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Pedro Tierra (*) -
A resistência ao golpe de Estado de 2016 que depôs a presidente eleita Dilma Rousseff, deslocou seu centro mais dinâmico para as lutas sociais. Dentro do Parlamento, em que pese o empenho e a valentia de deputados e senadores que representam a esquerda e os interesses dos setores populares progressistas, fomos derrotados por uma correlação de forças desigual com tendência a se fortalecer.
E não apenas pelos motivos ideológicos que moveram os cordões para consumar o golpe, mas pelo caráter fisiológico da formação que sustenta o governo usurpador, agora ocupada em negociar espaços nos ministérios e empresas estatais. Até aqui, dentro do Parlamento, o governo só perdeu para o próprio governo.
O golpe de Estado lançou o país na instabilidade econômica, medida pela elevação das taxas de desemprego, redução da atividade industrial, do consumo e pelo endividamento das famílias.
Contrariando as expectativas dos conspiradores, o golpe não pacificou o país, atirou-o na vertigem da turbulência política – um ministério acossado permanentemente por denúncias de corrupção – alimentada a cada anúncio de delação premiada, o que bloqueia o caminho para construir, com o empenho da mídia neoliberal associada, a credibilidade necessária para se afirmar como governo.
O golpe mergulhou o país no caos administrativo como revela a crise do sistema penitenciário que exibe o grau de improvisação do governo golpista na busca de soluções para por fim à barbárie instalada pelas facções criminosas, quando anuncia a utilização das Forças Armadas para fazer revista nos presídios.
Nascido da violação da Carta de 1988, o golpe nos atirou na incerteza institucional que resulta do desequilíbrio entre os poderes. Quando se criminaliza a política, a democracia evapora e o Judiciário sofre uma hipertrofia e assume a condição de poder tutelar sobre os demais poderes e sobre os cidadãos.
Hoje, no Brasil, os conflitos políticos se resolvem – ou não se resolvem... – cada vez com maior frequência, à margem da regra, no Judiciário. O que configura, como já afirmamos aqui, a ditadura da toga.
Se para os setores populares a tarefa central é a derrubada do governo golpista, ilegítimo, empenhado em mobilizar sua base parlamentar para investir frontalmente contra os direitos conquistados pelos trabalhadores, impressos na Constituição de 88 e convertidos em realidade nos governos Lula e Dilma, é necessário um debate corajoso sobre a tática parlamentar a ser seguida pelas bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A eleição das mesas diretoras das duas Casas nesse início de fevereiro de 2017 encontra o Partido dos Trabalhadores, o partido que liderou a frente que sustentou os governos Lula e Dilma numa situação duplamente complicada: isolado internamente nas duas Casas e questionado severamente por suas bases sociais – basta examinar os resultados das eleições nos municípios, em novembro último – tanto do ponto de vista da moralidade pública, como do programa e das alianças que estabeleceu durante os quatro mandatos à frente do país.
Desvincular a condução tática para a disputa de posições nas Mesas da Câmara e do Senado, das mobilizações e lutas populares vem ocorrendo desde a consumação do golpe, em agosto passado, é por o pé numa armadilha.
O governo golpista só recuou – ainda que momentaneamente – dos seus propósitos quando se viu frente a mobilizações populares, seja dos adolescentes nas escolas ocupadas, seja pela pressão dos movimentos sociais dos trabalhadores em defesa de direitos conquistados.
Optar por um entre dois candidatos golpistas na Câmara dos Deputados, em nome da participação efetiva na formulação da pauta legislativa é ignorar o que ocorreu no último ano, sob a presidência de Eduardo Cunha e Rodrigo Maia e é atribuir à disputa parlamentar um papel que ela não desempenha no combate ao governo usurpador.
Cumpre, portanto, aos dirigentes do PT e das bancadas desviar por um instante os olhos da Mesa e fixá-lo nos movimentos sociais mais avançados – MST, Centrais Sindicais, MTST, Universidades, movimentos juvenis – eles todos empenhados num combate radical ao golpe e sua ofensiva sobre os direitos sociais conquistados, sem poupar adjetivos para denunciar a desmoralização do Parlamento e seu compromisso com a farsa do impedimento da presidente eleita.
Se os Partidos de esquerda, em particular o Partido dos Trabalhadores, que pretendem representar os interesses da base da sociedade desejam reatar seus laços com os setores sociais que combatem o golpe de Estado e recuperar o discurso contra o governo usurpador, não há outro caminho senão unificar-se em torno de uma chapa na Câmara e no Senado com o objetivo de denunciar a marcha para a barbárie que o golpe de estado neoliberal desencadeou no Brasil, a partir de 31 de agosto de 2016.
Oferecerão assim uma contribuição aos movimentos sociais dos trabalhadores, centrais sindicais, mulheres, segmentos LGBTs, estudantes, universidades que constituem a base social de resistência ao golpe.
Insistir na tática parlamentar, pretensamente esperta, de apostar em uma das candidaturas golpistas, isolada dos movimentos de massa organizados na sociedade, para ocupar espaços legítimos nas mesas ou nas Comissões é por o pé numa armadilha, de antemão anunciada e denunciada pelos próprios movimentos dos trabalhadores.
Alguém aí acha que o Parlamento brasileiro vai derrubar o Temer?
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(*) Pedro Tierra é poeta e militante do Partido dos Trabalhadores desde a fundação.
Criado em 2017-01-26 14:41:05
Geniberto Paiva Campos -
Sociólogos e historiadores talvez se vejam obrigados a rever a contagem dos períodos de liberdade democrática plena e violenta repressão ditatorial na história política contemporânea da América Latina.
Subcontinente colonizado pelos ibéricos - espanhóis e portugueses - não consegue manter relações saudáveis e duradouras com a democracia.
Talvez seja mais correto falar em períodos caracterizados como “hiatos democráticos”, permeando regimes autoritários permanentes.Valendo lembrar que o somatório das ditaduras da Espanha (Franco) e de Portugal (Salazar) perfaz um total aproximado de um século de totalitarismo, violência e negação dos direitos humanos.
Tomando o Brasil como exemplo, no período de aproximadamente cem anos – 1920/2016 – o país viveu longos anos de regime ditatorial e curtos períodos de democracia, permeados por tentativas de golpes estado grotescas, outras”bem-sucedidas”, e desastrosas intentonas fascistas e comunistas.
Parece que a estabilidade democrática não desperta grande entusiasmo entre as elites brasileiras, que são, verdadeiramente, donas do poder.
E qualquer possibilidade de ascensão social e econômica das massas, que eventualmente acompanha períodos de abertura democrática, é prontamente repelida como anátema. E seus ousados agentes são violentamente reprimidos.
Nas últimas décadas mudaram-se os nomes e as siglas partidárias. Mas os personagens são os mesmos. Getúlio, Jango, Brizola, Lula, Dilma seriam os atores de um imutável enredo cujo desfecho final é sempre a previsível retomada do poder pela elite. Através de golpes. Com as mais diversas denominações. Mas, essencialmente, “golpes de estado".
Incapazes de conquistar o poder pelo voto livre e soberano, as elites se atribuem o direito divino de exercê-lo pelo arbítrio e pela força. Ou pela esperteza. Foi sempre assim. E assim será.
Historicamente as elites brasileiras procuram fazer associações estratégicas com outros segmentos da sociedade brasileira, contando sempre com o apoio da mídia, na conquista de adeptos para suas empreitadas golpistas, em busca do poder total. E aplica-se, quando necessário, o uso do “jornalismo de guerra”.
Os partidos envolvidos são todos parecidos. Praticamente os mesmos. União Democrática Nacional (UDN) x Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
As hostes golpistas da UDN de Carlos Lacerda e seus puros, intocáveis políticos e intelectuais, todos contra a “corrupção”. Exemplo, o mar de lama do Catete, jamais comprovado, mas de imenso potencial midiático.
Despertando a incontida indignação moral das classes médias do país. Ingênuas apoiadoras das elites. Que levou o presidente Vargas ao suicídio, no fatídico agosto de 1954. Golpe perfeito? Quase.
Com o vice Café Filho antecipando-se ao papel de Michel Temer. Enquanto Vargas “saiu da vida para entrar na História”, Café Filho saiu da história pela porta dos fundos.
Na década seguinte o enfrentamento dos mesmos partidos: UDN x PTB. O pretexto: a criação mágica, pelo PTB, de uma “República Sindicalista”, sob a égide do “Comunismo Ateu e Desumano”. (Hoje, parece risível).
As classes médias foram às ruas, marchando “Pela Família, com Deus, pela Liberdade”, em 1964. Na prática, defendendo o autoritarismo e a desigualdade. Provavelmente, Deus tenha muito pouco a ver com isso. Queda e exílio de Jango. Que propugnava pelas Reformas de Base. Apoiado por mais de 70% da população brasileira.
Resultando numa longa noite de trevas e ausência de liberdade. Um golpe duradouro. Novamente,com o apoio da sociedade civil e das Forças Armadas.
O motivo real dos dois episódios políticos, tão próximos e assemelhados: a ascensão das massas trabalhadoras, melhora do salário mínimo, implementação de políticas de soberania nacional, criação de um parque industrial brasileiro, implantação de um projeto de reformas modernizadoras do Estado. Pauta herética. Absolutamente inaceitável para as elites brasileiras.
Como sempre, e eternamente, comprometida com o retrocesso. Saudosa dos velhos e bons tempos em que não havia a Lei Áurea, direitos trabalhistas, greves e manifestações populares.
Com a retomada da democracia formal, em 1985, surge um novo partido, o PT. Partido dos Trabalhadores, herdeiro não assumido do PTB de Vargas, Jango e Brizola.
Trazendo como grande novidade uma liderança verdadeiramente popular, não originária da classe média. Um operário sem curso superior. Sem titulação acadêmica. Um “ádvena” (estrangeiro) na política. Oriundo do movimento sindical. Declaradamente “não comunista”.
Luis Inácio da Silva, codinome Lula. Após várias tentativas frustradas, finalmente, em 2002, o Partido dos Trabalhadores elege o seu candidato presidencial. Para espanto interno e enorme simpatia no plano internacional. No papel da antiga UDN a frente política PSDB/DEM e alguns partidos menores.
Um novo governo trabalhista - Os governos Lula/Dilma são a continuidade do trabalhismo de Vargas/Jango adaptados, obviamente, ao século XXI.
Por mais que tal constatação possa causar polêmicas. A análise histórica mostra as inegáveis semelhanças entre os dois períodos.
À pauta trabalhista de Getúlio/Jango, o PT do Lula adicionou as políticas sociais de inclusão das massas na economia e na produção.
Com o incremento do poder de compra dos assalariados ocorreu a criação/ampliação de um mercado consumidor interno. Reforçando os alicerces da economia. O qual possibilitou o enfrentamento de uma das maiores crises internacionais – cíclicas e previsíveis – do capitalismo, em 2008. Já no segundo governo Lula.
Como esperado, os infalíveis sensores que detectam riscos e ameaças aos interesses da elite econômica rentista, perceberam que havia se instalado no Brasil mais um governo trabalhista.
Foi então acionada a mídia conservadora, historicamente cúmplice da elite econômica para fazer o seu trabalho habitual: criar e divulgar verdades que mesmo sem ter expressão no mundo real, seriam assumidas como incontestáveis pelos brasileiros das classes médias. Sempre ingênuas e despolitizadas. Dispostas a assumir a defesa das elites.
Para espanto e indignação dos donos do poder, a coalizão que que governou o Brasil de 2003/2016 ampliou a antiga pauta dos governos trabalhistas. Existe uma lista interminável de realizações. E com forte apoio popular, ganhou todas as eleições presidenciais que veio a disputar.
Era preciso apelar novamente para o tema infalível da “corrupção”.
O assalto aos cofres públicos. O desvio de verbas. O enriquecimento ilícito. O caixa dois. E seus apelidos midiáticos: mensalão, petrolão, lava jato.
Eternos chavões. Sempre disponíveis na mobilização de cidadãos despolitizados. Desprovidos de senso crítico. Que se recusam – por incapazes – ao debate político qualificado. Dócil massa de manobra. Com enorme dificuldade de entender nuances da realidade política e econômica onde estão inseridos. Atuando contrariamente aos seus interesses de classe social.
Na impossibilidade de manter o debate político real. E frente às inesperadas, inegáveis, realizações dos governos “neotrabalhistas”, apelou-se para o velho e confiável tema da “corrupção”.
Em seu novo livro, “A Radiografia do Golpe - entenda como e porque você foi enganado", o sociólogo Jessé Souza defende a instigante tese da hegemonia da elite econômica sobre a elite intelectual.
