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Luis Turiba –
há uma tristeza mundana
estampada no marcado
rosto rastros de Caetano
logo ele que é irmano
feito de fibras bahianas
& bons temperos cubanos
as feições envelhecidas
uma lágrima contida
quase choro, meio raiva
meio prece, uma vida
denunciam uma dor triste
do crime contra indígenas
em plena selva amazônica
tristeza pra lá de triste
deste soteropolitano
wajãpis wajãpis wajãpis
com suas roupas laranjas
e seus desenhos marcantes
pintam o corpo a urucum
arte gráfica kusiwa
patrimônio de belezas
inocentes & verdejantes
estão sendo atacados
por garimpeiros armados
wajãpis wajãpis wajãpis
cobiças e armas pesadas
querem levar o teu ouro
surrupiar tuas almas
Caetano pede indignado
ação das autoridades
para evitar o massacre
que já está anunciado
o cacique foi finado
wajãpis wajãpis wajãpis
malditas autoridades
não querem saber de nada
o ouro o gado a madeira
precisam ser explorados
assim quer o Pai mercado
"onde quer que você esteja
em marte ou eldorado"
dias dias dias dias
Caetano cantou um dia
Alegria Alegria agora
sua dor amazônica
tristeza não vai embora
desta alma que ora chora
tristeza nossa senhora
Criado em 2019-08-06 23:15:18
O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, deputado Padre João (PT-MG) entrou com representação na Procuradoria Geral da República contra os atos de censura praticada por policiais em estádios durante os Jogos Olímpicos Rio 216.
Torcedores estão sendo arrancados dos estádios porque portam camisetas, cartazes ou simplesmente gritam "Fora,Temer!". Segundo o deputado, “essa é mais uma violação dos direitos do povo brasileiro”.
Eis a íntegra da nota oficial Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados:
“O Comitê Olímpico Internacional não pode decidir as condições de acesso e permanência nas arenas dos jogos.
Quem o define é a Lei, e o COI deve obedecê-la. Nem o Comitê nem as polícias são poderes paralelos acima da legislação brasileira.
A Lei Geral das Olimpíadas, em seu artigo 28, proíbe “ostentação de cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, de caráter racista ou xenófobo ou que estimulem outras formas de discriminação”.
As placas “Fora Temer”, de teor político reivindicatório, não se enquadram de forma alguma nessas características. A lei veda também “bandeiras para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável”. Cartazes de papel e camisetas não são bandeiras e, portanto, também não estão vedados.
Além disso, a Lei proíbe, como manifestação oral, apenas “xingamentos ou cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos”. “Fora Temer” é um protesto sem essas características e, portanto, pode ser entoado nos espaços oficiais.
Demais expressões de cunho político também são permitidas, desde que sem teor discriminatório ou violador da dignidade humana, por exemplo.
Os interesses das “empresas que compram direitos e investem muito dinheiro para ter sua imagem associada aos Jogos"– motivo alegado diretor de Comunicações das Olimpíadas, segundo a imprensa, para proibirem-se manifestações nas arenas – não estão acima dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição de 1988, como o direito à liberdade de expressão.
A ação das polícias na segurança dos jogos, assim como a orientação do COI divulgada pela imprensa, é ilícita, arbitrária e violadora dos direitos humanos. Informo que solicitarei ao Ministério Público a adoção das medidas para coibir e punir o abuso de autoridade e a ação ilegal.
Deputado Padre João
Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados”.
Criado em 2016-08-08 18:20:15
Neste domingo, dia 11/8, às 16h, o Museu de Arte do Rio (MAR) – na Praça Mauá – apresenta a performance acrobática dirigida por Renato Linhares: Mão – Translação da Casa pela Paisagem.
A intervenção traz ao público a elaboração, ao vivo, de uma estrutura de 8 metros de altura, feita de ferro e madeira. Movimentos que remetem a uma construção, como aparafusar, carregar e encaixar, se misturam aos equilíbrios em pêndulo e às escorregadas arriscadas em uma enorme rampa de madeira durante a edificação. No meio de fumaças coloridas os artistas se deslocam e, no final, é deixada no centro uma escultura coberta por uma grande lona, que se transforma em um circo.
Esta é a segunda vez que o espetáculo será realizado no MAR. No dia 30 de junho o grupo encantou crianças e adultos com duas performances nos pilotis do museu.
MÃO – Translação da Casa pela Paisagem leva para as ruas uma reflexão sobre a construção da (mão de-)obra pública. Um mergulho metafísico no universo das montagens e construções de estruturas urbanas é a proposta central de “MÃO”, que estreou no dia 16 de abril de 2019 no Parque Madureira.
A intervenção tem direção de Renato Linhares, atuação dos intérpretes/construtores Adelly Costantini, Camila Moura, Carolina Cony, Daniel Elias, Daniel Poittevin, Fábio Freitas, e do multi-instrumentista Ricardo Dias Gomes.
Tendo como ponto de partida criar uma intervenção urbana, a performance acontece desde o momento em que os sete artistas invadem a praça em um carro/frete/sonoro, levando aos espectadores que estiverem passando as inúmeras formas de expressão que existem no toque, na ação do construtor, no simples deslocamento de ferros, porcas e parafusos.
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Ficha técnica:
Espetáculo: Mão – Translação da Casa pela Paisagem.
Direção: Renato Linhares
Atores: Adelly Costantini, Camila Moura, Carolina Cony, Daniel Elias, Daniel Poittevin, Fábio Freitas e Marcelo Callado.
Direção técnica: Daniel Elias
Cenografia: Estúdio Chão/ Adriano Carneiro de Mendonça e Antonio Pedro Coutinho
Desenho original da estrutura: Keller Veiga
Música: Ricardo Dias Gomes
Fotos: Renato Mangolin
Direção de Produção: Adelly Costantini
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Serviço:
Espetáculo: Mão – Translação da Casa pela Paisagem.
Local: Museu de Arte do Rio – MAR – Centro do Rio - Praça Mauá
Horário: Domingo, 11 de agosto, às 16h
Entrada gratuita
Classificação livre
Criado em 2019-08-06 15:42:09
O juiz federal João Augusto Carneiro Araújo concedeu ontem (8/8), em regime de plantão, liminar determinando que o estado e o Comitê Olímpico Rio-2016 se abstenham de impedir manifestações pacíficas de cunho político nos locais oficiais dos Jogos Olímpicos. A decisão cita como exemplos a exibição de cartazes e camisetas com mensagens do tipo “Fora, Temer!”.
O pedido de liminar foi feito pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio e a determinação impõe multa de R$ 10 mil para cada pessoa que descumpri-la.
Um voluntário chegou a postar protesto no Facebook dizendo que deixava as Olimpíadas em protesto contra proibição das manifestações.
A inconstitucional interpretação da Lei das Olimpíadas estava sendo praticada contra os frequentadores dos estádios, numa clara demonstração de intolerância com a opinião divergente, o que contraria o artigo 5º da Constituição.
Criado em 2016-08-09 12:04:40
WC - Uma tragédia indigna – Estreia amanhã, sábado (10/8), às 20h. Local: Teatro da Casa dos Quatro - SCLRN 708, BL F, Loja 42 (rua das oficinas, atrás do restaurante Xique-Xique) - Asa Norte, Brasília. Temporada em agosto, aos sábados e domingos, sempre às 20h.
Wagner Cardoso, também conhecido como WC, filho e neto de políticos poderosos, perdeu a sua mochila. Está tenso, desesperado. Volta ao banheiro da Câmara dos Deputados, tarde da noite, à procura de sua preciosa bagagem. Encontra Ubiratã Lima, o faxineiro. E é aí, nesse cenário de vasos sanitários e papéis higiênicos, que se desenrola a trama da peça WC, escrita e dirigida por Alexandre Ribondi.
Marcelo Pelucio faz as vezes de Ubiratã, o "agente sanitário" (é assim que ele se define profissionalmente), o homem que sabe mais do que aparenta ou quer mostrar. Fernando Oliveira é o deputado jovem, bonitão, sorridente e canalha.
A Casa dos Quatro fez uma campanha de financiamento coletivo pela internet e conseguiu arrecadar recursos para a montagem.
Para o ator Marcelo Pelucio, esse esforço não chega a ser uma novidade. Segundo suas próprias palavras, “viver na arte, pela arte e para a arte não é apenas uma questão de resistir. Trata-se de uma necessidade de existir, de respirar”. Mas ele tem consciência que “a sociedade reforça cotidianamente que somos os marginais, os vagabundos, os encostados”.
Fernando Oliveira acredita que “é estratégico para a manutenção das relações de poder que os excluídos permaneçam apagados onde estão. E a suspensão do FAC é mais um golpe baixo dessa estratégia”.
WC tem estreia marcada para 10 de agosto de 2019, na Casa dos 4, um espaço cultural independente na Asa Norte. Resistência? Necessidade? A personagem Ubiratã explica: "Estamos aqui pra limpar a merda que vocês fazem".
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Ficha Técnica:
Peça: WC - Uma tragédia indigna
Texto e direção: Alexandre Ribondi
Elenco: Marcelo Pelucio e Fernando Oliveira
Produção: Luísa de Marillac
Produção Executiva: Rui Miranda
Assistência de direção: Josias Silva
Serviço:
WC - Uma tragédia indigna
Estreia: 10/8
Temporada: Em agosto, aos sábados e domingos, sempre às 20h.
Local: Teatro da Casa dos Quatro - SCLRN 708, BL F, Loja 42 (rua das oficinas, atrás do restaurante Xique-Xique) - Asa Norte
Telefones: (61) 32632167 / (61) 982150302
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: R$ 40.
Antecipado no https://www.sympla.com.br/wc__582287 - R$ 15.
Criado em 2019-08-01 20:53:12
Marcos Doniseti (*) -
A classe média brasileira mais abastada apoiou, em grande parte, o Golpe de 64 contra o governo democrático de Jango, que era visto por ela como sendo “comunista e corrupto”.
Depois do golpe vitorioso, o governo Castello Branco (tendo Octávio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos no comando da economia) adotou uma política econômica neoliberal que a empobreceu rapidamente.
Tal política foi caracterizada por arrocho salarial, aumento de impostos, corte de gastos públicos, privatizações e desnacionalização da economia.
O resultado foi uma forte recessão econômica, que aumentou a concentração de renda, as desigualdades sociais, a pobreza e a miséria no país.
E esse processo atingiu em cheio, também, a classe média da época.
Qualquer semelhança entre a política econômica neoliberal de Bulhões/Campos com essa que Temer/Serra estão defendendo não é mera coincidência.
Daí, a classe média, sentindo-se traída pela ditadura militar, a cuja instalação ela apoiou entusiasticamente (inclusive na repressão que a mesma desencadeou contras as forças de esquerda) passou a apoiar as manifestações estudantis de 1968.
A ditadura militar ainda pôde contar com um cenário econômico mundial bastante favorável, naquele momento, no qual as maiores economias do mundo cresciam rapidamente (EUA, Alemanha, Japão, França etc), já que somente com o 'choque do petróleo', de outubro de 1973, é que a crise atingiu ao Brasil com força.
No período 1968-1973, o mundo viveu um período de bonança econômica e que a Ditadura Militar, no governo Costa e Silva, e já com Delfim Netto comandando a economia do país, tirou proveito, atraindo muito dinheiro estrangeiro para o país, aproveitando-se do excesso de capital.
E tal capital estrangeiro se beneficiou, também, com a política de arrocho salarial adotada a partir do governo Castello Branco (1964-1967), que barateou significativamente o custo da força de trabalho brasileira.
A oferta abundante de crédito externo e interno, bem como os incentivos fiscais e os estímulos para as exportações que foram dados pela ditadura militar, completaram o pacote econômico que gerou o chamado "milagre brasileiro" (1968-1973).
A censura à imprensa foi total durante muitos anos no Brasil. E a tortura foi institucionalizada, sendo empregada em larga escala contra dezenas de milhares de pessoas.
Neste período do 'milagre brasileiro', o país cresceu muito, sim, mas também tivemos um forte aumento da concentração de renda e das desigualdades sociais, visto que a política econômica visava beneficiar, no máximo, 30% da população.
A classe trabalhadora, naquele momento, foi imensamente prejudicada, tendo sido fortemente explorada pelo grande capital nacional e internacional, que foram os maiores beneficiados por tal modelo econômico.
Mas o 'choque do petróleo' e a recessão econômica mundial que se seguiu ao mesmo acabou por inviabilizar a continuidade do tal 'milagre' e o rápido aumento da inflação, a partir de 1974, corroeram as bases desse crescimento, que decaiu bastante a partir deste ano.
E como os salários não acompanhavam a inflação, que aumentava a cada ano (chegando a 220% ao ano no último ano da ditadura militar, que foi 1984), tivemos um grande aumento da pobreza e da miséria no Brasil entre 1974-1984.
E a crescente insatisfação popular com tal cenário econômico ruim acabou desembocando em vários movimentos expressivos, como os da carestia, da anistia e, finalmente, o das diretas-já.
