contratados livremente pelos parlamentares, por secretarias ou lideranças. Além da conversão das FCs em CNEs, também se articula a divisão desses cargos comissionados, de modo a multiplicar o número de contratados.

Os CNEs são divididos em diferentes níveis de remuneração. Um CNE 7, por exemplo, ganha R$ 18 mil. Já um CNE 15 recebe cerca de R$ 3 mil. Pela proposta, cujo detalhes ainda não foram divulgados, além da transformação das FCs em CNEs, será possível dividir os CNEs – os novos e os já existentes – em vários.

Um CNE 7 poderia ser transformado em vários CNEs 15 e permitir a contratação de até seis servidores de confiança. Integrantes da Mesa Diretora que defendem as medidas argumentam que as mudanças não vão implicar aumento de gasto público. Alegam que o mesmo valor será repartido entre mais pessoas.

Mas não será bem assim, advertem servidores efetivos: a Câmara gastará mais com outros benefícios, como auxílio-creche e alimentação, para mais funcionários.

Ou seja, seis servidores de R$ 3 mil (CNE 15) custarão mais que os R$ 18 mil de um CNE 7, para ficarmos com o mesmo exemplo. Com a mudança nas regras, apoiadores de Rodrigo Maia pretendem ampliar seu espaço na área legislativa, como as lideranças partidárias, as novas secretarias e comissões temáticas da Casa.

Reação de servidores efetivos

Um grupo de servidores efetivos questiona a legalidade e a moralidade da manobra. Em nota, a Frente Ampla de Trabalhadoras e Trabalhadores do Serviço Público pela Democracia afirma que o objetivo maior da proposta encabeçada pela Mesa Diretora é aumentar o “cabide de empregos” na Câmara e “desmontar” a estrutura administrativa da Câmara, reduzindo o peso dos concursados e ampliando o dos assessores indicados politicamente.

“O desmonte da estrutura administrativa da Câmara dos Deputados, iniciado pela Mesa Diretora presidida por Eduardo Cunha (PMDB), prossegue a passos largos na gestão de Rodrigo Maia (DEM). Órgãos da Casa tradicionalmente técnicos, encarregados de garantir a lisura do processo democrático, estão se tornando estruturas fantasmas povoadas de apadrinhados políticos daqueles que estão no comando”, denuncia a frente.

O grupo questiona a falta de estudo para embasar a decisão da Mesa. “Não se trata de reestruturação destinada a melhorar a eficiência dos órgãos, nem a tornar as chefias mais efetivas. Não houve qualquer estudo prévio sobre o funcionamento administrativo da Câmara. Trata-se, isso sim, do achincalhamento dos servidores de carreira da Câmara visando a intensificar a já desigual proporção de apadrinhados políticos na Casa. Trata-se de ingerência direta da Mesa Diretora na política de recursos humanos.”

Segundo a frente, há quatro vezes mais indicados políticos que servidores do quadro na Casa atualmente. “A Câmara conta hoje com 3.644 vagas de servidores efetivos em seu quadro, das quais 3.081 estão ocupadas por servidores ativos. A Mesa e as lideranças dos partidos contam com 1.671 vagas de CNEs, das quais 1.621 estão ocupadas. Em seus gabinetes, os deputados contam com 10.334 Secretários Parlamentares – também de livre nomeação. A atual Mesa, aliada de Eduardo Cunha, pretende agravar ainda mais essa distorção”, prossegue a nota.

Há informações de que essa gana por cargos já se estende aos terceirizados da Casa. Hoje, trabalham na Câmara dos Deputados 2.868 funcionários terceirizados, contratados para serviços diversos: limpeza, segurança, copa, recepção, telefonia e eletricidade, mecânica, jardinagem, design gráfico, tecnologia de informação etc. Os melhores salários são os dos encarregados, o que, segundo circula entre os servidores, seria o principal objeto de cobiça.

A direção-geral da Casa informou à reportagem na sexta-feira que estudava “formas de otimizar o trabalho e reorganizar o pessoal”. A assessoria do presidente da Casa, Rodrigo Maia, também foi procurada, mas ainda não houve retorno.

“Coisa de outro mundo”

Apontado como principal articulador das mudanças, o primeiro-secretário da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), diz que o assunto não pode ser tratado “como se fosse coisa de outro mundo” e nega que a reestruturação que deverá garantir mais cargos de confiança para os parlamentares tenha sido solicitada pela Mesa, conforme apurou o Congresso em Foco. Ele também rechaça que a reorganização faça parte de promessas assumidas na eleição do novo comando da Casa.

“Acredito que o presidente Rodrigo Maia não tem compromisso de dar cargo para ninguém por causa de eleição. Eu muito menos, até porque fui candidato único. Não tive disputa nenhuma. Há reclamações por pessoas que estão com medo de perder as funções comissionadas. Mas ninguém vai cometer nenhum tipo de injustiça”, declarou.

De acordo com Giacobo, a mudança não vai implicar aumento de gastos. “Essa conversa é improcedente. A Casa não vai ter nenhum acréscimo de despesa a não ser corte de gastos. Tiramos daqui e realocamos ali. Não tem absolutamente nada com corte de FC para criar CNE.”

Como novo “prefeito” da Câmara, o deputado diz que pretende economizar R$ 1 bilhão dos quase R$ 6 bilhões previstos para o orçamento deste ano. “Nossa ideia é devolver parte do orçamento ao Executivo para que ele possa aplicar em algumas ações que vão ser politicamente acertadas com a Câmara. Nesse primeiro semestre, vamos economizar em torno de R$ 450 milhões”, promete.

Criado em 2017-03-06 22:39:11

Podres poderes ou o desmonte de um país

Geniberto Paiva Campos -

Os brasileiros assistem, com perplexidade e indignação, o declínio inexorável da Constituição Cidadã de 1988 que deu início à Nova República. Cujos postulados constituíram os alicerces para a retomada da democracia, para a conquista de direitos sociais e para a construção de uma sociedade civilizada.

Já se percebe o tropel do autoritarismo, o qual retorna envolto no “manto diáfano” e enganador do “combate à corrupção”. O velho tema, eternamente usado para iludir os brasileiros, que comporiam uma espécie de “confraria de tolos”.

Sempre disposta a acreditar que a “corrupção”, tema habilmente manipulado pela grande imprensa, é o mal do Brasil. Um bicho de sete cabeças a ser eliminado a todo custo. Nem que para isso seja necessário o desmonte do país. E a quebra do Estado de Direito.

A estrutura econômica, a cadeia produtiva, o sistema educacional e científico, o atual núcleo do poder, precisam ser destruídos, para que, sob os escombros, surja num passe de mágica, o “Novo Brasil”. Livre, enfim, desse estranho mal, a “corrupção” que lhe corrói as entranhas.

De que modo esse discurso, tolo e de pura enganação, conseguiu convencer os brasileiros é um mérito a ser creditado a uma imprensa livre, soberana e sem qualquer tipo de limites.

Sem nenhum compromisso com a verdade factual (ou a “pós-verdade”, o mais recente neologismo). Sempre disposta a enganar. Transformando um povo alegre e inteligente em autômatos obedientes, que reagem a estímulos predeterminados.

“Não perde quem aposta na ingenuidade do povo”. Trata-se de uma frase antiga, carregada de verdade. A mídia nativa fez as suas apostas. E está a colher os frutos de uma manipulação grosseira, por demais tosca para ser levada a sério. Mas que funciona entre nós, como se percebe.

Segmentos da sociedade brasileira foram preparados para responder prontamente aos comandos midiáticos: ocupam ruas e avenidas, sempre aos domingos; vestem camisas amarelas da seleção de futebol do Brasil (eles torcem contra, às vezes); batem panelas, quando indicado; e repetem prontamente palavras de ordem, as mais esdrúxulas, quando seus mestres ordenam. Por aí vai caminhando a desconstrução do país. Fácil, extremamente fácil.

Um dos problemas desse tipo de manipulação é que atinge não somente o seu público alvo específico. Outros segmentos sociais são também influenciados. E, de repente, forma-se uma espécie de “conluio do bem” (para fazer o mal) no qual a população, quase sem perceber, se associa a segmentos importantes dos poderes republicanos: a Imprensa, ou o quarto poder; a classe política; segmentos do judiciário e do executivo, formando uma espécie de conspiração para acabar com a corrupção, na qual as primeiras vítimas – além da verdade – são a democracia, a liberdade e o Estado de Direito.