Cuja tarefa – comprada a preço justo, na dependência da posição do intelectual cooptado na hierarquia acadêmica–seria tornar a “esfera econômica”, supostamente livre do peso de ter de se justificar moralmente.
E nisso residiria a sua singularidade em relação às outras esferas sociais.
Esse tipo, não tão sutil, de controle exercido pela elite econômica se amplia e se exerce sobre as elites política, jornalística, jurídica, literária.
Criando uma “moralidade própria”, no sentido de peculiar. Na qual torna-se necessária a capitulação moral desses agentes sociais.
Que assim tornam-se defensores intransigentes da ideologia capitalista, em seu atual formato neoliberal. Tornando-se ativos colaboradores dos seus projetos de poder total. Abdicando de qualquer resistência moral aos desígnios dos seus novos mestres e parceiros).
Os exemplos no Brasil, nas últimas décadas, são vários. E extremamente didáticos. Perceptíveis aos mais desatentos observadores: Intelectuais, escritores, jornalistas, políticos, juristas. Os novos militantes do neoliberalismo. Causando espanto aos que acompanhavam suas biografias e trajetórias pessoais.
O surpreendente perfil dos golpistas do Século XXI na América Latina
E, enfim, chegamos a mais um golpe desferido contra um governo trabalhista. Ou se preferirmos, o governo dos trabalhadores. Dilma Roussef, presidente eleita pelo voto majoritário dos brasileiros – criminosa sem crime – foi afastada do cargo pelo Senado Federal.
Um golpe mais sutil. Elaborado com (muita) hipocrisia pelos seus autores. Mas cujas consequências serão duríssimas para o Brasil. Afetando a sua economia, o seu crescimento e desenvolvimento. O seu futuro. As suas liberdades democráticas. E a gravíssima – talvez irreversível – perda da soberania.
E, necessariamente, criando um estado policial. Condição para o novo sistema ditatorial manter o poder total. E já se percebe os seus primeiros e inquietantes sinais.
Para quem considerar um exagero, vale relembrar a Rússia Czarista que gerou o stalinismo, com a KGB e a Alemanha nazista das primeiras décadas do século XX, com a Gestapo.
Para os que divertem com as trapalhadas do medíocre ministério Temer, seria conveniente prestar atenção nos ministros que quase não falam, mas que calados e distantes, atentos aos seus mestres, literalmente “entregam o serviço” que lhes cabe nessa nova missão de dilapidar as riquezas do país.
Resolvida a farsa tragicômica do impeachment, cabe aguardar mais um capítulo a ser encenado no Congresso Nacional. Um episódio - mais um - do folhetim político que envergonha o Brasil. Iniciado no inesquecível domingo, 17 de abril de 2016, na Câmara dos Deputados, e concluído em 31 de agosto no Senado Federal.
Na agenda, o julgamento pelo plenário da Câmara da perda do mandato do seu ex-presidente, Eduardo Cunha.
A República, e os seus novos governantes, tremem de receio. Qualquer que seja o desfecho.
Os cidadãos brasileiros e os verdadeiros democratas perguntam aos seus botões: - como foi possível chegarmos a tal situação? A resposta não está no vento.
A culpa disso tudo que estamos assistindo cabe ao Partido dos Trabalhadores e à sua estranha mania de ganhar eleições presidenciais. Inaceitável para os padrões das elites. É sempre bom lembrar: Os donos do poder.
Finalmente, uma homenagem aos senadores, que com coragem e bravura cívica desmedidas, defenderam a democracia, num julgamento sem nenhuma chance para a justiça.
Entre os quais destacamos: Fátima Bezerra, Gleisi Hoffman, Vanessa Graziotin, Lindbergh Farias e Roberto Requião. Parabéns senadores. Vocês honram a classe política brasileira.
A luta continua.
Para evitar a consolidação do golpe!
Pela resistência democrática!
Criado em 2016-09-15 20:58:11
Das ondas do rádio para o palco! Liberdade Hip Hop reúne artistas neste sábado (9/11), das 14h às 22h, no Ginásio de Esportes São Francisco, Área Especial – São Sebastião – DF. Entrada franca. Entre os artistas confirmados estão: Vera Verônika, Markão Aborígine, Donas da Rima Negro A, Sidimm Alfa Rap, Diga How e Imagem de Rua.
O evento é inspirado no programa de rádio “Liberdade Hip Hop”, que vai ao ar pela Rádio Liberdade 98,1 FM há mais de cinco anos. O programa veiculado pelo DJ Jota Mix dá oportunidades, de forma inédita, a uma parcela de seus ouvintes a possibilidade de se comunicar com quem está dentro do Complexo Penitenciário da Papuda.
Pelas ondas do rádio são enviadas mensagens sobre a situação de processos, recados familiares e oferecimento de músicas, como forma de atenuar o sofrimento das famílias dos detentos. As mensagens são de todo o DF e entorno, como a de uma criança de sete anos que manda um abraço para o pai. Antes de desligar a mãe da criança diz: “Jota, ele nunca viu o pai”.
O programa vai ao ar todos os sábados e domingos, entre 18h e 22h e boa parte dos cerca de 17 mil homens que dividem as celas lotadas da unidade prisional estão ligados no programa “Liberdade Hip Hop”.
Neste ano, o programa recebeu apoio financeiro do Fundo de Arte e Cultura do DF (FAC) para produzir 40 programas durante o ano e ainda realizar um evento de lançamento dessa nova fase.
Programação:
DJ Jota Mix
Markão Aborígine
- https://www.youtube.com/watch?v=QMpeRUmJ9vw
Donas da Rima
- https://www.youtube.com/watch?v=ejOhKeeBrZ4
Vera Verônika
- https://www.youtube.com/watch?v=TngfMiNG0sk
Cris de Souza
- https://www.youtube.com/watch?v=bjnX2HFgsqQ
Imagem de Rua
Alfa Rap
- https://www.youtube.com/watch?v=VN1b2MoOcZM
Negro A
Diga How
- https://www.youtube.com/watch?v=lZJv8lSJc80
Lídia Dallet
- https://www.youtube.com/watch?v=9zGSyoUcLLQ
Realização:
Jota Mix, Espaço Sideral, Rádio Liberdade FM
Parceria Estratégica: Movimento Supernova, Iaceb
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Serviço:
Evento: Liberdade Hip Hop
Data: 9 de novembro de 2019 – sábado.
Horário: das 14h às 22h
Local: Ginásio de Esportes São Francisco, Área Especial – São Sebastião – DF, São Sebastião-DF.
Entrada franca - Classificação indicativa livre.
Criado em 2019-11-05 01:40:00
Roberto Requião (*) -
O Senado Federal se encontra sob o olhar vigilante da sociedade brasileira. Estando nós no centro dos acontecimentos políticos que, desde o impeachment, nos colocaram numa posição de destaque no cenário político brasileiro.
Independentemente de divisões políticas internas é nosso dever reconstruir agora nossa credibilidade perante a Nação, sob pena de contribuirmos para o aprofundamento da situação de caos já estabelecida no país.
Não podemos ser uma fonte adicional de instabilidade acima da instabilidade existente. Somos os guardiães da Federação. É nosso dever constitucional preservá-la.
A eleição da Mesa do Senado nos próximos dias, por exigência da ética e da moralidade, deve visar a uma composição que reconstitua e preserve a dignidade do Senado.
Devemos eleger uma Mesa, e em especial seu Presidente, que tenham condições políticas plenas de afirmar os Poderes constitucionais do Senado e escapar da condição de reféns de outros poderes, amesquinhando nossa capacidade de decisão independente.
A partir daí, alinhamos os seguintes princípios fundamentais para o bom funcionamento da Casa:
1. Eliminar a prática de constituição de Comissões Especiais para análise de matérias muitas vezes controversas, com caráter terminativo, à margem de discussão nas comissões regimentais e do pronunciamento do plenário;
2. Eliminar o processo decisório por voto de liderança na medida em que os recursos técnicos do Senado possibilitam a votação pessoal, aberta ou secreta;
3. Eliminar a indicação de relator de matérias legislativas por decisão do presidente da Comissão respectiva, adotando-se critério similar ao do Supremo Tribunal Federal, que define o relator por um algoritmo impessoal;
4. Encaminhar à Comissão de Assuntos Econômicos discussão com o objetivo de redefinir as relações entre os agentes federativos no que se refere à dívida dos Estados e grandes municípios junto ao Governo Federal, a qual é considerada nula por especialistas;
5. Atuar no sentido de pressionar pela aprovação definitiva de projeto, já aprovado no Senado, que regulamenta a tramitação de medidas provisórias no Congresso Nacional;
6. Estabelecer um firme compromisso de respeito aos espaços da minoria no trabalho legislativo;
7. Encaminhar imediatamente para discussão no plenário o Projeto de Lei 79/16, que trata das empresas de telecomunicações;
8. Favorecer o debate para o estabelecimento de um sistema prisional juridicamente funcional e humanamente justo.
A chapa que assumir os compromissos acima terá o nosso apoio. Instamos nossos colegas senadores a juntarem-se conosco nessa empreitada de resgate da dignidade do Senado, que será um ponto de apoio para o resgate da política como exercício de defesa do interesse público no Brasil.
Estamos certos de contar com o apoio firme da maioria da Casa. Em contrapartida, defenderemos até o limite de nossas forças os interesses políticos legítimos da representação senatorial no país.
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(*) Roberto Requião é Senador da República em seu segundo mandato. Foi governador do Paraná por três mandatos, prefeito de Curitiba e deputado estadual. É graduado em direito e jornalismo com pós-graduação em urbanismo.
Criado em 2017-01-24 22:55:30
Venício A. de Lima (2) -
Não existirá comunicação democratizada no Brasil se não se regular a competição no mercado de mídia, livre de monopólios e oligopólios.
Apesar de consagrar assimetrias legais exclusivas em relação a outros serviços públicos, sobretudo no que se refere à renovação, ao cancelamento e aos prazos de concessões de emissoras de rádio e televisão outorgados pelo Estado para exploração privada (parágrafos 2º, 4º e 5º do artigo 223), a Constituição Federal de 1988 constitui um marco de referência na legislação da radiodifusão no país.
Como resultado de anos de luta de setores da academia e da sociedade civil organizada (3), nela foram inscritas normas e princípios que teriam sido capazes de alterar substantivamente a estrutura concentrada e oligopolizada da radiodifusão brasileira no rumo de sua democratização.
A realidade, todavia, revela que praticamente nada se avançou no que se refere às condições de funcionamento e estruturação do mercado de radiodifusão, desde a sua promulgação – vale dizer, nos últimos 28 anos (4).
A inoperância do Congresso Nacional na regulamentação das normas e princípios referentes à comunicação social consagradas na Constituição Federal de 1988 já foi objeto de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade por Omissão [ADOs n.º 10 e 11] que, por sua vez, aguardam decisão do Supremo Tribunal Federal desde 2010.
Vale registrar, em particular, a não regulamentação de dois dispositivos constitucionais: (a) o Parágrafo 5º do artigo 220 e (b) o “Princípio da complementaridade” inserido no caput do artigo 223.
(a) O artigo 220 garante a livre manifestação do pensamento, da criação, da expressão e da informação mas, dentre outras condições, destaca em seu Parágrafo 5º: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.
A não regulamentação deste parágrafo e a consequente ausência de qualquer restrição à propriedade cruzada tem permitido a histórica concentração do controle da comunicação social nas mãos de uns poucos oligopólios empresariais (5).
(b) Por outro lado, o caput do artigo 223, determina que as outorgas e renovações de concessões para o serviço [público] de radiodifusão devem observar “o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal” (6).
A não regulamentação deste princípio, combinada com a não regulamentação do Parágrafo 5º do artigo 220, tem permitido não só a manutenção do flagrante desequilíbrio entre os sistemas de comunicação social com a dominância desmesurada do sistema privado, como tem também impedido o consolidação de um sistema público autônomo e independente que, a exemplo do que ocorre em países como o Reino Unido, a Alemanha, a França e os Estados Unidos, ofereça uma alternativa aos sistemas privado e estatal e, acima de tudo, contribua para construir a pluralidade e a diversidade necessárias à formação de uma opinião democrática.
Diante desses fatos, permanece a questão sobre quais seriam as razões que, historicamente, tem impedido a regulamentação dos dispositivos referentes à comunicação social da Constituição Federal de 1988 e a consequente ausência de avanço na democratização da comunicação entre nós.