E agora, em 2015-2016, essa mesma classe média mais endinheirada sai às ruas do país exigindo a queda da presidenta Dilma (contra a qual não há nenhuma acusação ou denúncia formal) e faz isso usando um discurso semelhante ao de 1964, voltado para os temas do combate à 'corrupção e ao comunismo', embora o primeiro tema seja muito mais explorado, por ser mais popular neste momento.
E o plano econômico que um eventual governo pós-golpe, comandado pelo PSDB-PMDB, irá adotar também será fortemente neoliberal, possuindo características semelhantes, em tudo, ao que a dupla Bulhões-Campos implementou em 1964-1967 e que empobreceu bastante os trabalhadores assalariados e a classe média.
A diferença é que, agora, o cenário econômico mundial é horroroso. O comércio internacional estagnou e as maiores economias mundiais crescem pouco (caso da UE, Japão etc) ou estão desacelerando (EUA, China) ou ainda estão em recessão (caso da América Latina).
Logo, não há um cenário econômico mundial que possa, por exemplo, colaborar no processo de retomada do crescimento econômico, por mais estímulos que o grande capital venha a oferecer a um eventual governo liderado pela aliança entre PMDB-PSDB.
Tal plano irá empobrecer os trabalhadores assalariados e a classe média, a mesma que, agora, sai às ruas apoiando o golpe de estado contra Dilma.
Daqui a alguns anos esta mesma classe média estará protestando contra aqueles que a empobreceram.
É tudo tão previsível...
_________
(*) Esse artigo do Marcos Doniseti foi publicado originalmente no blog Guerrilheiro do Anoitecer:
http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2016/03/a-classe-media-apoia-um-golpe-de-estado.html
Criado em 2016-08-13 13:04:49
O novo livro de José Carlos Peliano, A Casa Voadora, conta a história do ratinho Cacá, seu desejo e tentativas de voar, a princípio desastrosas, mas aos poucos encantadoras e contagiantes. Ele desafia os objetos da casa despertando neles a vontade de também voar, deixando de vez suas funções e lugares convencionais.
Contada em versos, a história cria uma dinâmica de rima e linguagem poética, ilustrada por colagens que brincam na página num jogo gráfico. Textos e imagens geram movimentos lúdicos alegres e divertidos para todas as idades. A viagem pela leitura nos convida a rever nossa relação com os objetos através de soluções imaginárias e imprevisíveis e assim repensar o espaço da nossa própria casa e até mesmo o nosso lugar no mundo. Surge daí uma provocação libertária que alimenta o desejo de reinventar a vida. A história é contada pelo pai, José Carlos Peliano, e ilustrada por sua filha, Adriana Peliano. Uma conjunção familiar que abriu um portal de fantasia, cores e criatividade no reino sem fim do mundo infanto-juvenil. Mundo esse que ainda habita os adultos.
Este é o primeiro livro do poeta e escritor, José Carlos Peliano, para o público infanto-juvenil. Seu outro romance Degrau por degrau foi para o público adulto. Tem quatro livros de poesia publicados, Passagem de Nível, A Faca no Ar, Dois Oceanos e Os Pireneus e os Outros Eus, e poemas reproduzidos em antologias; dois concursos ganhos (com Vadândora, este inédito, e Dois Oceanos), dois outros livros inéditos com menções honrosas (Águas Emendadas e Tetraedro), e um poema premiado, A Faca no Ar, além de outras obras não publicadas de poesia. Tem um blog de poesia, www.janeladepoemas.blogspot.com, e um espaço de poemas no Instagram, #poemativo.
Adriana Peliano, é artista, designer e ilustradora, suas colagens e assemblagens são portais para mundos mágicos e metamorfoses em múltiplas artes e linguagens. Desde criança viaja com Alice no País das Maravilhas até que em 2009 funda a Sociedade Lewis Carroll do Brasil, que se desdobrou numa série de atividades lúdicas, produções artísticas e eventos culturais. Recebeu dois prêmios Jabutis que moram em sua estante com o Gato que ri e o Chapeleiro Maluco.
Mônica Meyer, professora doutora em educação pela UFMG e escritora de obras infanto-juvenis, em seu prefácio: “Sem economizar nas ideias e palavras, os autores, pai e filha, soltam a imaginação em versos rimados. José Carlos percorre os lugares da casa do teto ao chão por onde circula, acompanhado de Cacá, e descreve poeticamente o aprendizado de voar dos moradores. Adriana segue o percurso e com a ilustração dá novos ares para a geladeira, cama, mesa, faqueiro e fogão. Acorda o mundo fantástico desses moradores de plantão”. Convida o leitor ao final a “entrar nesta casa divertida que voa sem tufão”.
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Serviço:
Livro: A Casa Voadora
Lançamento: 24/8, sábado, das 10h às 13h
Local: Ernesto Café da 108 Norte, bloco A.
Para as crianças presentes haverá apresentação da contadora de histórias Adriana Bertolucci, graduada em Letras pela UnB.
Criado em 2019-08-01 20:46:13
Em mensagem aos brasileiros, senadores e senadoras, hoje (16/8), a presidenta Dilma Rousseff pede que não seja feita uma injustiça. “Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo”.
Ao falar à imprensa no Palácio da Alvorada, Dilma leu o documento que fala em golpe, destaca a necessidade de fortalecimento da democracia brasileira e de evitar um impeachment sem crime de responsabilidade.
Além disso, a presidenta Dilma reafirmou o compromisso com o plebiscito para consulta à população sobre a antecipação da eleição e para a reforma política.
“Se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. […] Entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um pacto pela unidade nacional, o desenvolvimento e a justiça social”, afirmou Dilma.
Leia a íntegra da carta de Dilma aos senadores e à nação:
"Ao Senado Federal e ao povo brasileiro.
Brasília, 16 de agosto de 2016.
Dirijo-me à população brasileira e às senhoras senadoras e aos senhores senadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao país.
Meu retorno à Presidência, por decisão do Senado Federal, significará a afirmação do Estado Democrático de Direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política.
Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho.
Precisamos fortalecer a democracia em nosso país e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade. Que eu sou inocente.
No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a desconfiança política para afastar um presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.
Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo "conjunto da obra". Quem afasta o presidente pelo "conjunto da obra" é o povo e, só o povo, nas eleições.
Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de Estado.
O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta.
Ao invés disso, entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social. É o único caminho para sairmos da crise.
Por isso, a importância de assumirmos um claro compromisso com o Plebiscito e pela Reforma Política.
Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes.
Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral.
Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla e profunda reforma política, estabelecendo um novo quadro institucional que supere a fragmentação dos partidos, moralize o financiamento das campanhas eleitorais, fortaleça a fidelidade partidária e dê mais poder aos eleitores.
A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro.
Devemos construir, para tanto, um amplo pacto nacional, baseado em eleições livres e diretas, que envolva todos os cidadãos e cidadãs brasileiros. Um pacto que fortaleça os valores do Estado Democrático de Direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais.
Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do país. O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião.
A transição para esse novo momento democrático exige que seja aberto um amplo diálogo entre todas as forças vivas da Nação Brasileira com a clara consciência de que o que nos une é o Brasil.
Diálogo com o Congresso Nacional, para que, conjunta e responsavelmente, busquemos as melhores soluções para os problemas enfrentados pelo país.
Diálogo com a sociedade e os movimentos sociais, para que as demandas de nossa população sejam plenamente respondidas por políticas consistentes e eficazes.
As forças produtivas, empresários e trabalhadores, devem participar de forma ativa na construção de propostas para a retomada do crescimento e para a elevação da competitividade de nossa economia.
Reafirmo meu compromisso com o respeito integral à Constituição Cidadã de 1988, com destaque aos direitos e garantias individuais e coletivos que nela estão estabelecidos. Nosso lema persistirá sendo "nenhum direito a menos".
As políticas sociais que transformaram a vida de nossa população, assegurando oportunidades para todas as pessoas e valorizando a igualdade e a diversidade deverão ser mantidas e renovadas.
A riqueza e a força de nossa cultura devem ser valorizadas como elemento fundador de nossa nacionalidade.
Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil.
Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o país voltar a crescer e gerar empregos.
Isso é necessário porque, desde o início do meu segundo mandato, medidas, ações e reformas necessárias para o país enfrentar a grave crise econômica foram bloqueadas e as chamadas pautas-bomba foram impostas, sob a lógica irresponsável do "quanto pior, melhor".
Houve um esforço obsessivo para desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos impostos à população.
Podemos superar esse momento e, juntos, buscar o crescimento econômico e a estabilidade, o fortalecimento da soberania nacional e a defesa do pré-sal e de nossas riquezas naturais e minerais.
É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável.
Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade.
Povo brasileiro, senadoras e senadores,
O Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que requer coragem e clareza de propósitos de todos nós. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o país.
Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.
Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Tenho orgulho de dizer que, nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi.
Em nome desses votos e em nome de todo o povo do meu país, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para assegurar a democracia no Brasil.
A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora.
Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.
Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente.
O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.
A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça.
Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes presidenta. Quem deve decidir o futuro do país é o nosso povo.
A democracia há de vencer.
Dilma Rousseff".
Criado em 2016-08-16 21:06:46
O primeiro episódio conta a história do brasileiro-catalão Juan Pratginestós, dono do Restaurante Montserrat, de Pirenópolis (GO). A série Alma D´Chef, criação e direção de Ronaldo Duque, será lançada no dia 1º de agosto, às 20h, no Cine Brasília. A entrada é franca!
O 10º Slow Filme – Festival Internacional de Cinema e Alimentação acontecerá pela primeira vez em Brasília de 1 a 4 de agosto. Veja a programação completa aqui. Agende!
A série vai explorar experiências de chefs que assumiram o comando de cozinhas tardiamente, após terem construído carreiras de sucesso em diferentes profissões. É exatamente isso o que aconteceu com o catalão radicado no Brasil Juan Pratginestós, que depois de consagrado como fotógrafo abandonou as lentes para se dedicar à gastronomia.

Juan comanda a cozinha do prestigiado Restaurante Montserrat, considerado um destaque dentre os restaurantes da cidade de Pirenópolis. O primeiro episódio de Alma D’Chef será exibido com uma homenagem ao chef.
Nascido em Barcelona e radicado no Brasil desde 1962, Juan atuou como fotógrafo por mais de 30 anos, tornando-se um dos mais conceituados da área do meio ambiente no Brasil. Fez parte da sucursal Brasília da Agência F-4 de Fotojornalismo, dedicou-se à documentação fotográfica de projetos ambientes no Brasil e na América Latina para organizações como WWF – Fundo Mundial para o Meio Ambiente, IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, dentre outros. Em 2010, abandonou Brasília e a profissão de fotógrafo para se dedicar à paixão pela culinária.
Alma D’Chef é o primeiro dos 13 episódios do projeto criado por Ronaldo Duque, cineasta, realizador dos longas-metragens Araguaya, Conspiração do Silêncio e Amor & Brega, e do média O Togo e a triste história da escravidão. Jornalista, produtor e diretor de cinema e televisão, já assinou dezenas de documentários, comerciais e programas de TV, atuou como editor da TV Globo, de publicações como a revista IstoÉ e outros grandes jornais.
Criado em 2019-07-24 17:09:19
Beto Almeida -
No dia 20 de agosto de 1940 foi assassinado no México, a mando de Stalin, o fundador do Exército Vermelho e presidente do Soviet de Petrogrado, Leon Trotsky.
A lembrança não é apenas homenagem à sua vasta obra e sua vida, que já encontra na TV russa espaços de difusão, como por exemplo, na data de fundação do Exército Vermelho, em que foi transmitido, recentemente, o discurso de Trotsky naquela solenidade.
Quem sabe seria uma mensagem de alerta ante as ameaças e agressões que a Rússia vem recebendo da parte do imperialismo e dos países da Otan?
Aliás, é admirável a coordenação e cooperação crescentes, na esfera militar também, entre Rússia e China, Rússia e Irã, Rússia e Síria e a aliança entre Rússia, Irã, Síria e Hezbolah para enfrentar as agressões terroristas apoiadas pelo imperialismo visando o esquartejamento da Síria, tal como se fez antes com a Yugoslávia, o Iraque e a Líbia, neste caso até com o apoio de intelectuais franceses à esquerda ecoando no tempo a política dos comunistas franceses que não entenderam a Revolução na Argélia.
Mas, hoje, a menção a Trotsky decorre de uma análise por ele feita ao chegar ao seu exílio mexicano, quando chamou a atenção para processos nacionalistas-revolucionários como os dirigidos por Lázaro Cárdenas, no próprio México e por Getúlio Vargas, no Brasil.
Ele os classificava como uma espécie de bonapartismo sui generis com potencial revolucionário, destacando que estes dois governos e movimentos atendiam parcialmente o programa do proletariado, referindo-se especificamente à estatização do petróleo, das ferrovias, dos minerais, a expansão do voto às mulheres e a legislação trabalhista, num claro enfrentamento com o imperialismo e as oligarquias.
E concluía recomendando aos revolucionários que dessem apoio crítico a Cárdenas e a Vargas.