Uma outra frase, atribuída ao Conselheiro Acácio, diz: “o problema das consequências é que só vêm depois...” E estas começam a aparecer, até mais cedo do que se esperava.

Afastada em definitivo a presidenta Dilma, num dos processos políticos mais sórdidos e vergonhosos da nossa história, apelidado de “impeachment” (na realidade um Golpe de Estado que não ousou dizer o seu nome), os politicamente ingênuos imaginaram que estaríamos no melhor dos mundos.

Um Nirvana verde amarelo. Em poucos meses de um governo frágil, ilegítimo e vacilante, de inteligência limitada, os que usam mais de dois neurônios para pensar, perceberam que não bastava afastar o Partido dos Trabalhadores da presidência da República, como lhe garantiram os conspiradores.

É séria, seríssima, a situação política e econômica do país. E, como pano fundo, a crise institucional gravíssima. Uma espécie de briga de rua – simultânea - entre os 3 poderes, criando uma espécie de vácuo entre o legislativo, o judiciário e o executivo, cujo desfecho é imprevisível.

Provavelmente uma disputa primária, talvez entre primatas, que não apontará vencedores. Mais uma vez, com a imprensa manipulando os fatos para favorecer um dos lados da disputa, sempre a favor de restrições às liberdades democráticas. Uma permanente aposta no caos. E nos regimes ditatoriais.

Onde foi criado um “estado de exceção, em que o direito está suspenso e a tendência dominante gerou um novo consenso, o da covardia. ”

O que fazer? - Essa a pergunta que atormenta os democratas brasileiros. E os que torcem por uma saída pelos caminhos democráticos e da alta negociação política.

Sonham com a urgente retomada da Política, assim com P maiúsculo, que possa permitir retirar o país desse abismo profundo, no qual foi arremessado por atores inexperientes, apressadinhos. Sempre crédulos nas matérias dos jornais, revistas, rádios e TVs, assumidas por eles como verdades absolutas.

A história política recente do Brasil mostra tentativas frustradas de criação de “frentes políticas” para combater ditaduras e criar condições para a retomada da democracia.

Esse fato ocorreu, por exemplo, em 1968, com a “Frente Ampla”, imaginada pelo ex-governador Carlos Lacerda, com adesões claras, embora vacilantes, de JK e Jango. Além de outros políticos e de lideranças militares. A Frente se dissolveu com a decretação do AI/5, em 13 de dezembro daquele mesmo ano.

Por outro lado, a transição do período ditatorial, que durou 21 longos anos, para a “Nova República “, em 1985, teve pleno êxito. Desde que pode contar com a adesão das mais expressivas lideranças políticas, o grupo reunido em torno das “Diretas Já”: Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, Franco Montoro, Marco Maciel, José Sarney Fernando Lyra, Aureliano Chaves, Fernando Henrique Cardoso, Marcos Freyre, Teotônio Vilella e tantos outros que construíram uma frente política amplíssima. E trabalharam, com dedicação e competência política, para a construção da Nova República.

A transição do regime ditatorial para a democracia, no entanto, vinha amadurecendo desde o início da década de 1980, e se completou com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. O ciclo dos presidentes-generais estava encerrado.

O que acontece neste ano da graça de 2016 – que para muitos teve início em 2013 – constitui um dos maiores desafios políticos da história recente do país. E são poucos os sobreviventes dos grandes homens, criadores da “Nova República”. Agora, sob grave ameaça.

Os implacáveis inimigos do Brasil e da democracia agora se escondem. Fazem seus conluios e conspiram em terras distantes. Têm os seus representantes locais travestidos de combatentes patrióticos, mas muitos deles são “falsa bandeira”.

É preciso separar o joio do trigo. Trata-se, portanto, de uma luta difícil, cujo campo de batalha é controverso. E escorregadio.

As frentes de resistência democrática estão ativas e dispostas a ir à luta. Há que se criar, no entanto, núcleos estratégicos de inteligência para que a batalha se torne mais igual e mais justa. Enfim, combatendo o bom combate.

Todos estão convocados à luta pelo Estado de Direito, pela liberdade, pela democracia, pela defesa da soberania nacional!

Criado em 2016-12-02 03:14:36

O Irlandês e o outro mafioso

João Lanari Bo –

Martin Scorsese e Robert De Niro há tempos organizam um mundo à parte, onde regras biológicas e cerimoniais sobrevivem numa prática congelada no tempo, embora sujeita à deterioração física – um mundo mafioso, ambientado nos Estados Unidos, carregado de oriundis.

O Irlandês, recém lançado nos cinemas, é baseado no livro de memórias do investigador e advogado Charles Brandt, I Heard You Paint Houses de 2004, no qual relata o caso de Frank The Irishman Sheeran, um sindicalista com ligações ao crime organizado que, pouco antes de falecer em 2003, confessou ter assassinado o líder sindical Jimmy Hoffa, desaparecido em 1975.

O filme atualiza a cosmologia scorceseana para um mundo onde os atores habituais das produções anteriores reaparecem, começando por De Niro, também sujeitos à deterioração do tempo, à alteração dos respectivos estatutos biológicos, arrastando de roldão a gramática cinematográfica: se em Os Bons Companheiros, de 1990, e Cassino, de 1995, o ritmo era frenético e excitado, em O Irlandês o passo é lento e naturalista, carregado de situações leves e tempos mortos, com uma circulação de afetos estranha à violência espetacularizada.

Joe Pesci, ator icônico desse universo, inscreve seu corpo nessa transição e dá o tom: irascível e impetuoso, com os nervos à flor da pele e capaz de metralhar um companheiro na mesa de bar dos filmes anteriores, ele amadureceu e se transformou em um capo reservado e com autoridade moral, árbitro de disputas e mantenedor dos códigos de honra que balizam as relações interpessoais da comunidade mafiosa.

Esse mundo é sobretudo masculino, branco: De Niro, formidável ator, é o narrador da história em flash-back, é o outro irlandês que assimilou os códigos de comportamento, é Frank Sheeran, condutor da evolução dos acontecimentos, rusgas e sentenças, execuções e perdões: um assassino frio, preocupado com valores familiares, mas capaz de matar a contragosto alguém que prezava, sob o olhar crítico da filha.

Harvey Keitel é outro nesse elenco dream team, embora com participação reduzida; sua presença parece pensada para ampliar o espaço icônico da representação, para permitir que ele, Joe Pesci e Bob De Niro sentem-se na mesma mesa para julgar e decidir sobre eventual transgressão do “Irlandês”, um pilar a mais na sustentação dramática em um filme onde os atores são personagens em si mesmos.

A novidade nesse mundo diegético estruturado pelas regras de ouro da máfia é a inserção do personagem-histórico Jimmy Hoffa, o poderoso presidente do Sindicato de Transportes durante décadas, englobando caminhoneiros e estivadores, encarnado por outro formidável ator e new comer no universo scorceseano, Al Pacino.

Pacino/Hoffa é dos personagens mais instigantes e escorregadios da história recente americana; Jack Nicholson foi outro ator de ponta que representou esse sindicalista/populista que detinha um assombroso poder financeiro, graças aos fundos coletivos dos sindicatos, mantinha relações íntimas com mafiosos e políticos, e acabou não escapando da perseguição iniciada por Robert Kennedy, pegando cadeia por fraude e suborno.

Hoffa, em suma, introduz uma inédita concretude histórica a esse filme de gênero, filme de máfia; sua ascensão e exercício de poder beneficiou-se da proteção dos mafiosos, que pagava com financiamentos para expansão dos negócios de seus protetores, em Las Vegas, por exemplo – apesar de ser um corpo estranho nesse universo pautado por um código de honra extra-legal, Hoffa se encaixou no clientelismo ritualístico mafioso, cumprindo com gosto todos os ritos de passagem biológicos, batismos, casamentos e funerais.

Sua morte em 1975, um desaparecimento até hoje não esclarecido – a confissão de Sheeran acrescenta mais uma versão ao drama – encerrou de modo patético uma narrativa lenta e pausada, que tem como eixo uma viagem (quase) entediante de carro que Joe Pesci e De Niro, acompanhado das esposas, fazem a Detroit para acompanhar o casamento da filha do advogado do grupo, com pequenas paradas para coleta eventual de pagamentos, pontuada pelo assassinato seco e desdramatizado de Hoffa pelo amigo Sheeran.