1. Por que não se avança em relação à democratização da comunicação? (7)
Ao longo dos anos, aqueles que defendem a democratização da comunicação têm sustentado sua posição em torno da necessidade da universalização da liberdade de expressão, do direito à comunicação no sentido de ter voz, isto é, de ouvir e ser ouvido, de acesso igualitário e participação no debate público, de formação de uma opinião pública democrática. Esses argumentos expressam uma visão republicana de democracia apoiada na soberania e na participação populares (vida activa) e no autogoverno (8).
O pressuposto, explícito ou implícito, desta defesa tem sido de que os atores envolvidos no debate – os concessionários privados de rádio e televisão, os proprietários de jornais e revistas, das teles, das empresas da internet e mesmo o Poder Executivo, o Parlamento e o Judiciário – seriam, portanto, sensíveis ao argumento pela democratização da comunicação porque compartilham os mesmos valores, vale dizer, todos teriam compromisso com uma visão republicana de democracia.
Estaria esse pressuposto equivocado?
1.1 Mantendo a Constituição Federal de 1988 como referência, tanto em relação às suas normas e princípios como em relação à data de sua elaboração e promulgação, vale lembrar que ela foi chamada de “Constituição cidadã” por Ulisses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte.
Promover a democracia participativa, a soberania popular e a descentralização político-administrativa, através da criação de conselhos representativos da sociedade com a função de propor a formulação, acompanhar a execução e avaliar políticas públicas para setores como saúde, educação, assistência social, entre outros é uma de suas principais conquistas.
Na verdade, é possível afirmar que a “Constituição Cidadã” foi elaborada e nasceu como “um ponto fora da curva” no contexto do que acontecia no mundo – e, inclusive, no Brasil – a partir do início dos anos 80 do século passado: a grande virada neoliberal (9).
1.2 Quais são algumas das principais características da virada neoliberal e qual é a sua relação com a democracia (10)?
Uma primeira e importante característica do neoliberalismo, como recentemente afirmou o jornalista e autor britânico George Monbiot (15/4/2016) é seu anonimato. Afirma ele:
A ideologia que domina nossas vidas não tem nome, para a maioria das pessoas. Mencione-o numa conversa e você verá que seu interlocutor dá de ombros. Mesmo que tenha ouvido o termo antes, encontrará dificuldade para defini-lo. Neoliberalismo: você sabe o que é isso? O anonimato é tanto sintoma quanto causa de seu poder (11).
Na verdade, para além de constituir “um projeto político de restabelecimento das condições de acumulação do capital e de restauração do poder das elites econômicas” (Harvey, p. 27), o neoliberalismo é “o desenvolvimento da lógica do mercado como lógica normativa generalizada, desde o Estado até o mais íntimo da subjetividade”. O neoliberalismo constitui “uma nova razão do mundo” (Dardot e Laval, p. 34).
Na sua caracterização do neoliberalismo Dardot e Laval lembram, mas vão além, do “imenso cosmos social” que, no início do século passado, Max Weber (p. 181) identificou como caracterizando a “moderna ordem econômica” capitalista que aprisionava os indivíduos numa “gaiola de ferro” na famosa passagem d’ “A Ética Protestante e o espírito do capitalismo”:
O puritano quis trabalhar como uma vocação; todos nós fomos forçados a fazer o mesmo. Pois quando o ascetismo foi levado para fora das celas monásticas e introduzido na vida quotidiana e começou a dominar a moralidade laica, desempenhou seu papel na construção do imenso cosmo da moderna ordem econômica.
Esta ordem está hoje ligada às condições técnica e econômica da produção pelas máquinas, que determina a Vida de todos indivíduos nascidos sob este regime com força irresistível, não apenas os envolvidos diretamente com a aquisição econômica. E talvez assim a determine até que seja queimada a última tonelada de carvão fóssil. Na visão de Richard Baxter (Calvinista inglês, 1615-1691), o cuidado para com os bens materiais deveria repousar sobre os “ombros [do santo] como um leve manto, que pode ser atirado de lado a qualquer momento” Mas o destino quis que o manto se tornasse uma gaiola de ferro.
Hoje, todavia, como diriam Dardot e Laval, cada indivíduo é obrigado a construir sua própria “gaiola de ferro”.
Para se chegar a essa “nova razão do mundo” a grande virada neoliberal foi acompanhada de uma estratégia deliberada de educação e formação da opinião pública. “Pais fundadores” como Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Milton Friedman chamaram a atenção para a importância fundamental da “batalha das ideias” na educação formal (sobretudo no ensino de economia no nível médio e nas universidades) e na difusão da vulgata neoliberal através dos meios de comunicação.
Faz parte dessa estratégia a criação, em todo o mundo, de think tanks para promover e defender o neoliberalismo, financiados por poderosos grupos empresariais. Aliás, esse tem sido o principal objetivo deles, como afirma Moraes (pp. 232-233):
Os think tanks (...) existem para modelar as condições de possibilidade e de visibilidade das políticas. Para construir, nas mentes e nos corações dos indivíduos, aquilo que devem considerar crível e factível. Em suma, think tanks não se limitam a modular as políticas.
Tentam é modelar o ambiente geral da política, a agenda. O que pretendem, podemos dizer, é definir o quadro em que se formam as percepções da realidade, de modo a induzir as “escolhas” e “preferências”. Daí a relevância, para essas organizações, da indústria da mídia e do entretenimento.
No Brasil, levantamento feito pela Universidade da Pensilvânia, apontava a existência de 82 think tanks em 2014, número apenas inferior ao da Argentina que registrava 137. E entre os 50 mais importantes da América do Sul e Central, 7 eram think tanks brasileiros (cf. Rocha, p. 261)
Essa estratégia deliberada de educação e formação da opinião pública acabou por provocar “uma reviravolta na crítica social”. Como lembram Dardot e Laval (p. 209 e 206):
Até os anos 70, desemprego, desigualdades sociais, inflação e alienação eram patologias sociais atribuídas ao capitalismo; a partir dos anos 90, os mesmos males foram sistematicamente atribuídos ao estado.
O capitalismo deixou de ser o problema e se tornou a solução universal”. (...) “Essa imensa onda (...) fabricou um consentimento, se não da população, ao menos das elites que tinham o monopólio da palavra pública, e permitiu que aqueles que ainda ousavam opor-se fossem estigmatizados como arcaicos” [negrito nosso].
Uma expressão inquestionável dessa “nova razão do mundo” é o vocabulário da vulgata neoliberal centrado na lógica do mercado, da competição e da empresa que, nos últimos anos, foi sendo sistematicamente introduzido no nosso cotidiano: investimento afetivo, relação custo-benefício, janelas de oportunidade, fidelizar, flexibilizar, empoderar, oportunizar, disponibilizar, agregar valor, sinergia, reengenharia, gestão eficaz, empreendedorismo, volatilidade, fluidez, etc. etc. além de toda a nova linguagem da administração pública transformada em gestão empresarial e de todos os insuportáveis gerúndios do telemarketing.
Mas a característica fundamental do neoliberalismo é sua desconstrução clandestina do demos (W. Brown). A substituição da cidadania definida como preocupação com o bem público, por uma cidadania que reduz o cidadão ao homo economicus, elimina a ideia de povo, de um demos que afirma sua soberania política coletiva. Prevalece a lógica do mercado, da competição e da empresa e desaparece o homo politicus.
No seu Undoing the Demos, Neoliberalism stealth’s revolution, Wendy Brown, afirma:
Quando o próprio campo da política é “pensado” em termos econômicos, desaparecem os fundamentos para uma cidadania vinculada à coisa pública e ao bem comum. O problema, afirma ela, não é só que bens públicos não são mais financiados e objetivos comuns são desvalorizados pela razão neoliberal – embora isso aconteça - mas que a cidadania ela mesma perde sua força política e seu espaço público.
Na medida em que o neoliberalismo conduz uma guerra contra os bens públicos e contra a própria ideia de público, incluindo a cidadania para além de mera afiliação, ele encolhe/reduz dramaticamente a vida pública sem, no entanto, matar a política.
Disputas continuam em torno do poder, dos valores hegemônicos, dos recursos e de rumos futuros (...) Mas o neoliberalismo gera uma política sem instituições democráticas que garantiriam um público democrático e tudo que esse público representa no que tem de melhor: paixão informada, deliberação respeitosa, soberania e resistência a poderes que o anulariam ou minariam.
A desconfiança em relação ao poder do demos já se manifesta de forma clara no famoso relatório da Comissão Trilateral de 1975 (12) que se queixava do excesso de democracia e diagnosticava que ela só pode funcionar com um certo grau de apatia e não participação da parte de certos indivíduos e grupos (Dardot e Laval, p. 194).
A partir daí instala-se o processo que Wendy Brown chama de des-democratização: a inutilização prática das categorias fundadoras da democracia liberal. Dardot e Laval (pp. 389/390) afirmam:
A governamentabilidade (13) neoliberal não é democrática na forma e antidemocrática nos fatos: ela simplesmente não é mais democrática, nem mesmo no sentido formal, mas nem por isso identifica-se com um exercício ditatorial ou autoritário do poder. Ela é a-democrática.
A tristemente conhecida observação de Friedrich Hayek, feita em entrevista ao jornal El Mercúrio do Chile, em 1981, em plena ditadura de Pinochet, transformou-se em emblema do desprezo neoliberal pela democracia:
É possível para um ditador governar de forma liberal. É também possível para uma democracia governar sem liberalismo nenhum. Prefiro um ditador liberal a um governo democrático sem liberalismo (14).
Paralelamente à desconstrução do demos e a desconfiança para com a democracia, o neoliberalismo ainda promove uma “desmoralização dos indivíduos” através de um permanente processo de “responsabilização” que atribui a cada um as razões de seu próprio fracasso. Autores como Gary Becker e George Gilder forneceram as justificativas teóricas para governantes como Margareth Thatcher que “explorou largamente o script da culpa individual desenvolvendo a ideia de que a sociedade não deveria nunca mais ser considerada responsável pela sorte dos indivíduos” (Dardot e Laval, p. 220).
Esse processo perverso, combinado com correntes religiosas populares nos nossos dias, deu origem ao que tem sido nomeado de “teologia da culpa” poderoso instrumento de construção da fábrica de consentimento neoliberal (15).
2. Qual a relação da mídia com o projeto neoliberal?
Estariam os atores em posição determinante de poder para promover a democratização da comunicação no Brasil comprometidos com os princípios e as práticas neoliberais e, portanto, descompromissados com uma visão republicana de democracia apoiada na soberania e na participação populares (vida activa) e no autogoverno?
Ou, dito de outra forma, teria sido um equívoco a estratégia de tomar como referência uma visão republicana de democracia como se ela fosse compartilhada pelos atores em posição de decidir sobre a democratização da comunicação?
Antes mesmo da virada neoliberal, o sistema privado de mídia no Brasil, salvo raras exceções, construiu uma história de descompromisso com a democracia como, aliás, sempre foi a própria tradição liberal no nosso país (16). São inúmeros e bem documentados os exemplos, desde a queda de Getúlio Vargas em 1954, passando pelo golpe civil-militar de 1964 até o “golpe parlamentar” dos dias de hoje (17).
Em 2011, em Prefácio que escreveu para o meu Regulação das Comunicações – história, poder e direitos, o jornalista e professor Bernardo Kucinski (p. 12) já vinculava a mídia brasileira ao projeto e à vulgata neoliberal:
No Brasil, os três grandes jornais de referência nacional – Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo, e mais alguns importantes diários regionais como o Correio Braziliense e o Zero Hora, de Porto Alegre, e ainda a revista Veja e os canais de televisão e rádio do grupo Globo – formam hoje um compacto político-ideológico em defesa dos fundamentos do modelo econômico chamado neoliberal: privatizações, terceirizações, flexibilização das leis trabalhistas e desregulação do movimento de capitais.
Também combatem em uníssono as principais políticas públicas do governo, como o Bolsa Família, o Plano Nacional de Direitos Humanos, as cotas nas universidades e a política externa. Tornaram-se assim substitutos de um grande partido político conservador e protagonistas centrais na cena político-eleitoral.
Na verdade, nas últimas décadas, o sistema privado de mídia – no Brasil e no mundo – tem se constituído em elemento fundamental do projeto neoliberal, dentre outras muitas formas, colaborando de maneira decisiva – com seus intelectuais midiáticos e jornalistas convertidos – na “reviravolta da crítica social”, ajudando a naturalizar o vocabulário da vulgata neoliberal que cimenta a construção hegemônica, torna invisível e dá sustentação a essa “nova razão do mundo”.
3. É possível democratizar a comunicação no neoliberalismo?