A reflexão sobre esta menção colhe atualidade, hoje, em razão da importante publicação em Carta Maior, uma mídia de esquerda e petista, sem ser partidarista, da Carta Testamento de Vargas, quando se busca, corretamente, fazer uma analogia histórica com os momentos que estamos vivendo no Brasil, com o golpe de estado em marcha, mesmo com características diversificadas.
Inequivocamente, trata-se de uma conspiração geopolítica, com matriz externa, visando interromper um processo de transformação gradual no Brasil, digamos que uma espécie de reformismo progressista com forte potencial transformador social, e que projetava o Brasil para ser, concretamente, um protagonista na arena internacional, compondo com as forças e países que se articulam para uma estratégia de resistência ao imperialismo.
E, mais que isto, organizando caminhos alternativos concretos, como a Celac, a Unasul, os Brics, o Mercosul.
A escolha da Carta Testamento de Vargas - documento da maior importância na história política do Brasil, e que chegou a ser censurado pelos inimigos do trabalhismo, visando o retorno à República Velha - tem absoluta sintonia política nesta experiência trágica que o povo brasileiro está vivendo com o governo golpista de Temer, pondo em marcha a segunda tentativa de destruição da Era Vargas.
A primeira, foi com Fernando Henrique Cardoso, que anunciou sem qualquer vergonha a sua intenção, confirmando a impressão negativa que seu tio, o general Cardoso, um nacionalista e defensor da Petrobras, tinha dele.
A iniciativa da Carta Maior é ainda de maior relevância se recordarmos a decisiva releitura dialética que Hugo Chávez - ele também um admirador de Trotsky, bem como de Cárdenas e de Vargas - fez de Simon Bolívar, colocando-o a caminhar pelas ruas de Caracas, nos diálogos de bairro do povo, reluzindo os versos das canções de Ali Primera, trilha sonora da Revolução Bolivariana.
Neste contexto, e na tentativa de criar uma grande união de forças progressistas e nacionais, não apenas de esquerda, para derrotar o golpe imperial contra Dilma, a recuperação da Carta de Vargas como instrumento de unificação popular é um gesto certeiro.
É um começo. Não se podem assegurar tantas conquistas como as da Era Vargas (Petrobras, Eletrobras, BNDES, CLT, Previdência Social, Voz do Brasil etc) sem conquistarmos esta unidade para fazer frente ao governo exterminador do futuro.
Durante muito tempo, hostilizou-se, nas fileiras da esquerda, e do PT em particular, a figura de Vargas, bem como de seus continuadores, Jango e Brizola.
Pois agora, como alerta a iniciativa de Carta Maior, estamos todos assediados pela mesma voracidade rapinadora, pelas mesmas forças destrutivas.
E sem unidade em torno do projeto de emancipação do Brasil Nação - e Vargas tinha um projeto - não poderemos organizar todas as forças com progressistas, intelectuais, nacionalistas, militares ou não, juntando-as aos sindicatos de trabalhadores e aos movimentos sociais.
Como defender o programa nuclear, outra herança da Era Vargas, garantir a construção do submarino nuclear, sem o que não haverá soberania brasileira sobre o petróleo pré-sal?
Como assegurar que a indústria de defesa brasileira, que foi bastante demolida por FHC, mas retomou um curso construtivo com Lula e Dilma, não seja canibalizada e internacionalizada, especialmente num mundo de intervencionismo militar imperial crescente?
Será esta uma tarefa apenas de sindicatos de trabalhadores, ou, pela sua grandeza e complexidade, exige também a participação das empresas de engenharia nacional (hoje atacadas pelo golpismo) e dos nacionalistas, civis e militares?
Lula, que teria dito algum dia ser a CLT uma espécie de AI-5 da classe trabalhadora, já revisou, em boa medida, corretamente, a avaliação histórica que fazia de Vargas.
Hoje, denuncia, que o golpe veio para destruir os direitos dos trabalhadores, a CLT. Quando um documento tem pegada histórica, como a Carta Testamento, mesmo que passem anos e anos, sua atualidade e sua convocação para uma união nacional, permanecem vigentes.
Bem como aquelas análises de Trotsky sobre o sentido anti-imperialista dos governos de Cárdenas e Vargas. Há muitas formas de fazer revisão e arrisco lembrar que o saudoso Luiz Carlos Prestes, também fez, com gestos, a sua.
No dia 24 de agosto de 1954, o jornal Tribuna Popular, do PCB, trazia na manchete de capa Prestes pedindo a renúncia de Getúlio Vargas, impressionado com a manipuladíssima campanha "Mar de Lama sob o Catete".
Quando o tiro ecoou do Catete e as massas expressaram sua legítima fúria, sua ira santa, empastelando os jornais golpistas, os símbolos do império, a direção do PCB mandou recolher apressadamente o Tribuna Popular das bancas, para que a proposta de Prestes não circulasse.
Confrontava absolutamente com a legítima ira popular, ira que expressa a correta avaliação histórica sobre Vargas, tal como mencionara Trotsky, que ganhava razão ali, nas ruas do Brasil.
O povo percebeu que a morte de Vargas era resultado de uma ação dos inimigos do povo brasileiro. Mais tarde, ensina a história, Prestes termina seus dias de homem digno como presidente de honra do PDT de Leonel Brizola, um partido varguista. Tenho muitos amigos que dizem que "foi a única vez que vi meu pai chorar".
As declarações positivas de Lula sobre Vargas, inclusive criando, por decreto presidencial, a Semana Getúlio Vargas, em cuja exposição de motivos se menciona ter sido aquele o mais importante presidente brasileiro, deve ser tão conhecida como a própria Carta de Vargas.
Hoje, dramaticamente, ela nos convoca a uma união como única possibilidade histórica de reversão do golpismo demolidor imperial.
Esta é a grande percepção de Carta Maior, que, com coragem, recomenda a leitura da Carta de Vargas em ambientes que hostilizaram, injustamente, o presidente gaúcho, assim como se deve recomendar, também, escutar a canção "Dr. Getúlio", composta por Chico Buarque e Edu Lobo, na voz de Beth Carvalho, revelando a síntese histórica que precisamos construir conscientemente.
Estou entre aqueles que apontam o PT como um continuador inconsciente de Getúlio Vargas, a despeito da incompreensão que ali ainda se cultiva, razão pela qual também sugiro à Carta Maior, uma entrevista com o jornalista José Augusto Ribeiro, autor da trilogia "Era Vargas", obra indispensável e sem concessões de nenhum modo ao udenismo.
Criado em 2016-08-21 00:35:37
João Brant (*) –
Em texto no O Globo de domingo (21/7), Artur Xexéo se vale de uma argumentação maliciosa para tentar vender a tese de que os governos petistas não contribuíram para o estímulo à cultura. Nada mais falso.
Quando ele diz que Bolsonaro e os governos do PT tem horror às leis de incentivo à cultura, ele nega o fundamental: enquanto Bolsonaro quer destruir a cultura, o PT queria fortalecer a cultura e superar o modelo sustentado apenas em leis de incentivo. São movimentos antagônicos!
E foi exatamente essa superação de modelo que aconteceu no audiovisual. Quando Xexéo diz que “nenhuma legislação importante de incentivo à cultura nasceu nos governos do PT”, ele usa a expressão ‘incentivo’ para negar o óbvio.
As leis mais importantes para o desenvolvimento do audiovisual brasileiro são a que criou o Fundo Setorial do Audiovisual (em 2006) e a que estabeleceu o novo marco regulatório da TV por assinatura (em 2011), as duas nos governos petistas.
Esse conjunto estabeleceu um modelo que permitiu ao audiovisual superar gradualmente o modelo baseado exclusivamente em leis de incentivo, quintuplicando os recursos aplicados no setor em sete anos (de 2009 a 2016).
A abertura de mercado gerada pela lei de TV por assinatura ainda ampliou o uso dos recursos incentivados, mas de forma mais equilibrada com o investimento direto.
Essa mudança só foi possível com a criação da FSA, a cobrança da Condecine das empresas de telecomunicações e o estabelecimento de cotas na TV por assinatura a partir da nova lei.
Os números do investimento público no audiovisual falam por si (1):
Ano / Fundo Setorial do Audiovisual (investimento) / Editais, Programas e Prêmios / Recursos Incentivados (captação) / Total
2008
R$ 0 / R$ 12.281.043,43 / R$ 151.414.163,62 / R$ 163.695.207,05
2009
R$ 29.485.586,80 / R$ 12.320.831,83 / R$ 124.388.170,90 / R$ 166.194.589,53
2010
R$ 84.667.016,00 / R$ 14.570.654,34 / R$ 181.351.536,04 / R$ 280.589.206,38
2011
R$ 92.347.090,00 / R$ 13.464.461,95 / R$ 178.702.166,25 / R$ 284.513.718,20
2012
R$ 20.606.507,00 / R$ 10.228.236,25 / R$ 147.319.511,88 / R$ 178.154.255,13
2013
R$ 238.124.667,56 / R$ 11.416.069,90 / R$ 184.060.771,20 / R$ 433.601.508,66
2014
R$ 422.299.026,67 / R$ 8.428.625,00 / R$ 249.816.300,96 / R$ 680.543.952,63
2015
R$ 441.141.100,69 / R$ 12.303.310,44 / R$ 259.091.092,00 / R$ 712.535.503,13
2016
R$ 622.853.909,81 / R$ 8.319.436,93 / R$ 306.005.517,21 / R$ 937.178.863,95
2017
R$ 534.294.759,09 / R$ 1.526.892,94 / R$ 366.677.213,76 / R$ 902.498.865,79
Falta, enfim, um tratamento honesto dos fatos por parte de Xexéo. O antipetismo, infelizmente, segue enviesando análises por aí.
___________________
(*) João Brant é militante da comunicação e da cultura, ajudou a fundar o Intervozes e trabalhou como assessor especial na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (governo Fernando Haddad) e como secretario executivo do Ministério da Cultura (governo Dilma Rousseff). Escreveu este texto em sua página no Facebook.
Criado em 2019-07-22 17:05:32
Romário Schettino -
Tudo o que a direita queria era que Dilma Rousseff renunciasse ao governo no dia em que o Congresso acolheu a admissibilidade do processo de impeachment. Hoje, dia 24/8, ela explicou que “não renuncia porque é preciso resistir a esse processo injusto e para que o Brasil não reconheça como legítimo mais um golpe à democracia”.
Ela disse isso durante ato convocado pela Frente Brasil Popular no auditório do Sindicato dos Bancários de Brasília, onde estavam mais de mil pessoas ligadas aos movimentos sociais, a partidos políticos e aos sindicatos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Dilma mobilizou a população para mostrar aos que ela chama de “parasitas da democracia” que não é mais possível “desrespeitar as instituições, a legislação e sustentar processos ilegais”.
A presidenta acha que só com a organização social, com o debate permanente, será capaz de impedir o retrocesso nas conquistas de seus governos e de Luiz Inácio Lula da Silva.
Dilma vai ao Senado dia 29 de agosto, às 9h, para enfrentar os 81 senadores que terão de dizer ao país e ao mundo por que querem tirar do governo uma pessoa eleita por 54 milhões de eleitores.
“No dia de hoje, em 1954, Getúlio Vargas foi levado ao suicídio para impedir o golpe que foi consolidado dez anos depois, em 1964, com a derrubada do presidente João Goulart”, disse Dilma.
E acrescentou: “Hoje, eu não preciso me suicidar, nem fugir para o Uruguai, porque nós [o povo brasileiro] derrubamos a ditadura e conquistamos a democracia. Mas isso não nos impede de continuar lutando para que os princípios democráticos e a legalidade sejam respeitados”.
A presidenta convocou a população para se manter mobilizada na luta pela regulação de todos os setores da economia, inclusive o da comunicação.
“Não podemos admitir o monopólio nas comunicações, que é antidemocrático, e vem sustentando o golpismo que quer destituir uma presidenta que não cometeu nenhum crime de responsabilidade”, finalizou Dilma.
A Frente Brasil Popular encerrou o ato convocando a população para comparecer à Esplanada dos Ministérios, no dia 29/8, a partir das 8h, a fim de acompanhar o depoimento de Dilma no plenário do Senado.
Criado em 2016-08-25 03:53:55
Artistas e produtores culturais do Distrito Federal lançaram ontem (19/7) nota pública repudiando o Decreto nº 39.896, de 13/6, que faz mudanças inaceitáveis no regime jurídico de fomento à cultura do DF. O governador Ibaneis Rocha (MDB), com este decreto, decidiu medir forças com o movimento cultural. Tudo porque o Tribunal de Contas do DF acolheu medida cautelar suspendendo a utilização dos recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) em obras do Teatro Nacional.
A Frente Unificada da Cultura destaca a ausência de diálogo do governo com o setor cultural. A nota afirma que apesar de tratar de temas importantes para a cultura da cidade, “o decreto não foi submetido à apreciação do Conselho de Cultura do Distrito Federal, que é responsável pelo estabelecimento de diretrizes para a realização de políticas públicas de cultura, tendo poder deliberativo, consultivo, normativo e fiscalizador sobre a matéria”.