Criado em 2019-11-22 20:00:07

Governo impede ação anticubana em Havana

Uma organização, segundo o governo cubano, de direita, pretendia realizar um evento em Havana com a presença do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro Lemes.

A ideia, revelada pela nota do ministério de Relações Exteriores cubano, era embutir na atividade a instalação, na capital cubana, de uma entidade chamada "Iniciativa Democrática para Espanha e as Américas (IDEIA)", cujo objetivo é estimular ações provocativas contra o governo.

Esse tipo de entidade tem se espalhado por vários países da América Latina, inclusive no Brasil. São grupos de direita, financiados com recursos externos, como o MBL (Movimento Brasil Livre), que foram utilizados na desestabilização do governo Dilma Rousseff.

O governo cubano alerta que não vai permitir atividades provocativas que gere instabilidade interna, danifique a imagem internacional do país e, ao mesmo tempo, afete as boas relações diplomáticas de Cuba com outros Estados.

A propósito dessa suposta perseguição ao secretário da OEA, que não teve autorização para participar do ato antigoverno em Havana, o Ministério de Relações Exteriores de Cuba, emitiu nota esclarecendo os fatos.

Eis a íntegra da nota:

"Declaração do Ministério de Relações Exteriores de Cuba.

Meios internacionais de imprensa difundiram nas últimas semanas a intenção do Secretário Geral da OEA, Luis Almagro Lemes, de viajar a Havana a fim de receber um “prêmio” inventado por um grupelho ilegal anticubano, que opera em conluio com a ultradireitista Fundação para a Democracia Panamericana, criada nos dias da VII Cimeira das Américas de Panamá, para canalizar esforços e recursos contra governos legítimos e independentes em “Nossa América”.

O plano, tramado em várias viagens entre Washington e outras capitais da região, consistia em montar em Havana uma aberta e grave provocação contra o governo cubano, gerar instabilidade interna, danificar a imagem internacional do país e, ao mesmo tempo, afetar a boa marcha das relações diplomáticas de Cuba com outros Estados.

Talvez alguns calcularam mal e pensaram que Cuba sacrificaria sua essência em nome da aparência.

Ao espetáculo seriam arrastados o próprio Almagro e algumas outras personagens de direita que integram a chamada Iniciativa Democrática para Espanha e as Américas (IDEIA), a qual também tem atuado de forma agressiva nos últimos anos contra a República Bolivariana da Venezuela e outros países com governos progressistas e de esquerda da América Latina e do Caribe.

A tentativa contou com a conivência e o apoio de outras organizações com explícitas credenciais anti-cubanas, como o Centro Democracia e Comunidade e o Centro de Estudos e Gestão para o Desenvolvimento de América Latina (CADAL); e o Instituto Interamericano para a Democracia, do terrorista e agente da CIA Carlos Alberto Montaner.

Ademais, desde o ano de 2015, conhece-se o vínculo que existe entre estes grupos e a Fundação Nacional para a Democracia de Estados Unidos (NED, em inglês), que recebe fundos do governo desse país para implementar seus programas subversivos contra Cuba.

Ao conhecer estes planos e fazendo valer as leis que sustentam a soberania da nação, o governo cubano decidiu negar o visto ao território nacional a cidadãos estrangeiros vinculados com os fatos acima descritos.

Num íntegro ato de transparência e de apego aos princípios que regem as relações diplomáticas entre os Estados, as autoridades cubanas se puseram em contato com os governos dos países desde onde viajariam essas pessoas e as informaram de sua decisão, na tentativa de dissuadi-las e de prevenir a consumação desses atos.

Como estabelecem as regulações da aviação civil internacional, as linhas aéreas cancelaram as reservas dos passageiros ao saberem que estes não seriam bem-vindos.

Uns poucos foram reembarcados. Houve quem procurou manipular os fatos em função de estreitos interesses políticos dentro de seu próprio país, face aos processos internos que neles tem lugar.

Não faltaram pronunciamentos de defensores de falsos perseguidos, sócios de passadas ditaduras e políticos desempregados dispostos a se aliar aos vulgares mercenários, a serviço e em nem de interesses estrangeiros, que não gozam de reconhecimento algum dentro de Cuba, vivem de calunias insustentáveis, posam como vítimas e atuam na contramão dos interesses do povo cubano e do sistema político, econômico e social que este elegeu livremente e tem defendido de forma heroica.

Quanto a Almagro e à OEA, não nos surpreendem suas declarações e atos abertamente anti-cubanos.

Em muito curto tempo à frente dessa organização, destacou-se por gerar, sem mandato alguns dos estados membros, uma ambiciosa agenda de autopromoção com ataques contra governos progressistas como Venezuela, Bolívia e Equador.

Nesse período têm-se redobrado os ataques imperialistas e oligárquicos contra a integração latino-americana e caribenha e contra a institucionalidade democrática em vários de nossos países.

Numa ofensiva neoliberal, milhões de latino-americanos tem retornado à pobreza, centenas de milhares tem perdido seus empregos, viram-se forçados a emigrar, ou foram assassinados por máfias e traficantes enquanto expandem-se no hemisfério crias separatistas e protecionistas, a deterioração ambiental, as deportações, a discriminação religiosa e racial, a insegurança e a repressão brutal.

Onde tem estado a OEA, que sempre tem guardado um cúmplice silêncio frente a estas realidades? Por que cala? Há que ser muito ultrapassado para tentar vender aos cubanos “os valores e princípios do sistema interamericano” em frente à dura e antidemocrática realidade engendrada por esse mesmo sistema.

Há que ter escassa memória para não recordar que, em fevereiro de 1962, Cuba se alçou solitária frente a esse “conclave imoral”, como o denominou Fidel na Segunda Declaração de Havana.

Cinquenta e cinco anos depois e com a companhia de povos e governos de todo mundo, é mister reiterar, como assegurou o Presidente Raúl Castro, que Cuba nunca regressará à OEA.

José Martí alertou que "nem povos nem homens respeitam a quem não se faz respeitar (…) homens e povos vão por este mundo fincando o dedo na carne alheia a ver se é macia ou se resiste, e há que pôr a carne dura, repelindo para longe os dedos atrevidos”.

Em Cuba não esquecemos as lições da história.

Havana, 22 de fevereiro de 2017".

Criado em 2017-02-23 20:12:33

Brasil: Civilização ou barbárie?

Geniberto Paiva Campos -

"Há duas coisas infinitas: o Universo e a Estupidez Humana. Não estou muito seguro sobre o Universo”. (Albert Einstein)

Todos os golpes se parecem, dizem os historiadores.  Esta teoria estaria agora severamente questionada após o Golpe de Estado de agosto de 2016 no Brasil.

Que mais uma vez excluiu a Democracia da vida dos brasileiros.  Um Golpe suave nos métodos. Implacável na execução dos seus nefastos objetivos.

Há uma nova receita para os Golpes de Estado na América Latina.

Os laboratórios políticos americanos criaram fórmulas novas e eficazes que excluem a pressa. E onde são aplicadas, sequencialmente, etapas estratégicas, bem articuladas, assegurando o êxito dos movimentos golpistas. Os quais dispensam o emprego de tanques e canhões. E das frotas navais norte-americanas.

Todas as ações da trama estão conectadas a um fio condutor. Nada é deixado ao acaso. Aqui não se improvisa.

As ações golpistas são, como sempre, baseadas no apoio interno de segmentos políticos e parcelas da população. Dóceis e ingênuos. Prontos a obedecer ao comando externo. Incapazes de perceber a natureza complexa do jogo político. Sem sequer desconfiar da temeridade que estão a fazer: a renúncia à sua cidadania; a pronta entrega do Brasil a grupos estrangeiros; completamente alheios aos interesses do seu país; atuando, na prática, como uma força de ocupação externa. Para fazer o Brasil regredir à condição de Colônia. No século XXI.

Quem se lembra do filme documentário “O dia que durou 21 anos”, de Flávio Tavares, poderá estabelecer comparações inevitáveis entre 1964 e 2016. Há grandes mudanças no atual “modus operandi”.

Tudo se passa, agora, de maneira bem diferente. Não há necessidade da interferência direta do presidente dos Estados Unidos ou das Forças Armadas do Tio Sam. O embaixador americano cumpre ainda um papel relevante na articulação do Golpe de Estado. E logo após a consumação é transferido para outras plagas. Como sempre. Irá em busca de outros países a serem “salvos para a Democracia”.