Para além da regulamentação das normas e princípios da Constituição Federal de 1988, existirá alguma perspectiva de democratização da comunicação dentro da “nova razão do mundo” neoliberal?
O desafio representado por esta questão deverá ser enfrentado levando-se em conta, pelo menos, os quatro pontos a seguir:
Primeiro, comunicação e democracia (ou mídia e política) mútua e geneticamente se constituem. Não se pode tratar de uma sem se considerar a outra. Em Prefácio escrito com Juarez Guimarães, em 2013 (Lima e Guimarães, orgs. p. 10), afirmamos:
Política e comunicação são dimensões que não podem ser analiticamente isoladas sem se perder a compreensão do próprio objeto que se investiga. É insuficiente pensar a política e a comunicação através de uma interdisciplinaridade que contém zonas de confluência. Trata-se, na verdade, de uma relação que se organiza na ordem dos fundamentos.
Desta forma, não se trata de discutir as relações entre política e comunicação, mas, ao contrário, de enfrentar o desafio de constituir um campo de estudo no qual política e comunicação mútua e geneticamente se constituem em seus conceitos fundamentais (18).
Segundo, além das experiências neoliberais terem sido construídas dentro de distintos contextos com suas próprias contradições, no Brasil, circunstancias históricas favoreceram a consolidação de um sistema privado de comunicação social como ator político muito mais poderoso do que em outras sociedades nominalmente democráticas.
A destruição da experiência de implantação do projeto de comunicação pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que vem sendo levada a cabo pelo atual governo, é um dos exemplos mais eloquentes dessa distorção histórica (19).
Terceiro, embora dentro de uma nova inflexão, há de se retomar as preocupações weberianas com as relações entre religião e capitalismo. No quadro das muitas contradições do conservadorismo religioso de direita é necessário investigar o papel da “teologia da culpa” (e do seu corolário, a “teologia da prosperidade”) na consolidação do projeto neoliberal no Brasil, sobretudo nas últimas décadas.
Quarto, não existirá comunicação democratizada no Brasil se não se regular a competição no mercado de mídia – livre de monopólios e oligopólios – e se não houver equilíbrio entre os sistemas privado, público e estatal. Isso só se dará com o enfrentamento do projeto neoliberal e na busca da construção de uma alternativa a ele.
NOTAS
1. Uma primeira versão deste texto serviu de roteiro para a apresentação feita na Mesa Redonda “Diálogos para o desenvolvimento: mídia e democracia” realizada no 10º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), Belo Horizonte, MG, 30 de agosto a 2 de setembro de 2016.
2. Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e Pesquisador Sênior do CERBRAS-UFMG. O A. agradece aos seus confrades do “Sababerto” pelas discussões sobre neoliberalismo e a Aldo João de Souza, Ana Paola Amorim e Juarez Guimarães pelos comentários e sugestões.
3. No que se refere à atuação de setores da academia ainda na década de 1970, em pleno regime autoritário, cf. Dias (2013). Quanto à sociedade civil, vale lembrar a Frente Nacional de Luta por Políticas Democráticas de Comunicação criada, dentre outros, pela FENAJ, ABI, FAMERJ, ABEPEC e CEC, em julho de 1984.
4. Embora possam ser considerados “avanços” a Lei 12.485/2011 (Lei da TV paga), a Lei 12.527/2011 (Lei de acesso à informação); a Lei 12.965/2014 (Marco Civil da Internet); e a Lei 13.188/2015 (Direito de resposta), nenhuma delas, todavia, altera a estrutura de funcionamento do mercado de radiodifusão.
5. O poder dos monopólios é uma das contradições neoliberais. Harvey (p. 77) comenta que “a competição costuma resultar no monopólio ou no oligopólio à medida que empresas mais fortes vão expulsando do mercado empresas mais fracas. A maioria dos teóricos neoliberais considera que não há nisso nenhum problema (dizem que deveria maximizar a eficiência), desde que não haja barreiras que impeçam o ingresso de competidores (condição de modo geral de difícil realização e que o Estado tem por conseguinte que alimentar).”
No campo da comunicação há autores que defendem a “propriedade cruzada” – passo inicial para constituição de oligopólios e/ou monopólios – em nome da preservação do “jornalismo investigativo”. Sorj (p. 10), por exemplo afirma: “Uma línea de defesa a favor de permitir certo nível de control transversal de vários medios (periódicos, televisión y/o sistemas de comunicación) por la misma empresa, es que las ganancias de um sector posibilitan el financiamento del sector periodístico. Cremos que es um argumento valido, mantenidas las proporciones debidas”.
Para uma discussão sobre a situação no Brasil cf. Lima e Araújo (2015).
6. Sobre o princípio da complementaridade ver Lima (2015a).
7. Em 2013 escrevi um longo e detalhado texto respondendo a essa pergunta a pedido de Emir Sader. Naquela época, no entanto, não tinha a real dimensão do obstáculo neoliberal. Cf. Lima (2013).
8. Para uma perspectiva histórica das diferentes matrizes do republicanismo democrático cf. Bignotto (2013).
9. Houve uma intensa disputa no processo constituinte de 1987/88 em torno da natureza “cidadã” da Constituição Federal de 1988. Essa disputa foi ainda maior no que se refere às normas e princípios relativos à comunicação social. Tanto assim que a única comissão temática que não conseguiu aprovar um relatório final foi exatamente aquela da qual constava esse tema. Cf. Lima (2015b). Vale ainda registrar que o PSDB – que se tornaria um dos partidos líderes do projeto neoliberal brasileiro – foi fundado durante o processo constituinte, em junho de 1988.
10. No interesse do argumento que desenvolvo, oferecerei uma resposta reconhecidamente parcial à questão proposta. No correr do texto, todavia, remeterei a referencias que poderão complementar as características abordadas.
11. As traduções de textos citados em sua versão original na língua inglesa foram feitos livremente pelo Autor.
12. A Comissão Trilateral foi fundada por David Rockefeller em 1973 e reúne membros selecionados da elite política e econômica mundial oriundos dos EUA, da Europa e do Japão, daí seu nome.
13. Para Wendy Brown, a governamentabilidade neoliberal – um conceito introduzido por Michel Foucault – inclui “o conjunto de técnicas de governo que ultrapassam a estrita ação do Estado e orquestram a forma como os sujeitos se conduzem por si mesmos”. Citada em Dardot e Laval, p. 378.
14. Citado em Dardot e Laval, p. 184, nota de rodapé nº 101.
15. O teólogo coreano/brasileiro Jung Mo Sung tem estudado as relações entre neoliberalismo e religião inclusive a “teologia da culpa”. Cf. Carlotti (5/7/2016).
16. Cf., por exemplo, Costa (2008).
17. Cf., dentre outros, José (2015), Carvalho (2014), Fonseca (2005), Fonseca (2011) e Souza (2016).
18. Há pequenas alterações de texto nesta citação comparada com a versão original.
19. Cf. a Medida Provisória 744 de 1º de setembro de 2016 que elimina o Conselho Curador e, portanto, extingue o caráter público da EBC.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BROWN, Wendy. Undoing the Demos, Neoliberalism stealth’s revolution; New York, Zone Books; 2016.
BIGNOTTO, Newton (org.). Matrizes do Republicanismo. Belo Horizonte, Editora UFMG; 2013.
CARLOTTI, Tatiana. “O ‘Deus Mercado’ e a religião capitalista, segundo Jung Mo Sung”, in Carta Maior, 5/7/2016. Disponível em http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-Deus-Mercado-e-a-religiao-capitalista-segundo-Jung-Mo-Sung/4/36390 (acesso em agosto de 2016).
CARVALHO, Aloysio C. de. “Imprensa e Opinião Pública no Brasil: uma retrospectiva histórica” in LIMA, Venício A. de, GUIMARÃES, J., AMORIM, A. P. (orgs.). Em Defesa de uma Opinião Pública Democrática – Conceitos, entraves e desafios; São Paulo, Paulus; 2014.
COSTA, Emília Viotti da. “Liberalismo: Teoria e Prática”, in idem, Da Monarquia à República – Momentos Decisivos; São Paulo, Editora UNESP; 8ª. ed., 2008.
DARDOT, Pierre e LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo – Ensaio sobre a Sociedade Neoliberal. São Paulo, Boitempo. 2016.
DIAS, Marco Antonio Rodrigues. UnB e Comunicação nos anos 1970; Brasília, Editora UnB; 2013.
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FONSECA, Francisco. Liberalismo Autoritário – Discurso Liberal e Práxis Autoritária na Imprensa Brasileira; São Paulo, Hucitec, 2011.
HARVEY, David. O Neoliberalismo – História e Implicações; São Paulo, Loyola; 5a. edição, 2014 (original, 2005).
JOSÉ, Emiliano. Intervenção da Imprensa na Política Brasileira; 1954-2014. São Paulo. Editora Fundação Perseu Abramo, 2015.
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LIMA, Venício A. de. “A comunicação na Constituinte de 1987/1988” in idem. Cultura do Silêncio e Democracia no Brasil – Ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015). Brasília, Editora UnB; 2015b.
LIMA, Venício A. de e ARAÚJO, Bráulio S. R. de. “Monopólio ou Oligopólio? Contribuição ao debate” in LIMA, Venício A. de. Cultura do Silêncio e Democracia no Brasil – Ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015). Brasília, Editora UnB; 2015.
MONBIOT, George. “Neoliberalism – the ideology at the root of all our problems” in The Guardian. 15/4/2016. Disponível em https://www.theguardian.com/books/2016/apr/15/neoliberalism-ideology-problem-george-monbiot (acesso em agosto de 2016).
MORAES, Reginaldo C. “A organização das células neoconservadoras de agitprop: o fator subjetivo da contrarrevolução” in VELASCO e CRUZ, Sebastião; KAYSEL, André e CODAS, Gustavo (orgs.).Direita, Volver - O Retorno da Direita e o Ciclo Político Brasileiro. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo; 2015.
ROCHA, Camila. “Direitas em rede: think tanks de direita na América Latina”, in VELASCO e CRUZ, Sebastião; KAYSEL, André e CODAS, Gustavo (orgs.). Direita, Volver - O Retorno da Direita e o Ciclo Político Brasileiro. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo; 2015.
SORJ, Bernardo. Medios de Comunicación y democracia: Más Allá de la Confrontación entre Gobiernos y Empresas. Plataforma Democrática/Konrad Adenauer Stiftung; Working Paper nº 1, Julio de 2011.
SOUZA, Jessé. A Radiografia do Golpe - Entenda como e porque você foi enganado; São Paulo, Editora Leya, 2016.
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Artigo publicado originalmente no site:
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Neoliberalismo-Midia-e-Democracia/4/36847
Criado em 2016-09-21 14:25:04
Exposição de pinturas e desenhos de Leni Vasconcellos na Galeria Matéria Plástica Arte Contemporânea. Abertura dia 19/11, das 19h às 22h, no Condomínio Privê Morada Sul, Rua 23, Casa R 49, Altiplano Leste, Brasília. As obras de Leni ficarão em exposição até o dia 1º de fevereiro de 2020.
A carioca Leni Vasconcellos inicia suas atividades artísticas a partir de 1978, trabalhando como artista gráfica em diversos jornais e revistas brasileiras. Ao mesmo tempo, dedicou-se aos estudos em desenho e pinturas.
Em 1988, Leni mudou-se para a Alemanha onde viveu até 1991. Lá, realizou exposições em Berlim e Schlüschtern, com destaque para o “Kungsttage Kleinsassen”, “Jungend zentrum” e “FreuenKorper”.
Após esse período na Europa, Leni decidiu procurar seus antecedentes culturais na África. Em 1991, foi morar em Camarões, depois em Togo e Benin. Foram treze anos de vivências que resultaram em numerosas obras. Uma parte delas pode ser vista nessa exposição.
Leni (foto, abaixo) conta que do lado de lá do Atlântico fez “uma viagem inversa dos meus irmãos de sangue. Conheci uma África contemporânea cheia de cores, ritmos visuais, matizes e sons das minhas raízes ancestrais”.

“Me entreguei ao registro dessas diversas manifestações artísticas, religiosas, populares, capturadas numa troca intensa de vivências, recebendo, com a generosidade própria daquele povo, a exuberância das suas maneiras de se expressar”, escreve no Leni no folder da exposição.
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Serviço:
Exposição: A boa notícia – Pinturas e desenhos de Leni Vasconcellos
Design gráfico: Luís Jungmann Girafa
Abertura: Dia 19/11, das 19h às 22h.
Temporada: até 1/2/2010.