Como se sabe o Conselho possui uma composição paritária, contando com representantes do governo e da sociedade civil, de modo que está qualificado como foro adequado para um debate público e transparente sobre temas como esses que constituem objeto das alterações promovidas pelo novo decreto, que substitui o de nº 38.933, de 15/3/2018.
A nota da Frente lembra ainda que o novo decreto suprimiu a vedação ao acesso de entidades governamentais aos recursos do FAC, uma afronta direta ao § 2º do art. 65 da Lei Orgânica da Cultura do Distrito Federal (LOC). Essa mudança foi introduzida para “permitir ao GDF desviar os recursos que seriam destinados a agentes culturais, em prejuízo de projetos que beneficiam toda a população local e do Entorno”.
O que também preocupa os artistas e produtores é que no novo decreto foi suprimido o limite de recursos destinados a um mesmo agente cultural. Isso quer dizer que a concentração nas mãos de poucos projetos e agentes culturais, é excludente e prejudica as populações vulneráveis.
A luta contra a concentração de recursos é antiga, pois ela contraria a Constituição brasileira, “que atribui ao Estado o dever de valorizar e difundir, ao máximo, as manifestações culturais, o que exige uma maior distribuição de recursos entre agentes culturais e em todo o território”.
A Frente Unificada reconhece que a preservação, restauração e manutenção dos patrimônios materiais e culturais são relevantes – como a reforma da sala Martins Pena do Teatro Nacional –, mas essas atividades não podem ser feitas em detrimento das demais ações de fomento que cabem ao Estado.
O novo decreto revogou o dispositivo do regulamento anterior que exigia do agente cultural o mínimo de dois anos residente no DF. O governador caminha no sentido contrário à luta do setor cultural dos últimos anos, que buscou o fortalecimento das atividades dos artistas e agentes culturais locais.
“Fica evidenciado, em resumo, que o GDF agiu de modo reprovável ao fazer publicar um decreto relacionado ao setor cultural sem ao menos fazer a consulta do Conselho de Cultura, demonstrando o seu desinteresse na articulação com a sociedade civil. Como resultado, apresentou alterações ao regulamento de fomento cultural que contrariam as conquistas do movimento cultural nos últimos anos, motivo pelo qual se faz necessária a denúncia dos pontos mencionados”, conclui o documento da Frente Unificada de Cultura do DF.
Cancelamento do edital de 2018
A Ordem dos Advogados do Brasil/DF, por sua vez, concorda com os artistas e produtores culturais e já se manifestou contrária ao cancelamento do edital de 2018. Veja matéria sobre o posicionamento da OAB-DF.
"É um absurdo o Teatro Nacional continuar fechado, toda a sociedade tem que lutar pela reabertura. Mas não com esses recursos [do FAC], sob pena de prejudicar outros setores da cultura e infringir a legislação e o edital que estava em curso", afirma o presidente da OAB-DF, Délio Lins.
Criado em 2019-07-20 17:31:01
Romário Schettino -
Cada um carrega a sua cruz. Dilma Rousseff sofre as consequências da derrota na Câmara dos Deputados quando foi eleito presidente, contra a sua vontade, o deputado Eduardo Cunha. Ela preferia Arlindo Chinaglia.
O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), apoiou Celina Leão, em vez de Joe Vale, e sofre o martírio de quem foi fisgado por um escorpião em plena travessia do Lago Paranoá. A fábula se realiza mais uma vez. Celina e Rollemberg são os protagonistas.
Sua base na Câmara Legislativa é extremamente frágil. Por ironia do destino, conta com mais apoio na oposição petista do que em seus aliados.
O desespero do governador é grande. Já procurou figuras históricas do PT para pedir apoio, mas tudo esbarra na sua insistente tese de que os problemas da saúde do DF só serão resolvidos se aprovar na Câmara Legislativa a entrega da gestão de hospitais para as OSs. O outro problema é o apoio do PSB ao golpe.
Além de tudo isso, Rollemberg não conseguiu iniciar, ou concluir, nenhuma obra. O aterro sanitário de Samambaia, que poderia ser um grande cartão de visitas e o início do fim do lixão de Brasília, o maior da América Latina, não tem data marcada para ficar pronto.
A Trevo Norte sofre críticas dos ambientalistas e dos ciclistas por não prever mobilidade sustentável adequada. O projeto foi desenvolvimento no governo Agnelo Queiroz, mas é criticado por falta de diálogo com os movimentos sociais.
O governador reclama da crise, mas falta-lhe criatividade. É uma vergonha a capital do país ter um Museu da República e não possuir uma política de museus. Os espaços culturais da cidade continuam fechados e sem data para reabrir. O Teatro Nacional, o Centro Cultural da 508 Sul, MAB, nada. Nada funciona. As cidades satélites continuam à míngua.
Rollemberg fez sua campanha criticando a falta de gestão do governador Agnelo Queiroz, mas ainda não disse a que veio.
Em tempo: O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que ajudou a eleger Rollemberg, também não ajuda. O seu partido resolveu dar um voto de confiança a Celina Leão e vive criticando o GDF. Ao mesmo tempo, Cristovam disse ao Correio Braziliense que vai votar pelo impeachment de Dilma, entre outros motivos, porque o governo do PT "levou o Brasil à corrupção". Vá entender.
Criado em 2016-08-28 17:41:12
O projeto Debandando Nas Feiras leva o músico-ator César Lignelli para a Feira Permanente de Samambaia (QD 202), Distrito Federal, neste domingo (21/7), às 11h. O artista toca 23 instrumentos em espetáculo que fala de um possível triângulo amoroso. Entrada gratuita e livre para todos os públicos. Dia 28/7, o espetáculo vai para a Feira de São Sebastião.
Debanda é um ser (César Lignelli) que interpreta diversos personagens ao lado de sua filha, a Debandinha (Estela Vieira Lignelli). Ator e músico, o artista chega com uma verdadeira parafernália cultural para encantar o público com um espetáculo que fala de um possível triângulo amoroso. A parafernália é uma máquina musical formada por 23 instrumentos.
Após passar pela Feira Modelo de Sobradinho, Feira do Guará, Cruzeiro, Núcleo Bandeirante, Feira Permanente de Taguatinga e Torre de TV (Eixo Monumental), César se apresentará na Feira Permanente de Samambaia Norte.
“Debanda é uma espécie de andarilho acumulador que, por ora, concentra características turvas em meio à sua translucidez. Acumula memórias. Não se sabe exatamente de onde vem e nem a que tempo pertence”, explica Lignelli.
As intervenções do artista começaram há quatro anos com a criação da máquina instrumental. O desenvolvimento do equipamento e do espetáculo contou com as parcerias do compositor português João Lucas, Sulian Vieira, Gil Roberto, Cyntia Carla e outros. “Afinal, a produção apresenta desafios imensuráveis no diálogo entre as possibilidades corporais do ator, a manipulação dos inúmeros instrumentos, o cantar e o contar uma história com distintos personagens. Sem essas parcerias não seria possível realizar o projeto”, diz Lignelli.
O projeto Debandando Nas Feiras tem o patrocínio do BRB – Banco de Brasília e é uma realização da Criativa Empreendedorismo.
Sobre o espetáculo
O espetáculo é fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade de Brasília coordenado por Lignelli. Trata-se de desdobramentos estético-pedagógicos, envolvendo desde o desenvolvimento da máquina e a prática intensa com vários instrumentos musicais a fim de conseguir tocá-los e ainda cantar, dançar, interpretar e, por fim, viajar em um trailer olhando no olho de quem encontra, envolto em saberes musicais, teatrais, circenses e de dança transformados e reinventados no percurso de vida do ator-músico.
Um destes percursos levou a performance Debanda a uma viagem de 55 dias no próprio motorhome do artista pelo Brasil (GO e MS), Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile e Peru. Por estes locais, foram realizadas 33 intervenções performáticas em praças, parques, escolas, ruas públicas, oficinas e igrejas durante o ano de 2018. A agenda de apresentações do Debandando nas Feiras inclui a Feira de São Sebastião (28/7). (Foto: Diego Bresani)

Ficha Técnica:
Direção Coletiva: César Lignelli, João Lucas, Sulian Vieira e Gil Roberto
Dramaturgia, Composição e Direção Musical: João Lucas & César Lignelli
Atuação: César Lignelli e Estela Vieira Lignelli
Concepção e Construção da Maquina Musical: César Lignelli
Concepção e Construção de Arcordilhão: Márcio Vieira
Concepção e Construção do Estandarte Animado: César Lignelli e Sulian Vieira
Bordado do estandarte: Coordenação de Alice Fátima Martins - Oficina dos Fios (FAV/UFG)
Bordadores: Amanda Silva de Arantes, Ana Beatriz de Saboia, Ana Clara Ribeiro Prado, Bárbara Stela Oliveira, Gabriel Ângelo Guimarães Alves, Gabriela Chaves de Oliveira, Lara Heloísa Gomes Pires, Maria Bethânia Oliveira, Michel Moreira de Freitas, Sarah Adorno Blanco Venicio, Stael Noronha de Oliveira Leite, Terezinha Pinto Ribeiro e Vasti Pereira Dutra.
Preparação vocal e maquiagem: Sulian Vieira
Figurinos: Cyntia Carla
Costureira: Neide Oliveira
Produção: Mirella Dias
Serralheiro: Clemilton Rodrigues dos Santos
_______________
Serviço:
Debandando Nas Feiras
Data: 21 de julho, domingo
Local: Feira Permanente de Samambaia Norte (QD 202)
Horário: 11h
Entrada gratuita
Livre para todos os públicos
Informações: https://www.facebook.comespetaculodebanda/
Criado em 2019-07-19 15:41:04
Romário Schettino -
O que acontecer nesta segunda-feira (29/8) vai desaguar nas eleições municipais que se avizinham e nas de 2018. Os golpistas carimbados na testa terão que olhar nos olhos de cada eleitor e dizer por que destituíram a presidenta eleita por 54 milhões de votos.
A existência de crime de responsabilidade é questionada por juristas nacionais e internacionais, mas os senadores insistem que há crime e que o conjunto da obra é suficiente para mandar para casa a presidenta.
O presidente, ainda interino, Michel Temer já anunciou que vai desmontar (ele chama de revisão) os programas sociais dos governos Lula e Dilma, vai retomar a privatização desenfreada de FHC e negociar com o Congresso (oferecer cargos) para aprovar o ajuste fiscal em termos neoliberais. Temer é o retrocesso em pessoa. Dizem que é o Nosferatu da política brasileira.
Os movimentos sindical e social se preparam para o embate mais duro de sua história. Correm o risco de sofrer ainda mais com criminalização, retaliações e perseguições.
Os defensores da presidenta Dilma Rousseff e dos princípios democráticos previstos no regime presidencialista, consolidados na Constituição de 1988, se organizarão em frentes parlamentares para dar respaldo à sociedade ameaçada.
A presença da presidenta Dilma Rousseff no plenário do Senado nesta segunda-feira poderá dar o tom do debate e servirá a três propósitos: consolidar sua posição contrária à própria renúncia, defender seu governo e tentar reverter votos para que a derrota não ultrapasse em muito os 54 votos necessários ao impeachment.
As contas, neste domingo, não confirmam os 60 votos pretendidos por Michel Temer, nem os 28 desejados por Dilma Rousseff em seu favor.
Essa indefinição é boa para Dilma, significa que os argumentos das testemunhas transmitidos ao vivo pela TV e pelo rádio foram significativos, embora uma eventual vitória de Dilma signifique uma dificuldade suplementar na relação do Executivo com o Legislativo, que só poderia ser contornado com a convocação de eleições gerais antecipadas. O PT já disse que é contra eleições antecipadas.
O grande papel de Lula nas negociações de bastidor e na presença física no dia do depoimento de Dilma tem sido contribuir para que os votos “sim” não ultrapassem os 54. Isso fortalece o movimento social e sua campanha em favor dos candidatos do PT, e aliados, nas eleições municipais e cimenta seu caminho rumo a 2018.
A Lava Jato é uma constante ameaça às pretensões de Lula. O Ministério Público, a Polícia Federal, o juiz Sérgio Moro e a grande imprensa comercial não darão trégua, embora haja sinais de fadiga na luta pela ética empreendida pelos antipetistas empedernidos.
Visto assim e consolidado o golpe, a tendência é diminuir a ânsia por condenações. O sinal mais visível dessa aposta é o cancelamento da delação premiada do ex-presidente da OAS que, ao ser vazada, atingiu os trazeiros ilustres de ministros do STF, peessedebistas castos, o interino Michel Temer e o universo político brasileiro de A a Z.
Ao mesmo tempo, o processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acionado pelo PSDB com apoio de Gilmar Mendes, deixará de fazer sentido porque isso significaria retirar Michel Temer do governo, já que a ação é contra a chapa Dilma-Temer.
Gilmar, numa leitura bastante conveniente, defende a tese segundo a qual as contas são de responsabilidade exclusiva da candidata a presidente, não do vice.
Em Tempo: Ainda não está claro se o Senado decidirá a questão em duas votações. Em uma, a destituição de Dilma e, numa segunda, se Dilma perderá ou não os direitos políticos por oito anos.