Quem vivenciou 1964 lembra do embaixador Lincoln Gordon e da forma direta, abusada até, da sua atuação no Golpe. Uma espécie de mandatário americano junto ao governo brasileiro. Como se fora um vice-presidente. Ou um presidente vice. Era o tempo da Guerra Fria. Ousava-se fazer humor, à época: - “Chega de intermediários, Lincoln Gordon presidente!”

Honduras, Paraguai, Brasil representam atualmente testes experimentais, exitosos, realizados nas duas primeiras décadas do século XXI. Inteiramente aprovados e comprovados funcionalmente, para promover mudanças de regimes políticos avaliados como hostis, na região. Para servir docilmente aos (quase sempre equivocados) interesses geopolíticos americanos.

E a uma nova ideologia: o natimorto Neoliberalismo. Uma espécie de religião fundamentalista do novo século.
A base ideológica anticomunista caducou. A que se apresenta agora é a aplicação de teoria neoliberal. A ferro e fogo. E sem o menor pudor ou complacência. Mas que necessita do antigo viés da chamada “luta contra a corrupção”. Um velho e surrado pretexto que ainda funciona.

A INVASÃO DOS BÁRBAROS - Há que prestar muita atenção aos detalhes desta nova modalidade de Golpe. Ou ficará difícil entender o que realmente se passa.
Há uma operação de alto risco em marcha para promover o desmonte calculado (muito bem calculado) do Estado brasileiro.  Assumido como “inimigo inconciliável do Mercado”. Para os neoliberais pouco importam as consequências. Importa, acima de tudo, eliminar qualquer possibilidade do Brasil exercer merecida liderança no seu espaço natural, a América Latina. E no contexto internacional.

Foi excessivamente arriscada a aposta no Brasil, pelo seu tamanho e importância estratégica, como próxima vítima do atual padrão norte americano de Golpe de Estado. Mas as forças desestabilizadoras que atuam internamente foram surpreendentemente eficazes. Tinham vastos recursos disponíveis. E obtiveram pleno êxito em seus desígnios. E, finalmente, arrebataram o controle total do país no segundo semestre de 2016. Conforme estava planejado. Fechando o círculo de ferro do esquema: executivo, recém conquistado, a maioria confortável do legislativo, segmentos importantes do judiciário e a indefectível Mídia.
Já é possível fazer uma linha do tempo bastante precisa da articulação golpista. Elaborada externamente para ser aplicada localmente, obedecendo a um rígido cronograma.

Quando as forças políticas progressistas assumiram o governo federal em 2003, foram acesas as luzes amarelas de advertência, sinalizando perigo iminente. Ali foi o começo.

A continuidade da execução, relativamente tranquila, desde o governo Collor, do projeto neoliberal poderia sofrer retardo e enfrentar dificuldades. Esquemas desestabilizadores foram então montados e colocados em funcionamento.

Tudo começa com a estranha filmagem da entrega de dinheiro em espécie a um óbvio e estranho “corrupto” da Empresa de Correios e Telégrafos/ECT. Eram os primórdios do que viria a ser conhecido pela alcunha midiática de “Mensalão. ”Preparava-se assim o inferno astral do Partido dos Trabalhadores. E o seu lento e seguro extermínio.

Em 2005 a coalização que governava o país, sob a liderança do Partido dos Trabalhadores estava estigmatizada, irremediavelmente, como “corrupta”.

E já se tornava perceptível as ações coordenadas entre a Mídia, a classe política na oposição e segmentos do poder judiciário.

Começava ali a submissão do aparato legal aos interesses políticos imediatistas dos articuladores do Golpe.

Juízes transformaram-se em “justiceiros”. A falta de provas nos autos foi prontamente substituída por “criações jurídicas”, jamais aplicáveis àquelas situações concretas. Os indiciados iam a julgamento previamente condenados pela opinião pública, manobrada pela Mídia, sedenta de “justiça” e de “sangue”, com o apoio dos “justiceiros”.

Pensava-se mais ou menos assim, adotando um raciocínio simplista e preconceituoso: “contra o PT? Então é tudo perfeitamente legal e permitido! ” Poucos perceberam que ali foi o começo da extinção do Estado de Direito. Substituído por raciocínios e normas jurídicas abstrusas. Mas se era para “moralizar” o país, acabar com a famigerada “corrupção“ e, por tabela, “criminalizar o PT”, estava tudo bem.

Esquecia-se, convenientemente, que “as normas e os protocolos jurídicos existem não para atrapalhar a justiça ligeira, mas para GARANTIR DIREITOS.”

O julgamento do “Mensalão” poderá entrar para a História como um grande teatro jurídico, o qual, nos anos seguintes, afundaria o país numa estranha, silenciosa Ditadura.

Os brasileiros, leitores habituais de jornais e revistas, ouvintes de rádios e TVs, porta-vozes do Neoliberalismo, passaram a conviver diariamente com os novos chavões e termos complicados, originários do poder judiciário. “Domínio do Fato”; condenações em processos criminais baseadas na “Literatura Jurídica”; “Dosimetria da Pena” (draconianas, quando aplicadas aos integrantes do PT); erros grosseiros de interpretação de “provas”. “Enfim, a justiça cumpria o seu papel de condenar, mesmo sem a existência de provas, criminosos sem crime.

O passo seguinte veio a afundar mais ainda o país num abismo sem fim.

A “Operação Lava Jato” evidenciou o comprometimento do judiciário com operações desestabilizadoras da Democracia e do processo produtivo. E com a perigosa introdução de novidades jurídicas, sempre com o indisfarçado objetivo de politizar/partidarizar a justiça. O que levou o cientista político português Boaventura Santos a dizer: - “O que mais custa aceitar é o papel do Judiciário no Golpe”.  Pois considera o sistema judicial um dos mais seguros pilares da Democracia.

Novamente, os brasileiros foram surpreendidos com novos “conceitos” jurídicos: “delação premiada” para gerar provas e “convicção pessoal” quando da falta absoluta de provas. “Condução Coercitiva” como ensaio midiático para a prisão.

O que vai colocando o Brasil cada vez mais distante da Civilização e perigosamente próximo da Barbárie.

Enfim, jogaram o país num ultrapassado fundamentalismo econômico, o Neoliberalismo, incapaz de conviver com normas jurídicas apropriadas e com o Estado Democrático de Direito. Ironicamente levado a estas condições por elementos partidarizados do sistema judicial. Cuja missão precípua seria a defesa da Lei e da Ordem Jurídica.

A OPÇÃO PREFERENCIAL PELA ESTUPIDEZ - “Não há nada de novo sob o sol”, assim está escrito no Eclesiastes

E diante de tantas coisas estúpidas, aceitas como normais e necessárias por parte da população, habilmente manipulada por uma Mídia desonesta e inescrupulosa, ressalta a necessidade da busca por experiências históricas que trouxeram resultados desastrosos para as nações que resolveram experimentá-las e entendendo tais experiências também como “necessárias”.

Em primeiro lugar, vale trazer à nossa memória experiências relativas a Golpes de Estado. Nós os julgamos, sempre, como coisas de “países atrasados”.  Uma espécie de padrão latino americano. O “selo“ que confirma o atraso político do Continente.

Poucos imaginam um Golpe de Estado tramado nos Estados Unidos, para derrubar seu próprio governo.

Em seu livro mais recente, “A Desordem Mundial” – O espectro da total dominação (1), o respeitado escritor e cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira nos surpreende com a narrativa do Golpe, concebido no início dos anos 1930, para afastar o presidente Franklin Roosevelt da presidência dos Estados Unidos.

Pelo inusitado, vale a transcrição: “Durante a Grande Depressão, que se seguiu ao colapso da bolsa de Wall Street, em outubro de 1929, a Black Friday, alguns grupos Morgan financeiros e industriais – cerca de 24 das mais ricas e poderosas famílias dos Estados Unidos, entre as quais Morgan, Robert Sterling Clark, Dupont, Rockfeller, Mellon, J. Howard Pew e  Joseph  Newton Pew, da companhia Sun Oil, Remington, Anaconda, Bethlehem, Good Year, Bird’s Eye, Maxwell House, Heinz Schol e Prescott Bush – conspiraram. Planejaram financiar e armar veteranos do Exército, sob o manto da American Legion, com a missão de marcharem sobre a Casa Branca, prender o presidente Franklin D. Roossevelt (1933 – 1945) e acabar com as políticas do New Deal. O objetivo consistia na implantação de uma ditadura fascista, inspirada no modelo da Itália e no que Hitler começava a construir na Alemanha. O Wall Street Plot, porém, abortou”.