Local: Galeria Matéria Plástica - Condomínio Privê Morada Sul, Rua 23, Casa R 49, Altiplano Leste, Brasília.
Agendamento de visitas: de 4ª a domingo - pelos telefones: (61) 98127-5728 e (61) 3367-1591.
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Criado em 2019-11-04 14:16:23
Romário Schettino -
Lula pode não ter mais a quase unanimidade que tinha quando terminou o seu segundo mandato como presidente da República, mas continua um líder que agita multidões.
Com o “vigor de um jovem de 30 anos”, como ele se refere a si mesmo aos 71 anos, fez na noite de hoje (12/1) uma retrospectiva dos 12 anos do governo petista e desafiou aqueles que porventura ainda querem impedir sua candidatura, ou, quem sabe, sua vida política no Brasil.
Lula abriu o 33º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília. Auditório cheio e receptivo, à exceção de alguns militantes da central Conlutas, que não vêem nele a liderança de seus sonhos.
A cada frase de Lula contra os golpistas, contra a PEC dos gastos, contra a reforma no ensino médio, palmas e palavras de ordem: “Vai ter luta”.

O discurso tinha endereço certo, afugentar qualquer tentativa de impedi-lo de se candidatar em 2018, ou em 2017, caso a tese da antecipação das eleições ganhe corpo. As sucessivas crises no governo Michel Temer podem levar a isso.
O ex-presidente destacou que no seu governo estava proibido falar em educação como despesa, mas sim investimento. Por isso, triplicou a participação do setor no Orçamento e lamentou a mudança na Lei do Pré-Sal, que destinava 75% dos royalties para a educação.
De todos os retrocessos surgidos após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, atribuído por Lula ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, hoje preso por corrupção, o que mais incomoda Lula é o que vem junto com o ódio das elites brasileiras à inclusão social promovida por seu governo.
Lula acha ultrajante que certos setores da classe média brasileira tenha reclamado que os aeroportos ficaram cheios de pobres, como se fossem rodoviárias; que as universidades estejam cheias de trabalhadores que nunca tiveram chance de estudar. “Todos esses preconceituosos acham que pobre só serve para ser pedreiro. É falso, pobre também pode ser doutor, é só dar a ele essa oportunidade. E nós demos”, afirmou.
Na avaliação internacional, Lula destacou o prestígio do Brasil durante seu governo e todos os avanços sociais que são copiados até hoje em várias partes do mundo.
Nesse tom, do início ao fim, Lula passou a ideia, para centenas de professores que participam do Congresso da CNTE, de que a jararaca está mais viva do que nunca.
Vai para o confronto e espera ganhar, se não as próximas eleições como candidato a presidente da República (as pesquisas até agora são favoráveis a ele), a chance de ser o principal eleitor da chapa que mais se aproximar de suas ideias. A ver.
Criado em 2017-01-13 02:30:03
José Carlos Peliano -
A esquerda, seus grupos e militantes, caíram do cavalo nas últimas eleições municipais no Brasil. E o tombo foi grande e doloroso. A esperança ficou machucada e adiada para quando? Fomos felizes por alguns anos, desde 2002, mas agora o medo volta a rondar pensamentos, palavras e obras.
Mas não há culpa. Nem a máxima culpa. Afinal um rolo compressor jurídico-midiático levou de roldão projetos e programas sociais que trouxeram milhões para a cidadania e vida digna. Mesmo como contribuintes, comensais e produtores do capitalismo brasileiro.
Por que então a queda no galope para um futuro saudável? O que faltou ser feito para evita-la? Será que se pode tirar lições? É possível que sim e é importante que se as tenha para que se possa descobrir o fio da meada. E buscar rearticular novamente o movimento de justiça social e melhoria econômica com redução da desigualdade.
Manoel de Barros, o poeta pantaneiro, dizia que é preciso repetir, repetir, até ficar diferente. Repetir, segundo ele, é o dom do estilo. A esquerda precisa repetir suas ações e atividades que a levaram ao poder no Brasil para se conseguir achar formas diferentes para ficar diferente. Esse o estilo e o dom.
Já Antônio Barros de Castro, saudoso economista da UFRJ, cunhou em livro para conhecimento da história econômica do país o título o capitalismo ainda é aquele. Queria dizer que vão e voltam os anos, os ciclos e os períodos históricos a rota procurada pelo capitalismo é sempre aquela de voo longo, céu de brigadeiro, sem turbulências e pouso suave.
Alcançar esse padrão de voo não é tarefa simples nem a qualquer tempo. Aí entram correções de aeronave, percurso e horários a fim de continuar operando mesmo em condições mais difíceis. A ideia é a de manter cada voo para não prejudicar partidas e chegadas.
Assim, as recorrentes correções de voo são feitas para manter as aeronaves e as rotas. Quando o tempo não ajuda e por período extenso, reduzem-se os voos e os custos de sua manutenção. Funcionários de terra e ar são dispensados até que o sol volte a brilhar. Essa a regra básica e universal do sistema.
Primeira lição, portanto, que se pode tirar: as melhorias no capitalismo em benefício dos mais pobres e necessitados a fim de reduzir a desigualdade social esbarram em limites econômicos dados pelo sistema. Quando elas passam a incomodar empresários, classes sociais mais favorecidas, instâncias do poder político e autoridades das três esferas de governo, começa a haver um movimento de rechaço, intimidação e repúdio dos avanços e conquistas sociais.
Foi o que aconteceu nos dois períodos incompletos de Dilma, consubstanciado em seu impeachment. Tanto que o governo posterior de plantão com a PEC 241 retira vários direitos e conquistas dos trabalhadores, especialmente os mais pobres, nas áreas de saúde, educação, minorias, reforma agrária, moradia, cultura e assistência social, congelando o que restou por vinte anos.
Do mesmo modo, a permissão de acesso ilimitado às jazidas petrolíferas do pré-sal pelas multinacionais, aliada ao esquartejamento da Petrobras com venda de seus retalhos, entrega boa parte da administração da economia aos estrangeiros. O país passa a ser mero entreposto comercial em muitos setores econômicos.
A ideia por trás disso é retirar recursos sociais para serem canalizados ao pagamento de juros da dívida pública, beneficiando aos rentistas, e aos empréstimos de longo prazo para os empresários investirem em seus negócios. O problema dos capitalistas e de seus representantes no governo federal é que eles repetem, repetem, para continuarem iguais. Nunca diferentes. Podem também cair do cavalo e têm tudo para isso agora.
À esquerda cabe, então, ou ampliar seus espaços políticos, sociais e econômicos na sociedade para sedimentar os avanços e conquistas, incluindo apoios e associações com congêneres de outros países, ou radicalizar sua atuação desde os movimentos sociais representativos para consolidar reduções substantivas da desigualdade e funcionamento efetivo da justiça social.
Afinal, o Congresso e o Judiciário devem respeitar a Constituição no que ela tem de cidadã, conforme nos legou Ulisses Guimarães. Um controle social mais efetivo das decisões desses dois poderes vai conferir a máxima do governo do povo, pelo povo e para o povo.
Uma segunda lição a ser tirada decorre da anterior. O movimento social e suas representações devem aumentar e intensificar a participação de seus membros tanto no Congresso quanto nas instâncias jurídicas e midiáticas. Afinal, a luta política, econômica e social deve ser feita com as mesmas armas usadas pela direita. Essa é a regra do jogo para ser jogado.
Uma terceira lição está igualmente vinculada às anteriores. Não pode haver mudança social significativa e perene se não existe uma rede forte, duradoura e renovada de representações e membros das várias manifestações da esquerda. Não cabe manter suas respectivas divisões ideológicas, inegociáveis, quando as situações são de luta, tomada do poder e sua manutenção em benefício da sociedade, especialmente dos mais pobres e necessitados.
Nesse movimento entram as diversas formas de manifestações nos espaços públicos pela reinvindicação de direitos em defesa da democracia, inclusive greves e operações tartaruga. Tudo isso de maneira articulada entre os grupos e partidos de esquerda, sem o predomínio de um sobre o outro, mas de cooperação e participação concretas.
O que não retira o espaço da negociação política tradicional, onde cabem as tentativas de demonstração, defesa e convencimento de ideias, ações e projetos.
Mas essa alternativa não funciona se não funcionar mais ainda a base política de apoio e sustentação de toda a plataforma de esquerda com grupos estudantis, religiosos, de bairros, do campo, profissionais, sindicais, entre tantos outros.
De fato, a esquerda tem de refazer sua base e nunca mais se esquecer dela ou negligencia-la.
Talvez seja tão ou mais importante refazer a base política de apoio e sustentação da esquerda do que voltar a eleger um presidente da república.
Porque esse pode ser substituído nas eleições, mas aquela só tende a crescer, consolidar e influenciar positivamente as instâncias do poder se houver um trabalho intenso, contínuo e progressivo de conscientização política popular.
Uma última lição possível: a esquerda necessita ampliar sua atuação política mais além das redes sociais, as quais têm tido papel relevante nos anos do governo petista.
É preciso que se construa as condições para se ter uma mídia tradicional de esquerda, seja jornal, TV e/ou rádio.
Nem todos têm acesso à internet, daí as bancas de jornais, os aparelhos de televisão e os veículos de voz que ainda de imediato informam ou desinformam dependendo da veia política por trás.
As quatro propostas anteriores são de médio e longo prazos. Agora, para enfrentar as recentes medidas impopulares e antissociais do governo de plantão o cardápio inclui essas próprias medidas.
De outubro até as eleições do ano que vem o tombo na economia brasileira e os efeitos sociais perversos serão inevitáveis.
Há que se aproveitar dessa derrocada para influenciar politicamente as campanhas dos candidatos de esquerda. Esse o maior trunfo da esquerda!
O que não impede manifestações contra as medidas impopulares, os efeitos sociais regressivos e o autoritarismo que toma conta das três esferas de governo.
Aí quaisquer iniciativas são válidas desde que comecem a gerar um consenso maior dos grupos e representações da esquerda. O povo e o futuro irão reconhecer e agradecer.
Essa pode ser a luz no fim do túnel.
Criado em 2016-10-15 05:19:53
Inscrições abertas, gratuitas, até o dia 5 de janeiro de 2020. Veja a ficha de inscrição no site www.filmae.com.br As imagens dos filmes inscritos podem ser captadas por smartphones, tablets ou câmeras de ação.
O Filmaê será realizado no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), em Brasília, de 13 a 15 de março de 2020.
O sonho de produzir um filme e vê-lo exibido numa tela de cinema está mais próximo do que muita gente imagina. E nem precisa gastar muito ou se cercar de grandes equipamentos. Vale a máxima do Cinema Novo: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, sendo que a câmera pode ser mesmo a do celular. Esta é a proposta de Festival de Cinema Filmaê, que em 2020 realizará a sua segunda edição.
Único com essa proposta na América Latina e dedicado à produção nacional, Filmaê inclui mostra competitiva de filmes inéditos, com premiação, oficinas e mostra de filmes internacionais.
Um festival completo, com comissão de seleção, júri oficial, júri popular e premiação em 11 categorias. Em 2018, ano da criação do evento, o festival recebeu 123 inscrições, de realizadores de todos os estados da federação, dos quais 82 foram selecionados e 45 escolhidos como finalistas. Em 2020, a expectativa é de um número ainda maior de inscritos.
Para participar do festival mais democrático do Brasil basta ter um celular, um tablet ou uma câmera de ação (do tipo GoPro, por exemplo). O gênero pode ser ficção, documentário, experimental etc. O importante é que os filmes tenham entre 1 e 15 minutos de duração (contando com os créditos), revelem qualidade narrativa e originalidade de abordagem e sejam apresentados em resolução HD ou superior - no formato widescreen ou na posição vertical.
Podem se inscrever no Filmaê brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil há pelo menos dois anos, sem número limite de filmes por pessoa e sem fixação de idade. Cada título deve ter sido realizado a partir de janeiro de 2016 e é permitido o uso de equipamentos de apoio como microfones externos, lentes adaptáveis, tripés, luzes etc. A edição também pode ser feita em outra plataforma, mas não serão aceitos filmes finalizados por aplicativos de edição automática.

Os filmes inscritos passarão por uma comissão de seleção prévia, encarregada de analisar todo o material que chegar ao site www.filmae.com.br
Serão selecionados mais ou menos 80 títulos, que ficarão em exibição no site do festival. Dessa primeira seleção, a curadoria escolherá cerca de 40 filmes finalistas. Estes filmes serão exibidos no cinema do Espaço Cultural Renato Russo e estarão disponíveis, também, no site para votação. Os mais votados serão encaminhados para a exibição pública e concorrerão aos prêmios do festival.