Criado em 2016-08-28 17:48:17
O 10º Slow Filme – Festival Internacional de Cinema e Alimentação será realizado este ano no Cine Brasília (106 Sul) e no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), de 1º a 4 de agosto, com exibição de 23 títulos entre longas, médias e curtas-metragens.
Filmes produzidos em diferentes países, inéditos nas telas brasileiras, muitos deles premiados em grandes festivais internacionais. Palestras, debates, passeios para reconhecimento de plantas do cerrado e muito mais. Entrada franca.
Um encontro entre a arte cinematográfica e o melhor da gastronomia mundial, com foco na sustentabilidade. Ou a fusão entre o prato e o planeta. Assim pode ser definido o perfil de Slow Filme – Festival Internacional de Cinema e Alimentação, que está chegando à 10ª edição e pela vez em Brasília.
Sob a curadoria do professor, cineasta e crítico Sérgio Moriconi, Slow Filme oferece uma programação de qualidade, em concordância com os princípios do movimento Slow Food, que prega o retorno à tradição alimentar, o respeito à identidade dos povos, o uso de ingredientes produzidos localmente, de forma limpa para a natureza e justa para com os produtores.
O festival é único com este perfil no Brasil e vem sendo realizado desde 2010 pela empresa Objeto Sim Projetos Culturais. Até o ano passado (2018), o evento acontecia na pequena cidade de Pirenópolis, Goiás, situada a 150 km de Brasília. Em 2019, quando completa 10 anos, Slow Filme chega a Brasília, com uma programação de peso.
Serão exibidos 23 filmes no Cine Brasília, onde também haverá palestras, lançamento de livros e uma feira de produtos locais. Como extensão, várias atividades ocuparão também o Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul. Ali, haverá exibições seguidas de debates, workshops e um passeio para reconhecimento de PANCs – Plantas Alimentícias Não-Convencionais, quando os espectadores serão convidados a andar a pé pelas quadras da asa sul para descobrir que muitas plantas consideradas “mato” são, na verdade, comestíveis.
Em 2019, o festival também decidiu homenagear duas personalidades que apoiam o evento desde seus primeiros anos, o chef Juan Pratginestós, que comanda a cozinha do Restaurante Montserrat, de Pirenópolis, e a jornalista Liana Sabo, que assina a coluna Favas Contadas, no Correio Braziliense, uma pioneira do jornalismo gastronômico. Juan, inclusive, é personagem principal do primeiro episódio da série Alma D’Chef, do cineasta e produtor Ronaldo Duque, que será lançada durante o festival.
O 10º Slow Filme conta com patrocínio do BRB e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal, do Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, das embaixadas da Itália, Austrália, República da Geórgia, Áustria, França, Espanha e Peru, Instituto Francês, Instituto Cervantes, Slow Food Cerrado, Instituto Ecozinha e Instituto Federal de Educação.
Sintonia entre imagens e sabores
“Imagens que vão despertar as papilas dos espectadores, dar água na boca e provocar mudanças no cardápio diário. Mensagens que provarão que todo consumo é um ato político e interfere na vida sobre o planeta. É feita dessas substâncias a essência dos filmes do festival Slow Filme. São títulos que apresentam registros da cozinha pilotada por grandes chefs internacionais, denúncias e soluções, encantam os olhos com belas imagens e despertam o paladar, nos fazendo suspirar diante de ingredientes e receitas”, diz o release da produção do evento.
As sessões do 10º Slow Filme começam às 17h30 de quinta-feira, dia 1º de agosto, e seguem até 21h de domingo, dia 4 de agosto, num total de 20 sessões no Cine Brasília e uma no Espaço Cultural 508 Sul. São títulos como “Faça Homus, não faça a guerra”, um curioso filme australiano que parte da produção da célebre pasta de grão de bico para falar do conflito entre Israel, Palestina e Líbano. O peruano “Na trilha de Gastón” revela como a atuação do chef Gaston Acurio, um dos mais premiados do mundo, foi capaz de recuperar a autoestima de todo o país – hoje, há restaurantes peruanos espalhados pelo mundo e várias escolas de gastronomia no Peru, garantindo colocação de trabalho para milhares de pessoas. E “O chef errante” é uma produção coreana que retrata o mais famoso chef da Coreia do Sul numa incursão pelo interior do país onde colhe e prepara maravilhas somente usando PANCs – Plantas Alimentícias Não-Convencionais.
No dia da abertura, o festival vai exibir o filme americano “Histórias da Comida Cubana”, do diretor cubano Asori Soto (radicado em Nova York), que apresenta um verdadeiro mergulho nas receitas tradicionais da gastronomia da ilha.
Também no campo da culinária de identidade e raízes, o festival exibirá quatro capítulos da série brasileira “História da Alimentação no Brasil”, do cineasta e produtor paulista Eugenio Puppo, em que os episódios são inspirados em pesquisas feitas pelo maior folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo.
E ainda o espanhol “Jaén: Virgen & Extra”, sobre uma região da Andaluzia, onde se descobriu, no início do século XXI, uma azeitona que produz hoje o melhor azeite do país. Já o georgiano “Meridiano do Vinho” é um registro da história da produção do vinho na Geórgia, que desde oito mil anos atrás continua sendo preparado da mesma forma.
Cinema e conscientização
Estamos no planeta Terra e as notícias não são boas. Se não tomarmos atitudes drásticas - como indivíduos e como nações - em 30 anos, os oceanos terão mais plástico do que peixes, não existirão mais tigres, ursos polares ou gorilas das montanhas (apenas em cativeiro) e teremos a cada ano temperaturas mais elevadas. Em menos de 100 anos, a vida no planeta azul se tornará inviável. Ainda há tempo de reagir. É neste caminho que atuam filmes como “O Sabor do Desperdício”, do alemão Valentin Thurn, e “O Roundup face aos seus juízes”, uma coprodução entre França, Suíça e Bélgica, assinada por Marie-Monique Robin, mesma diretora do premiado documentário “O Mundo segundo a Monsanto”. Os dois títulos serão exibidos acompanhados de conversas e debates, contando com a participação do chef e empresário Paulo Mello, criador do Instituto Ecozinha, de Sofia Carvalho, agricultora e membro da campanha permanente contra os agrotóxicos, e de Thaíssa Aragão, líder do Convívio Slow Food Cerrado.
O filme alemão “O Sabor do Desperdício” mostra o imenso volume de alimento que é jogado fora diariamente no mundo. “O Roundup face aos seus juízes” é um devastador documentário-enquete sobre o produto fetiche da gigante multinacional de biotecnologia dos EUA, a Monsanto, líder mundial na fabricação de herbicidas. Na mesma linha de um cinema que dialoga com questões políticas, Slow Filme exibirá ainda “A mentira verde”, produção austríaca que desmascara grandes empresas que se dizem sustentáveis, e “O Império do Ouro Vermelho”, sobre a produção em massa de tomates, geneticamente modificados. O tomate é também tema do bem-humorado curta “Dois tomates e dois destinos”, produzido pela ONG Veterinários Sem Fronteiras, que mostra a diferença de sabor entre um tomate orgânico e um transgênico.
E como a comida define a identidade de um povo? Um pouco das respostas a esse questionamento está no filme brasileiro “Comer o quê?”, de Leonardo Brant, que oferece um passeio pela gastronomia e pelos hábitos alimentares dos brasileiros, guiado por chefs como Alex Atala, Bela Gil e Helena Rizzo. Identidade é também o foco dos italianos “I Villani”, sobre camponeses e pescadores que seguem com o mesmo estilo de vida de seus bisavós, e de “O Retorno”, sobre a culinária de Massimo Bottura, três estrelas no Michellin, inspirada na arte, na paisagem e na tradição. A sabedoria tradicional está ainda no cerne de “Retrato de um Jardim”, com os ensinamentos de um jardineiro idoso e sábio sobre como cuidar das plantas, e “Senhor Maionese”, que revela um episódio real da Segunda Guerra Mundial, no qual a tradição de comer maionese salvou a vida de vários judeus perseguidos pelo Terceiro Reich.
Para incentivar o reconhecimento dos frutos e plantas do cerrado, Slow Filme acolherá o lançamento dos dois volumes do livro “Frutos e Sementes do Cerrado”, de Marcelo Kuhlmann. A obra é resultado de mais de 10 anos de pesquisa feita pelo biólogo e doutor em Botânica Marcelo Kuhlmann. O autor inclusive coordenará um passeio de reconhecimento do cerrado no Jardim Botânico para espectadores do festival.
Os homenageados:
Juan Pratiginestós
Nascido em Barcelona e radicado no Brasil desde 1962, atuou como fotógrafo por mais de 30 anos, tornando-se um dos mais conceituados da área do meio ambiente no Brasil. Fez parte da sucursal Brasília da Agência F-4 de Fotojornalismo, dedicou-se à documentação fotográfica de projetos ambientes no Brasil e na América Latina para organizações como WWF – Fundo Mundial para o Meio Ambiente, Ibama, Ministério do Meio Ambiente, CNPT – Conselho Nacional das Populações tradicionais, dentre outros. Foi editor de fotografia da Revista da UnB e integrou o Núcleo de Estudos da Amazônia pela Universidade de Brasília, além de ser convidado a participar de diversas coletivas de fotografias.
Em 2010, abandonou Brasília e a profissão de fotógrafo para se dedicar à paixão pela culinária e fundou, em Pirenópolis, o restaurante Montserrat Gastronomia, localizado às margens do Rio das Almas e cujo nome homenageia a mãe de Juan. Ali, o chef pratica uma gastronomia original, fundindo culinária clássica com toques contemporâneos, sotaque catalão e mediterrâneo com toques de sabor goiano.
Liana Sabo
Uma das profissionais mais respeitadas do jornalismo brasiliense, Liana Sabo (foto, abaixo) iniciou e consolidou sua carreira no Correio Braziliense. Liana chegou a Brasília em 1968, em um período conturbado, para cobrir política nacional no Palácio do Planalto e, anos mais tarde, política externa como setorista do Itamaraty. No início dos anos 1990, criou o Caderno Mulher, primeiro suplemento feminino do Correio Braziliense. Oito anos mais tarde, outra atitude pioneira: Liana cria a coluna Favas Contadas, que se tornou um divisor de águas na cena gastronômica de Brasília.
Em 21 anos, Liana publicou mais de 1.000 colunas, levando aos brasilienses as novidades do mundo da gastronomia, do vinho, da boa mesa. Além de divulgar o trabalho de chefs e proprietários de cafés, bares e restaurantes, ajudou a desenvolver o senso crítico em seus leitores com sua crônica gastronômica, marcada por pitadas de humor. Liana Sabo tem sido uma parceira do Slow Filme desde o início da história do festival, incentivando e apoiando o evento. [A luta continua]

Programação do Cine Brasília
Quinta-feira, 1/8
17h30 - Apresentação do Slow Food Cerrado pelos facilitadores Thaíssa Aragão (líder do Convivium Slow Food Cerrado) e Jean Marconi (ativista, Slow Food – Região Centro-Oeste)
18h - Slow Food Story (74’)
20h - Sessão Especial de abertura com lançamento da série Alma D’Chef – do cineasta Ronaldo Duque. Homenagem ao cozinheiro Juan Pratginestós
20h30 – Histórias da Comida Cubana (82’)
Sexta-feira, 2/8
16h - Meridiano do Vinho (60’)
(Após a sessão, a sommelier Patrícia Amada estará no foyer do cinema, para conversar sobre vinhos georgianos. Também serão disponibilizados para a compra os rótulos Tbilisi Tinto 2017 e Saperavi Tinto 2016)
17h30 - Na Trilha de Gastón (75’)
19h - O Império do Ouro Vermelho (54’)
20h30 - Homenagem a Liana Sabo (responsável pela coluna Favas Contadas do Correio Braziliense)
20h45 - Senhor Maionese (95’)
Sábado, 3/8
11h - Dois tomates e dois destinos + Comer o quê? (75’)
15h - Jaén – Virgen & Extra (90’)
17h - Faça Homus, não faça Guerra (77’)
18h30 - I Villani (83’)
20h30 - O chef errante (85’)
Domingo, 4/8
10h30 - O Sabor do Desperdício (88’)
(Após a sessão, conversa com Paulo Mello, chef, permacultor, empresário e fundador do Instituto Ecozinha)
15h30 - Quando a Itália comia em preto e branco (20’) + O Retorno (12’)
16h30 - Retrato de um Jardim (93’)
18h30 - Lançamento do registro audiovisual, com a presença dos chefs, do projeto Cerrado no Prato – Expedição Kalungas – Vão das Almas/GO (3’) + História da Alimentação no Brasil (100’)
(Após a exibição, degustação da tradicional paçoca de gergelim, produzida pela comunidade)
21h - A Mentira Verde (97’)
Sinopses
A Mentida Verde (The Green Lie)
Áustria, 2018, 97min
Direção: Werner Boote
Carros elétricos ecologicamente corretos, produtos alimentícios produzidos de forma sustentável, processos de produção justos. Uau! Se tudo o que as corporações nos dizem é verdade, podemos salvar o mundo somente com nossas decisões de compra! Uma mentira popular e perigosa. Neste documentário, o diretor Werner Boote apresenta, junto com a ambientalista Kathrin Hartmann, as imagens de marketing sustentável (greenwashing) que grandes atores globais fizeram nos últimos anos com o intuito de recuperar a confiança da crescente multidão de clientes céticos. Eles discutem as conexões entre ecologia e economia e os erros de políticas que transferem a responsabilidade de uma gestão justa e sustentável de recursos para os consumidores.