(Qualquer semelhança com intervenções diretas ou indiretas posteriores, de Washington em vários países, de todos os quadrantes, não terá sido mera coincidência. Eis a fórmula).

O QUE FIZERAM DE TI, GENTIL PÁTRIA AMADA?

Teria sido inútil o esforço e a coragem dos 19 senadores e 137 deputados que se opuseram ao Golpe de Estado de agosto de 2016? Cujas consequências superam as expectativas mais otimistas dos seus planejadores de Washington?

Provavelmente, não. Esses bravos brasileiros, homens e mulheres de firmes convicções e serena coragem, terão, no futuro os seus nomes esculpidos na pedra e no bronze.

Os que assumiram o Poder de forma espúria, pretendem agora transformar o Brasil num simples “Paraíso Fiscal”.  Uma imensa, gigantesca ilha paradisíaca, onde turistas dos “países amigos” virão em busca de investimentos seguros, jogos e prazeres. Como se se houvesse um mágico retorno às primeiras décadas do século passado. Quando ilhas do Caribe desempenhavam essa função.

Como foi possível tal retrocesso?

A resposta virá talvez do esforço dos historiadores, aturdidos e pasmos na busca de explicações para tal insensatez.

Enfim, como teria sido possível tamanha estultice?  Somente a (infinita) estupidez humana poderia explicar.

Encurtando uma longa história, resta a certeza que o Brasil é um país grande demais, de inquestionável importância geopolítica e, portanto, não cabe no estreito abismo para onde querem lhe empurrar políticos medíocres. Serviçais acríticos de uma ideologia cujos padrões operacionais mostraram-se completamente inviáveis nas áreas econômica, política, social, cultural e tecnológica. Reciprocamente, a ideologia neoliberal não cabe no Brasil.
É impossível, mesmo com o auxílio de Leis, votadas por um Congresso dócil e obediente, fazer um país como o Brasil retroceder ao século XIX.

Desistam dessa estultice política, ainda há tempo, senhoras e senhores congressistas.

(*) – Do Instituto Lampião - Reflexões e Análises sobre a Conjuntura
(1) Luiz Alberto Moniz Bandeira - “A DESORDEM MUNDIAL – O espectro da total dominação” –  Guerras por  procuração. Terror. Caos e Catástrofes Humanitárias. Ed. Civilização Brasileira – Rio de Janeiro / 2016 – pg. 38.

Criado em 2016-11-06 03:25:50

Família de Axé, de Tetê Moraes, estreia segunda-feira no Cine Brasília

Exibição do documentário Família de Axé, de Tetê Moraes, dia 25/11, às 16h, no Cine Brasília, faz parte da Mostra Paralela Vozes, do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (de 22/11 a 1º de dezembro).

Depois de realizar o documentário sobre o músico João Donato, um dos fundadores da bossa nova, Tetê Moraes dá voz agora a Alberto Ribeiro Santana, Pai de Santo baiano e de sua família afro-brasileira de sangue e de axé (filhos e filhas de santo).

O novo filme faz uma viagem no tempo para mostrar as festas, rituais, culinária, música e dança, revelando a luta para manter viva a cultura de seus ancestrais africanos e sua religião, o candomblé.

“Escolhi fazer um filme onde essas pessoas contam suas histórias e onde me coloco como participante e fio condutor pela profunda relação de amizade, o que permitiu uma maior aproximação da câmera na cozinha ou no salão de festas e em rituais, sempre respeitando os limites por eles estabelecidos de sua privacidade nos ritos do candomblé”, comenta a cineasta.

Esta é a primeira exibição pública do filme Família de Axé, sessão que será dedicada ao Pai Alberto, personagem principal do filme, que faleceu no último dia 14 de novembro. Tetê Moraes lamenta a enorme perda.

Segundo a diretora, trata-se de uma história cheia de coragem, fé, alegria e superação de dificuldades, preconceitos e discriminações. Para ela, é um filme muito oportuno para o momento atual brasileiro quando são questionadas conquistas democráticas como a diversidade de raça, orientação sexual e religiosa. Sem mencionar as intolerâncias religiosas e de crença.

Quem é Tetê Moraes

Diretora/produtora dos documentários longa: Terra para Rose (1987), prêmio Gran Coral, Festival de Havana; Sonho de Rose (2000), melhor filme dos júris populares dos Festivais do Rio e da Mostra Internacional de Cinema de SP, sobre os trabalhadores sem-terra; e O SOL (2006), prêmio público jovem Festival Cine Brasileiro Paris, sobre o Brasil pós-golpe militar 1964, através das histórias do jornal O Sol e seus personagens. Médias e séries para TV: Nasci para Bailar - João Donato - Havana/Rio (2009), melhor filme Festival Internacional Docs Santiago Alvarez, Cuba. Dirigiu também curtas como Pai de Gigantes (1995) coprodução com Canal + França e Fruto da Terra (1985).

Ficha técnica:

Obra: Família de Axé: Tetê Moraes

Montagem: Henrique Tartarotti

Finalização de Imagem: Cezar Moraes Abc e João Paulo Reis

Direção de Produção e Assistente de Direção: Alice Browne

Produção Executiva: Tetê Moraes e Rosane Hatab

Fotografia e Câmera: Amanda Assis Novaes, André Carvalho, Cláudio Antônio, Cezar Moraes Abc, Renato Junior, Rick Caldas.

Som Direto: Dudoo Caribe

Edição de Som: Maria Muricy e Cristiano Scherer

Trilha: Renato Junior

Design: Fernando Pimenta

Duração: 76min e 06 segundos.

Coprodução Canal Brasil e Distribuição RioFilme e Vemver Brasil.

Apresentação da diretora:

https://vimeo.com/331748528 senha: familia

Trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=O-hDKH7BtC0&t=77s

Criado em 2019-11-21 12:12:49

De quem é a culpa?

Romário Schettino -

É impressionante a desfaçatez, a cara de pau, de articulistas da grande imprensa brasileira. Continuam insistindo que a culpa do fracasso de Michel Temer é dos governos do PT.

Falam e escrevem como se não tivesse havido um golpe parlamentar que levou ao poder um programa que perdeu as eleições de 2014 e colocou no lugar um governo composto por todos aqueles que confessaram a vontade de estancar a sangria da Lava Jato. 

Defendem um governo ilegítimo, desmoralizado, insustentável, que envia para o Supremo Tribunal Federal um aliado com o objetivo de defender seus interesses mais escabrosos. Toda a grande imprensa acha isso normal.

O mesmo STF que impediu a posse de Lula como ministro de Dilma permite que Temer mantenha o gato Angorá (Moreira Franco) como ministro, citado na Lava Jato, com o objetivo, exclusivo, de dar a ele o foro privilegiado.

Nem disfarçam mais. Esses jornalistas afirmam diariamente que a quebradeira de alguns governadores é culpa da presidenta Dilma Rousseff, que abriu as torneiras para se reeleger em 2014.

Esquecem, propositalmente, a roubalheira no Estado do Rio de Janeiro, as trapalhadas políticas e administrativas no Espírito Santo, Amazonas, Rio Grande do Norte. Falam como se o crime organizado não estivesse atuando nas barbas do Ministério da Justiça.

De quem é a culpa? Ah, é da Dilma que tinha Temer como vice na chapa eleita? O vice decorativo foi inflado, ganhou força e derrubou a presidenta “democraticamente”.

É por isso que o escritor Raduan Nassar diz que vivemos “um momento sombrio” no Brasil. E com razão.

Consolidado o golpe, o desemprego aumentou porque Dilma fez isso e aquilo. A violência explodiu por culpa dos governos petistas.

A “redução” dos gastos públicos é comemorada por esses jornalistas porque o PT estava levando o Brasil para o precipício com excesso de proteção social.

Os artigos seguem nessa lenga-lenga até a divulgação, pela CNT, de uma pesquisa colocando o ex-presidente Lula na frente em todas as simulações de intenção de voto. Aí o ódio ao PT sobe vários graus.

Sempre acham um jeito de desmerecer os resultados da pesquisa.