Premiação
Caberá ao Júri Oficial escolher os melhores filmes em cinco gêneros: Melhor Filme de Ficção, Melhor Filme Documentário, Melhor Videoclipe, Melhor Reportagem Mojo (Jornalismo Cidadão) e Melhor Filme Experimental.
O Júri Oficial ainda elegerá o Melhor Filme Infantojuvenil (de 8 a 12 anos) e Melhor Filme Juvenil (13 a 17 anos) o Melhor Filme de Brasília. Já o Júri Popular será responsável por apontar os vencedores nas categorias técnicas: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Interpretação, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Os vencedores receberão um Troféu Filmaê - a produção pode criar outros prêmios decorrentes de novas parcerias e apoios ainda em negociação.
Filmaê tem coordenação geral de Fernando Campos e produção executiva de Guilherme Pastana e Guilherme Carvalho. Patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC).
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Mais informações e inscrições: www.filmae.com.br
Criado em 2019-10-31 14:21:49
Romário Schettino -
O PT e o PCdoB terão grandes dificuldades para explicar às suas bases por que terão que “esquecer”, ainda que temporariamente, a tese do golpe para apoiar golpistas notórios em troca de posição de destaque nas Mesas da Câmara e do Senado exercendo o cretinismo parlamentar de olho em 2018.
O atual dilema dos deputados e senadores petistas e comunistas nestas eleições para presidente da Câmara é o mesmo de 2015, quando Eduardo Cunha se elegeu e acabou por destruir o governo Dilma Rousseff.
Gravíssimos erros de avaliação dos petistas, especialmente, e falta de visão para mudar o sistema eleitoral no Parlamento foram os responsáveis pela derrota do paulista Arlindo Chinaglia. Naquele momento, Cunha criou o “blocão” para fazer maioria e engoliu o PT e o governo.
Fontes fidedignas dizem que um ex-deputado do PT alertou a presidenta Dilma para o perigo daquela eleição e recebeu como resposta apenas um muxoxo: "Quero ver do que ele [Cunha] será capaz".
Dilma pagou pra ver e perdeu o mandato. Naquela época, o PT avaliou mal e jogou Chinaglia na fogueira, ficou sem nenhum cargo na Mesa Diretora e foi derrotado, humilhado e achincalhado por Cunha.
A resposta do PT veio no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, mas aí já era tarde demais. Cunha abriu o impeachment e a história todos conhecem de cor e salteado.
Depois do golpe parlamentar e a deposição de Dilma, veio a vez de Cunha, mas o caldo já tinha sido entornado. O golpe causou prejuízo para as esquerdas no Brasil, que foi, e continua sendo, imenso e de difícil recuperação.
Da mesma maneira que fez para se eleger para o mandato tampão após a renúncia de Cunha, Rodrigo Maia vem de novo pedir apoio aos petistas e aos comunistas para parecer que é democrático e homem de diálogo.
Os analistas que acompanham de perto o desenrolar das escolhas dos candidatos alertam para o fato de que o sistema eleitoral nas duas Casas está viciado. Troca-troca de cargos, de favores, campanhas milionárias e desgaste imenso e desnecessário quando tudo poderia ser resolvido aplicando o sistema da proporcionalidade das bancadas partidárias, sem criação de blocos, no momento da eleição. Simples assim.
A instituição Câmara dos Deputados não deveria estar a serviço de um único partido, por maior que seja. Muito menos o Senado da República. O mesmo princípio democrático vale para a Presidência da República. Uma vez eleito, o presidente passa a ser de todos os brasileiros, da Nação.
Mas aqui no Brasil tudo gira em torno da governabilidade, do chamado presidencialismo de coalizão. Fórmula também já desgastada e que só gerou prejuízos políticos e econômicos para o país.
O PT conhece bem esse terreno pantanoso, se vai se chafurdar nele sabe o risco que corre.
O PT só não pode errar de novo, como fez a sua bancada na Câmara Legislativa do DF, que escolheu Agaciel Maia e perdeu para Joe Valle.
Resultado: O PT-DF continuou sem espaço na Mesa da CLDF e amarga a pecha de ter apoiado um deputado para lá de suspeito por suas tramas no Senado Federal, quando era servidor de carreira e se meteu nos chamados decretos secretos e outras coisas mais a serviço de José Sarney e seus aliados.
Está na hora de mudar tudo. Falta coragem, ou o quê?
Criado em 2017-01-11 17:56:18
O Museu de Arte do Rio de Janeiro (Praça Mauá) recebe hoje (20/10), das 15h às 16h, no foyer do 5º andar, para uma roda de conversas, Padre Mauro, diretor e curador do Muquifu – Museus dos Quilombos e Favelas Urbanos.
Padre Mauro vai apresentar os diversos olhares sobre a história oficial de Belo Horizonte. Antes, das 10h às 12h, no Mirante, ele vai ativar o Muquifoca, um museu ambulante, montado em um carrinho de pipoca, onde histórias, memórias, livros e objetos do acervo do Muquifu são levados ao público.
O Muquifoca é também uma pequena biblioteca que pode receber doações de livros. Assim, o acervo do Muquifu vai além da sua sede, no bairro de Santo Antônio, em Belo Horizonte. A ideia é que ele desperte novos olhares sobre o patrimônio cultural afro-brasileiro e os povos que moram nos quilombos urbanos e nas favelas.
A ativação do Muquifoca de hoje conta com a participação do Padre Mauro Luiz da Silva, Alexsandro Trigger e Maria Rodrigues, além da Oficina Faz de Conta e Me Conta, com Maria Rita Valentim.
Qualquer pessoa que se aproximar do carrinho e participar de alguma das atividades, vai ganhar pipoca de brinde. Entrada gratuita e classificação livre.
Criado em 2019-10-20 03:55:12
Devido à desinformação promovida pela grande mídia, muitas pessoas buscam respostas em meios alternativos para saber qual é a verdadeira face do juiz Sérgio Moro. Para preencher esta lacuna, Emanuel Cancella lança hoje, sexta (6/1), no Rio de Janeiro, o livro “A outra Face de Sérgio Moro”. A sessão de autógrafos será a partir das 18h, no Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), Av. Passos, 34 - Centro – RJ.
Apesar da intimidação que vem sofrendo, o dirigente do Sindipetro-RJ está decidido a levar este projeto adiante e mostrar sua versão muito bem embasada a respeito do midiático juiz que costuma frequentar eventos e festas com predominância de políticos do PSDB, inclusive demonstrando publicamente grande intimidade com alguns que são alvo de diversas denúncias muito bem escondidas pela mídia hegemônica.
Cancella afirma que foi intimado a depor no dia 14 de dezembro, no Ministério Público do Rio de Janeiro, numa clara ameaça à continuidade das minhas críticas ao juiz Moro e à Lava Jato e principalmente para barrar o lançamento do livro.
Ao anunciar o lançamento do livro, Emanuel Cancella escreveu:
“O MPF se calou nas inúmeras publicações de exaltação a Moro: as Organizações Globo deram prêmio ao juiz; o governo estadunidense também premiou o juiz e suas principais revistas, Fortune e Time, exaltaram Moro. Com certeza os EUA premiaram o juiz pelos serviços prestados. E o MPF se calou! Um juiz de primeira instância virou celebridade.
Agora, o juiz Moro e sua força tarefa da Lava Jato tentam barrar a possibilidade de juízes e procuradores serem punidos por crime de responsabilidade. É esse o espírito de justiça de Moro e da Lava Jato? Punir juízes e procuradores e também criticá-los não pode?
A Lava jato poderia afastar os dirigentes corruptos das empreiteiras e manter as empresas funcionando, para não punir os trabalhadores com o desemprego. Isso foi o que os EUA fizeram na quebradeira de 2008. Entretanto a opção de Moro e da Força tarefa foi outra, até porque, contrariando o STF, ficam com os vergonhosos 10% dos valores dos acordos entre o MP e as empreiteiras. Isso pode?
Além de salvaguardar as empresas e punir os dirigentes, em 2008, os EUA injetaram cerca de US$ 16 trilhões de dinheiro público na economia para salvar empresas privadas como a GM e o City Bank e principalmente não derrubar o PIB. Aqui, na conta da Lava Jato, ocorre a morte da engenharia brasileira; cerca de dois milhões de desempregados e algo em torno de 5% de queda do PIB. E o juiz Moro estudou nos EUA?
A mídia já recebeu o convite do lançamento do livro. Claro que jamais publicariam, assim como a todos os artigos do livro foram enviados para a mídia e principalmente o Globo.
Agora você tem a oportunidade de conhecer “A Outra Face de Sérgio Moro” e ajudar os cerca de dois milhões de demitidos, já que a receita dos livros é toda para as vítimas da Lava Jato!”
Criado em 2017-01-06 11:44:20
Para rir, sem parar, nova comédia de Adriana Nunes, Sexo Sem Segredo. Em cartaz no Teatro Sesc Newton Rossi (QNN 27, área especial, lote B – Ceilândia), Brasília, no dia 29 de outubro, terça-feira, às 9h, 15h e às 20h. A entrada é gratuita e não recomendada para menores de 16 anos.
A peça celebra os 35 anos de carreira da atriz que está entre os fundadores da companhia de comédia “Os Melhores do Mundo” e seu reencontro com os diretores Adriano e Fernando Guimarães.
A atriz Adriana Nunes completa três décadas e meia de profissão tendo muito o que comemorar. Desde que descobriu — ou foi descoberta — pelo universo artístico, ela já trabalhou em mais de 40 espetáculos como atriz e se arriscou em diversas funções relacionadas às artes visuais. Apaixonada pelos projetos destinados ao público infantil, lançou vários livros e se dedica a outras produções dirigidas a esse público.
Agora, a atriz retorna aos palcos pela primeira vez sozinha em cena com a peça de comédia Sexo Sem Segredo. Em seu primeiro monólogo, Adriana dará vida à Coach Zinha, uma simpática coaching que tem um programa para esclarecer todas as dúvidas sobre sexo na internet.
Após 23 anos, os irmãos Adriano e Fernando Guimarães e Adriana Nunes comemoram seu reencontro em três apresentações gratuitas para presentear o público da Ceilândia, a maior cidade do Distrito Federal. Em 1996, o trio já havia conquistado o Prêmio Shell na montagem Dorotéia - Uma Farsa Irresponsável, e agora, voltam com tudo.
A partir de uma montagem escrita e encenada por Dora Wainer, o texto foi adaptado pela redatora de humor Paloma Santos e Adriana Nunes, e volta a ser encenado em Brasília abordando tudo sobre sexo, que é um tema universal e pode ser considerado o grande pilar da humanidade. “É um espetáculo multimídia, onde uma coach exotérica e exótica atua esclarecendo dúvidas sobre o sexo na internet. Afinal, quando o assunto é sexo precisamos estar preparados”, destaca Adriana.
Coach Zinha vai mostrar que a informação é a melhor companheira do sexo. Temas como insegurança, diversidade, orientação sexual, gêneros, utilização de acessórios, tabus, tamanho e anatomia dos órgãos sexuais são tratados com humor e carinho por essa carismática personagem.
“A plateia é ainda chamada para participar do espetáculo desde a entrada do foyer, colocando suas dúvidas. Durante a peça, em vários momentos a Coach Zinha vai contar com o público para aumentar sua gama de informação e fomentar a discussão. E nesta comédia, um assunto tão sério, mas tantas vezes banalizado, ganha força ao ser tratado com delicadeza e humor. Como deve ser o sexo”, pontua Nunes.
A mensagem é de que o amor, o desejo, a intimidade e o sexo são forças renovadoras. E o prazer de compartilhar esta experiência com alguém é algo que nos reforça a noção de estarmos vivos. “É a própria expressão da força criadora que nos faz seguir adiante”, frisa a atriz.
Segundo Adriana, que já se prepara para alçar voos maiores e lançar, em 2020, Hermanoteu - O Filme, junto com Os Melhores do Mundo, além de protagonizar o canal Cutículas na internet, sua personagem é uma mistura de várias mulheres que traduzem a mulher contemporânea: uma mistura de mãe batalhadora, pessoa independente, empoderada, feminista e que ainda consegue ser compreensiva e terna tentando se dividir nesses diversos papeis para dar conta do recado.
“Ela vem também mostrar que estamos aprendendo com as novas experiências e que queremos dividir isso para que todos possam se beneficiar. O grande tabu hoje para a mulher é aceitar que não precisamos nos sujeitar a nenhum tabu. Mas não é fácil, porque culturalmente estamos impregnadas por velhos conceitos e culpa”, conclui Nunes.