Werner Boote é um premiado cineasta austríaco, detentor de alguns dos mais importantes títulos em festivais como Berlim e Dinamarca. É autor de filmes como ‘Planet Plastic’, de 2009, exibido em mais de 70 países. Boote também assina filmes produzidos especialmente para a televisão.
Alma d´Chef
Brasil, 2019, 24min
Dir. Ronaldo Duque
Com Juan Pratginestós
Primeiro episódio da série documental que vai explorar experiências de chefs que assumiram o comando de cozinhas tardiamente, após terem construído carreiras de sucesso em diferentes profissões. O primeiro dos 13 episódios do projeto é dedicado ao chef Juan Pratginestós, que antes de se dedicar à gastronomia, construiu uma consagrada trajetória como fotógrafo.
Ronaldo Duque é cineasta, realizador dos longas-metragens ‘Araguaya, Conspiração do Silêncio’ e ‘Amor & Brega’, e do média ‘O Togo e a triste história da escravidão’. Jornalista, produtor e diretor de cinema e televisão, já assinou dezenas de documentários, comerciais e programas de TV, atuou como editor da TV Globo, de publicações como a revista IstoÉ e outros grandes jornais.
Cerrado no Prato – Expedição Kalungas –Vão das Almas/GO
Brasil, 2019, 3min
Participação dos chefs Ana Paula Jacques, Almir da Fonseca, Matheus Zanella, Leandro Nunes e Simon Lau e dos anfitriões Fiota, Calisto, André (Coentro), Ademilson, Jacilene, Luan, Arla, Yuan Mayan e Maina
Fotografia: Rafael Facundo e Camila Sena
O projeto Cerrado no Prato, com curadoria da chef Ana Paula Jacques, é uma plataforma colaborativa e integrada que reúne pesquisadores e chefs de cozinha e tem como objetivo promover o uso sustentável da sociobiodiversidade do Cerrado na gastronomia e no turismo, como estratégia para valorização e conservação do segundo maior bioma brasileiro. Para ampliar o conhecimento sobre o Cerrado, o projeto se expandiu através das Expedições, que buscam ampliar as conexões com as comunidades tradicionais, agroextrativistas, agricultores familiares por meio de vivências, trocas e interações diretas. O vídeo registra a Expedição ao Vão das Almas, situado em Cavalcante, Goiás.
Ana Paula Jacques é Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), Mestra em Turismo pela UnB e pesquisadora em gastronomia, patrimônio cultural, turismo e sustentabilidade. Atua como professora efetiva de gastronomia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB).
Comer o quê?
Brasil, 2015, 60min, documentário
Dir. Leonardo Brant, com a colaboração de Caio Amon, Graziela Mantoanelli
Roteiro: Caio Amon, Graziela Mantoanelli e Leonardo Brant
Pesquisa: Graziela Mantoanelli
A comida define nossa identidade? Quais os benefícios dos alimentos orgânicos? Será que nossos hábitos alimentares influenciam a distribuição de renda ou as condições ambientais do nosso planeta? Essas e outras perguntas são exploradas em ‘Comer o quê?’. Personagens como Alex Atala, Bela Gil, Helena Rizzo, Josimar Melo, Neka Menna Barreto, Marcos Palmeira, Márcio Atalla, Roberto Smeraldi, Fabiolla Duarte, Cláudia Visoni e outros convidam o espectador para um mergulho na gastronomia e nos hábitos alimentares dos brasileiros. Agronegócio, nutrição, economia, gastronomia, saúde também estão no cardápio do filme.
Leonardo Botelho Brant é documentarista, pesquisador, empreendedor, autor de livros como ‘Mercado Cultural’ (2001) e ‘O Poder da Cultura’ (2009). Criou e coordenou o Projeto Asa e o site Arte-Cidadania, programa premiado que atendeu mais de cinco mil crianças de baixa renda no Brasil. Criador da Deusdará Filmes, com a qual produz e dirige documentários. Em 2018, idealizou a plataforma DocMakers, coletivo que visa construir um novo mercado para o documentário brasileiro.
Dois Tomates e dois Destinos (Dos tomates y dos destinos)
Espanha, 2012, 9min
Uma produção da VSF – Veterinários sin Fronteras
Ideia original de Aníbal Gómez
Com Joaquín Reyes e Carlos Areces
Dois tomates, o transgênico K-44 e o orgânico Maurício, se conheceram através de um chat da internet e marcam encontro em um bar. A princípio, K-44 parece mais atraente, mas Maurício tem uma coisa que deixará K-44 louco. No entanto, Maurício sabe muito bem o que quer e o que não quer.
VSF – Veterinários sin Fronteras é uma ONG de atuação internacional, que visa oferecer mais qualidade de vida a populações menos favorecidas. Atua em várias frentes, dentre elas o cinema, realizando documentários e ficções.
Faça homus, não faça guerra (Make Hummus Not War)
Austrália, 2012, 77min
Direção: Trevor Graham
Pode o amor pelo homus ser a receita para a paz no Oriente Médio? A partir desse questionamento, o diretor Trevor Graham (ele mesmo um apaixonado pelo homus) parte numa jornada por países que, apesar de viverem em guerra uns contra os outros, têm em comum a paixão pelo alimento preparado com grão-de-bico. O diretor passeia por bares e cozinhas de Beirute, Tel Aviv, Jerusalém e Nova York, encontrando colonos, ativistas políticos, fazendeiros, cozinheiros e sheiks para quem o amor pelo homus beira a obsessão. De forma bem-humorada, Trevor Graham apresenta a guerra sob uma perspectiva curiosa: quem detém a herança da receita original do homus?
Trevor Graham trabalhou como escritor, produtor e diretor de documentários na indústria australiana por quase 30 anos. Seus documentários foram exibidos e transmitidos nacionalmente e em todo o mundo. Graham fez inúmeras coproduções e trabalhos comissionados para o Canal 4 e para a BBC (Grã-Bretanha), WGBH (América), ARTE (França / Alemanha), AVRO (Holanda), SBS e ABC TV (Austrália).
Histórias da Comida Cubana (Cuban Food Stories)
EUA, 2018, 82min
Direção e produção: Asori Soto
Depois de viver dez anos como expatriado nos Estados Unidos, Asori Soto decide retornar à sua terra natal, Cuba, para procurar os sabores que faltam em sua infância. Cuban Food Stories é um filme sobre comida, sociedade e cultura na ilha de Cuba. Uma aventura pessoal por toda a ilha para descobrir os mais autênticos sabores e histórias por trás da culinária cubana. Um filme com acesso sem precedentes a regiões tão remotas que só se pode chegar de jangada, a cavalo ou nadando.
Nascido em Havana, Cuba, Asori Soto é diretor e produtor radicado em Nova York. Formado em História da Arte, é um dos fundadores do Movimento Cubano de Cinema Independente.
I Villani
Itália, 2018, 83min
Direção: Daniele De Michele
“I Villani” é uma expressão que indica a simplicidade e autenticidade dos camponeses e trabalhadores humildes, que produzem seus alimentos segundo práticas tradicionais. O filme acompanha a rotina de quatro trabalhadores, do nascer ao por do sol, do início ao fim de sua jornada de trabalho. Da hora em que acordam até o momento em que vão dormir, seus ofícios, suas famílias, prazeres e tristezas são analisados enquanto eles explicam a sensação de viver e falam sobre pesca e agricultura. A maior questão que permeia suas preocupações é quanto tempo eles possuem até que sejam substituídos pela automação.
Segundo o New York Times, "um (e em alguns aspectos único) dos ativistas alimentares mais inventivos", Daniele de Michele colabora com Geo e Geo (RAI3), La Effe, Fahreneith (Radio3). Faz curadoria para séries de televisão e publica livros sobre gastronomia e alimentação. Escreve regularmente para Repubblica, Corriere della Sera, Esquerda e colabora com Alias, Fooding.
Jaén – Virgen & Extra
Espanha, 2018, 90min
Direção: José Luis Lopez-Linares
O azeite é o componente essencial da dieta mediterrânica. No início do século 21, uma revolução começou em Jaén, município espanhol da Andaluzia: la Picual, a mais emblemática das azeitonas locais, historicamente subvalorizada, poderia dar o melhor azeite de oliva extra virgem do mundo. Este documentário apresenta os desafios colocados por esta mudança através dos olhos das pessoas do olival de Jaén, dos chefs que viram nesta mudança uma revolução gastronômica, dos olivicultores e consumidores, e a beleza escondida de uma das províncias mais desconhecidas da Espanha.
Premiado diretor de fotografia e realizador espanhol, José Luis Lopez-Linares atuou como assistente de nomes como Carlos Saura e Fernando Trueba, antes de começar a produzir seus próprios filmes. Já assinou mais de 40 títulos, alguns premiados com o Goya, o mais importante prêmio do cinema espanhol. ‘Jaen - Virgen & Extra’ recebeu oito indicações ao Goya 2019, entre eles Melhor Filme, Diretor, Roteiro, Fotografia.
Meridiano do Vinho (Ghvinis Nulovani Meridiani)
Geórgia, 2016, 60min
Direção: Nana Jorjadze
Na década de 1960, uma das maiores descobertas no mundo vínico foi o reconhecimento da Geórgia como o berço do vinho. No filme, um jovem que sonha em emigrar e que quer descobrir um lugar no mundo e na vida, começa a percorrer a rota do vinho. As descobertas durante sua aventura o levam de volta ao local de nascimento do vinho, seu próprio local de nascimento: a Geórgia. Um filme divertido e agradável, que explica o processo de produção de vinho no país (hoje e intercalado com incríveis imagens históricas de arquivo) e detalha a grande variedade de uvas e tipos de videiras encontradas nas várias regiões da Geórgia.
Nana Jorjadze é cineasta, roteirista e atriz georgiana, nascida em Tblisi. O filme foi o grande vencedor do Hollywood Documentary Film Festival, onde conquistou cinco prêmios, e detentor de vários prêmios internacionais como o de Prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Enológico de Oenovideo, na França, e Melhor Filme Estrangeiro no festival espanhol MOST 2016.
Na Trilha de Gastón (Buscando a Gastón)
Peru, 2014, 75 min, Documentário
Direção: Patricia Perez
Há muitos grandes chefs no mundo, mas apenas um é considerado herói nacional. Este é Gastón Acurio, um dos chefs mais consagrados internacionalmente, que, através da gastronomia, recuperou a autoestima e até mesmo a identidade do povo peruano. O filme apresenta as histórias, os sonhos e as inspirações por trás desse homem que transcendeu a gastronomia em uma missão para mudar seu país por meio da comida. Na tela está o mundo da culinária peruana e todo o poder dos alimentos no Peru. Gastón ensina, por meio de sua atitude, a importância da convicção e o valor da vocação para realizar qualquer projeto com amor e com a consciência de que, para alcançar qualquer coisa, é necessária a colaboração de outras pessoas. Porque as pessoas que são apaixonadas o suficiente para acreditar que podem fazer a diferença são as que realmente o fazem.
Patricia Perez é cineasta, produtora e roteirista, realizadora também do curta documentário ‘Mistura – The Power of Food’, de 2011.
O Chef Errante (The Wandering Chef)
Coreia do Sul, 2018, 85min
Direção: Hye-Ryoung Park
JihoIm, conhecido como o "Chef Errante" (foto, abaixo), é um chef de renome mundial, conhecido por viajar de um extremo a outro da península coreana, buscando ingredientes exclusivos conhecidos por suas propriedades medicinais e preparando deliciosas refeições para os moradores locais. Para ele, a natureza está no centro de sua vida e de seu trabalho criativo. Um dia, ele conhece alguém muito especial na estrada que o leva ao desafio mais incrível da sua vida: conceber e cozinhar 108 pratos em 24 horas - significante das 108 agonias da vida no budismo - para homenagear sua mãe adotiva.
Por quase duas décadas, Hye-Ryoung fez mais de 40 documentários para as principais emissoras da Coréia do Sul. Mais conhecida como diretora de "The Wandering Chef" (2009), seus trabalhos incluem "Mother, I'm Fine" (2008) e "Remember, I Love You" (2006). Seu forte são documentários de interesse humano, com uma abordagem antropológica. É também produtora executiva de populares programas de entretenimento na Coréia e fundadora da produtora Hayanso Entertainment.