Não acho que a grande imprensa tenha a obrigação de ser simpática ao partido de Lula, mas o mínimo de cuidado com o interesse público deveria ser levado em conta, especialmente pela radiodifusão, que é uma concessão do Estado.

As redes sociais cumprem um papel restrito na divulgação da diversidade de opiniões. É importante, mas não se contrapõe, pelo menos por enquanto, ao massacre diário das emissoras de rádio e televisão concentradas em poderosos oligopólios.

Os grandes jornais impressos também estão na internet ocupando, cada vez mais, os espaços na difusão de conteúdos. A disputa é desigual.
 
No Brasil de hoje, a esquerda e a direita estão cada vez mais expostas, assim como os seus extremos.

O grande perigo é a falta de responsabilidade pública dos comunicadores, articulistas, repórteres, editores, que pode favorecer radicalismos exacerbados.

Agindo assim, essa imprensa passa a ideia de que ninguém presta, político é tudo igual e que, portanto, a única saída talvez seja a volta do regime militar com o aprofundamento do golpe de Estado.

Não há nada mais perigoso do que a criminalização da política. Historicamente, essa prática nefasta abriu espaço para os regimes totalitários.

O caldeirão pode explodir e, depois, não adianta chorar o leite derramado.

Criado em 2017-02-19 00:29:56

A conspiração golpista

Carlos Saraiva e Saraiva -
 
A discussão não está entre "impedimento" e "golpe". Pois golpe, até os golpistas, mesmo os pseudo-indignados admitem.
 
Também não importa quem é favorável ou contra o golpe. Golpe no Brasil, é uma tradição que persegue nossa história. O "impedimento", não se transforma em golpe , porque não existe "crime de responsabilidade" ou "atentado à constituição" por parte do presidente ou presidenta da República.
 
Este assunto, deve ou deveria ser discutido pelo STF. O problema é politico, baseado em um discurso ideológico, eufemisticamente traduzido pelo "conjunto da obra", que traduz a "conspiração golpista".
 
Dirão alguns, que não se pode banalizar, fugir da "realidade", nem justificar "erros", apelando para "a teoria da conspiração".
 
Mas estamos diante da "prática da conspiração". Esta começou com o chamado "mensalão", sob a batuta do "ínclito" "justiceiro" Joaquim Barbosa.
 
Veio depois o "petrolão", sob a batuta de outro "ínclito justiceiro", para salvar a pátria dos "políticos corruptos", empresários "nacionais" , imitando os juízes da "operação mãos limpas" na Itália.
 
Ações "espetaculares" da PF, sempre com nomes "sugestivos". Manifestações de junho de 2013, capturadas pela direita e a mídia.
 
Atividades contra a copa, desembocando nas eleições de 2014, que reelegeu Dilma, representando a quarta vitória eleitoral do projeto capitaneado pelo PT.
 
Estas ações e movimentos, diziam expressar um combate à corrupção, tendo como agente alvo o PT, suas lideranças e seus governos.
 
A narrativa simbólica antipetista serviu e serve como ferramenta para atingir o imaginário da sociedade, em especial uma classe média preconceituosa, colonizada e temerosa da ascenção de uma nova classe operária e de uma igualdade e equidade perturbadora.
 
Suas culpas transferiram-se para o PT, a ser eliminado. Este medo, resultou em ódio e instalou-se um fascismo, roedor da legalidade, do estado de direito, abrindo caminho para um estado de exceção golpista.
 
O golpe teria de se fantasiar em legal, "democrático", constitucional. Aí surge o "impedimento", agora baseado em outro eufemismo farsesco "pedaladas fiscais".
 
A nossa elite , em sua "abominação cognitiva" , como diz Marilena Chauí e na falta de humor, parte para o cinismo sempre, próprio do autoritarismo e arrogância que marcam seu perfil.
 
Assim, tivemos; Mensalão, Petrolão e agora Pedaladas. Para o desfecho , constituíram um consórcio; Ministério Público, PF, Mídia oligopolista, TCU. Parlamento, empresários, contando em cada órgão com suas representações.
 
Moro, Nardes, Rede Globo, Cunha. Com apoio explícito de Gilmar Mendes, conseguiram neutralizar o STF. O sistema financeiro internacional, em especial os EUA, no desejo de retomar a hegemonia da região e interesses do Pré-Sal, ajudaram a massificar as manifestações golpistas.
 
Precisavam roer o governo por dentro, e conseguiram pela traição, oportunismo do PMDB, à frente o próprio vice-presidente, que seria "constitucionalmente", o ocupante da vaga golpista.
 
Este processo que veio se intensificando desde a eleição perdida, paralisou o governo, forjando uma "crise" e intensificando a crise internacional por que passa o capitalismo. Esta "crise" propiciou a narrativa justificadora do "conjunto da obra".
Portanto nossa luta é contra esta "conspiração". A primeira frente de luta é contra este consórcio e seus agentes, em seu próprio terreno que é a justiça. Pois sabemos que o capitalismo é uma contradição dialética em movimento e seus agentes afloram estas contradições no processo.
 
Sabemos ainda que o regime de exceção nasce dentro do regime do legal e a legalidade pode renascer da ilegalidade. A segunda frente é política e se baseia na desconstrução de uma narrativa que se tornou hegemônica e sensibilizou o imaginário da classe média difundindo-se para o povo.
 
A narrativa foi moral e precisamos construir outra narrativa, contra hegemônica, baseada não no falso moralismo e em uma ética oportunista, cínica e hipócrita.
 
A narrativa que precisamos construir é a práxis, alicerçada na perda dos direitos individuais e coletivos, do respeito á diversidade e os avanços civilizatórios.
 
Denunciar o ataque às conquistas trabalhistas e a soberania nacional. A articulação com os movimentos sociais e internacionais, necessitam ser ampliados, fortalecidos e consolidados.
 
O objetivo urgente e principal é combater a conspiração, restaurar a democracia, a legalidade, a voz popular, unificando o campo democrático, a esquerda, para as batalhas que virão.
 
Pela democracia, pelos direitos humanos, direitos dos trabalhadores. Pela volta da presidenta Dilma, legitima mandatária do país.

Criado em 2016-07-19 01:57:32

Jornalista lança livro sobre feminicídio em Brasília

Lançamento do romance Em Nome da Filha, da jornalista e escritora mineira, radicada em Recife, Sulamita Esteliam, será no dia 26 de novembro, às 19h, no Tiborna Bar & Comedoria (403 Norte), em Brasília.

Em Nome da Filha (Editora Viseu) é um romance-reportagem que aborda, sem meias palavras, a violência contra a mulher. “Que estranho poder é esse que leva uma mulher a colocar a própria vida em risco para continuar ao lado de um homem que a maltrata? O que o move? Como explicar tamanha obsessão?”, provoca a autora em um dos trechos de seu livro.

Reconhecida por abordar temáticas de cunho social, somadas à vivência em sua carreira de jornalista investigativa, a escritora chega a Brasília para falar sobre a violência contra a mulher. No dia do lançamento, a também jornalista mineira, escritora e editora radicada em Brasília, Clara Arreguy, fará a apresentação.

A obra aborda os relacionamentos abusivos e o feminicídio, e leva à reflexão: É importante acolher e salvar a vida de mulheres que sofrem violência todos os dias, mas ao mesmo tempo deve-se apontar para o imperativo de se educar as crianças de modo igualitário, para que possam relacionar-se como parceiros que se respeitam, não como senhores e vassalos. "Amor não tem e não deve rimar com dor!”, afirma Sulamita.

As 196 páginas, escritas ao longo de 13 anos, retratam uma história verídica que, lamentavelmente, acontece todos os dias no Brasil e no mundo. “E na capital federal não é diferente: assiste-se ao aumento vertiginoso de casos de feminicídio, desde o ano passado, na contramão da redução dos casos de homicídios, de modo geral”, destaca a autora.

No cenário do enredo, destaca-se a região metropolitana do Recife nos anos 90. O livro resgata a história de um crime anunciado, como definido pela imprensa à época dos acontecimentos. O assassinato chocou a sociedade pernambucana. Era um tempo em que não existia a Lei Maria da Penha (2006) e nem o homicídio de mulher – pelo fato de ser mulher –, estava inscrito no rol dos crimes hediondos, o que só ocorreu em 2015. Os termos relacionamento abusivo e feminicídio também não eram usados quando se deu o homicídio nem o julgamento, respectivamente no início e fim dos anos 90.