O espetáculo Sexo Sem Segredo conta com o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Distrito Federal.
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Ficha técnica:
Direção: Adriano Guimarães e Fernando Guimarães
Adaptação de texto: Paloma Santos e Adriana Nunes
Atuação: Adriana Nunes
Cenário e sonoplastia: Marcello Linhos
Iluminação: Moisés Vasconcelos
Produção: Magno Telles e Paula Jacobson
Coordenação de produção e gestão: Cléber Lopes
Assistência de produção: Renata Cardoso
Operação de luz e vídeo: Moisés Vasconcellos
Operação de som e animação em vídeo: Rodrigo Jolee
Cenotecnia: Edésio Araújo
Designer gráfico: Vitor Teles
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Serviço:
Espetáculo: Sexo Sem Segredo, com Adriana Nunes.
Direção: Adriano e Fernando Guimarães
Local: Teatro Sesc Newton Rossi (QNN 27, área especial, lote B - Ceilândia)
Data: 29 de outubro de 2019, terça-feira
Horário: 9h, 15h e 20h
Entrada gratuita
Não recomendado para menores de 16 anos
Agendamento de escolas e informações: (61) 99526-8682
Criado em 2019-10-17 20:24:20
Gizele Benitz -
A Bancada do PT na Câmara dos Deputados conseguiu, após batalha travada no plenário contra a base governista, impedir a aprovação do pacote de maldades que imporia um arrocho salarial, demissão ao funcionalismo público estadual e ainda permitiria a demissão em massa de servidores e o desmonte dos serviços públicos.
Graças à resistência da bancada petista, o plenário da Câmara aprovou o essencial do projeto de lei complementar (PLP 257/16), ou seja, a possibilidade de renegociação das dívidas, mas rejeitou os dispositivos que destruiriam a estrutura dos serviços públicos estaduais.
O líder do PT, Afonso Florence (BA), considerou “uma vitória do povo brasileiro” a aprovação do texto com as mudanças sugeridas pelo Partido dos Trabalhadores.
Florence ressaltou também a tática acertada da bancada – amplamente minoritária na Câmara com apenas 58 de 513 deputados – para que os trabalhadores não fossem prejudicados.
“Houve um recuo do governo, o texto foi alterado e só assim o PT deu apoio para aprovar o projeto. É uma vitória do povo brasileiro e, em particular, do povo gaúcho, mineiro e carioca.
O governo Temer queria como contrapartida para dar uma ‘moratória’ [ampliação do prazo de quitação das dívidas dos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro] demitir servidores, suspender o serviço público, demitir policial civil, militar, médico, professor e privatizar ativos destes estados.
E o PT conseguiu no plenário aprovar a moratória sem estes condicionantes. Foi uma grande vitória do povo e uma derrota para o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer”, enfatizou Florence.
Ainda de acordo com o líder petista, com as mudanças no texto aprovado, “os estados vão poder pagar 13º, o salário do servidor, comprar remédio, manter o SAMU 192 e, também, vão renegociar suas dívidas. Considero que foi a melhor solução e o PT agiu acertadamente ao, em plenário, fazer obstrução para forçar que o governo cedesse e retirasse os condicionantes prejudiciais para os estados. Com isso, garantimos um texto que permite a moratória sem demitir servidor. Votamos em defesa do povo brasileiro, contra o desmonte do estado de bem-estar social e contra o arrocho salarial de todas as categorias do funcionalismo público”.
Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), essa foi a primeira grande derrota do governo Temer. “O governo Temer trabalhou o tempo inteiro para que a renegociação não acontecesse. Mas, nós resistimos, construímos um texto que garante a renegociação para todos os estados sem penalizar os trabalhadores e trabalhadoras e sem estruturar políticas de alienação de bens e patrimônios dos estados. O PT votou com o povo brasileiro”, ressaltou.
Como ficou – Pelo texto aprovado, os estados vão ter as dívidas com a União alongadas por mais 20 anos, com descontos nas parcelas até junho de 2018 e novos indexadores.
O texto também preserva a maior parte dos pontos já aprovados pela Câmara em outubro, como o alongamento das dívidas em troca da aplicação, por dois anos, de limite de gastos públicos vinculado à inflação do ano anterior.
No entanto, foram retiradas as contrapartidas inseridas no Senado, entre elas: aumento de contribuição previdenciária de servidores estaduais, proibição de novos cargos e aumentos salariais, possibilidade de privatização de bens dos estados transferidos para a União como garantia do regime de recuperação fiscal, e autorização para financiamento de programas de demissão voluntária, entre outros.
O texto prevê ainda um regime especial para estados em calamidade financeira: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Esses estados poderão ter as dívidas suspensas por até três anos. O projeto agora segue para sanção presidencial.
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Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados.
Criado em 2016-12-21 01:42:46
João Lanari –
Estamos todos juntos, nessa nova forma de compartilhar o comum e o sensível que é a internet. Em 20 e poucos anos de web, o uso crescente que fazemos dos serviços de “big data”, a presença maciça das ferramentas digitais na produção e difusão do conhecimento, no comércio e na reinvenção das relações afetivas, impuseram-se de forma avassaladora.
A formação da subjetividade política dos jovens que se relacionam digitalmente entre si e com tudo mais aponta para outra dimensão do que entendemos como “vida política”: pela disponibilidade que têm de construir as próprias histórias e vivências, e, portanto, pela facilidade de passar ao largo das narrativas tradicionais — o “um para muitos” — esses novos “sujeitos” da vida política irão gerar em tempo “digital” novas ofertas e demandas, novos consensos e dissensos, novas organizações e dispersões.
A chamada “revolução sem líderes” — ideia que assusta o “establishment” político, dos marxistas ortodoxos aos plutocratas reacionários — é um dos supostos paradoxos gestados nesse novo mundo “instável”, policêntrico e datacêntrico, em que submergimos cada vez mais. Um mundo “instável” sugere uma governança “instável”, proposição ousada, sem dúvida.
Coringa, a mais recente superprodução hollywoodiana, atualiza essa instabilidade escavando – arqueologicamente – uma outra mídia enterrada, história em quadrinhos. A ação se passa no passado, não há celulares ou memórias digitais: só há o boca-a-boca, essa rede social poderosa e perigosa, estimulada pontualmente pela televisão aberta, outra mídia soterrada, que galvaniza a revolta em torno do não-líder excluído e menosprezado, o palhaço Arthur Fleck.
Psicólogos e psiquiatras esmeraram-se em reconstruir o passado médico do personagem-paciente, procuram encontrar uma razão que dê conta de entender esse comportamento, digamos, errático, do “Coringa” que dança como um cisne esquizofrênico. Esse invólucro faz parte da produção, do cálculo da produção, assemelha-se aos ecos reverberativos do discurso televisivo inserido na história. O pacote “saúde mental” chega para nós, espectadores e consumidores culturais, como um aditivo que energiza a fruição que é acompanhar o soerguimento do anjo-torto, filho adotivo de Penny Fleck, amante do mogul Bruce Wayne e psicótica.
A mediação de Murray Abraham (Robert De Niro) é a pá de cal que solapa qualquer expectativa de composição de Arthur com o real. Murray é o puro entretenimento, ou melhor, o capital travestido de entretenimento. A conscientização desse oponente desvela para o Coringa um reino de sensibilidade que havia contaminado a esfera social desde o momento em que ele, maquiado de palhaço, reage e fulmina três empregados de Bruce Wayne que resolveram espanca-lo no metrô.
Não há internet nessa partilha do sensível, mas há o contágio imediato e incontrolável. Os novos sujeitos se tornam conscientes de suas subjetividades, a subversão é irremediável. Só resta a adesão.
Nesse momento e nessa hora, Coringa diz para que veio.
Criado em 2019-10-16 23:13:16
O deputado distrital Joe Valle (PDT) acaba de ser eleito presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal com 12 votos favoráveis. Os outros 12 votos foram par Agaciel Maia (PR). Pelo critério do desempate, previsto no Regimento da Casa, que é dá vitória a quem teve o maior número de votos na última eleição. A disputa agora é pela Comissão permanentes. Celina Leão quer a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Na última eleição Joe Valle obteve 20.352 votos, Agaciel 14.876.
A bancada do Partido dos Trabalhadores, que apoiou Agaciel, ficará, de novo, fora da Mesa da CLDF. Quem ganha é o grupo de Celina Leão (PPS), acusada de corrupção pelo Ministério Público. Pelo suposto acordo, Celina poderá ficar com a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) fez o possível para garantir apoio ao seu candidato, Agaciel Maia. Chegou a oferecer o posto de líder do governo a Rodrigo Delmasso (Podemos), mas foi derrotado.
Robério Negreiros (PSDB), que apoiava Agaciel, mudou o voto e apoiou Joe Valle (PDT) por causa de uma discussão entre ele e Delmasso. A discussão baixou de nível com xingamentos mútuos. A Casa do Espanto faz jus ao apelido.
O deputado Wellington Luiz (PMDB) foi eleito vice-presidente da Casa, com 14 votos na disputa com Ricardo Vale. Sandra Faraj derrotou o presidente em exercício Juarezão na disputa pela 1ª Secretaria. Robério Negreiros e Raimundo Ribeiro foram eleitos sem concorrentes, respectivamente, para Segunda e Terceira secretarias.
Votos em Agaciel Maia:
Agaciel Maia (PR);
Bispo Renato Andrade (PR);
Chico Vigilante (PT);
Israel Batista (PV);
Juarezão (PSB);
Julio Cesar (PRB);
Lira (PHS);
Luzia de Paula (PSB);
Ricardo Vale (PT);
Rodrigo Delmasso (Podemos);
Telma Rufino (PROS);
Wasny de Roure (PT);
Votaram em Joe Valle:
Celina Leão (PPS);
Chico Leite (Rede);
Claudio Abrantes (Rede);
Cristiano Araújo (PSD);
Joe Valle (PDT);
Liliane Roriz (PSB);
Rafael Prudente (PMDB);
Raimundo Ribeiro (PPS);
Reginaldo Veras (PDT);
Robério Negreiros (PSDB);
Sandra Faraj (SD);
Wellington Luiz (PMDB)
Criado em 2016-12-15 18:07:59
Luis Turiba –
A história do Psiu Poético, festival cultural de letras, artes e poesia que acontece esta semana – até o dia 12 de outubro – na cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, na sua 33a edição, lembra um longo poema brasileiro com variados sotaques, estilos, escolas, pulsações e pegadas, construído pelo que há de mais vivo e interessante na poesia brasileira nas últimas décadas.
O poeta Aroldo Pereira, que completou 60 anos no dia 6 de outubro, é responsável por empunhar esta bandeira coordenando dezenas de encontros, debates, apresentações, recitais durante os 10 dias do festival.
Ele destaca que o Psiu “é o maior e mais antigo festival de poesia do Brasil. Apesar de local, é também nacional e transcendental”.
Não foram poucos os poetas aclamados nacionalmente que passaram pela sua arena. Mineiros como Adélia Prado e Adão Ventura; baianos como Waly Salomão e o tropicalista José Carlos Capinam. Veteranos como Thiago de Melo e Jorge Mautner; além dos paulistas Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, dos gaúchos Ricardo Silvestrin, Alexandre Brito e Ronald Carvalho; e os brasilienses Nicolas Behr, Noélia Ribeiro e Luis Turiba, que volta este ano para coordenar debates sobre os rumos da poética brasileiro e lançar seu livro “Desacontecimentos”, 7 Letras, Rio.
Homenageados
Este ano, o nome do evento mudou para “Festival de Arte Contemporânea – Psiu Cinema”. Durante o evento serão homenageados seis nomes da poesia e do cinema nacional: Olívia Ikeda, poeta pernambucana que, atualmente, reside em João Pessoa (PB); João Diniz, poeta, arquiteto e músico; Paulo Henrique Veloso Souto é cineasta, ator, produtor cultural & poeta; Luciana Martins, poeta e escritora maranhense, mestre em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora pela Universidade de São Paulo (USP); Jairo Fará, poeta, cineasta e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). E também a jornalista e poeta paulistana Rosani Abou Adal, editora do jornal “Linguagem Viva”, que comemora 30 anos de existência.
Criado em 2019-10-08 02:07:07
Romário Schettino -
Após a derrocada da gestão Celina Leão (PPS), denunciada pelo Ministério Público e afastada da Presidência da Câmara Legislativa por suspeita de corrupção, é chegada a hora de eleger uma nova Mesa para os próximos dois anos.