O Império do Ouro Vermelho (L'empire de l'orrouge)
França, 2017, 54min
Diretor: Jean-Baptiste Mallet e Xavier Deleu
A fruta mais consumida do mundo tem uma história não contada. A industrialização do humilde tomate precedeu a economia globalizada que se seguiria. Agora é uma commodity como trigo, arroz ou gasolina. A capacidade do tomate de criar produtos fortemente identificáveis, como ketchup, molho de pizza, sopas, molhos, bebidas ou pratos congelados, é imbatível. Já em 1897, dez anos antes de Ford começar a produzir carros em massa, a Heinz convertia tomates em latas padronizadas de purê. Ela foi uma das primeiras empresas a entender o poder da marca. A Heinz baniu os sindicatos, impôs padrões uniformes de produção e estabeleceu laboratórios genéticos que asseguraram plantações de tomate idênticas em todo o mundo.
Jean-Baptiste Malet é jornalista e colabora para Monde Diplomatique. Já realizou diversos documentários, como ‘Em Amazonie’, de 2013.
Xavier Deleu é diretor, fotógrafo e roteirista, com ampla atuação na televisão, onde assina seriados e séries documentais. Recentemente, lançou ‘Cannabis: quand le deal est légal’, de 2019.
‘O Império do Ouro Vermelho’ recebeu o Prix Albert-Londres du Livre em 2018 , concedido às grandes reportagens em língua francesa.
“O Roundup Face” aos seus juízes
(Documentário/França/Suíça/Bélgica/96min/2017)
Direção: Marie-Monique Robin
Dez anos depois de O Mundo Segundo a Monsanto, Marie-Monique Robin realiza um devastador documentário-enquete sobre o produto fetiche da gigante multinacional de biotecnologia dos EUA. Baseando-se em pesquisas cientificas e nas observações efetuadas a partir de inúmeras viagens através do mundo, a diretora promove um implacável ato acusatório baseado em um perturbador e desconcertante dossiê de documentos e de depoimentos inéditos. O filme se posiciona contra as agressões ao meio ambiente, proporcionadas pelo uso do herbicida roundup, o mais vendido no mundo, cuja fórmula inclui o glifossato, molécula altamente tóxica. Seu uso provoca má formação nas crianças, cânceres, além de moléstias respiratórias e renais. No filme, cientistas e especialistas, evidenciam o escândalo sanitário em curso em países de todos os continentes incluindo o Brasil.
Marie-Monique Robin é uma premiada jornalista e documentarista francesa. Recebeu o prêmio Albert Londres em 1995, por “Voleurs d'yeux”, um trabalho sobre o roubo de órgãos. É autora do livro e documentário “Escadrons de la mort, l'école française” (Os Esquadrões da morte: A escola francesa), sobre as ligações entre os serviços secretos francês, argentino e chileno. A cineasta dedicou três anos de pesquisas para compor o roteiro de “O Mundo Segundo a Monsanto”, analisou 500 mil páginas de documentos e viajou à Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã e Noruega.
O Retorno (Il Ritorno)
Itália, 2011, 12 min, Documentário
Direção: Roberto Rabitti
Curta-metragem que descreve os princípios gastronômicos nos quais se baseia a culinária de Massimo Bottura, patrono chef da cozinha da Osteria Francescana, de Módena, Itália, restaurante que tem três estrelas no prestigiado Guia Michellin e está listado no top cinco dos melhores restaurantes do mundo. O chef é conhecido por buscar referências e inspiração para seus pratos na arte, na paisagem e na tradição.
Roberto Rabitti é videomaker, editor, produtor, compositor e musicista. Assinou diversos trabalhos para publicidade e conquistou prêmios por suas obras individuais. Concebeu e dirigiu festivais como VIDEOR, o primeiro festival italiano em transmissão ao vivo.
O Sabor do Desperdício (Taste the waste)
Alemanha, 2011, Cor, 88 min, Documentário
Direção: Valentin Thurn
Porque jogamos nossa comida no lixo? Domicílios alemães estão jogando fora alimentos no valor de 20 bilhões de euros por ano, o mesmo valor do faturamento anual do grupo Aldi, uma das maiores empresas do ramo de supermercado da Alemanha. A comida desperdiçada na Europa daria para alimentar duas vezes todas as pessoas que estão passando fome no mundo. Taste the Waste mostra que está começando uma mudança de pensamento mundial e que já existem pessoas que contrariam esse absurdo com muito engajamento e ideias valiosas.
Premiado diretor e roteirista alemão, Valentin Thurn é cofundador da International Federation of Environmental Journalists. Escreve e dirige documentários – vários deles premiados –, transmitidos por diferentes emissoras alemãs. Em 2013, fundou um site de compartilhamento de alimentos.
‘O Sabor do Desperdício’ foi escolhido Melhor Filme do Atlantis Environment and Nature Film Festival 2011, na Alemanha, Melhor Documentário no Festival Internacional de Cinema EKOFILM, da República Tcheca, e Prêmio de Mídia Ambiental da Organização Alemã do Meio Ambiente.
Quando a Itália Comia em Branco e Preto (Quando L’italia mangiava in bianco e nero)
Itália, 2015, 20min, documentário
Direção: Andrea Gropplero di Troppenburg
Uma viagem divertida sobre as receitas tradicionais e regionais da cozinha italiana, através de imagens em branco e preto, recuperada do Archivio Cinetografico do Instituto Luce Cinecittá, de Roma, Itália. Um delicioso percurso por alimentos, cozinhas, depoimentos e casos divertidos de personalidades da indústria do entretenimento e da cultura.
Andrea Gropplero di Troppenburg é diretor, roteirista e produtor italiano, que fez sua estreia com ‘Quando a Itália comia em branco e preto’. Depois, lançou ‘Comunismo Futuro’, 2017, e ‘El Colore della Fatica’, 2018.
Retrato de um Jardim (Portrait of a Garden)
Holanda, 98min, documentário
Dir. Rosie Stapel
Em uma histórica horta de uma propriedade holandesa, um mestre podador de 85 anos e um jardineiro cuidam dos arranjos de galhos em um muro. Enquanto trabalham, conversam sobre comida, o clima e uma infinidade de outros assuntos do mundo. Durante todo esse tempo, compartilham seus conhecimentos sobre horticultura. Rodeados por plantas, árvores cítricas, um laranjal histórico, pomares e uma exuberante vinha, dividem sua paixão e seus conhecimentos sobre quais seriam os ingredientes básicos para o sucesso de uma grande horta. Eles cuidam por mais de quinze anos de um caramanchão de pera e se perguntam se ele vai “fechar” e ficar belo como de costume. O jardineiro jovem escuta, absorto, esse velho mestre que se preocupa com a possível perda de um conhecimento secular.
Rosie Stapel é diretora, diretora de arte e principalmente designer de produção, função que exerceu em vários filmes de Peter Greenaway. Ensina Design de Produção na Universidade de Arte de Utrech. Em ‘Retrato de um Jardim’ assina a direção, fotografia, edição e produção.
Senhor Maionese (Monsieur Mayonnaise)
Austrália, 2016, 95min
Direção: Trevor Graham
Uma aventura épica estrelada por artistas, heróis, nazistas, quadrinhos etc. Inspirado na história de família do próprio realizador Philippe Mora, autor de mais de 40 filmes. Sua mãe, Mirka, era artista visual nascida na França de origem judia; seu pai, Georges, era judeu alemão, membro da Resistência Francesa. Junto com o mímico Marcel Marceau, os dois enfrentaram o III Reich, usando um recurso bastante criativo: eles passavam papéis da resistência e passaportes dentro de baguetes cheias de maionese garlic. Com suas luvas brancas, os soldados alemães se negavam a abrir o pão. Assim, salvaram a vida de milhares de judeus.
Trevor Graham trabalhou como escritor, produtor e diretor de documentários na indústria australiana por quase 30 anos. Seus documentários foram exibidos e transmitidos nacionalmente e em todo o mundo.
Sessão Especial: Série histórica da alimentação no Brasil
Brasil, 2017, 112min
Realização da Heco Produções
Direção: Eugenio Puppo
Série que tem como fio condutor o livro homônimo do maior folclorista brasileiro, o grande pesquisador Luis da Câmara Cascudo. Entre 1943 e 1962, Cascudo viajou pelo Brasil, entrevistando ex-escravos, especialistas, donas de casa, pessoas nas feiras, estudou a cultura indígena, foi à África e estudou extensa bibliografia. O resultado foi o livro A História da Alimentação no Brasil, o maior registro histórico e sociológico já produzido sobre a culinária brasileira. O cineasta Eugenio Puppo seguiu os passos do mestre e concebeu uma série de 13 capítulos, com 30 minutos cada um. Slow Filme exibirá quatro episódios.
Eugenio Puppo é diretor, produtor, ator, roteirista, pesquisador, curador, editor de livros. Em 1994, fundou a Heco Produções. Em 2014, ganhou o Candango de Melhor Filme pelo Júri Popular do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com o documentário ‘Sem Pena’.
Nono episódio da série apresenta a relação entre as culinárias brasileira e portuguesa, uma história de trocas e adaptações. Os primeiros colonizadores europeus trouxeram mantimentos de sua terra natal, mas também se depararam com a necessidade de adequar seus hábitos à oferta local de alimento. Ao longo do tempo, criou-se uma “cultura transatlântica” da comida, na qual os dois lados promoviam o intercâmbio alimentar. No filme estão os pilares dessa rica culinária – a carne de porco, os frutos do mar, o pão, as hortaliças –, a preparação de um prato clássico, as tripas à moda do Porto, e uma releitura do cozido à portuguesa nas mãos de um chef-estrela de Lisboa.
Locais visitados: Alvito, Porto, Mirandela e Lisboa, em Portugal; Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no Brasil.
Nativa do Brasil e ingrediente básico da culinária indígena, a mandioca foi descrita pelos cronistas portugueses já nos primeiros registros sobre a flora brasileira. Muito consumida em todas as partes do país até os dias de hoje, é um dos produtos-chave para entender a alimentação do brasileiro. Não à toa, a mandioca recebeu de Câmara Cascudo o título de realeza. O primeiro episódio da série vai até o Pará para acompanhar a fabricação artesanal da farinha de mandioca, mostrar a riqueza de adaptações e derivações da planta e revelar o resgate da tradição que cozinheiros brasileiros têm feito ao oferecer pratos com mandioca em seus restaurantes.
Locais visitados: Bragança e Belém/Pará, São Paulo, Recife, Natal, Pirenópolis/GO, Rio de Janeiro, Belém – Pará; Natal e São Miguel do Gostoso/RN e Alvito em Portugal.
Cultuado pelas antigas civilizações da América, o milho já era ingrediente incontestável na dieta alimentar indígena quando o português desembarcou no Brasil. Alimento versátil, perene e por isso essencial nas longas viagens pelo interior do país, onde até hoje está associado à fartura e à comida de sustância, dando força, vigor e robustez ao sertanejo. Segundo episódio da série apresenta o tradicional beiju de milho, feito pelas mãos de uma cozinheira Guarani, que mostra a importância histórica do milho na cultura brasileira, em especial nos festejos de São João, e o debate sobre as sementes transgênicas na produção do grão, além do preparo de um prato “mata-fome” acreano à base de cuscuz de milho.
Locais visitados: São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Itabirito/MG e Natal.
Os índios brasileiros não conheciam grande parte das espécies de banana consumidas hoje no País. Essas foram trazidas pelos colonizadores portugueses. Ao longo dos séculos, a fruta ganhou importância no cardápio do brasileiro e adquiriu uma série de significados simbólicos no folclore, na arte e na cultura de massa, criando uma associação entre a banana e a ideia de latino-americanidade. O terceiro episódio de História da Alimentação no Brasil traz um prato feito com uma parte geralmente pouco utilizada da bananeira, o “umbigo” ou “coração”, além da preparação de um purê de banana servido em um dos mais tradicionais restaurantes de Belo Horizonte.
Locais visitados: Tiradentes e Belo Horizonte/MG, São Paulo, Rio de Janeiro, Natal e Lisboa em Portugal.
Slow Food Story
Itália, 2013, 74 min, Cor, Documentário
Direção: Stefano Sardo
A trajetória do homem e do movimento que revolucionaram a gastronomia mundial. O filme é a história de um grupo de amigos que cresceu na província, entre piadas, comidas colossais e paixão política. Há Carlo Petrini, o criador do movimento Slow Food, claro, mas há também seus melhores amigos, Azio Citi e Giovanni Ravinale. Este é o relato de uma amizade. Das alegrias, mas também das dores.
Stefano Sardo é roteirista e diretor artístico do Slow Food on Film, festival internacional promovido pelo movimento Slow Food, em Bologna, na Itália.
Atividades paralelas e formativas
Quinta, dia 31 de julho, 10h, Cine Brasília
Exibição do filme “O Sabor do Desperdício” para jovens de escolas públicas do projeto ‘A Escola vai ao cinema’, seguida de conversa com Paulo Mello, fundador do Instituto Ecozinha sobre o tema “A revolucionária cozinha de baixo carbono”.
Paulo Mello Filho - Chef de Cozinha, permacultor e empresário há 27 anos, é fundador e consultor da rede de Restaurantes Dona Lenha, onde criou o seu próprio sistema de gestão ambiental, destinando corretamente todos os resíduos gerados. Animador ambiental, fundou o Instituto Ecozinha, do qual é Diretor-Presidente. O projeto hoje envolve 63 outros bares, hotéis e restaurantes de Brasília, num movimento transformador no setor de alimentação.