A despeito disso, o algoz foi a júri popular com ampla cobertura da mídia local, apesar de tratar-se de gente simples, do povo. O nível de crueldade e a singularidade dos detalhes estarrecedores do crime se encarregaram de transformá-lo em pauta. Ao ponto de, 20 anos passados, o lançamento do livro ganha repercussão na mídia. Ao entrevistar a autora, a Globo Nordeste, por exemplo, resgatou do arquivo imagens da época do julgamento do algoz.

“E a ideia do livro é exatamente essa! Não deixar que crimes desta natureza se percam na memória nem se escondam entre quatro paredes do lar indevassável. Em última instância, queremos chamar atenção para o imperativo de se rever os valores que sustentam os desarranjos das relações familiares, a cultura da posse que alimenta o machismo, a misoginia, a violência”, afirma a autora.

O livro Em Nome da Filha já foi lançado em Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza e no Festival de Histórias Não Contadas – Fhist, em Diamantina (MG).

Sinopse

Carlos dizia a Mônica que a amava e que enlouqueceria se fosse obrigado a viver sem ela. Mas, que amor é esse que machuca, tortura, aterroriza, subjuga? E que amor é esse que se submete, se anula, se morre um pouco a cada dia?

Mônica tinha 13 anos quando Carlos cismou que ela seria dele. Obcecado, ao longo de oito anos, destruiu toda e qualquer tentativa de vida própria que ela buscasse ter. Enfrentou obstinada e ferrenha oposição da mãe da menina, que parecia intuir o destino que a filha poderia vir a ter nas mãos daquele homem. Valeu-se de todo e qualquer expediente para fazer alcançar seu desejo, inclusive prerrogativas de militar do Corpo de Bombeiros.

Conquistou-a. Mas, mais do que isso, tornou-a escrava de sua paixão desmedida. Dividida entre o amor e o medo, Mônica bem que tentou resistir, buscando outros relacionamentos, com apoio da família. Chegou a casar-se com outro homem. Em vão. O destino, ou seja lá o que for, a atraía para o seu algoz.

Gercina, a mãe, quase enlouqueceu quando perdeu a filha. Mas encontrou uma razão para ressurgir das cinzas: criar os dois netos - órfãos também de pais vivos -, e fazer Justiça. Não seria nada fácil. Esta saga a consumiria e a toda família.

Sobre a autora

Sulamita Esteliam é jornalista, escritora e blogueira independente. Autora do livro Estação Ferrugem – Altitude 898.298 graus, Editora Vozes, Petrópolis/RJ, 1998 – romance histórico da resistência operária à ditadura civil-militar de 1964-1985 na região industrial de Belo Horizonte-Contagem, 302 páginas.

Mineira de Belo Horizonte, formada em Comunicação/Jornalismo pela Fafich/UFMG, trabalhou em vários jornais e nas sucursais da revista Manchete e do jornal O Globo, em Belo Horizonte.

Mudou-se para Brasília, onde atuou como assessora de Imprensa e chefe de gabinete do então deputado federal pelo PT, Nilmário Miranda, ex-secretário Nacional de Direitos Humanos no governo Lula. Esteve, também, repórter/editora de Economia da antiga Rede Manchete, no Distrito Federal.

Vive no Nordeste desde julho de 1994: Em Fortaleza (CE), foi repórter da TV Ceará e editora de Economia do jornal O Povo. No Recife a partir de julho de 1997, fez Assessoria de Comunicação para o Sindicato dos Bancários PE por 15 anos.

Integrou a equipe da Secretaria de Comunicação da Prefeitura do Recife, na primeira gestão de João Paulo da Silva (PT). Dentre outras atividades, foi responsável pelo projeto e edição dos jornais Recife Melhor, de distribuição gratuita, com tiragem de 300 mil exemplares; e do Jornal da Gente, este voltado para os servidores municipais.

Edita o blog A Tal Mineira (atalmineira.com) sobre direitos humanos, política e cultura, no ar desde 11 de setembro de 2010.

______________________

Serviço:

Lançamento: Em Nome da Filha

Autora: Sulamita Esteliam

Dia: 26 de novembro, terça-feira, às 19h.

Local: Tiborna Bar & Comedoria (403 Norte)

Categoria: romance

Nº de páginas: 196

Editora Viseu, Maringá – Paraná

Preço de capa: R$ 40,00

Classificação livre

Informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Twitter e Instagram: @sulaesteliam

FB/Sulamita Esteliamre

Valor da obra: R$ 40,00.

Disponível também no formato ebook: https://www.eviseu.com/pt/livros/691/em-nome-da-filha/

Criado em 2019-11-18 22:18:50

Advogados esperam que Lava Jato repare danos a D. Marisa

Os advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Martins, Larissa Teixeira e Roberto Teixeira divulgaram, esta semana, uma nota pública sobre a situação de dona Marisa Letícia nos processos da Lava Jato.

Segundo eles, Marisa “não poderá, lamentavelmente, ver triunfar o reconhecimento de sua inocência por um juiz imparcial”.

Para os advogados da família, a consequência jurídica do falecimento da esposa de Lula será a extinção, em relação a ela, das duas ações penais propostas – “de forma irresponsável” - pelo Ministério Público Federal.

A nota, assinada pelos três advogados, diz: “Foi com muito orgulho que atuamos na defesa de uma pessoa digna e honesta, que foi injustamente perseguida e vítima de falsas acusações”.

Eles reafirmam, na nota, a expectativa de que prevaleça a justiça nas ações que propuseram em favor de Marisa, “com o objetivo de reparar sua honra e imagem e ainda responsabilizar aqueles que cometeram os atos ilegais e arbitrários que resultaram nas violações que tanto a impactaram”.

No dia 4 de março de 2016, D. Marisa teve sua casa invadida por um exército de policiais e viu sua vida e intimidade, assim como a de seus filhos e netos, expostas na mídia nacional e internacional. Os danos foram insuperáveis.

Ao final, os advogados declaram o compromisso de “lutar por uma justiça imparcial, fundamental ao Estado Democrático de Direito”.

Criado em 2017-02-10 01:39:52

O golpe neoliberal está consumado

Romário Schettino -

A votação favorável ao prosseguimento do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff praticamente sela o seu destino. É impossível reverter esses votos no próximo e derradeiro julgamento no plenário do Senado. O Brasil real que se prepare para o que vem por aí.

Lá pelo dia 29 de agosto, conforme o previsto, serão necessários apenas 54 votos. Nessa penúltima votação foram 59 senadores contra Dilma e apenas 21 a favor, um a menos em relação à votação anterior pela admissibilidade.

Dessa forma, estão os senadores caminhando para a conclusão do golpe parlamentar, apoiado pela imprensa comercial brasileira e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, aparece na internet numa imagem significativa do momento, lavando literalmente as mãos.

Só resta ao PT e seus aliados uma tentativa junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), para onde serão remetidos os recursos jurídicos contra o impeachment por sua fragilidade legal.

A turma do PSDB (Aécio, Serra, FHC etc) esfrega as mãos e prepara o pacote neoliberal para leva-lo às últimas consequências. Ou seja, a retomada das privatizações, o enxugamento do Estado, arrocho salarial e fim dos programas sociais.

O Congresso Nacional está em suas mãos. Eduardo Cunha é carta fora do baralho, pode até continuar deputado (apesar do escândalo que isso representa), mas o poder está no colo dos tucanos, sem que para isso tivessem que ganhar as eleições.

Dilma já arrumou as malas e, segundo a colunista da Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo, prepara uma longa viagem de oito meses pela América Latina e, talvez, pelo interior de alguns países da Europa. Pode ser isso mesmo, veremos.

Enquanto Dilma descansa, o Brasil terá de se preparar para uma etapa ainda mais complexa na sua história.

O presidente, por enquanto interino, já tem certa sua ida a Nova York para a abertura da assembleia anual da ONU. É muito provável também que seja recebido com vaias e uma certa frieza por parte de alguns líderes mundiais. Mas ele conta com a proteção de José Serra, que já pavimentou a estrada do novo governo oferecendo a Petrobras e o pré-sal para seus aliados no exterior.

O senador Cristovam Buarque, ex-petista, ex-pedetista e agora PPS-DF, também tem o seu futuro político carimbado como golpista, direitista, neoliberal. Dizem, na rede social, que o preço de seu voto é alguma embaixada ou um cargo em um órgão internacional. É o que veremos.