O nome preferido do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) é Agaciel Maia (PR), que já conta com apoios para ser viabilizado. A turma de Celina Leão, que se auto-intitula Grupo dos Independentes, lançou Welington Luiz, do PMDB, que tem aprovação do ex-vice-governador Tadeu Filipeli.
O terceiro nome é Joe Vale, do PDT, que já tem 5 votos, inclusive o dele, mas insuficiente para ser eleito.
Nenhuma bancada consegue sozinha eleger ninguém. O Partido dos Trabalhadores, que tem três deputados, Wasny de Roure (líder), Chico Vigilante e Ricardo Vale tende a apoiar Agaciel Maia porque conseguiu o compromisso de incluir Ricardo Vale na vice-presidência. O PT, segundo Wasny, não pretende ficar fora da Mesa desta vez.
A ausência de um petista na direção da CLDF não foi a melhor opção para o partido na avaliação de Wasny de Roure. Agora, o deputado argumenta que para fazer parte de uma Mesa é preciso estar junto de quem tem chances. Agaciel, segundo o líder do PT, apesar de seus problemas pessoais [Agaciel foi exonerado do Senado na época dos chamados decretos secretos de Sarney], tem se comportado com fidelidade tanto no governo Agnelo Queiroz, como no atual.
Wasny considera que politicamente é inviável qualquer aproximação como grupo de Celina Leão. Com Joe Vale a identidade é maior, mas nem o próprio grupo de Vale garante a sua candidatura até o fim.
Portanto, é muito provável que no dia 15 ou 16 de dezembro seja consolidada a presidência da Câmara Legislativa nas mãos de Agaciel Maia, tendo Ricardo Vale na vice-presidência.
Fundo de Apoio à Cultura (FAC) - Também está em discussão a Lei Orgânica da Cultura neste final de ano. A proposta da bancada evangélica, representada pelo deputado distrital Rodrigo Delmasso (PTN), de destinar 10% dos recursos do FAC para as artes evangélicas (gospel) conta com resistência entre os deputados.
Wasny de Roure acha que não cabe reserva de cotas para qualquer tipo de arte. Os artistas evangélicos têm que concorrer em igualdade de condições como todos os outros, de qualquer religião, ou não.
"Se começarmos a destinar cotas, vamos desvirtuar todo o sentido da lei", diz Wasny. Se os evangélicos tiverem uma cota, por que não os católicos, os umbandistas, os espíritas? Essa é a pergunta que se faz diante da tentativa dos deputados evangélicos de reservar recursos do FAC para a música gospel.
A LOC está para ser votada até o dia 16 de dezembro, mas há movimento no sentido de adiar a sua conclusão para a volta do recesso parlamentar em março de 2017.
Criado em 2016-12-12 18:45:17
Aulas de yoga, passeios de barco e apresentações musicais infantis são algumas das atividades gratuitas preparadas para a programação, neste sábado, no Museu do Amanhã do Rio de Janeiro (Praça Mauá), dia 12/10, das 10h às 17h.
De passeios de barco até aula de yoga, o Museu do Amanhã preparou uma série de atividades gratuitas para a criançada aproveitar o Dia das Crianças.
Para quem gosta de explorar as águas da Cidade Maravilhosa, a programação começa às 9h30 com um passeio de barco pela Baía de Guanabara, onde o visitante tem a oportunidade de conhecer toda a rica biodiversidade do local.
Outra opção são os Jogos de Bicicleta, atividade para crianças até 5 anos, que aposta em uma maneira divertida de treinar o equilíbrio e praticar os primeiros exercícios para aprender a pedalar. A atividade é realizada em três horários: 10h30, 11h30 e 14h30.
Às 10h30 e às 14h30 também acontece uma edição especial do Horta Vivência. Neste sábado, voltada para as crianças, a atividade promove um bate-papo sobre consumo consciente e gestão de resíduos adaptada para meninos e meninas, além de uma oficina de plantio com uso de técnicas e princípios sustentáveis. Já as apresentações da Escola Mirim L’Avenir, realizadas às 11h e 13h no átrio do museu, são para toda a família.
Na 4ª roda de conversa sobre mobilidade ativa, o tema será “Pedalando com as crianças”. Realizada às 14h, a atividade promove a troca de experiências e discussões sobre a importância da mobilidade ativa para as crianças. Quem quiser experimentar os benefícios da yoga não pode perder a oportunidade de participar da Yoga para Crianças no Museu, às 15h. A prática tem o objetivo de ajudar a respirar melhor e a aprimorar a percepção e o controle do próprio corpo.
E, às 16h, para encerrar a programação, o museu convida a Equipe de Ginástica Rítmica da Vila Olímpica da Mangueira, que integra o Projeto Instituto Mangueira do Futuro. A equipe apresenta coreografias temáticas, além de um número especial: o Conjuntão Marielles, performance criada a partir do samba-enredo vencedor do Carnaval do Rio de 2019, que homenageia figuras históricas como a vereadora Marielle Franco.
Confira abaixo a programação especial do Dia das Crianças:
Barco na Baía - uma visita pela biodiversidade.
- Um passeio de barco pela Baía de Guanabara para conhecer sua biodiversidade
- Horário: Credenciamento: 09h / Saída do Barco: 9h30
- Ponto de encontro: Entrada Principal do Museu do Amanhã
- Inscrições no site: https://museudoamanha.org.br
-Duração do passeio: 1 hora
Classificação indicativa: Livre.
Atividade gratuita; necessita inscrição antecipada, pois é sujeita à lotação.
Horta Vivência: especial Dia das Crianças
- Um encontro para refletir sobre práticas de consumo consciente e de uma alimentação mais saudável, aprender técnicas e meios sustentáveis para produção de alguns de nossos próprios alimentos e pensar na origem e destino de alguns produtos industrializados
- Horários: 10h30 às 12h; 14h30 às 16h
- Local: Exposição temporária Prato do mundo – Comida para 10 bilhões + área externa Horta do Amanhã
- Inscrições no site: https://museudoamanha.org.br
- Classificação indicativa: A partir de 7 anos
- Atividade gratuita, necessita inscrição antecipada, pois é sujeita à lotação.
Jogos de Bicicleta
- Os Jogos de Bicicleta são uma maneira divertida de treinar o equilíbrio e praticar os primeiros exercícios para aprender a pedalar. Crianças até 5 anos participam, junto com seus amigos e familiares, de divertidas brincadeiras que fortalecem a confiança na condução da bicicleta. Passando por túneis de pano, desviando de cones ou capturando bolhas de sabão, as brincadeiras ajudam as crianças a se acostumarem com suas bicicletas. Os jogos também colaboram no desenvolvimento sensorial, uma vez que elas experimentam o mundo e aprendem por meio do corpo em movimento.
- Horários: 10h30 às 11h // 11h30 às 12h // 14h30 às 15h
- Local: Átrio do Museu do Amanhã
- Classificação indicativa: Crianças até 5 anos
- Atividade gratuita
- Não é preciso realizar inscrições antecipadas, mas a atividade é sujeita à lotação.
Escola de Samba Mirim L’Avenir
- As integrantes da Escola de Samba Mirim L’Avenir, iniciativa de responsabilidade social do Projeto L’Avenir, localizado em Benfica, no Rio de Janeiro, se apresentam com repertório de clássicos da música brasileira: bateria, passistas e casal de porta bandeira mirins levam a alegria do samba para o público.
- Horários: 11h às 11h30 e das 13h às 13h30.
- Local: Átrio do Museu
- Classificação indicativa: Livre
- Atividade gratuita
- Não é preciso realizar inscrições, mas és sujeita à lotação.
Roda de Conversa sobre Mobilidade Ativa: Pedalando com as crianças
- A 4ª roda de conversa sobre mobilidade ativa com o tema: “Pedalando com as crianças” é um espaço de troca de experiências e discussões sobre a importância da mobilidade ativa para as crianças a fim de combater o sedentarismo e a obesidade na primeira infância.
- Horários: 14h às 16h
- Local: Terreiro de Curiosidades
- Classificação indicativa: Livre
- Atividade gratuita; necessita inscrição antecipada, sujeita à lotação.
Yoga para crianças no Museu
- O Programa Amigos do Amanhã-NOZ realiza uma edição especial da Yoga no Museu voltada para a criançada. Ministrada pela professora de yoga Gunatiita - iniciada em meditação pelos monges de Ananda Marga, fundadora da organização UNA Meditação e idealizadora do Rio Desperta - a prática tem o objetivo de ajudar as crianças a respirar melhor e a aprimorar a percepção e o controle do próprio corpo.
- Horário: 15h
- Local: Observatório
- Duração: 1 hora
- Inscrições no site: https://museudoamanha.org.br
- Classificação indicativa: Crianças acima de 4 anos
- Atividade gratuita, mas necessita inscrição antecipada, sujeita à lotação
Equipe de Ginástica Rítmica da Vila Olímpica Da Mangueira
- Apresentação da Equipe de Ginástica Rítmica da Vila Olímpica da Mangueira, que integra o Projeto Instituto Mangueira do Futuro. Coordenada pela professora Guta Buarque, a equipe é composta por crianças e adolescentes, entre seis e 18 anos de idade, e apresenta coreografias temáticas, além de um número especial: o Conjuntão Marielles, performance criada a partir do samba-enredo vencedor do Carnaval do Rio de 2019, que homenageia figuras históricas como a vereadora Marielle Franco.
- Horário: das 16h às 16h30
- Local: Átrio do Museu
- Classificação indicativa: Livre
- Atividade gratuita e não é necessário realizar inscrições prévias.
Criado em 2019-10-10 11:36:07
O senador Lindbergh Farias, em nota pública, questiona a inclusão de seu nome no vazamento das delações de funcionário da Odebrecht. Segundo ele, "em vinte anos de vida pública, não tem vinculação com esses desmandos", e sua vida em política "é parte de um projeto e não um negócio para enriquecer ou conquistar privilégios".
Lindbergh já passou por constrangimento semelhante, há pouco tempo, e a Polícia Federal arquivou o processo por ser a denúncia falsa. Diz que não vai se acovardar, e continuará denunciando as falcatruas e desmandos do atual governo.
Leia a nota na íntegra:
"Nota pública: em defesa da verdade.
Política, pra mim, é um instrumento de mudança da vida das pessoas. Sempre a fiz neste sentido; desde o início da minha militância, no movimento estudantil, passando pelos meus dois mandatos como deputado federal, as duas gestões como prefeito de Nova Iguaçu e meu atual mandato de senador.
São mais de vinte anos de vida pública; não possuo aplicações financeiras, patrimônio acumulado, vivo única e exclusivamente do meu salário e moro com a minha família em um apartamento alugado. Política, para mim, não é um negócio, não é para enriquecer nem conquistar privilégios.
É com surpresa, portanto, que tomei conhecimento hoje de uma suposta delação envolvendo o meu nome. Desconheço a delação citada; não tenho, portanto, como responder algo que não é de meu conhecimento.
Acho um absurdo ver meu nome ao lado de figuras da política que protagonizaram escândalos envolvendo apartamentos de luxo, denúncias de corrupção e enriquecimento pessoal. Nunca vendi minhas posições; minha trajetória é na luta em defesa dos direitos do povo trabalhador, e nunca permiti interferências privadas nas batalhas que travei. Sempre defendi minhas opiniões com transparência e convicção.
Recentemente, a Polícia Federal solicitou o arquivamento de uma investigação aberta por motivo semelhante.
Passei pelo constrangimento de ter meu nome citado, mas a apuração dos fatos concluiu o óbvio: a denúncia era falsa. Novamente, nada encontrarão porque nada há. Da minha parte, não tenho o que temer.
Como candidato, busquei ajuda do meu partido, de apoiadores e de empresas, sempre respeitando a legislação vigente. Todas as minhas campanhas tiveram suas contas aprovadas.
As notícias divulgadas jogam todos os políticos na mesma vala; não há separação entre quem buscou doações legais de campanha e quem está atolado até o pescoço em acordos espúrios, propinas, venda de voto, lobbies privados. Este ambiente de criminalização da política, definitivamente, não serve à democracia.
Estou com a consciência tranquila. Continuarei firme na minha luta contra esse governo golpista, contra a retirada de direitos dos trabalhadores e em defesa da democracia.
Não vou me esconder da luta e nem me acovardar diante de mais uma injustiça. Isto só me deixa mais forte e convicto. Seguirei denunciando os escândalos de Temer e companhia, a seletividade das investigações e os arbítrios do Estado de Exceção.
Senador Lindbergh Farias".
Criado em 2016-12-12 18:36:01