De 1º a 4 de agosto, na lateral sul do Cine Brasília
Feirinha de produtos locais e orgânicos - Somos
Local: Cine Brasília (entrada lateral sul)
De 1º - a partir das 17h00
De 2 a 4 - das 14h30 às 22h
Organização: Pé de Lima
Responsável: Gracilene Bessa
Venda de geleias orgânicas, cervejas artesanais, queijos, PANCs, temperos, molhos, pães e outras delícias
Sexta, dia 02 de agosto, 10h, Espaço Cultural Renato Russo.
Exibição do filme O Round Face aos seus juízes
(Documentário/França/Suíça/Bélgica/96min/2017)
Direção: Marie-Monique Robin
Após a exibição, debate com a presença de Sofia Carvalho, agricultora e membro da campanha permanente contra os agrotóxicos e a favor da vida, e de Thaíssa Aragão, líder do Convívio Slow Food Cerrado (movimento do qual participa há 12 anos) e criadora do projeto ‘Cerrado todo dia’, que incentiva o conhecimento e uso do cerrado, em ações e pesquisas junto a faculdades de Brasília.
Sábado, 03de agosto, 10h, Espaço Cultural Renato Russo
Quadra Comestível – Conhecendo Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) em Brasília.
Oficina, percurso e degustação de PANCS, com Bruna de Oliveira
Bruna de Oliveira - Gaúcha radicada em Brasília, é nutricionista e pesquisadora alimentar. Desenvolve trabalhos com ênfase em Segurança Alimentar e Agrobiodiversidade. Especialista em PANCs, é também comunicadora e empreendedora ecológica. Fundou em 2017 a Crioula - Curadoria Alimentar, que visa contribuir com soluções ecológicas em sistemas alimentares por meio de vivências e criação de conteúdo.
Número limitado para 25 pessoas
Inscrições gratuitas: até 1º de agosto. Formulário de inscrição disponível no link: https://bit.ly/2XhotHx
18h Cine Brasília
Lançamento dos dois volumes do livro “Frutos e Sementes do Cerrado”, de Marcelo Kuhlmann
Baseados na ideia de “conhecer para valorizar”, os livros “Frutos e Sementes do Cerrado” foram elaborados ao longo de mais de 10 anos de pesquisa pelo biólogo e doutor em Botânica Marcelo Kuhlmann. São guias de campo ricamente ilustrados para identificação de espécies da flora e da fauna nativas do bioma Cerrado. A obra aborda mais de 500 espécies de frutos do Cerrado e de animais frugívoros (que se alimentam de frutos, não causando prejuízo às sementes da planta), documentados em mais de três mil fotografias.
Domingo, 4 de agosto, 9h, Jardim Botânico de Brasília
Percurso de reconhecimento de frutos e plantas do cerrado com Marcelo Kuhlmann*
Marcelo Kuhlmann - Biólogo e Doutor em Botânica pela Universidade de Brasília, há mais de 10 anos pesquisa interações ecológicas entre plantas e animais nativos, associadas à frugivoria e dispersão de sementes. Autor dos livros “Frutos e Sementes do Cerrado: espécies atrativas para a fauna”. Atua como consultor na Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, na área de conservação e biodiversidade.
Número limitado para 30 pessoas
Atividade gratuita
Horário de chegada: 9h15
Local de encontro: Casa de Chá, ao lado do orquidário
Inscrições gratuitas: até 1º de agosto. Formulário de inscrição disponível no link: https://bit.ly/2XhotHx
Almoço no Restaurante Leão da Serra
Espaço dedicado à cultura e às artes, com destaque para a gastronomia bem brasileira. Um restaurante rural cujo cardápio acolhe influências da cozinha indígena, portuguesa, africana. Drinks especiais e muita poesia.
Chef Lúcia Leão
Cardápio: Menu Amazônico
Drink de boas vindas: “Espumanauara”, coquetel de Lambrusco tinto com cupuaçu, remetendo ao encontro das águas;
Antepasto: Tacacá ou Rolinhos Da Rocha (folheado de pirarucu com catupiry e saladinha verde)
Entrada: Pirarucu de Casaca
Prato principal: Pato no Tucupi ou Peixe do Maestro (tambaqui assado com banana da terra frita, jambu, farofa de pimenta e caldo de tucupi)
Sobremesa: Peri e Ceci (doce de cupuaçu com castanha e requeijão do sertão)
Preço: R$ 90 (individual)
Limite de entrada para 30 pessoas
Reservas antecipadas: (61) 98520.1752
Endereço: Setor Habitacional Taquari, Quadra 5, conj. 1, lote 8T
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Serviço:
Evento: 10º Slow Filmes - Festival Internacional de Cinema e Alimentação.
Data: de 1º a 4 de agosto de 2019
Local: Cine Brasília (106 Sul) e Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)
https://www.facebook.com/festivalslowfilme/
Criado em 2019-07-09 17:21:44
Romário Schettino -
Em cerca de quatorze horas de depoimento, perguntas e respostas, muitas repetições, a presidenta Dilma Rousseff cumpriu papel fundamental neste julgamento do Senado.
Até mesmo seus aliados ficaram impressionados com a sua coragem e capacidade de argumentação. Seus opositores, inquietos, se surpreenderam com sua desenvoltura.
Afiada, deu informações e explicações sobre tudo o que lhe foi perguntado e muito mais. Denunciou o golpe parlamentar e explicou como chegou a essa conclusão. Defendeu uma profunda reforma política, pacto para consulta popular e até mesmo um governo suprapartidário em defesa do Brasil.
Muita gente se perguntava durante o dia: por que Dilma não pensou em fazer esse tipo de debate no Senado antes da abertura do processo? Falta de orientação? Ou será que não imaginava que as coisas pudessem chegar ao ponto que chegaram?
A presidenta estava ciente de sua missão entre os senadores, enfrentou corajosamente seus algozes, defendeu seu governo e explicou a origem dos decretos e das chamadas pedaladas. Esses atos, segundo ela, “não podem ser considerados crimes de responsabilidade em hipótese alguma”.
Dilma já disse que não defende apenas seu mandato, mas a democracia brasileira, que julga ameaçada com este processo. Com a voz embargada disse na abertura: “Hoje eu só temo a morte da democracia”.
Essa ameaça, segundo Dilma, tem origem no papel desempenhado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha que desestabilizou seu governo porque ela não quis salvá-lo da Comissão de Ética com os votos do PT. “Cunha jogou tudo no quanto pior melhor”.
Eis o resumo dessa ópera bufa, protagonizada por Cunha, tendo como coadjuvante o oportunista Michel Temer e os conspiradores do PSDB de Aécio Neves & cia.
O resultado da votação não está dado. É possível que Dilma consiga mais do que os 21 votos obtidos na fase da admissibilidade. O que não se sabe é se ela conseguirá os 28 necessários para o arquivamento do processo.
Nem é certo que Temer conseguirá os 54 votos exigidos para se aboletar no cargo de presidente. O jogo ainda está sendo jogado.
Criado em 2016-08-30 04:17:23
Brasília - Maria Lúcia Verdi, natural de Porto Alegre e radicada em Brasília, lança seu sétimo livro, “em voz baixa”, pela Editora Iluminuras, na Livraria Sebinho (406 Norte), no dia 5 de julho.
Mestre em Literatura Brasileira, os textos de Malu Verdi, como é conhecida entre os amigos - seja os poemas, os micro relatos ou as crônicas presentes no livro - dialogam com o cinema, a pintura e a filosofia. A escritora, que trabalhou como oficial de chancelaria no Itamaraty, viveu em Roma, onde dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros; em Pequim, como chefe do Setor Cultural da embaixada brasileira; e em Buenos Aires, como encarregada do setor de divulgação.
As vivências no exterior influenciaram sua produção, tendo seu livro “Este fruto outro” sido publicado pela editora italiana Illa Palma e “Coito com o real”, pela editora argentina Leviatã. Foram lançados como edições da autora o primeiro livro, “Personagem possível”, saudado pelo poeta Cacaso, e “O caractere do sono – entre Oriente e Ocidente”, seu “livro chinês”.
A editora Bric-à-Brac publicou “Falas”, em 1986. Escreveram sobre Maria Lúcia Verdi Francisco Alvim, Ettore Finanzzi-Agrò, Oswaldino Marques, Rosalba Campra, Severino Francisco e, agora, Vilma Areas.
“em voz baixa” é, como diz Vilma Areas no posfácio do livro, a reafirmação de um “caminho traçado pelos livros anteriores, tornando mais nítida a linha sinuosa entre movimento e contemplação, criação e desejo de crítica, escrita e apelo de silêncio, que se impõe com clareza no impulso imperativo da reescrita.”
Maria Lúcia desenvolve há seis anos, em Brasília, o projeto POESIA DO MUNDO que apresenta a poesia estrangeira em língua original e em traduções. Colabora, como articulista, com este site: www.brasiliarios.com
A dissertação de mestrado de Malu Verdi (foto), sobre Samuel Rawet, foi escrita no viés da confluência da literatura com a psicanálise. Em Roma, estudou Lacan com o grupo de estudos Cosa Freudiana.

Veja entrevista concedida por Maria Lúcia Verdi ao jornalista Severino Francisco, Caderno Diversão e Arte, Correio Braziliense, de 29/6/2019: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/06/29/interna_diversao_arte,766588/maria-lucia-verdi-lanca-setimo-livro-de-poesias-da-carreira.shtml
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SERVIÇO:
Lançamento do livro de Maria Lúcia Verdi: “em voz baixa”
Dia: Sexta-feira, 5 de julho de 2019
Horário: Das 18h30 às 21h30
Local: Livraria Sebinho, CLN 406, Brasília-DF.
Criado em 2019-06-29 15:51:19
A Frente Brasil Popular, que reúne sindicatos e associações progressistas e movimento sociais, divulgou nesta quarta-feira (31/8) uma carta de apoio à presidenta eleita Dilma Rousseff.
Na carta, reforçam que senadores que votaram pelo impeachment “atropelaram o resultado eleitoral, condenaram uma mulher inocente e sacramentaram o mais grave retrocesso político desde o golpe militar de 1964” e garantem: “Nossa luta contra o governo golpista e seu programa para retirada de conquistas será implacável”.
Leia abaixo na íntegra:
"Carta da Frente Brasil Popular à Presidenta Legítima Dilma Rousseff
Companheira Presidenta
Dilma Rousseff
Primeiramente, como dizem as ruas, fora Temer!
A maioria dos senadores brasileiros dobrou-se à fraude e à mentira, chancelando um golpe parlamentar contra a Constituição e a soberania popular.
As forças mais reacionárias, ao interromper vosso legítimo mandato, impuseram um governo usurpador, que não esconde suas opções misóginas e racistas.
Atropelaram o resultado eleitoral, condenaram uma mulher inocente e sacramentaram o mais grave retrocesso político desde o golpe militar de 1964.
Esta ruptura da ordem democrática materializa os propósitos antipatrióticos e antipopulares das elites econômicas, empenhadas em ampliar sua margem de lucro através da destruição de direitos e conquistas do povo brasileiro, como a companheira denunciou diante de seus algozes de hoje.
Os golpistas não escondem seu programa: entre outras medidas contra o povo, pretendem reduzir investimentos em saúde, educação e moradia, eliminar direitos trabalhistas, acabar com a vinculação da aposentadoria básica ao salário mínimo, esvaziar programas sociais e entregar o pré-sal às corporações internacionais.
A agenda dos usurpadores rasga as garantias da Constituição de 1988 e afronta as conquistas obtidas durante os governos do presidente Lula e o da companheira, com o claro intuito de favorecer os interesses da plutocracia do dinheiro, da indústria, da terra e da mídia, em detrimento dos trabalhadores e das camadas médias.
Durante os últimos meses, ao lado da companheira, resistimos contra o golpe institucional por todo o país. Milhões de brasileiros e brasileiras participaram de manifestações e protestos, em um esforço unitário para defender a democracia, os direitos populares e a soberania das urnas.
A voz da companheira, em seu discurso de 29 de agosto frente a seus julgadores, nos representa. Ali se fez ouvir, com dignidade e audácia, a verdade sobre o golpe em curso, sua natureza de classe e sua ameaça ao futuro da nação, pois os usurpadores não escondem sua submissão aos centros imperialistas e buscam destruir a política externa independente dos governos petistas.
Perdemos uma batalha, mas a resistência apenas começa. Nas ruas e nas instituições. Nos locais de estudo, trabalho e moradia. Mais cedo do que pensam os usurpadores, o povo brasileiro será capaz de rechaçar seus planos e retomar o caminho das grandes mudanças.
Nossa luta contra o governo golpista e seu programa para retirada de conquistas será implacável. Buscaremos a unidade e a mobilização das mais amplas forças populares, combatendo sem cessar, até derrotarmos a coalizão antidemocrática que rompeu com o Estado de Direito. Estamos certos de que a companheira continuará a inspirar e protagonizar a resistência contra o golpismo.
Do mesmo lado da trincheira e da história, lutaremos até a vitória de um Brasil democrático, justo e soberano.”
Criado em 2016-09-01 14:04:54