O fato é que Cristovam está mais sujo do que pau de galinheiro entre os seus eleitores cativos no DF. Ex-colaboradores, ex-amigos, ex-aliados estão decepcionados e irados. Os novos amigos de Cristovam não lhe garantirão os votos que teve com o ajuda do PT em todas as suas eleições para governador e para o Senado, mas ele sonha com outros voos.

O senador que mudou de lado, João Alberto Souza (PMDB-MA), disse ao Estadão que apesar de não acreditar em crime de Dilma votou a favor do relatório de Antonio Anastasia por questões políticas. “'Não mudei de ideia, a minha postura foi em função da conjuntura política”, disse ele.

Claro, explicação típica de quem se acovardou, ou ganhou algum benefício. O que mudou na conjuntura nacional que justifique essa virada de posição? Nada.

A militância dos partidos de oposição a Michel Temer vai trabalhar as eleições municipais tentando carimbar a testa dos golpistas candidatos ou dos apoiadores de candidatos. Vai infernizar a vida dos parlamentares e tentar impedir aprovação de leis antinacionais e destruidoras dos direitos dos trabalhadores e dos excluídos.

E quando chegar 2018, se o juiz Sérgio Moro não conseguir tirar Lula do caminho, é possível que ele volte como candidato, ou apoiando alguém com chances de retomar o poder dos senhores do golpe.

Criado em 2016-08-10 23:51:13

Negros já são maioria nas universidades públicas brasileiras

Pesquisa realizada pelo IBGE demonstra que as políticas públicas que proporcionaram o acesso da população preta e parda na rede de ensino são as causas da existência, pela primeira vez na história, de maioria de negros nas universidades públicas do Brasil.

No entanto, há muitas contradições. Um Brasil, dois países. O número de professores negros ainda é pequeno. Apenas 16% dos professores universitários no Brasil são negros, segundo dados do Censo da Educação Superior, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Das quase 400 mil pessoas que davam aulas em universidades públicas e particulares no país em 2017, apenas 62,2 mil se autodeclararam pretas ou pardas. O número representa um crescimento discreto em relação ao registrado em 2010, quando os negros respondiam por 11,5% das vagas de docentes do ensino superior.

Ainda segundo os dados do Inep, a representatividade racial cai conforme aumenta o nível de escolaridade dos docentes. Dos professores com mestrado, 23% são negros, e o índice cai para 17,6% quando se considera a titulação de doutor.

O desequilíbrio social é brutal. O número de negros assassinados cresceu 23% e o número de brancos assassinados caiu 6,8%. Mulheres negras recebem menos da metade do salário dos homens brancos no Brasil.

A pesquisa do IBGE registra que o número de matrículas de estudantes negros e pardos nas universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o de brancos. Em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do ensino superior da rede pública, segundo a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, publicada nesta quarta-feira (13/11) pelo IBGE. Embora representem hoje mais da metade dos estudantes nas universidades federais, esse grupo ainda permanece sub-representado já que corresponde hoje a 55,8% da população brasileira.

O levantamento revela ainda que a população negra e parda está melhorando seus índices educacionais, tanto de acesso como permanência. O abandono escolar diminuiu de 30,8%, em 2016, para 28,8% em 2018. Entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6% em 2018. Apesar do avanço, o percentual ficou bem abaixo do alcançado pelos brancos na mesma faixa etária, que é de 78,8%.

A melhoria dos índices educacionais dessa parcela da população na rede de ensino é, em parte, reflexo de políticas públicas, como o sistema de cotas, que proporcionaram o acesso e permanências da população preta e parda, segundo o IBGE. A Lei Federal de Cotas, sancionada em 2016, definiu que metade das matrículas nas universidades e institutos federais deveriam atender a critérios de cotas raciais.

Na avaliação do pesquisador Claudio Crespo, do IBGE, a melhora nos indicadores é relevante, mas como a desigualdade é histórica e estrutural, os avanços para a população preta ou parda só acontecem quando há mobilização social e políticas públicas direcionadas. "A intervenção de políticas públicas é um fator essencial para a redução dessa desigualdade. Onde há avanços percebidos, apesar das distâncias que ainda reside, são espaços em que houve intervenção de políticas públicas e também organização do movimento social para a conquista de uma sociedade mais igualitária, como as cotas para acesso ao nível superior", afirmou à agência Brasil.

Para a mestra em Direito Winnie Bueno, integrante da Rede de Ciberativistas Negras, o avanço do número de matrículas de negros na universidade é importante, mas é preciso pensar também em políticas de permanência para que esses jovens concluam o Ensino Superior. "Há uma série de outros desdobramentos, por políticas de permanência que não são aplicadas. É preciso olhar para esse dado com profundidade ou se chegará à conclusão que alcançamos o objetivo da política de cotas e que está tudo bem. E está bem longe de estar tudo bem", afirma Bueno.

Segundo o IBGE, também houve aumento de matrículas de estudantes negros nas universidades privadas, reflexo de programas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que concede bolsas de estudos parciais e integrais a estudantes de baixa renda. O percentual de vagas ocupadas por essa parcela da população nas instituições privadas avançou de 43,2% em 2016 para 46,6% em 2018.

"Achava que a universidade não era para mim"

Recém-formada em psicologia, Tamires Costa, negra, de 25 anos, foi a primeira da família a entrar em uma universidade. Filha de uma mãe analfabeta e de um pai que teve a chance de estudar apenas até a 3ª série, ela sempre recebeu incentivo familiar para prosseguir os estudos após terminar o ensino médio em uma escola pública. "Eu ficava receosa porque achava que a universidade não era para mim. Tinha a sensação que era elitizado, que era só para quem tinha dinheiro", diz.

Essa desconfiança fez com que Tamires, apesar de ter realizado a prova do Enem, logo que terminou o ensino médio, adiasse a entrada na universidade. Dois anos depois, tentou outra vez a prova e conseguiu uma nota de corte que possibilitou o ingresso dela em uma faculdade privada de São Paulo com uma bolsa do Prouni, que cobria metade da mensalidade do curso de psicologia. A outra metade ela pagava com quase todo o salário que recebia como auxiliar administrativa de uma empresa de pesquisa.

Em 2016, no entanto, Tamires entrou para a fila do desemprego no país. Impossibilitada de pagar a mensalidade, chegou a pensar em deixar o curso. "Foi o maior pesadelo, fiquei um ano desempregada, acumulando uma dívida de 8.000 reais. Mas minha mãe não deixou que eu desistisse e conseguiu pegar um empréstimo para quitar as mensalidades atrasadas. Só assim, consegui finalizar o curso. Foi a maior vitória, ela que nunca teve uma oportunidade como essa foi a pessoa que mais me apoiou", explica.

Apesar dos números apontarem para uma participação maior dos negros nas salas de aulas das universidades, Tamires, que chegou a participar de um coletivo negro, acredita que o ambiente acadêmico ainda tem um padrão branco. "Não tive nenhuma referência de docentes negros enquanto estava na graduação", revela.

Atualmente, a agora psicóloga, é funcionária com carteira assinada de uma editora que produz produtos de psicologia. "Estou muito feliz porque depois de todo o esforço, eu vejo que valeu a pena. No último ano da faculdade, como o futuro é incerto, você fica com muitas dúvidas". "Quando uma criança negra vê que alguém com cabelo na régua, que veio da favela, que fala e anda do mesmo jeito que ele entrou numa universidade, você está mostrando pra essa criança que ele também pode e deve entrar lá", disse ao EL PAÍS João da Silva, cuja foto em um ato pela educação no Rio viralizou em maio. Assim como Tamires, João foi o primeiro da família a entrar na universidade.

Os próximos desafios enfrentados por Tamires devem ser dentro do mercado de trabalho. O levantamento publicado nesta quarta-feira revelou que as mulheres pretas ou pardas continuam na base da desigualdade de renda no Brasil. No ano passado, elas receberam, em média, menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%), que ocupam o topo da escala de remuneração no país.

________________

Com matéria publicada pelo site do jornal El País.

Criado em 2019-11-15 00:33:41

  • Início
  • Anterior
  • 72
  • 73
  • 74
  • 75
  • 76
  • 77
  • 78
  • 79
  • 80
  • 81
  • Próximo
  • Fim

Quem somos | Pacto com o leitor | Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros | Política de Privacidade e Cookies | Por que o nome BRASILIÁRIOS

Copyright © 2016 BRASILIÁRIOS.COM.

SiteLock